Nº 2496 - Janeiro de 2010
2496 - Janeiro de 2010
Editorial - Novo Ano, Novos Desafios: Ciberataques e Ciberdefesas
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
Alguns teorizadores das mudanças na guerra têm vindo a desenvolver, a ritmo crescente e com cenários diversificados, as suas preocupações com novas formas de ataques que se concretizam sobre os outros, na linguagem da estratégia, agora sem violência nem sangue, que enquadram numa terminologia e em procedimentos que identificam como ciberguerra. Ataques que são baratos, muito rápidos, desencadeados anonimamente, que podem atingir alvos críticos em momentos de crise, que já se identificam como ciberataques e que tornam o ataque electrónico como uma das formas mais sofisticadas do combate irregular. O denominado ciberespaço, onde circulam as ondas electromagnéticas que dão vida à era da informação, tornou-se espaço privilegiado para o confronto de vontades.(...)
Marquês de Nisa no bloqueio de Malta (1798 1799)
Vice-almirante
Alexandre da Fonseca
Em finais do século XVIII, Portugal vivia do florescente comércio com o Brasil, Índia e África. Lisboa era a sede de um importante império colonial.
 
O livre acesso às comunicações marítimas era essencial ao bom funcionamento desta economia, pelo que, entre uma França, grande potência continental, e Inglaterra, grande potência marítima, Portugal não hesitava em priveligiar a Aliança britânica.
 
Deste modo, Portugal é chamado a participar nas operações de apoio naval a Inglaterra, no Mediterrâneo, contra França, que por iniciativa do seu jovem General Napoleão Bonaparte, se lançara numa aventurosa expedição ao Egipto, com o objectivo de uma posterior ligação à Índia, onde então grassava uma revolta contra os ingleses.
 
Napoleão força a sua entrada em Malta, onde pretendia reabastecer no porto de La Valetta, contra vontade dos Cavaleiros de Malta, que acabam por ser expulsos com muitos cidadãos ingleses e de outras nacionalidades, deixando aí o General Vaubois com cerca de 4.000 homens.
 
É então que o Marquês de Nisa, jovem intrépido e promissor Oficial da Marinha Portuguesa, tão frequente e injustamente esquecido nas páginas da nossa História, tem um papel decisivo na ajuda aos malteses e aos ingleses no Mediterrâneo comandados pelo Almirante Nelson, e são esses factos que se recordam nesta intervenção.
Breve caracterização do Iraque
Coronel
Nuno Miguel Pascoal Dias Pereira da Silva
Este artigo caracteriza muito brevemente o Iraque para se poder compreender a realidade actual que se vive no território.
 
A caracterização da civilização árabe assim como o enquadramento geográfico são factores relevantes e imprescindíveis para os estudiosos da Geopolítica.
 
Neste trabalho começa-se por uma tentativa de definição teórica do que constitui uma civilização, prosseguindo com a “escalpelização” dos factores mais importantes que a constituem, nomeadamente a cultura, a educação, a família e tribos, e a religião.
 
O Iraque, como se pretende demonstrar neste trabalho, é um país artificial, constituído por cerca de setenta tribos diferentes, com características, exércitos facções e alinhamentos religiosos diferentes, todas elas lutando pelo poder ou pela divisão do território de forma a terem acesso directo às riquezas do petróleo.
 
Para além das tribos árabes existentes no território, os cristãos e turcomanos no Iraque funcionam de certa forma como tribos, pretendendo nalguns casos determinadas parcelas de território, para governar de forma autónoma ou mesmo independente, que dizem ser suas tendo por base o direito consuetudinário.
 
A maioria dos territórios que pretendem administrar estão assentes em enormes jazidas de petróleo, facto o que ainda vem a complicar mais a actual situação.
 

O trabalho termina com referências aos principais factores geográficos e geopolíticos, do Iraque, pretendendo-se poder dar aos leitores bases para perceberem o complexo puzzle em que se tornou o Iraque actual, bem como dar algumas bases para a compreensão do próximo artigo, que por uma questão de coerência, se apresentará a seguir a este.

