Nº 2501/2502 - Junho/Julho 2010
2501/2502 - Junho/Julho 2010
EDITORIAL - Armas Nucleares: Limitação e Não Proliferação
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo

A corrida armamentista foi, entre muitos outros, um dos elementos que condicionaram o ambiente estratégico de confronto entre as duas superpotências que se viveu na guerra fria. Essa corrida, onde desempenhou papel de relevo o armamento nuclear, traduziu-se, quanto a este, na crescente procura de maiores potências destruidoras de maior número de ogivas e de melhores vectores de lançamento que assegurassem a capacidade de dissuasão na sua componente de punição. (...)

A Última Campanha Napoleónica contra Portugal [1810 1811]
Coronel
José Custódio Madaleno Geraldo
“Assim que eu apparecer alem dos Pyrenéos, o leopardo espantado fugirá para o oceano a fim de escapar á ignominia, à derrota e á morte. A victoria das minhas armas será a do genio do bem sobre o do mal: a victoria da moderação, da ordem, e da moral sobre a guerra civil, sobre a anarchia e paixões destruidoras”.
 
Esta era a profecia de Napoleão Bonaparte no Senado francês, a 4 de Dezembro de 1809, quando da preparação da nova Invasão destinada a terminar de vez com a resistência na Península, nomeadamente em Portugal, de forma a implementar o Bloqueio Continental.
 
Mas, mais uma vez, os ventos de guerra não lhe estiveram de feição e o Duque de Wellington, comandante dos Exércitos Aliados em Portugal, general e estratega brilhante, paciente e cauteloso, levaria a melhor contra Massena, vencendo-o no Buçaco e paralisando-o frente às Linhas de Torres Vedras.
Estudos sobre o futuro do fenómeno da Guerra
Coronel
João Paulo Nunes Vicente
O estudo sobre futuros fornece as ferramentas essenciais para perscrutar o potencial de possíveis surpresas estratégicas. A conjugação do aumento exponencial do poder e influência individual, a interdependência económica global e a proliferação tecnológica concorrem para alterar a distribuição de poder no sistema internacional, com impacto na diversidade, acessibilidade e eficácia da Guerra. Não será, portanto, descabido considerar que a erosão comparativa da hegemonia americana é acompanhada pela perspectiva de confrontação estatal relembrando os persistentes motivos históricos do medo, o ódio e os recursos para o ressurgimento da Guerra. Num futuro não muito longínquo será verosímil considerar que a Guerra, apesar da sua natureza constante, poderá ver o seu carácter irremediavelmente alterado, induzindo um maior esbatimento nas formas de conflitualidade hostil e uma consequente propagação na sua frequência, magnitude e letalidade. No futuro, qualquer que ele seja, continuará a ser a capacidade de impor a vontade, e não o nível de violência, que conduzirá eventualmente a uma paz mais duradoura. Tendo em perspectiva os desafios vindouros será por isso altura de começar a aprender a futura “gramática da Guerra”.
A Política Externa dos Pequenos Estados da UE
Major
Reinaldo Saraiva Hermenegildo
No presente artigo estuda-se a política externa dos pequenos Estados da União Europeia (UE), procurando compreender o que é um pequeno Estado e como ele conduz a sua política externa.
 
O número pequenos Estados no seio da UE tem vindo a aumentar. Porém, este aumento quantitativo não implicou um aumento equivalente do seu poder nas relações internacionais, em geral, e na União, em especial.
 
Todavia, existem áreas em que os pequenos Estados se tem vindo a assumir como forma de prosseguir a sua política externa nacional, que sem a sua participação nas instituições europeias, seria difícil prosseguir e atingir os seus objectivos.
 
O artigo está organizado da seguinte forma: uma introdução; conceptualização do poder do pequeno estado da UE, uma revisão da literatura e o estado da arte acerca do pequeno estado, e, por fim, umas breves notas finais relativa à temática.
Os Portugueses no Mundo Cuanhama (kwanyama)
Professor
José Carlos de Oliveira
I - “Terras do Fim do Mundo “Missionários de Sempre”
 
Naquele tempo, “o vento soprava de feição” para as correrias dos portugueses por esses mares adentro. Depois de Gil Eanes dobrar o Cabo Não, à décima quinta tentativa (1434), muitas foram as venturas e desventuras próprias de quem vai ao mar. E foi esse dobrar do Cabo Não que levou as “Gentes das Caravelas” a confrontar povos e culturas africanas, como, por exemplo, o povo cuanhama ou kwanyama (sub-grupo da etnia Ovambo de Angola), dos finais do século XIX ao primeiro quartel do século XX. Os cuanhama eram, e continuam a ser solidamente constituídos e de fisionomia insinuante, com um invulgar espírito de vivacidade, vigorosos, orgulhosos e altivos. Como caçadores tinham desprezo pelo trabalho, em especial pela agricultura (diziam que lavrar a terra era trabalho de mulher).
 
