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2605/2606 - Fevereiro/Março de 2019

Nota de abertura

O presente número da Revista Militar reúne a maior parte das comunicações apresentadas no Colóquio Internacional “Gomes Freire de Andrade: o homem e o seu tempo”, integrado no programa da Evocação do II Centenário da Morte do General Gomes Freire de Andrade (1757-1817), levado a cabo pela Universidade de Lisboa, através do seu Centro de História, e pelo Exército, através da Direção de História e Cultura Militar, que contou com o apoio da Academia Militar e da Banda Sinfónica do Exército, entre 29 de setembro e 12 de outubro de 2017 (ver programas nesta edição, pp. 132-136).

No Colóquio, que contou com o apoio de diversas instituições, organizações e entidades, mencionadas no respetivo cartaz de divulgação, e decorreu nas instalações da Academia Militar, na Amadora, nos dias 11 e 12 de outubro de 2017, cerca de trinta especialistas contribuíram para uma evocação abrangente e integrada das diferentes facetas da vida desta figura controversa da história militar portuguesa, designadamente as relações familiares, sociais e políticas, a carreira militar, como combatente, tanto no mar como em terra, no âmbito interno nacional e no cenário internacional, sem descurar as circunstâncias do processo político, cujo julgamento culminou com a sua condenação à morte.

Em 17 de Outubro de 1917, aquando das comemorações do I Centenário da Morte do General Gomes Freire de Andrade, a Revista Militar publicou um extenso artigo, com o título «Centenário Trágico – Gomes Freire de Andrade», da autoria do [conhecido escritor] major graduado (ref.) José Eduardo Alves de Noronha (pp. 651-669), do qual se transcreve:

«Na história dos assassínios políticos, o suplício do tenente-general Gomes Freire de Andrade e Castro, realizado, faz agora um século, a 18 de outubro de 1817, avoluma como um dos crimes judiciais mais abjetos e infamantes. Todo o processo, que constitui uma atroz monstruosidade do foro, epilogado por uma sentença, mancha indelével na consciência da magistratura coeva, só encontra a relegá-la para um segundo plano a crueza com que os governadores do reino e juízes – todos mais ferozes que os próprios verdugos – a mandaram executar nos patíbulos do Campo de Sant›Ana e na esplanada da Torre de S. Julião. Sendo esta publicação essencialmente militar, será sob o ponto de vista militar que, acima de tudo, encararemos a notável individualidade de Gomes Freire, de alto relevo por muitos motivos. [p. 651]»

Nessa evocação é patente a inquietação de Gomes Freire de Andrade, perante acontecimentos internacionais, relativamente aos quais nunca aceitou ser mero espetador, mas sim ser um interveniente ativo, colocando nisso toda a sua paixão, saber militar, valentia e espírito de liderança, a par de uma natural capacidade para estabelecer empatia com aqueles a que se associava. A sua disponibilidade para participar nas campanhas militares mais diversificadas e geograficamente disseminadas, leva-o à Rússia, a Espanha, a Argel, a França e também à Suíça, onde comanda forças militares, nacionais e estrangeiras e onde a capacidade de liderança é realçada e a sua bravura em combate lhe vale sucessivas promoções.

Cem anos depois, a convite das instituições organizadoras, a Revista Militar colaborou no Colóquio Internacional “Gomes Freire de Andrade: o homem e o seu tempo”, através da participação individual de alguns Sócios efetivos e da publicação das comunicações entretanto disponibilizadas e recolhidas pelo Centro de História da Universidade de Lisboa.

A Revista Militar regista, com apreço, e agradece os prestimosos apoios do Exército Português, da Comissão Portuguesa de História Militar e do Grémio Lusitano/Grande Oriente Lusitano para esta publicação.

A Direção

 

Congresso Internacional Gomes Freire de Andrade: O Homem e o seu Tempo

  • O 1º Centenário da Morte de Gomes Freire de Andrade

António Ventura

  • Gomes Freire de Andrade (1757 – 1817): O Militar

Pedro Marquês de Sousa

  • Gomes Freire e Alorna: amigos ou rivais?

José Norton

  • War compasses: diplomatic realignment between the war of Rosellon and the war of Oranges in the days of Gomes Freire de Andrade

Ainoa Chinchilla Galarzo

  • Super-herói ou vilão – breve percurso pela historiografia sobre Gomes Freire

Fernando David e Silva

  • Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns decisores do seu processo

Daniel Estudante Protásio

  • Real Corpo de Engenheiros – Contributo para o Desenvolvimento de Portugal na época de Gomes Freire de Andrade

José Paulo Berger

  • Delectus, Gomes Pereira Freire de Andrade e Castro. Os primeiros 23 anos de vida em Viena de Áustria

Luís Sertório Ovídio

  • De Maurice de Saxe às Guerras da Revolução Francesa: As Raízes da Arte da Guerra Napoleónica

Miguel Pack Martins

  • Gomes Freire de Andrade no Arquivo Histórico Militar

Soraia Milene Marques Carvalho

Frederico de Sousa Ribeiro Benvinda

  • Os combates da imprensa periódica portuguesa às vésperas do Liberalismo (The combats of the portuguese periodical press on the eves of Liberalism)

Eurico Gomes Dias

  • O General Gomes Freire de Andrade na Revista Militar

Luís Manuel Brás Bernardino

  • Sobressaltos patrióticos: Gomes Freire de Andrade (1757-1817) para além do seu tempo

Miguel Alarcão

  • Conspirou? Certamente, mas…

António José Pereira da Costa

  • Gomes Freire de Andrade: a Maçonaria e a conspiração de 1817

Manuel Pinto dos Santos

  • A Lisboa de Gomes Freire (1781-1817)

Eunice Relvas

  • As Legiões de Portugal nas guerras Napoleónicas: um estudo comparativo entre a Loyal Lusitanian Legion e a Légion Portugaise

João Francisco Martins Moita

  • O consulado português em Cádis na última década do século XVIII: um exemplo da instituição consular da época

João Manuel Oliveira de Carvalho

  • A Marinha Portuguesa que ficou sob a ocupação francesa

José António Rodrigues Pereira

  • António José de Lima Leitão (1787-1856): Cirurgião Militar, Médico, Político, Maçon, Professor e Escritor

José Luiz Assis

  • A presença portuguesa na campanha do Rossilhão no ano de 1793, segundo um manuscrito de D. Pedro Almeida Portugal, 5º conde de Assumar

Nuno Simão Ferreira

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