Assuntos estratégicos de Segurança e Defesa

2629/2630 - Fevereiro/Março de 2021

Editorial
General
José Luiz Pinto Ramalho

Nos últimos dias, tomou-se conhecimento pela Comunicação Social de que o Ministro da Defesa Nacional (MDN), ao invés de se preocupar com a resolução dos graves problemas que afetam as Forças Armadas – carência preocupante de efetivos; paralisia do processo de reequipamento dos sistemas de armas que diferenciam os Ramos e lhes permitem continuar a ser parceiros, no quadro da Aliança Atlântica; as falhas do apoio social e da saúde aos militares e Família Militar (Instituto de Apoio Social das Forças Armadas e Hospital das Forças Armadas) – prefere juntar-se à prática das sucessivas reformas inacabadas e não testadas e corrigidas, de 2009 e de 2014.

Convém lembrar que continuam por sanar as consequências da reforma “Defesa 2020”, designadamente, as disfunções provocadas nas estruturas superiores dos Ramos e a desarticulação dos Sistemas de Recrutamento e de Saúde Militar, com as consequências visíveis na atualidade, em particular no que concerne aos recursos humanos. [...]

O “duplo uso” – uma questão de terminologia
Major-general
Adelino de Matos Coelho

O conceito de “duplo uso” ou “dupla utilização”, que já era utilizado nos Estados Unidos da América, no início dos anos 90 do século passado, no âmbito da “Defense Conversion”, inspira uma reflexão do autor sobre algumas imprecisões que, há anos, têm sido lidas e ouvidas sobre o assunto.

O artigo tem o propósito de assumir o real significado da terminologia do “duplo uso”, como contributo para a codificação e a difusão de uma doutrina nacional (que vigora, efetivamente, nos Estados-membros da UE), de forma a evitar que o facilitismo de um slogan possa desvirtuar o conceito objetivo do termo, no âmbito da Defesa Nacional e das Forças Armadas Portuguesas.

Os conflitos do pós-Guerra Fria, novas ou velhas guerras?
Capitão-de-mar-e-guerra
João Paulo Silva Pereira

O autor considera pertinente efetuar uma reflexão que analisa o impacto da globalização e da natureza dos conflitos modernos, para inferir se estamos, de facto, a presenciar uma transformação nos conflitos do pós-Guerra Fria e o surgimento de teses sobre as designadas ‘novas guerras’, por oposição às ‘velhas guerras’.

Bósnia e Herzegovina 1996, ponto de viragem no Exército Português
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado

O autor dedica o artigo a todos os militares portugueses que serviram na Missão das Forças Armadas Portuguesas na IFOR/Bósnia 1996, neste ano em que se assinala o 25.º aniversário do início da primeira missão expedicionária das Forças Armadas Portuguesas na Bósnia e Herzegovina.

Considera que esta missão constituiu um ponto de viragem que, em boa verdade, mudou o Exército de então, salientando os aspetos da preparação da força, da sua composição, o “factor humano”, a projecção e instalação da força, a missão, a “batalha” da comunicação e a diplomacia.

Schermer/Jähns – “bastiões” antes de Dürer
Mestre
António Pedro da Costa Mesquita Brito

O autor considera que a mudança radical do método de fortificação medieval para o da idade moderna está ainda mal estudada quanto às origens, pois essa mudança foi coincidente com o início da atividade que hoje conhecemos como imprensa, não havendo, por isso muita bibliografia sobre assunto.

A primeira área que está considera ainda mal estudada é a da principal causa: a mudança radical da artilharia de assédio. Uma segunda área que considera mal estudada é a das primeiras tentativas para reforçar as antigas fortificações contra a surpreendente nova eficácia da artilharia de assédio (“de bater”, como depois se designou, para distinguir da “de campanha”).

Apresenta, assim, a tradução do artigo de Max Jähns “Hans Schermer e a arte de fortificação cerca de 1480”, publicado, em 1891, no n.º 98 da revista Archiv für Artillerie-und Ingenieuroffiziere des deutschen Reichsheeres, que considera esclarecedor para melhor se compreenderem essas mudanças.

O problema estratégico da Guiné (1966-1973)
Prof. Doutor
Orlando J. B. Almeida Pereira

Descreve-se o problema estratégico criado no final de 1966, quando o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde determinou situar as bases dos combatentes do PAIGC nos países limítrofes. Mostra-se a evolução da formulação do problema e das soluções, até 1973.

A Fundação do Exército Português

 

 

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Major-general
Adelino de Matos Coelho
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Nº 2633/2634 - Junho/Julho de 2021

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