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2628 - Janeiro de 2021

Editorial

General José Luiz Pinto Ramalho

 

Entrou em vigor, às 00h00 de 6ª feira, dia 22 de janeiro deste ano, o “Tratado de Proibição das Armas Nucleares”, adotado por mais de 120 países na Assembleia das Nações Unidas, subscrito, aquando da sua apresentação, em 2017, por mais de cinquenta países, logo no primeiro dia, tendo sido de imediato iniciado o processo de ratificação dos parlamentos nacionais para que com esse número mínimo pudesse posteriormente entrar em execução.

A Revista Militar, na sua edição de outubro de 2017, deu notícia do início deste processo, assim como das diversas reações que o mesmo provocou. Foram claras duas posições antagónicas de carácter político e estratégico: de um lado, os defensores da proi‑ bição, com os argumentos dos danos catastróficos que decorrem da sua utilização e que devem ser objeto da mesma que já se estabeleceu para as armas químicas e biológicas; do outro, a não-aceitação deste processo, designadamente, pelas atuais potências detentoras de capacidade nuclear, com o argumento de que o Tratado de Proibição não favorece o desarmamento nuclear internacional, objetivo que deve ser prioritário, nem prevê medidas eficazes e credíveis de verificação e condenação do seu não cumprimento.

Nesta data, não é claro quantos países ratificaram nos seus parlamentos o referido “Tratado de Proibição das Armas Nucleares”, mas a comunicação social referiu que mais de metade dos países da União Europeia e a totalidade dos países membros da OTAN não assinaram e, no caso de Portugal, o Ministro dos Negócios Estrangeiros já deu explicações sobre as razões nacionais da não assinatura.

Entende-se que, existindo, à data, nove potências nucleares, incluindo nesse número Israel e a Coreia do Norte, em que o primeiro não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e o atual diferendo sobre matéria ”nuclear” com o Irão e que, paralelamente para a OTAN, a capacidade nuclear seja um dos pilares em que assenta a sua Estratégia de Dissuasão, o âmbito do “Tratado de Proibição” levante naturais reservas, perante um ambiente internacional que não dá sinais de redução deste tipo de capacidade e muito menos de uma predisposição estratégica para o seu abandono.

Na realidade, continuamos a assistir a investimentos por parte das potências nucleares, quer no sentido do aperfeiçoamento e novas capacidades militares deste tipo de armamentos quer relativamente às suas doutrinas de emprego, com o argumento de que tais ações contribuem para o reforço da Dissuasão, através de uma maior credibilidade de emprego operacional e aceitação política do mesmo, que iniba eventuais “perturbadores”.

Naquele artigo anterior alertava-se para que este debate político e estratégico, crítico para a segurança e estabilidade internacional, irá continuar, não estando de forma alguma esgotado, mas necessita de mais argumentos, para além de, simplesmente, se condenar por razões éticas ou técnicas ou se considerar indispensável essa capacidade por razões estratégicas. Não se pode ignorar uns e outros que, subjacente à opção está uma decisão política, dominada pelos interesses nacionais de todos os países, tenham ou não armas nucleares, aspirem a tê-las, ou esperem beneficiar por associação estratégica da sua existência. 

É um facto, contudo, que o atual diferendo sobre a entrada em vigor e a assinatura do “Tratado de Proibição” torna mais complexo o diálogo sobre esta matéria, porque reforça a consciência crítica e ética relativamente à condenação pela Opinião Pública da posse, detenção e potencial emprego deste tipo de armamento e, relativamente aos países que não assinaram, considerando as razões aduzidas pode, perversamente, levantar a questão de serem discutíveis e feridas de legitimidade as exigências que se colocam a outros, para se submeterem às regras do Tratado de Não Proliferação Nuclear, negando-lhes os argumentos que as potências nucleares apontam como fundamentos da sua estratégia de dissuasão. 

 

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* Presidente da Direção da Revista Militar.

 

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Resumo do Acervo Articular da Revista

 

1. As Forças Armadas na resposta a crises complexas

    Almirante António Silva Ribeiro

 

As Forças Armadas têm tido um papel crescente na resposta a crises complexas, cada vez mais diferenciadas e frequentes, o que justifica a necessidade de uma revisão da estratégia militar portuguesa, que tenha em consideração as principais tendências de evolução do panorama geopolítico e geoestratégico global. [...]

 

2. A Violência e o Poder

    General António Eduardo Queiroz Martins Barrento

 

Confesso que gastei algum tempo a pensar se deveria ou não escrever este artigo, mas encontrei três argumentos que me levaram a fazê-lo. O primeiro, é o de que havendo quem utilize a História para fazer considerações sobre os militares e a guerra, áreas a que não somos estranhos, acho que tenho o dever de dar a minha opinião. Segundo, sendo a liberdade de expressão um bem precioso e desejadamente universal, que não é monopólio de alguns, considero importante referir aquilo que se escreve e é desajustado, menos rigoroso ou mesmo deturpado. Em terceiro lugar, lembrei-me daquela boutade anti-militar primária, do agrado daqueles que não entendem a Instituição Militar e a atacam, de que “pensar é a primeira forma de manifestação de indisciplina”.  [...]

 

3. Ensino Superior Militar em Portugal: carreiras, doutoramento e especificidade militar

    Major-general João Vieira Borges

 

Desafiado pela “Secção de Ciências Militares” da “Sociedade de Geografia de Lisboa” para proferir uma comunicação sobre o Ensino Superior Militar (ESM) em Portugal, aceitei de imediato, pela consideração que me merecem os proponentes, mas também pela oportunidade de debater questões muito especificas e desconhecidas do público em geral.  [...]

 

4. Os militares… São o diabo?

    Coronel Tirocinado Óscar Gomes da Silva

 

Desde sempre, as sociedades humanas preocuparam-se com a sua defesa, tendo esta missão sido confiada a uma parte dos seus elementos integrantes. Não foram eles – militares – que se impuseram à sociedade, antes foi esta que, por necessidade, criou a Instituição Militar. Nada impede que a guerra seja um fenómeno que procuremos extirpar como causador de grandes males e terríveis desgraças.  [...]

 

5. A estratégia de gestão de crises em Portugal

   The crisis management strategy in Portugal

    Tenente-coronel José Manuel Brito de Sousa

 

As vulnerabilidades e as ameaças atuais, expressas de forma inovadora, traduzem-se em objetos de análise multidimensionais, transversais e abrangentes que ultrapassam o tradicional domínio meramente político, económico e social (Beck, 1992, p. 19).  [...]

 

6. Manoel Godinho de Erédia - Grande Cartógrafo e Cosmógrafo da India Portuguesa, nos séc. XVI e XVII

    Tenente-coronel João José de Sousa Cruz

 

Por altura do fim do séc. XVI e começo do século seguinte, há imensas referências a um engenheiro militar e cartógrafo, luso-macassar de nome Manuel Godinho de Erédia (1563-1623). Licenciado pela Ordem dos Jesuítas, matemático e estudioso fantasista da história da terra Malaia, actual Insulíndia.  [...]

 

7. Elementos de informação constantes dos capítulos das crónicas:

   a) Crónicas Bibliográficas:

  • Do Fim da Guerra Fria a Trump e à COVID-19

Major-general Manuel de Campos Almeida

  • A Batalha do Quitafine

Major-general Manuel de Campos Almeida 

 

 

 

 

 

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