Nº 2436 - Janeiro de 2005
2436 - Janeiro de 2005
EDITORIAL - O que podemos esperar de 2005
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo

Em 2005, um ano que começou com uma tragédia humanitária em alguns países do Sudeste Asiático, da Oceânia e da costa africana do Índico, devido a causas do universo que a ciência continua a esforçar se por conhecer, continuaremos a assistir aos efeitos de quatro revoluções provocadas pelo ser humano no planeta que habita. As revoluções da “Globalização”, da “Informação/Comunicação”, da “Crise do Estado” e da natureza dos “Novos Conflitos” que têm proliferado no globo.


Os efeitos da globalização estão a pôr em causa modelos económicos e sociais que pareciam adquiridos, a escala que ordenava o conceito de riqueza e pobreza das nações, o que diferenciava os que têm dos que não têm, os estilos de vida e a própria geoestratégia do poder.
O telemóvel e a rede global de comunicação permite a cada um estar mais próximo dos outros, para o bem e para o mal, o que leva alguns a pensar em novas fronteiras entre o dever e o direito de informar.
O Estado continua a desempenhar o seu papel de herói na resistência a quem o discute, a quem o limita ou a quem o quer apagar como símbolo da soberania das nações.

Novos conflitos nas suas estruturas e naturezas pedem novos conceitos de segurança e neo realistas e neo idealistas procuram, em novos modelos para a aplicação da força militar ou na concepção de novas escolásticas, soluções impostas, mas não consentidas.
Na ausência de políticas e autoridades globais capazes de respostas reguladoras eficazes, como o evidenciam a actual crise das Nações Unidas ou as hesitações de cooperação na União Europeia, começam a proliferar conceitos de Grandes Estratégias definidos por quem tem poder - recursos, influência e vontade - para tentar sobreviver aos novos desafios.

Portugal está a lidar com estes desafios num ciclo complexo da sua História, já que tem de enfrentar aquelas revoluções sem ter tido tempo de adaptar se internamente à perda de um Império que durou cinco séculos, a um regime constitucional condicionado por uma lei fundamental escrita sob o primado dos direitos, a uma tremenda alteração da sua estrutura demográfica (entre 1975 e 1977 a população portuguesa cresceu 10%, fenómeno único na Europa moderna) cujas consequências estão agora a verificar se e à sua opção pela Europa.

Todos teremos de unir esforços e tomar consciência de que é necessário definir uma Grande Estratégia para continuarmos o caminho de Nação. O exemplo das indefinições que têm caracterizado o nosso colectivo recente traduz se na observação do Presidente da República de “que nos esperam trabalhos difíceis”.

O diagnóstico está feito. Precisam se terapêuticas. Com realismo, observando o que se passa, não esperamos grandes soluções. E as indefinições na continuação da Nação, por teimosia de alguns e a passividade de muitos, levam nos a esperar de 2005 o continuar do caminho de apenas palavras para um ponto que se advinha sem retorno.

* Sócio Efectivo da Revista Militar. Presidente da Direcção

2ª Assembleia Geral Ordinária de 2004
Coronel
António de Oliveira Pena

No dia 15 de Dezembro realizou se no salão da Revista de Artilharia a Assembleia Geral da Empresa da Revista Militar, como já é tradicional precedida de Almoço de Confraternização na Messe de Oficiais de Santa Clara. Para além da eleição de Sócios Efectivos e dos Corpos Gerentes para 2005, no âmbito “Situação geral da Empresa e da Revista” analisou se, em prolongado e participado debate, o documento elaborado pela Direcção da Revista: “Reflexões sobre a Empresa e que poderão ser discutidas em Assembleia Geral a realizar em 15 de Dezembro de 2004”. 

Em Memória do General Adalberto Gastão de Sousa Dias
Major-general
Augusto José Monteiro Valente
O artigo apresentado é resultado de investigações que o autor tem vindo a desenvolver em torno da figura ilustre, mas ignorada pela maioria dos portugueses e pelos próprios militares, do General Sousa Dias. Iniciou-as a pretexto da homenagem que lhe foi prestada na cidade da Guarda, onde se encontra sepultado, no mês de Maio do ano transacto, integrada nas comemorações dos trinta anos do 25 de Abril, para a qual o autor foi convidado a apresentar uma comunicação sobre o papel de Sousa Dias no combate à Ditadura Militar instaurada em 28 de Maio de 1926.
 
O presente texto surge como aprofundamento do trabalho então come­çado e a que o autor tem vindo a dar continuação, no sentido de concretizar um projecto de publicação de uma biografia sobre o General Sousa Dias, a pedido do Núcleo da Animação Cultural da Câmara Municipal da Guarda. Os estudos têm deparado com inúmeras dificuldades, a maior das quais derivada de ainda não haver sido localizado pelo Arquivo Histórico Militar o processo individual deste prestigiado Oficial General e intrépido republicano. Não será de excluir que haja sido destruído pela sanha da ditadura militar, após o fracasso das revoltas que chefiou contra ela e da sua consequente demissão de Oficial do Exército e deportação para Cabo Verde, onde viria a falecer em 1934.
 
