Nº 2487 - Abril 2009
2487 - Abril 2009
Editorial - A OTAN e a Sua Estrutura Militar Integrada
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
 
A estrutura militar integrada da OTAN constitui o seu elemento diferenciador de outras alianças que visam a segurança e defesa. Foi essa estrutura, constituída por comandos, forças e capacidades militares, representando a contribuição voluntária das suas nações membros, que permitiu à Aliança, durante quarenta anos, materializar um conceito estratégico militar que servisse a estratégia definida por consenso entre norte-americanos e europeus para defesa de valores que se consideravam comuns ao mundo euro-atlântico.(...)
Nota da Direcção
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
No passado dia 19 de Fevereiro, na Universidade Autónoma de Lisboa, prestou provas para Doutoramento em História, o nosso Sócio Coronel AdmAer Luís Alves de Fraga com a Tese “Do intervencionismo ao Sidonismo: Os dois Segmentos da Política de Guerra (1916-1918)”.
Cooperação Civil Militar na Contra Insurreição: Leste de Angola, 1971 1973
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
 
Em alguns dos conflitos do tipo insurreccional que se desenvolvem no globo e nas tendências que se adivinham para este tipo de conflito no futuro, a cooperação Civil-Militar torna-se essencial em todas as fases do seu espectro, com relevância para a fase de resolução.
 
Nessa cooperação assumem importância a Acção Psicológica e a Acção de Promoção Social e Económica das Populações, visando atenuar causas que estarão na origem das suas revoltas.
 
Na Campanha em que as Forças Armadas Portuguesas estiveram empenhadas em África, entre 1961 e 1975, teve de desenvolver-se doutrina e métodos operacionais que saíam dos padrões de utilização da força militar à época, recolhendo algumas experiências que as Forças Armadas de França e do Reino Unido tinham vivido nas suas campanhas naquele Continente.
 
Em Angola, a partir do início dos anos 70, com novas orientações do Comando-Chefe das Forças Armadas no Território, onde sobressaiu a criação da Zona Militar Leste, conferindo ao seu General Comandante a autoridade para coor­denar as acções de Contra-Subversão na sua Área de Operações, iniciou-se nova fase e modalidades de Cooperação Civil-Militar, dinamizando uma estrutura englobando Autoridades Administrativas e Comandos Militares (a Estrutura da Contra-Subversão).
 
Aquela Estrutura, visando o planeamento, direcção e coordenação da denominada manobra sobre as populações, foi importante para a condução da Acção Psicológica e a Acção de Promoção Social e Económica das Populações.
 
O presente artigo visa relatar o Planeamento e a condução daquelas acções, baseando-se na experiência do autor (Chefe da Secção de Acção Psicológica e de Assuntos Civis do Estado-Maior da Zona Militar Leste no período) e dos documentos em Arquivo no Exército.
 
Algumas das lições aprendidas mantêm actualidade, apesar das novas tecnologias e procedimentos que foram adoptadas pela força militar terrestre.
Guerrilha vs. Guerrilla na Guerra Peninsular
Tenente-general
Alexandre de Sousa Pinto
 
Tem-se verificado ultimamente nos meios académicos a aceitação generalizada da ideia de que no decorrer da Guerra Peninsular, cujo bicentenário está em plena celebração, só houve guerrilha em Espanha. Segundo esta tese, em Portugal não se verificaram senão actos esporádicos e espontâneos das populações contra as forças francesas, fruto do desejo de vingança individual dos que sofreram os seus agravos na própria pele ou na dos seus. Outras acções, porque executadas por forças militares ou militarizadas como as milícias e ordenanças, não são de considerar como guerrilha, segundo a mesma tese.
 
Neste artigo procura demonstrar-se documentalmente que essa ideia resulta da aceitação como correcta de uma definição de guerrilha que nada tem a ver com o conceito militar de guerrilha, único que deverá ser tido em conta quando se trata de estudar campanhas militares e as tácticas utilizadas na sua resolução.
 
As conclusões a que se chega vão no claro sentido de que houve guerrilha em Portugal e em Espanha, tendo realmente características muito diversas, ambas, no entanto, perfeitamente enquadradas no conceito militar de guerrilha; por acréscimo, resultou ainda claro que o termo guerrilha, hoje universalmente aceite como derivando do espanhol guerrilla, é, afinal, um termo português usado em documentos oficiais desde 1809 do qual derivou o termo espanhol, que só vai surgir em Espanha a partir de 1812, com a entrada neste país das forças anglo-lusas.
Operações Navais e Estratégia Marítima na Reconquista e Consolidação do Território Nacional (1147-1349)
Capitão-de-fragata
Jorge Manuel Moreira Silva
 
Enquadramento das operações navais e das acções de fomento marítimo dos dois primeiros séculos da existência de Portugal numa estratégia marítima global de formação, consolidação e sustentação territorial.
 
Palavras-chave: Estratégia, Frota, Fundação, Gibraltar, Reconquista, Roupinho.
Os Zombo na Tradição, na Colónia e na Independência (II Parte). Os “Últimos Filhos do Império Colonial” entre os Zombo
Professor
José Carlos de Oliveira
 
 
O presente artigo inclui a parte final do capítulo 5 e a totalidade do capítulo 6, incluídos na tese de Doutoramento em Antropologia Cultural e Social que o autor defendeu na Universidade de Coimbra (2008), com o título Os Bazombo e o futuro (Nzil´a Bazombo) Os Bazombo na Tradição, na Colónia e na Independência.
 
