Nº 2469 - Outubro de 2007
2469 - Outubro de 2007
EDITORIAL - Europa e a África
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
 
A Europa e a África são dois continentes com relações históricas que, nos tempos actuais, mais os afastam do que os aproximam. Os europeus, na sua diversidade, criaram diferentes percepções de África, passando pela igno­rância, o fascínio ou o receio. Os africanos, na sua solidão e desespero, e com passados recentes de experiências coloniais de memórias diversificadas, se por um lado procuram na Europa caminhos de segurança e de estilos de vida que anseiam, por outro lado favorecem no seu seio culturas que, esperam, nada tenham a ver com os seus passados de colonizados. A Europa e os europeus continuam destinos preferidos dos africanos, mas a China, a Rússia, a Índia e o Brasil são já hóspedes preferidos de África e outros vão batendo à porta. (...)
Aeromecanização: Desafio para a Transformação de Forças. O caso do Equipamento.
Tenente-Coronel
Luís Fernando Machado Barroso
 
À medida que entramos no século XXI, a doutrina de manobra poderá sofrer uma revolução induzida pela necessidade de dispor de forças aeromecanizadas. A Era da Informação caracterizada pelo conhecimento, velocidade e precisão está a suplantar o modelo de forças da Era Industrial, caracterizada pela massa. A necessidade de dispor de forças mais projectáveis e prontas a ser empenhadas parece ser central à transformação de forças em vários países ocidentais. No caso do Exército Português esses factores são também centrais, para além de ter de ser baseada na prontidão da força existente. Este foi o enquadramento para o desenvolvimento do nosso Modelo Aeromecanizado, que responde também à adaptação de forças ao carácter próprio das forças expedicionárias. A evolução do conceito aeromecanizado e as referências a outros trabalhos serviram para estabelecer os critérios base para o nosso modelo, para que o Exército Português possa dispor de uma força aeromecanizada, com equipamento e tecnologia imediatamente disponíveis, a partir de unidades da Força Operacional Permanente de Exército (FOPE) e que possa responder às necessidades do Exército Português para o futuro, dada a sua versatilidade.
 
Este texto argumenta que, a partir das sinergias da FOPE e com a cooperação da Marinha e da Força Aérea, é possível transformar a Brigada de Reacção Rápida numa unidade aeromecanizada ao mesmo tempo que pode responder a missões em todo o espectro, factor essencial para que possa ser integrada numa NATO Response Force. Dispor de uma força capaz de executar a Manobra de Precisão e Manobra de Profundidade é um passo de gigante para que o Exército Português seja reconhecido com uma força capaz de acompanhar as exigências das operações em todo o espectro do conflito, mesmo numa conjuntura de dificuldades financeiras.
Medicina Global e Estratégia para fazer face a uma nova Pandemia
Capitão
João Gabriel Pacheco Barros
Capitão
Nuno André Fonseca Sampaio Gomes
Capitão
Ricardo Jorge Teixeira Rocha Neto
Capitão
Nuno Miguel Oliveira Sousa Silva
 
Uma série de eventos e factos recentes elevaram significativamente a preocupação de que uma pandemia poderá estar eminente.
 
Se uma Pandemia de influenza surgisse hoje, as fronteiras fechariam e a economia entraria em queda. Esta súbita paragem na economia global provocaria um impacto mais devastador que o actualmente provocado pela SIDA, malária ou tuberculose.
 
O conceito actual de segurança tem sofrido alterações no sentido de focar a atenção nas necessidades e bem-estar dos indivíduos e não apenas nas necessidades dos estados-territórios, tentando fazer face a ameaças não militares como a doença.
 
Neste contexto o objectivo político-estratégico a alcançar é evitar o aparecimento de uma nova Pandemia, ou, se isto não for possível, diminuir a morbilidade e mortalidade associadas, bem como os efeitos económicos e sociais.
 
Todos estes factores fazem com que o combate a uma Pandemia deva assentar num conceito estratégico que se estenda para além dos aspectos médicos, para incluir aspectos económicos e de segurança.
 
O plano estratégico adequado contemplará medidas a serem adoptadas imediatamente de acordo com a realidade actual, ou seja, a de alerta pandémico (fase 3 de actividade infecciosa).
 