“Vulto destacado na história da época, o General Sousa Dias é bem o exemplo das mais altas virtudes morais que a nobre profissão de soldado exige, com toda a abnegação, verticalidade, aprumo e absoluta intransigência no cumprimento dos princípios que jurara defender, sem olhar a sacrifícios ou perigos”. É desta forma lapidar que o Decreto-lei que formalizou a sua reabilitação e reintegração no exército, sintetiza as suas qualidades. E acrescenta: “Julga-se que a vida exemplar e trágica deste oficial, que tanto deu de si próprio em proveito do povo, bem merece um gesto de reconhecimento de Portugal de hoje, finalmente livre” (Decreto-lei n º 232/77, de 2 de Junho).
 
Mas, apesar de oficialmente reabilitado, o corpo do General Sousa Dias continua no jazigo cedido por empréstimo onde, às escondidas e pela calada de uma noite escura de 1936, foi colocado, à espera do funeral a que não teve direito e com as honras militares que então lhe foram negadas. Um “gesto de reconhecimento” que é hoje, cada vez mais, um imperativo ético, militar e nacional. Que este artigo sirva para o lembrar!
Recrutar
Dr.
Filipe Ortigão Neves
Findo o Serviço Militar Obrigatório em Portugal efectua-se uma análise, no contexto nacional, tomando em consideração os modelos desenvolvidos por outros países, do desafio trazido pela necessidade de cativar jovens voluntários para as fileiras das Forças Armadas.
Do Tratado de Roma ao Tratado de Roma - Análise da PESC
Tenente-coronel
João Ricardo de Sousa Barbosa e Dias Costa
Este artigo foi feito com base num trabalho apresentado durante o ano lectivo de 2003/2004 no âmbito da pós-graduação de “Estudos Europeus - Variante de Direito” da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
 
Como é do conhecimento público, no dia 29 de Outubro de 2004 foi assinado em Roma o tratado que cria uma Constituição para a Europa. Mas será que esta Constituição Europeia traz efectivamente algo de novo no que respeita à Política Externa e de Segurança Comum (PESC)?
 
De forma a tentar responder a esta pergunta analisou-se, resumidamente, todos os tratados assinados até aos dias de hoje tentando perceber quais podem ser os resultados práticos que advirão desta Constituição.
A Revista Militar: Da História da Cultura à Difusão do Patriotismo e do Sentimento Nacional
Sargento-ajudante
José Luís Assis
O tema deste artigo enquadra-se na investigação e reflexão histórica no domínio da História da Cultura Portuguesa de matriz militar. O artigo possibilita “dialogar” com diversos temas da História Cultural em Portugal na segunda metade do século XIX a partir do estudo do acervo da Revista Militar.
 
O trabalho assinala a evolução da Revista e releva o período da História de Portugal - Regeneração - na qual os militares tiveram enorme protagonismo na vida social, económica, cultural e política do Nação. O artigo mostra a actividade jornalística nos aspectos da diversificação dos seus colaboradores (agentes), complexificação das técnicas e das linguagens e diversidade dos temas, demonstrando que a Revista Militar era agente privilegiado das vivências culturais, militares e civis da época.
 
No aspecto dos valores, mereceu particular atenção o relacionamento da Revista Militar com a difusão do patriotismo e do sentimento nacional, a promoção da Memória Histórica Nacional e a importância dada pelo periódico quanto à Memória da Nação e da Pátria, nomeadamente através da Questão Ibérica, (tratada em artigo individual) as Conferências do Casino, a Come­moração do Tricentenário da Morte de Camões, a Questão Colonial, a Comemoração do Centenário da Guerra Peninsular, (tratada em artigo individual) o Congresso da Liga Naval Portuguesa e a implantação da República Portuguesa.
 
O estudo constituiu-se exercício académico de onde emerge um elo de ligação entre duas margens próximas tematicamente, mas distantes na percepção da realidade historiográfica: a História da Cultura e a História da Imprensa de cariz militar.
Notícias do Mundo Militar
Coronel
Carlos Gomes Bessa
  • Análise esquemática dos ensinamentos estratégicos a retirar pela Europa da reeleição de George W. Bush para Presidente dos Estados-Unidos, nomeadamente quanto à manutenção dos laços transatlânticos.
  • Comentários relacionados com a dramática catástrofe sofrida no Sudeste Asiático.
  • Ameaças da Al-Qaeda contra a Arábia Saudita, que podem significar uma passagem à acção terrorista no reino.
Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
  • Missão da Construção dos Submarinos.
  • Força da União Europeia na Bósnia e Herzegovina.
  • Novas viaturas blindadas de rodas.
  • Concurso para o fornecimento de armas ligeiras para as Forças Armadas.
  • Homenagem aos Militares Mortos e Feridos na Bósnia e Herzegovina.
  • Navios de Combate à Poluição.
  • Primeiro Helicóptero EH 101 entregue a Portugal.
  • Privatização da OGMA, Indústria Aeronáutica, SA.
Narrativa Cronológica
Coronel
António de Oliveira Pena
  • Invernos na Revista Militar (1855-1905-1955-2005).
Crónicas Bibliográficas
  • O Exército Português em Timor Leste.
  • “Portugal Militar - Da Regeneração à Paz de Versalhes”.
Coronel
António de Oliveira Pena
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