Nº 2473/2474- Fevereiro/Março de 2008
2473/2474- Fevereiro/Março de 2008
IN MEMORIAM - MGEN Prof. Doutor Carrilho Ribeiro
 
O Major-General médico Carrilho Ribeiro nasceu em Abrantes, em 23 de Novembro de 1933, e faleceu em Lisboa, em 27 de Dezembro de 2007. Era Sócio Efectivo da Revista Militar, desde 1982, com o nº 227.
 
Aluno brilhante e premiado no Liceu de Santarém, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se licenciou em 1959, com a elevada classificação de 18 valores. Em 1957 foi incorporado para a frequência do COM, sendo promovido a Asp Of Mil Médico e colocado no 1º Grupo de Companhias de Saúde (1º GCS). Mercê da elevada classifi­cação na licenciatura, foi bolseiro do Instituto Português para a Alta Cultura, em Itália, com estágios, em 1959/60, nas Universidades de Génova e de Roma, onde pôde beneficiar do saber e experiência de especialistas de renome no domínio da gastrenterologia e familiarizar-se com as tecnologias mais avançadas da época. (...)
Tenente-general
Abel Cabral Couto
EDITORIAL - A NATO é uma Organização Obsoleta?
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
 
Em tempos de uma ordem internacional imprevisível, onde o ambiente estratégico resiste à construção de cenários e as novas ameaças à segurança, entendida como um estilo de vida e valores construídos ao longo de séculos a preservar, desafiam as imaginações para encontrarem respostas, todos se questionam que organizações (em actores, em decisões e em estilos de actuação) podem ajudar a encontrar um caminho na incerteza. Nações Unidas, NATO, OSCE, UE e outras organizações regionais tentam incorporar nas suas finalidades o objectivo segurança. Esquecendo, muitas vezes, que as mais belas orquestras, para executarem magníficas partituras, necessitam de instrumentos. (...)
 
A Geopolítica Russa: De Pedro “O Grande” a Putin, a “Guerra-Fria”, o Eurasianismo e os Recursos Energéticos
Tenente-general PilAv
Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos
 
A Rússia é um exemplo de uma aproximação geopolítica profunda e tipicamente continental.
 
No séc. XIII, os russos sofreram o domínio do Império Mongol de Genghis Khan, que durou cerca de 250 anos e deixou marcas profundas na sua psicologia como nação, explicando em grande parte a sua xenofobia, a sua política externa agressiva, e a histórica aceitação da tirania interna.
 
No séc. XVII, a Rússia iniciou a sua expansão para Leste e para Sul, iniciando uma longa contenda com os Impérios Britânico e Otomano.
 
A Rússia sonhava abrir para si todo o Extremo Oriente, com os seus recursos e mercados, antes das outras potências o conseguirem. Esse objectivo estratégico englobava a construção do maior caminho-de-ferro jamais visto, o Trans-Siberiano, de Moscovo a Vladivostok, capaz de competir em tempo com a hegemonia da Grã-Bretanha no tráfego marítimo de mercadorias e matérias -primas.
 
A derrota russa na guerra russo-japonesa (1904-1905), quando o Trans-Siberiano não estava ainda concluído, foi um contributo marcante para o declínio da dinastia Romanov e para a Revolução bolchevique de 1917, em plena 1.ª Guerra Mundial.
 
No início do séc. XX, criou raízes o Eurasianismo, uma visão geopolítica que defendia que a vasta região que a Rússia ocupava, apesar de situada entre dois continentes - Europa e Ásia - era um continente em si mesmo, denominado Eurásia. A “guerra-fria” trouxe consigo a paralisia da reflexão estratégica e a “geopolítica ideológica”, em que toda a ciência se tornou marxista-leninista, nela se inserindo o pensamento de Estaline, a “doutrina Brezhnev” e o Gulag. Uma das poucas excepções a esta situação foram os Generais Shtemenko e Ogarkov, que tentaram alertar para os perigos geoestratégicos deste vazio. Porém, a indústria e a gestão soviéticas não pareciam estar à altura de fazer face ao rápido desenvolvimento da tecnologia ocidental de armamentos de nova geração.
 
A ideologia do Eurasianismo foi retomada após o colapso da URSS por Alexander Dugin, como contraponto ao “Atlantismo” ocidental e ao “wahabismo” islâmico, e está patente em muitas posições assumidas por Putin.
 
As grandes “linhas de força” da actual geopolítica russa relacionam-se com a gestão dos recursos energéticos fósseis existentes no seu território e na “vizinhança próxima” do Cáucaso, Mar Negro e Ásia Central, fundamentais para recuperar a economia russa e repôr a Rússia como grande potência na cena internacional - jogando com eles como “armas estratégicas” - conter o avanço da influência dos EUA e da OTAN na Europa Oriental, apesar de apoiar o Ocidente no combate ao terrorismo internacional e ao extremismo islâmico.
A China em África e o Caso da Cooperação Sino-Moçambicana (Parte II)
Tenente-coronel
Manuel Alexandre Garrinhas Carriço
 
O presente artigo é a continuação de um estudo elaborado pelo autor no qual se analisa a penetração político-económica chinesa no continente africano e a resposta norte-americana com vista a contrabalançar esta incursão estratégica de Pequim. Nesta segunda parte aborda-se a díade de cooperação sino-moçambicana e o papel desempenhado por Portugal neste contexto.
Inovar para Transformar a Defesa
Capitão-de-mar-e-guerra
Armando José Dias Correia
 
A história tem provado que nem sempre os mais fortes e numerosos ganham aos aparentemente mais fracos, porque estes usam a “arma” da inovação.
 
