Nº 2517 - Outubro de 2011
2517 - Outubro de 2011
EDITORIAL - Restrições Orçamentais, Forças Armadas e Prioridades
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
Políticos e economistas vão apresentando argumentos à Nação para explicar o que já todos sentem. Chegámos aqui gastando mais do que o que produzimos e agora é preciso reduzir na despesa do Estado. Como já afirmamos noutras ocasiões, as Forças Armadas não tencionam ser mais ricas do que a Nação e também terão de racionalizar as suas despesas, o que significa cortar no que não é essencial e manter aquilo que não afecta o moral, a coesão, a motivação e a prontidão da força militar que, a par de outros instrumentos, assegura a salvaguarda do interesse nacional e da soberania. Como já alguém afirmou,”a experiência sugere que é importante ter forças militares que são estáveis durante as crises, sem qualquer sentimento de que devemos usá-las ou ver-nos livres delas”.
A Sublevação da Baixa do Cassange
Tenente-coronel
António Lopes Pires Nunes

A Sublevação da Baixa do Cassange, que ocorreu na região de Malange nos meses de Janeiro e Fevereiro de 1961, tem merecido a atenção de alguns sectores interessados na Guerra de África (1961-74) que, em geral, acusam as Forças Armadas Portuguesas de ali terem cometido um hediondo massacre de milhares de nativos. Deixámos expresso que o número de baixas se cifrou entre 200 e 300 mortos, ainda assim demasiados, e uma centena de feridos que foram tratados no hospital de Malange. Mas negamos a existência de um massacre. Estas baixas poderiam ter sido evitadas, não fora a influência do Partido da Solidariedade Africana (PSA), partido congolês que aproveitou o facto de os maholos da área terem um carácter transfronteiriço. De facto, os maholos independentes do Congo ex-belga induziram facilmente nos seus irmãos portugueses o sentimento de revolta contra a situação inaceitável em que viviam originada pelas condições que a Companhia Geral dos Algodões de Angola (COTONANG), empresa monopolista do algodão lhes impunha.

A revolta foi justa mas nunca teria ocorrido se as causas laborais tivessem sido eliminadas atempadamente. Conseguida a pacificação e alterada a legislação de cultura do algodão (Maio de 1961) não mais houve problemas na região, mesmo após 15 de Março de 1961.

Exprimimos também no texto que não aceitamos que esta sublevação seja considerada o início da Guerra de África (1961-74), dado que o conflito foi puramente laboral e acabou com os sobas a pedirem que as forças armadas permanecessem na área para os protegerem, inclusivamente das autoridades administrativas da área, pedindo a substituição de algumas delas que tinham cometido abusos, que foram uma das causas da revolta.

As Ilhas do Equador – I Parte
Tenente-coronel
João José de Sousa Cruz

Quando da minha passagem meteórica por S. Tomé, fiquei fascinado com as belezas da Ilha. Assim, fui levado a aprofundar o estudo do arquipélago, tão ignorado por Portugal como pelos portugueses.

O que mais me encantou e aumentou o meu interesse, foi ter encontrado num alfarrabista em Lisboa, uma cópia, de cópia, de cópia, da obra do Brigadeiro Cunha Mattos, o “Compêndio Histórico das Possessões de Portugal na África”, obra escrita depois de 1820 e redescoberta no Brasil e em Portugal, na década de 60 do século XX.

Assim, além da sua beleza selvagem, S. Tomé me apareceu também como terra virgem, viva e sempre em actividade belicosa, capaz de sofrer altos e baixos, mas mantendo a doçura de um clima quente e desafiante, embora doentio para os europeus.

No artigo são referidos os importantes trabalhos de Gago Coutinho e dos Missionários no Arquipélago, bem como as ligações de Almada Negreiros e de Viana da Mota a estes territórios.

Why was the formation of NATO sought by Britain as the solution to its defense dilemma?
Vários
Vários conferencistas

This article aims to analyze how the North Atlantic Treaty Organization allowed the UK, in the early stage of the Cold War, to maintain some global power. In many cases, the country acted as a bridge between Western European and American interests. Aware of the decline of the Empire and its lack of resources in the aftermath of the Second World War, British politicians tried to preserve the UK´s world position as a Third Force within an Anglo-Saxon alliance. This alliance would not only protect Western Europe from a perceived Soviet threat, but would also preserve strategic British positions in a world marked by the confrontation of the two superpowers.

 

“Este artigo tem o objectivo de analisar de que forma a Organização do Tratado do Atlântico Norte permitiu ao Reino Unido, na primeira fase da Guerra Fria, manter algum poder mundial. Em muitos casos, o país actuou como uma ponte entre a Europa Ocidental e os interesses americanos. Conscientes do declíneo do império e da sua falta de recursos, no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, os políticos britânicos tentaram preservar a posição do Reino Unido no mundo como uma terceira força, no âmbito de uma aliança anglo-saxónica. Esta não somente protegeria a Europa Ocidental de uma presumível ameaça soviética, como também preservaria posições estratégicas britânicas, num mundo marcado pela confrontação entre as duas superpotências.”

A Guerra Irregular – A Conspiração do Silêncio no século XXI? (2)
Sargento-ajudante
Fernando D´Eça Leal

A observação da trajectória e pensamentos sobre as diversas formas de organização subversiva de forma concisa e a sua continuidade como estrutura através dos tempos, pelo menos no essencial, mesmo após alguns progressos sócio-económicos das sociedades hodiernas conjuntaram até hoje.

Debray afirmou que a guerra de guerrilha tinha-se transformado em instrumento de novo tipo e não fazia sentido apegar-se a antigas fórmulas. Mas a organização deve corresponder às condições e ao propósito da sua actividade. A evolução da guerrilha, agora deslocada para problemas religiosos fundamentalistas, passa mais pelo aproveitamento do progresso tecnológico do que pelas fórmulas tradicionais da estrutura – essa mantém-se, quiçá com alguma variante, no propósito princípio de organização em clandestinidade e no presumido ideológico de derrubar o sistema – outrora mais político, hoje (mais) político-religioso; e deu ênfase ao terrorismo.

A interrupção do modelo tradicional de partido de vanguarda é decisiva evoluindo noutro campo dogmático. As condições da luta transformam-se constantemente e, conforme essas mudanças, as organizações irregulares também procuram constantemente formas novas e adequadas e tentam evitar erros que outrora outras cometeram.

As minúcias históricas de cada país determinam formas especiais de organização. Temos a nosso favor, apesar do avanço terrorista globalizado com a sua a intenção de formar estados fundamentalistas, seja qual for e o Deus que tencionam, os frutos em sociedades europeias serão ineficazes por diversas razões, contudo ao contrário da História, deve-se ter em conta os discursos e a realidade concreta de cada período: o impossível pode acontecer basta falar ao coração e apontar às massas a direcção ao objectivo. Para isso, basta-nos a atenção permanente e conhecer o ambiente operacional: entender o “terreno” para (melhor) o combater pois a maior fraqueza dos bons está em acreditar que os maus já não existem.

Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado

• Fragata portuguesa no Índico;

• Regime remuneratório dos militares;

• Rotação das Forças Nacionais Destacadas no Kosovo e Afeganistão;

• Balanço “militar” dos primeiros 100 dias do XIX Governo Constitucional.

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