O presente artigo debruça-se sobre a época da ocupação efectiva das terras dos cuanhama e três figuras portuguesas ressaltam incontestavelmente. O pequeno comerciante do mato e o xicoronho, (uma espécie de bandeirantes de Angola), formavam no seu conjunto o primeiro pilar da trilogia da colonização efectiva. Logo de seguida, ou ao mesmo tempo, (já com Diogo Cão assim acontecia) tiveram os missionários religiosos ocasião de investigar a gente do sertão cuanhama, sendo assim o segundo pilar e velando pela sua segurança deparamo-nos com as forças expedicionárias como terceiro pilar. Finalmente, o remate da quadratura cabe naturalmente aos cuanhama.
 
Por esta época gozavam do maior prestigio entre os povos vizinhos e descendentes da rainha mãe Nda Kioly, elegiam os seus lenga (capitães) com a melhor “folha de serviços prestados”. A nobreza real disputava os mais destemidos, especialmente aqueles que já tivessem combatido os indesejáveis brancos.
A Influência de Tácticas Negociais: um Estudo sobre a Cimeira União Europeia - Rússia em Khabarovsk (Maio de 2009)
Dra.
Cláudia Sofia Curto da Costa Silva
Na actualidade, as relações entre a União Europeia (UE) e a Rússia encontram-se num impasse devido aos recentes acontecimentos: as crises energéticas, a intervenção russa na Geórgia e a necessidade da renovação do Acordo de Parceria e Cooperação. Estas questões têm feito com que as partes se sentem à mesa várias vezes, no entanto, com avanços mínimos. No sentido de compreender a razão de tão poucos progressos, este estudo visa analisar a 23ª Cimeira UE - Rússia, que ocorreu em Khabarovsk em Maio de 2009. Assim sendo, abordará o processo pré-negocial e a negociação propriamente dita, argumentando que as tácticas negociais influenciaram o resultado das negociações.
Bullying - Uma Outra Guerra
Enfermeira
Dalila Sara Ochoa dos Santos Castro
Enfermeira
Natália Maria Rocha Barbosa Silva
Este trabalho teve como principais objectivos compreender o fenómeno Bullying e pesquisar estratégias praticáveis para com ele lidar. Para atingir esses objectivos foi feita uma pesquisa bibliográfica e foi contactado um técnico de saúde mental com funções de grande responsabilidade na área da educação.
 
Pretendeu-se inicialmente definir o bullying, fazendo uma breve alusão às suas causas. De seguida procuramos conhecer os intervenientes no fenómeno. O passo seguinte foi seleccionar as formas consideradas mais eficazes de intervenção no bullying. Em simultâneo com o conjunto das intervenções, enfatizamos a prevenção (que consideramos a atitude mais importante).
D. Nun’Álvares Pereira - O Homem e o Militar
Tenente-general
Alexandre de Sousa Pinto
O ensaio que segue é um trabalho em que se procura caracterizar D. Nun'Álvares Pereira, figura impar da História de Portugal, primeiramente como homem, identificando as suas qualidades e defeitos que o definem como um verdadeiro homem da Idade Média mas que, simultaneamente, o apresentam como um intelectual avançado para a época em que vive, com uma noção acentuada do colectivo sobre o individual e, até, um conceito de Pátria que só muitos séculos depois foi aceite pela generalidade dos cidadãos.
 
Numa segunda fase, procura demonstrar-se que a sua faceta de chefe militar incontestável e incontestado não se deve ao puro acaso ou a milagre mas, pelo contrário, é fruto de aturado estudo das tácticas mais actualizadas, resultado dos ensinamentos dos cavaleiros de S. João e dos contactos com ingleses e franceses frequentadores da corte de D. Fernando, como sejam o conde de Cambridge ou Jean de Monferrant.
Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
  • Battlegroup da União Europeia;
  • Conselho Consultivo de Apoio aos Antigos Combatentes;
  • Efectivos autorizados para a Guarda Nacional Republicana;
  • Conselho do Ensino Superior Militar;
  • Dia da Marinha 2010;
  • Prémio Defesa Nacional e Ambiente;
  • Prémio Instituto da Defesa Nacional;
  • Saúde Militar;
  • Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades;
  • Encontro Nacional de Combatentes de 2010.
Nota da Direcção
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
  • Doutoramento do Tenente-coronel Paulo Fernando Viegas Nunes.
Crónicas Bibliográficas
  • JOGOS AFRICANOS - Jaime Nogueira Pinto.
Coronel
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho
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