Nº 2427 - Abril de 2004
2427 - Abril de 2004
Editorial - Dois Alargamentos e as suas Consequências
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
Neste ano de 2004, e a muito curto prazo, dois acontecimentos vão, mais uma vez no longo caminho da História, modificar o mapa da Europa nas suas vertentes económica, social e de segurança. Trata-se dos alargamentos da União Europeia (UE) de 15 para 25 membros e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de 19 para 26 membros. Para as gerações mais velhas, que viveram as consequências da Segunda Guerra Mundial, que assistiram às destruições e ao esforço de reconstrução, que testemunharam o ambiente da Guerra Fria e o papel decisivo que as Nações da América do Norte (EUA e Canadá) tiveram naquela reconstrução e no empenho na preservação da paz, os dois acontecimentos serão vistos como um final que ajudaram a construir, com esperança, sacrifício e adaptações à sua maneira de pensar.
Da Questão Ibérica à União Europeia. Constantes e Mutações no Relacionamento entre Espanha e Portugal.
Professor Doutor
José Manuel de Barros Dias
Ao ler Espanha e Portugal desde uma perspectiva geo-política, situa-se o período germinal desta análise na Questão Ibérica, quer por se entender que a traditio é a base da revolutio, quer por convicção de que, ainda hoje, há ecos indeléveis daquela polémica, forte, em ambos os Estados peninsulares.
 
São os nossos dias que encerram, na medida do possível, uma meditação que não pretende ser um reservatório de cronologias, ou, sequer, uma mera compilação de dados. Esta análise tem lugar numa hora difícil para Espanha e para Portugal, para a União Europeia, mas também para um mundo crescentemente globalizado e submetido ao crivo de manipulações ideológicas grosseiras, das ameaças difusas mas não menos perigosas do que as ameaças tradicionais e, em boa medida, da ausência de rumo por parte daqueles que têm a obrigação, moral e política, de dirigir - sem esquecer a satisfação do bem comum - as comunidades humanas.
 
Do passado, para o futuro, fica-nos a pergunta: e agora, o que fazer, Portugal e Espanha, a partir daquilo/daqueles que fomos?
Projecto para o Levantamento do Quartel-General de Operações Especiais - Combined Joint Special Operations Task Force HQ (CJSOTF HQ)
Coronel
Nuno Miguel Pascoal Dias Pereira da Silva
Este artigo serviu de base a uma conferência proferida pelo Tenente Coronel Pereira da Silva no âmbito do Seminário de Operações Especiais da União Europeia, e apresenta partes do projecto efectuado para o levantamento do Quartel-General de Operações Especiais/“Combined Joint Special Operations Task Force HQ (CJSOTF HQ)”.
Há Cem Anos a Guerra Russo Japonesa. Consequências Diplomáticas. Equilíbrio Internacional e Europeu.
Tenente-coronel
José Miguel Moreira Freire
O artigo aborda a problemática do reequilíbrio do poder no Extremo Oriente e na Europa e consequentes repercussões nas alianças entre as potências mundiais no pós-Guerra Russo-Japonesa, tentando perceber até que ponto as consequências diplomáticas desta Guerra foram determinantes no eclodir da 1ª Guerra Mundial. Nesta matéria o autor defende que, mais do que qualquer outra crise que envolveu as potências europeias, a Guerra Russo-Japonesa teve o papel iniciador e decisivo para a criação do sistema de alianças bipolar que, entre outras razões, foi causa profunda desse grande conflito.
 