Portugal é um país de parcos recursos financeiros, mas com enormes responsabilidades. Não podendo ter todos os meios humanos e materiais necessários é preciso encontrar formas inovadoras de fazer melhor que os outros, com menos recursos.
 
Este artigo é um modesto contributo para a promoção de um espírito inovador e empreendedor, dentro e fora do âmbito da segurança e defesa, que permita a Portugal concretizar o cenário com o futuro mais ambicioso.
Contraterrorismo: Uma Abordagem pela Teoria dos Jogos
Capitão
Osvaldo José Gonçalves Oliveira
 
O terrorismo, e o seu combate, encontram-se no topo da agenda de muitos países e organizações internacionais. Uma premissa económica básica é a racionalidade das organizações terroristas. Esse princípio basilar permite aplicar a Teoria dos Jogos de forma a ilustrar as interacções estratégicas entre dois países na sua luta contra o terrorismo, sendo fundamental que existam instrumentos de coordenação e cooperação transnacional entre as várias forças de segurança e serviços de informação. As decisões dos Governos irão produzir externalidades supranacionais; assim sendo, para uma correcta análise estratégica fornecido pela Teoria dos Jogos, deve-se ter presente que a preempção fornece benefícios públicos, na medida em que protege todos os alvos potenciais. Por outro lado, a dissuasão ou medidas defensivas impõem custos públicos ao desviar os ataques para alvos mais desprotegidos.
BICENTENÁRIO DAS INVASÕES FRANCESAS. A Cirurgia nas Guerras Peninsulares
Sargento-ajudante
José Luís Assis
 
Ao longo dos vinte e dois anos das Guerras Napoleónicas, as campanhas militares ocorridas sob condições climatéricas extremas provocaram aos exércitos aliados pesadas baixas em termos de mortalidade e morbilidade.
 
O apoio ao Exército Anglo-Luso era insuficiente e apresentava inicialmente grandes lacunas ao nível da experiência médica. Em certa medida, esta última falta de experiência foi corrigida por Sir McGrigor durante a Guerra Peninsular.
 
Cada campanha trazia consigo os seus perigos e a maior parte dos homens morria de privações, de doenças, dos efeitos do clima e dos ferimentos das batalhas.
 
O Exército Anglo-Luso tinha cirurgiões tecnicamente capazes, mas apresentavam grandes dificuldades e embaraços resultantes da enorme falta das técnicas de anti-sepsia, da anestesia e do desconhecimento dos aspectos fundamentais da higiene, da dieta adequada e de bons cuidados de enfermagem.
 
O número de doenças e ferimentos de guerra com que os cirurgiões tiveram de debater-se era elevado e a maior parte dos feridos chegava aos hospitais de campanha em intervalos compassados de acordo com o desenrolar das batalhas.
 
Os exércitos empenhados nas Campanhas Peninsulares, infligidos permanentemente pelas doenças epidémicas sazonais e os ferimentos de guerra deram imenso trabalho ao serviço de saúde.
 
Nas campanhas das Índias Ocidentais os exércitos perderam mais homens por doença do que por ferimentos de guerra. Na campanha do Egipto e da Rússia as condições extremas do clima, a exaustão pelo calor, a hipotermia, a sede e a fome deram aos investigadores uma visão apocalíptica da situação dos exércitos.
 
Os problemas sentidos pelos serviços eram, no entanto, marcados por um elevado número de feridos, por uma proporção significativa do exército doente cronicamente e por uma inadequada provisão logística de transportes, de alimentos e de médicos. A juntar a tudo isto havia, sem dúvida, uma ignorância no âmbito da sepsia, da anestesia, dos princípios básicos da cirurgia de guerra e dos cuidados de enfermagem. Os cuidados fundamentais no âmbito da sanidade - cuidados de higiene, dieta alimentar, bem-estar dos soldados - só seriam implementados na guerra do Oriente, mais conhecida pela Guerra da Crimeia, em 1854.
CRÓNICAS I - Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
 
  •  Declaração de património e rendimentos dos Chefes Militares;
  • Mais helicópteros da Empresa de Meios Aéreos entram ao serviço;
  • Última rotação do contingente português no Afeganistão;
  • Participação portuguesa na força da União Europeia no Chade;
  • Força Aérea perde um F-16BM;
  • Carros de Combate Leopard 2A6 para o Exército Português;
  • Manutenção das fragatas da Marinha Portuguesa adquiridas à Holanda;
  • Centro Nacional Coordenador Marítimo inicia actividade;
  • Lei de Programação de Infra-Estruturas Militares;
  • Exército recebe primeiras viaturas “8X8 PANDUR II”;
  • GNR mantém-se em Timor-Leste;
  • Problemas com a unificação dos sistemas de “Assistência na Doença” aos militares;
  • Presidente da República visitou tropas portuguesas no Líbano;
  • 1º Contingente da GNR parte para a Bósnia-Herzegovina;
  • Fim da obrigação da apresentação ao recenseamento militar;
  • AVIOCAR da Força Aérea Portuguesa deixa S. Tomé e Príncipe;
  • Associações profissionais na Polícia Marítima;
  • Reforma do modelo de defesa e das Forças Armadas;
  • Presidente da República no Colégio Militar.
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