Revistas a aguardar publicação on-line
2577 - Outubro de 2016

Editorial

General José Luiz Pinto Ramalho*

 

Na data em que esta edição da Revista Militar está a ser impressa, estamos nas vésperas das eleições americanas, sendo ainda incerto qual será o seu desfecho e, por isso, falar delas seria um exercício de futurologia sem sentido e desadequado; contudo, para além do que em termos de debate eleitoral tem sido dito, quer pelos candidatos quer pelos seus porta-vozes e apoiantes de maior peso político, têm sido aflorados desafios e problemas internos com que os EUA estão confrontados e que são hoje temas de debate aceso, em termos de cidadania.

É legítimo admitir que o próximo presidente americano terá de lidar internamente com os problemas da imigração ilegal, com a desigualdade social e respetivos apoios nesse domínio, com uma nova política de rendimentos e fiscalidade, assim como uma nova atitude relativamente à regulação financeira e bancária, tendo em conta todas as críticas, que neste último ano de intensa campanha eleitoral têm sido apresentadas aos americanos, apontando algumas situações como causa última dos seus problemas.

Mas também em termos de política externa muito se tem dito e é previsível que aqui se possa assistir a posturas distintas daquilo que, hoje, em termos internacionais, se tem como que adquirido; refiro particularmente o relacionamento futuro com a China, com a Rússia e em particular com a Europa, designadamente no que se refere ao posicionamento americano para com a OTAN e para com os seus Aliados.

Relativamente à China, poderemos assistir a um ainda maior empenhamento estratégico americano na área do Pacífico, a um relacionamento mais ativo com Taiwan e com a Coreia do Sul, quer no domínio da segurança quer em termos económicos e políticos, como forma de contrabalançar o crescente protagonismo chinês naqueles mares e as suas reivindicações territoriais, a par do seu dinamismo económico externo na região; esse dinamismo assenta na liderança de Pequim, do Asian Infraestracture Investment Bank, criado em 2013, para apoiar o desenvolvimento na Ásia e na Oceânia e que conta hoje com 57 membros.

Quanto à Rússia, as relações nunca estiveram tão tensas como na atualidade. Permanecem as divergências de fundo relativamente à Ucrânia e Crimeia, assim como a situação na Síria, a prevalência da política de sanções, a par de um contínuo empenhamento e demonstração de capacidades militares russas; aliás, poderemos assistir no futuro próximo a uma atitude ainda mais assertiva em termos políticos, por parte da Rússia, quer em termos internacionais quer no espaço europeu, como forma de testar a determinação e real “commitement” do futuro presidente americano.

Relativamente à Europa, iremos certamente continuar a assistir à transferência do empenhamento estratégico americano para a região da Ásia-Pacífico e a uma maior exigência americana para com os europeus, no que se refere às responsabilidades no domínio da segurança e defesa, quer no espaço europeu quer particularmente no quadro da OTAN e na resolução das lacunas de capacidades militares da Aliança, pela necessidade de um maior esforço dos orçamentos de defesa e a progressão destes para os 2% do PIB, a par de um efetivo investimento na modernização e na inovação das Forças Armadas.

Também em termos políticos e económicos, caberá ao novo presidente americano clarificar essas relações e assumir o fim ou a continuação das negociações do tratado de cooperação económica, contestado dos dois lados, designado por TTIP.

Teremos de aguardar pela segunda quinzena de novembro para conhecer o novo protagonista na Casa Branca e para nos apercebermos da direção que irão tomar as políticas interna e externa dos EUA e o que isso irá significar para a evolução futura da conjuntura estratégica internacional.

 

* Presidente da Direção da Revista Militar.

 

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Resumo do Acervo Articular da Revista

 

1. A crise dos refugiados sírios: uma grande manobra político-estratégica?

  Tenente-general Abel Cabral Couto

 

O artigo constitui uma reflexão pessoal sobre a atual crise de refugidos sírios e que o autor defende tratar-se de uma operação cuidadosamente concebida para ser executada com objetivos político-estratégicos muito precisos.

Não sendo indiferente aos dramas humanos que a mesma encerra, tem a perceção de que a tese que apresenta é percecionada por vastos segmentos da população e que não se encontra suficientemente abordada pelos observadores daquilo que considera um epifenómeno.

 

2. A influência do conhecimento científico dos militares no progresso de Portugal na segunda metade do séc. XIX

  Coronel António Carlos Sequeira da Teodora

 

Este trabalho tem por objetivo revelar a importância da ação dos militares portugueses na segunda metade do séc. XIX, patenteada na formação técnica e deontológica e no desempenho de cargos políticos de relevo como fatores determinantes para a criação do um sistema de ensino adaptado às necessidades do país. A edificação de obras de arte facilitadoras da comunicação interna e externa do país, o desenvolvimento da cartografia, da topografia, da astronomia, da geodesia, da saúde, da geologia e da construção naval, constituíram áreas do saber que permitiram aos militares assumirem uma posição social de destaque na via do progresso e da transformação das mentalidades em Portugal.

 

3. O papel do Estado na promoção do seu tecido empresarial

  Capitão Pedro da Silva Monteiro

 

O fenómeno da globalização provocou alterações no conceito de competitividade, com evidentes reflexos na evolução das cadeias de abastecimento para as redes logísticas, como forma de atender as necessidades e os requisitos do mercados

Sendo o estado um ator interveniente na economia, o autor procura compreender o seu papel na promoção da competitividade do tecido empresarial, promovendo a eficiência dos fluxos logísticos.

É apresentado o caso concreto das Forças Armadas Portuguesas em que a racionalização da despesa contribuiu para a crescente integração em redes logísticas.

 

4. Análise comparativa dos rácios entre tropas e populações nas campanhas de África (1961-1974)

  Prof. Doutor Orlando J. B. Almeida Pereira

 

Partindo dos dados constantes nos censos de 1960 e 1970 para as populações das províncias ultramarinas onde Portugal exercia o esforço de guerra, o autor apresenta uma análise comparativa dos rácios entre tropas e populações, recorrendo também aos dados sobre os efetivos do Exército, em cada um dos teatros de operações, constantes em várias publicações.

 

5. Elementos de informação constantes dos capítulos das crónicas:

  a) Crónicas Militares:

  • Despacho conjunto dos Ministros da Defesa e das Finanças autorizando a promoção de militares e de pessoal militarizado
  • Receção da força que participou na operação da NATO Baltic Air Policing 2016
  • Fragata NRP Álvares Cabral participa em Exercício no Mar Báltico
  • Militares da Força Aérea detetam embarcação com migrantes
  • Declaração final da Ministerial de Defesa dedicada às operações de manutenção de paz
  • Exercício FELINO 2016
  • Visita dos Representantes Militares Nacionais do SHAPE
  • Portugal na Presidência do European Coast Guard Functions Forum 2016-2017
  • Participação da BtrAC/AM2016 no Exercício ALLIED SPIRIT V
  • Fuzileiros navais participam no Exercício Anfíbio EMERALD MOVE 2016
  • Navio Hidrográfico Almirante Gago Coutinho na missão de Segurança Marítima e presença naval na África Ocidental

b) Crónicas Bibliográficas:

  • A Marinha Portuguesa na Grande Guerra

Major-General Manuel de Campos Almeida

  • Fortificar o Nilo

Coronel Alfeu Raul Maia da Silva Forte

 

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