Segundo o que até agora está apurado, o estudo científico do povo Bazombo, (subgrupo étnico Kongo situado na fronteira Norte de Angola com o Sul da República Democrática do Congo) não terá sido objecto de qualquer estudo aturado. Trata-se do núcleo geo-histórico da UPA, (União das Populações de Angola). O assunto teve como fundamento, inúmeras observações e reflexões pessoais, feitas ao longo de 50 anos de vivência na maior possessão portuguesa em África, em estreito contacto com a história, cultura e sobretudo com a língua de um dos seus mais representativos grupos étnicos, e, naturalmente, com a “situação colonial” a que se encontrava submetido. A dissertação mereceu a aprovação especialmente pelo valor dos documentos apresentados e pela iconografia.
 
O título escolhido para o capítulo 6 não pretende mais do que dar continuidade a uma série de títulos sobre o “Império”, entre os quais podemos destacar a obra Alta Cultura Colonial do Ministério das Colónias, de 1936, com o artigo “A Tradição Colonial e Política do Império”, redigido por Agostinho de Campos (1936: 25-46). Há ainda que mencionar os seguintes autores e obras - José Freire Antunes e a obra O Império Com Pés de Barro (1980) e Gervase Clarence-Smith com a obra O Terceiro Império Português (1825/1975), edição de 1985. No entanto, provavelmente, a ninguém terá ocorrido ainda que, os impérios coloniais modernos tivessem forçosamente de terminar com os “Últimos Filhos”. Baseados neste fio condutor, suficientemente forte, escolhemos então o supracitado título.
 
Embora o nosso estudo tenha por base os zombo, pareceu-nos pertinente esta introdução, uma vez que a sua abrangência nos permite enquadrar também o outro autor supracitado - Gervase Clarence-Smith (1985:202):
“(…) Uma das ironias da historiografia do terceiro império, é que os que consideravam a sua criação como um rotundo fracasso económico, achavam que Portugal era incapaz de descolonizar dada a sua dependência económica das colónias (…).”
A grande maioria dos homens e pouquíssimas mulheres, que demandavam estas paragens, ia já contratada, desde a metrópole, (até finais da década de 50) sendo obrigatória a célebre ‘carta de chamada’; era um documento onde um residente na colónia se responsabilizava perante as autoridades coloniais pelo emprego do novo imigrante. Este documento, no fundo, era um forte entrave à imigração para Angola. Também se dava o caso de uma larga maioria de colonos neófitos fazerem a sua aprendizagem nas lojas dos muceques de Luanda e, então, já com a cartilha lida serem contratados para o vasto norte de Angola. Os imigrantes não faziam ideia nenhuma das difíceis condições laborais que iam encontrar, em especial o isolamento que os esperava. A casa de pau a pique, de cerca de oito metros de comprimento por três de largura, era um barraco muitas vezes coberto de capim, de chão térreo e interiormente sem portas, um pequeno quintal onde podiam crescer árvores frutícolas como mangueiras, bananeiras, goiabeiras e mamoeiros. Olhando o horizonte, visto pela frente da porta, era o mato sem fim, porque, de uma forma geral, a casa do europeu não se implantava dentro da senzala.
Realidade Virtual & Investigação em Psicologia e no Exército
Professor Doutor
Carlos Serra Magalhães Coelho
Professor Doutor
Jorge Manuel Ferreira de Almeida Santos
Conquanto a realidade virtual (RV) seja uma área recente de aplicação tecnológica na investigação e prática clínica, não é uma invenção actual. Os seus conceitos nucleares foram explorados e desenvolvidos nos últimos 50 anos, estando as suas raízes localizadas nas indústrias aeroespaciais e de defesa, com o desenvolvimento do simulador de voo iniciado na Segunda Grande Guerra. Do primeiro computador digital do exército nos anos de 1940, à investigação da Força Aérea em capacetes de visualização nos anos 80, as forças armadas foram sempre o principal financiador das mais importantes inovações na tecnologia dos computadores. O desenvolvimento desta tecnologia fez com que os actuais sistemas RV sejam um utensílio cada vez mais usual para os clínicos e investigadores. Ao longo deste documento exploramos as raízes históricas da RV e o seu desenvolvimento, que culmina na descoberta interessante de que esses mesmo sistemas poderão ser úteis na intervenção com pessoas com fobias, tais como o medo de voar e o medo de alturas.
 
Palavras chave: realidade virtual, investigação, desordens de ansiedade, indústria militar e de defesa, exército.
Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
  • Faleceu D. António dos Reis Rodrigues;
  • Cooperação Técnico-Militar com a República de Cabo Verde;
  • Novo comandante da Brigada de Reacção Rápida;
  • Regimento de Infantaria 19 recebeu o Presidente da República;
  • Relatório Anual de Segurança Interna;
  • Presença portuguesa no Afeganistão é para manter sem reforço significativo;
  • Fragata portuguesa nas operações de combate à pirataria no Índico;
  • Marinha renova contratos com Estaleiros Navais de Viana do Castelo;
  • Identificação e recuperação de militares portugueses enterrados em África;
  • 1º e 2º Batalhões de Infantaria Pára-quedista, condecorados.
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