Para defesa deste argumento o autor faz uma breve caracterização do mundo antes de 1904 e das origens no eclodir da Guerra Russo-Japonesa, defendendo ter sido a aliança Anglo-Japonesa determinante para a iniciativa do Japão atacar a Rússia e fazê-lo de acordo com o seu calendário de interesses. Depois faz uma abordagem da guerra propriamente dita, relevando a influência das batalhas de Mukden e Tsushima no desenvolvimento da vontade dos beligerantes para encetarem conversações de paz. Sobre estas, defende que o tratado alcançado favoreceu os dois beligerantes mas, principalmente, e ao contrário do sentimento da época, foi o Japão que tirou os maiores dividendos. Identifica três grandes consequências diplomáticas:
- A aproximação da Grã-Bretanha à França, que a guerra veio acelerar e consolidar;
- A convenção anglo-russa, para a qual a França foi o interlocutor por excelência;
- A tripla entente, como corolário da aproximação sucessiva, primeiro da França e Grã-Bretanha, depois entre a Grã-Bretanha e a Rússia e finalmente a junção das três nações.
 
Relativo ao Equilíbrio Internacional e Europeu estabelecido defende que a Guerra Russo-Japonesa foi o acontecimento que iniciou e estabeleceu a bipolarização das alianças que mais nenhuma outra crise, entre as potências europeias, viria a ser capaz de alterar e que seria uma causa profunda para a Primeira Guerra Mundial. Na defesa deste argumento percorre, sucinta­mente, as crises na Europa e no Pacífico até 1914, precisamente as duas áreas geográficas cujos equilíbrios regionais, consequência deste conflito, foram determinantes no equilíbrio mundial.
Geopolítica das Megapolís
Tenente-coronel
Jorge Manuel Dias Sequeira
Desde a sua origem a noção de pertencer à cidade, a uma colectividade organizada, atrai o ser humano. Com este ensaio pretende-se identificar os aspectos positivos das Megapolís e quais as suas dificuldades, caracterizar o fenómeno da urbanização, localizá-las geograficamente e perspectivar a sua evolução, procurando responder à questão: qual é o significado geopolítico das Megapolís?
 
O trabalho está articulado da seguinte forma: caracterizar e delimitar o conceito de cidade e Megapolís, as funções que desempenham e a sua localização geográfica em três épocas distintas (1950, 2000 e 2015); necessidade de compreender as Megapolís, dada a complexidade de redes que as envolvem; temática das cidades globais salientando as relações hierárquicas existentes entre elas; possível evolução das megapolís, formas de ultrapassar as dificuldades que atravessam face ao aumento da população urbana e ao fenómeno da globalização.
Crónicas - I - Notícias do Mundo Militar
Coronel
Carlos Gomes Bessa
  • Reflexos da politização em França da questão do véu muçulmano em nome de uma laicidade pouco conciliável com a trilogia da Revo­lução Francesa e riscos da evolução do diferendo no sentido de um integrismo perigoso que pode provocar problemas com imigrantes dos países da União Europeia, designadamente portugueses;
  • Síntese das cifras, situação e origem dos muçulmanos em vários países da Europa;
  • Destaque no L’Express de um comentário do Primeiro-Ministro de Portugal sobre a reunião franco-anglo-alemã relativa à organização da Comunidade Europeia;
  • Proclamação em França da importância do patriotismo como valor indispensável e prioritário para contrariar os riscos identitários da mundialização e a necessidade de deixar de se diabolizar esse sentimento também em Portugal;
  • Manifestações do terrorismo internacional em África, suas consequências, aumento da importância atribuída ao continente pela estratégia anti-terrorista americana e reflexos a ter em conta após as ameaças em relação à Europa e da sua violenta concretização em Madrid.
Crónicas - II - Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
  • Que confiança têm os portugueses nas suas Forças Armadas?
  • Últimos militares incorporados no Serviço Efectivo Normal
  • Unidade de Coordenação Anti-terrorismo
  • Activação do NATO Joint Headquarters Lisbon (JHQ - Lisbon)
  • Incentivos para a “profissionalização” das Forças Armadas
  • Jorge Sampaio condecora antigos Chefes Militares
Crónicas - III - Crónicas Bibliográficas
  • Conquista de Madrid - 1706
  • Introdução à Estratégia
Coronel
António de Oliveira Pena
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