O planeamento estratégico e o treino para fazer face a uma Pandemia trarão benefícios mesmo que não ocorra, porque esta preparação é aplicável em todos os tipos de emergências de saúde pública.
Economia e Terrorismo
Capitão
Osvaldo José Gonçalves Oliveira
 
Numa sociedade marcada por uma grande complexidade de actores e de relações supranacionais, uma das principais ameaças ao Ocidente é o terrorismo. Deste modo, a Economia da Defesa permite-nos uma nova leitura de um conceito presente no nosso dia a dia - uma visão económica da problemática do terrorismo. Um dos pilares da ciência económica é a racionalidade dos agentes: assume-se que os terroristas actuam como agentes racionais, tentando maximizar os efeitos das suas acções, minimizando os custos associados, estando sujeitos a um conjunto de restrições. Estabelecendo um paralelismo entre as organizações terroristas e uma empresa, através de uma abordagem pela óptica do produtor estamos perante um problema de produção em condições adversas, nomeadamente, as medidas governa­mentais para diminuir o seu rendimento, e/ou medidas que venham a aumentar os seus custos de produção. Deste modo, se as entidades governamentais tudo farão para actuar sobre o output da “empresa”, ela tudo fará para minimizar ou anular os efeitos dessas medidas sobre a sua produção.
Defesa Económica e Competitividade
Tenente-coronel
Henrique Manuel Martins Veríssimo
 
Hoje, num quadro geoeconómico altamente competitivo e conflitual, não existem condições eficazes para a edificação de uma defesa económica nacional sem que a dimensão da competitividade económica esteja garantida. A competitividade constitui o grande desígnio económico do País e a sua principal base para uma estratégia económica nacional.
 
Portugal tem de encontrar, neste domínio da defesa económica, um novo paradigma para a competitividade nacional.
 
A resposta não reside em mudanças radicais na política económica pois o desempenho macroeconómico é o resultado de empresas e indústrias dinâmicas e não o inverso. Sendo as empresas que competem e não os países, o modelo de competitividade tem de assentar numa perspectiva mais microeconómica.
 
Para tal, o Estado deve, prioritariamente, assumir o seu papel de garante da estabilidade aos actores económicos e desenvolver uma forte cooperação entre a sua administração e as empresas, para alargar a sua zona de influência económica num mundo altamente competitivo e conflitual.
Guarda Nacional Republicana - Transformação ou Evolução
Coronel
Carlos Manuel Gervásio Branco
 
As profundas alterações que o mundo conheceu nesta era de globalização em que a dicotomia ameaça externa/ameaça interna deixaram de fazer sentido, não foram ainda acompanhadas pelas consequentes alterações internas no âmbito da segurança e defesa no nosso país.
 
A crescente intercepção entre a segurança interna e a segurança externa, colocam a GNR no centro de um novo paradigma que é o da segurança global.
 
Mas para sermos consequentes com este novo conceito de segurança, a GNR não pode continuar numa situação dúbia.
 
Ou se transforma numa segunda Polícia e a curto/médio prazo, numa polícia de 2ª;
 
Ou evolui para uma plena inserção no seio das Forças Armadas como 4º Ramo, embora mantendo uma dependência funcional do MAI, para efeitos da missão geral no âmbito da segurança interna.
 
No respeito pela sua natureza e pelos valores e cultura castrenses que detém, afigura-se mais consentâneo com o nosso sistema, a opção por uma solução similar à francesa e à italiana, de evolução para Ramo das Forças Armadas.
CRÓNICAS I - Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
 
  • Presidente da República impõe alterações à nova organização da GNR;
  • Modernização dos P-3C recentemente adquiridos à Holanda;
  • Lei de Programação de Instalações e Equipamentos das Forças de Segurança;
  • Alteração ao EMFAR - Pilotos-Aviadores;
  • Rotação das Forças Nacionais Destacadas no Kosovo;
  • Fragatas da classe “João Belo” mais perto do Uruguai;
  • Programa de aquisição de carros de combate Leopard 2A6 para o Exército;
  • Alteração aos incentivos para prestar serviço militar;
  • Fragata “Álvares Cabral” integra missão histórica;
  • Adiada a recepção oficial pelo Exército dos primeiros Pandur;
  • CEMGFA “pede” novos e mais modernos equipamentos;
  • “Guerras, Mulheres e Direitos”;
  • Nova Missão no Afeganistão.
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