A evolução tecnológica militar na Era da Informação
Coronel
Luís Villa de Brito
A evolução tecnológica militar, especialmente no último meio século, verificou-se a um ritmo avassalador, antecipando e apoiando em inúmeras ocasiões a evolução tecnológica para fins meramente civis. Simultaneamente os responsáveis militares foram adaptando os conceitos de actuação, o que não impediu no entanto que também as ameaças se fossem diversificando.
 
Este ensaio, acompanhando a Era da Informação, vai debruçar-se sobre a mais recente evolução tecnológica dos equipamentos militares e a forma como essa evolução transformou o pensamento militar. A análise incidirá fundamentalmente no vector militar americano e nos três grandes conflitos militares que marcaram os últimos vinte anos, as duas Guerras do Golfo e a Guerra no Afeganistão. Por fim, tentaremos olhar o futuro e retirar algumas conclusões.
European Union Partners - NATO
Tenente-coronel
Francisco Proença Garcia
NATO and the EU share a strategic partnership, face common security challenges and threats, are working together in key crisis management operations and are cooperating, inter alia, in the fight against terrorism, in the development of coherent and mutually reinforcing military capabilities and in civil emergency planning.
 
This presentation will focus on three main essential items of these strategic partnerships. Firstly we give the broader perspective of the subject; secondly we talk about operations, thirdly about capabilities and finalize with a prospective approach to a possible relationship in the future.
Silves no itinerário da terceira cruzada: um testemunho teutónico
Mestre
Armando de Sousa Pereira
No Outono de 1187 a autoridade pontifícia lançou na Cristandade um apelo para a libertação da Terra Santa, na sequência da conquista de Jerusalém por Salah al-Din. Em resposta, os principais monarcas europeus, acompanhados pelos respectivos povos, empreenderam, por terra e por mar, peregrinações cruzadísticas e campanhas militares destinadas a reconquistar os lugares santos. Na passagem pela costa atlântica peninsular, parte do itinerário marítimo das expedições de cruzados, acabaram por participar no palco hispânico de batalha contra o Islão, atacando Alvor e colaborando com Sancho I no cerco e tomada da cidade de Silves, em 1189. Tais vicissitudes, do percurso e da conquista, foram transmitidas por diversos testemunhos textuais, entre os quais um relato coevo muito pormenorizado, escrito por um anónimo cruzado teutónico. Os elementos que fornece, sobretudo ao nível da factologia política e militar, foram depois utilizados pela cronística portuguesa do século XV.
 
«Aliança Peninsular»
Mestre
Maria da Conceição Vaz Serra Pontes Cabrita
Se de forma global nos é hoje imperiosa a cooperação entre os Estados, assumindo no quotidiano indubitavelmente o valor de norma de conduta e, infelizmente, não tanto moral na valorização do factor humanidade, recordemos à luz da distância no tempo com as implícitas condicionantes da época, o labor de António Sardinha (Monforte, 1887 - Elvas, 1925) em prol de uma aproximação entre os dois Países peninsulares, nem sempre compreendida, inserida na exaltação e revivescência dos valores da civilização ocidental.
 
Palavras-chave: Lusitanismo, Hispanismo, Universalismo, Aliança-Peninsular.
Crónicas - Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
  • Titulares dos cargos de CEMGFA, CEMFA e CEME mantêm-se em funções;
  • Conselho Superior de Defesa Nacional;
  • Estrutura do XVIII Governo Constitucional;
  • Academia Militar - Guerra da Informação;
  • Operação “Ocean Shield”;
  • Unidade de Engenharia N.º 7 partiu para o Líbano;
  • Museu do Ar, na Base Aérea N.º 1, em Sintra;
  • Últimos carros de combate “Leopard” entregues ao Exército;
  • Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro.
Crónicas - Nota da Direcção
  • Lançamento do livro "Planeamento da Acção Estratégica Aplicado ao Estado".
Capitão-de-mar-e-guerra
Armando José Dias Correia
Crónicas - Crónicas Bibliográficas
  • Em Nome da Pátria - Portugal, o Ultramar e a Guerra Justa.
Major-general
Adelino de Matos Coelho
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