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2644 - Maio de 2022

Nota de Abertura

 

Entre 30 de junho e 17 de junho do ano corrente comemora-se o Centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, levada a cabo pelo Capitão-tenente  Sacadura Cabral e pelo Capitão-de-mar-e-guerra Gago Coutinho, no âmbito das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, que ocorreu em 7 de Setembro de 1822.

A Revista Militar (RM) dedica àquela efeméride o presente número temático, com o qual se pretende-se dar relevo, nomeadamente:
– Ao pioneirismo de Portugal, após a Grande Guerra, no contributo para o multi-emprego do aeroplano que fora concebido apenas como máquina bélica, para bombardeamento e combate aéreo, a operar num espaço limitado e restrito, a pouca distância dos alvos, por falta de autonomia, em particular quanto à navegação aérea;
– À primazia dos aviadores navais portugueses na Travessia Aérea do Atlântico Sul, cumprindo o objetivo de ligar Lisboa ao Rio de Janeiro, contribuindo com soluções científicas que viriam a possibilitar as grandes viagens, conjugando as necessidades de autonomia e de orientação dos pilotos em pleno voo;
– À coragem dos protagonistas, ao arriscarem utilizar algumas invenções e adaptações no âmbito da navegação astronómica, elementos que, em último recurso, por eventual falha dos atuais sistemas de navegação aérea, ainda podem ser utilizados para a orientação espacial;
– À determinação anímica e a resiliência dos dois oficiais perante os contratempos que surgiram durante a viagem;

– Ao esforço nacional de um País que, sem grandes recursos, disponibilizou três hidroaviões, devido aos imponderáveis técnicos das aeronaves utilizadas;

– À projeção interna e externa do acontecimento, com ênfase no reforço das relações luso-brasileiras e no reconhecimento internacional das façanhas científicas e tecnológicas.

Neste contexto, publicam-se quatro artigos – “Algumas Notas sobre a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul”, “Breve excurso pelos métodos e sistemas de navegação, desde Gago Coutinho aos dias de hoje”, “A inédita travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro de 1922: uma visão brasileira pelo olhar da imprensa” e “A Travessia aérea do Atlântico Sul assinalada através do bilhete-postal ilustrado” – a cujos autores se agradece as disponibilidades e os esforços para acolherem o convite dirigido pela RM:
– Tenente-general PilAv António de Jesus Bispo (Sócio efetivo da RM);
– Comodoro Nuno Sardinha Monteiro (Sócio efetivo da RM);
– Coronel Carlos Roberto Carvalho Daroz (com o apoio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército Brasileiro);
– Prof. Doutor António Pires Ventura (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).

A “travessia aérea do Atlântico” é um assunto que, de longe, despertou interesse na RM, o que pode ser destacado nas referências bibliográficas da presente publicação, designadamente com a publicação, dois anos antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial, de um artigo (traduzido pela Direção em língua portuguesa) da autoria de Raffe Emesrson e publicado, em junho de 2012, no Boletim do Aero Club of America (atual National Aeronautic Association), que fazia a premonição de “um veículo aéreo que consiga manter-se no ar durante um trajeto de 270 ou, melhor ainda, de 450 a 870 milhas, numa determinada direcção, pode atravessar o oceano.”

A par deste artigo, também outros artigos, dois coevos e outro da comemoração dos cinquenta anos do feito que agora se comemora, são selecionados e republicados neste número temático:
– “A travessia aérea do atlântico”, do Capitão-tenente Alfredo Botelho de Sousa (Vogal da Direção), RM n.º 5, junho de 1922;

– “A travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro”, texto da Direção, RM n.º 6/7, junho/julho de 1922;
– “Cinquentenário da I Travessia Aérea do Atlântico-Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral (1922-1972), do Contra-almirante Manuel Sarmento Rodrigues (Vogal da Direção), RM n.º 6, junho de 1972.

Hoje, um voo entre Lisboa e Rio de Janeiro dura cerca de dez horas. Quando essa mesma rota foi feita pela primeira vez, pelos portugueses Artur de Sacadura Cabral e Carlos Gago Coutinho, demorou 79 dias de viagem e mais de 60 horas de voo. Do seu feito, em 1922, resultaram as promoções daqueles oficiais da aviação naval, por distinção, a capitão-de-fragata e a vice-almirante, respetivamente.
 

A Direção

 

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Resumo do Acervo Articular da Revista

 

1. Algumas Notas sobre a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul
   Tenente-general PilAv António de Jesus Bispo

Decorrem atualmente as comemorações oficiais relativas ao centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, segundo um calendário igual ao da Travessia, ou seja, de 30 de Março a 17 de Junho, com participações de elevado nível por parte de entidades qualificadas para o efeito; os eventos comemorativos têm tido um elevado significado e uma dignidade correspondente. (...)

 

2. Breve excurso pelos métodos e sistemas de navegação, desde Gago Coutinho aos dias de hoje
   Comodoro Nuno Sardinha Monteiro

Celebra-se este ano o centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, um feito extraordinário conseguido por Gago Coutinho e Sacadura Cabral e que se deveu, em grande medida, às notáveis inovações introduzidas pelos dois pioneiros portugueses no campo da navegação astronómica a bordo de aeronaves. (...)

 

3. A inédita travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro de 1922: uma visão brasileira pelo olhar da imprensa
   Coronel Carlos Roberto Carvalho Daróz

O ano de 2022 assinala duas efemérides da maior importância na história cruzada de Portugal e do Brasil, quando são celebrados o bicentenário da independência do Brasil e o centenário da travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro. Esta última, motivada pelo transcurso dos 100 anos da independência do Brasil, foi realizada com sucesso em 1922 pelos aviadores navais portugueses Artur de Sacadura Freire Cabral e Carlos Viegas Gago Coutinho. (...)

 

4. A Travessia Aérea do Atlântico Sul assinalada através do bilhete-postal ilustrado
   Prof. António Ventura

Numa época em que Portugal ainda sofria as consequências da participação na Grande Guerra, com o crescendo da instabilidade política e da agitação social, as viagens aéreas protagonizadas por aviadores portugueses constituíram uma espécie de refrigério, sentido positivamente pela população. Esse ciclo das grandes viagens aéreas decorreu nos últimos anos da I República, na vigência da Ditadura Militar e no início do Estado Novo. Durante 14 anos, com maior ou menor intensidade e percepção pública, parecia que Portugal se reencontrava com a sua História. Os novos navegantes enchiam de orgulho a Nação inteira. (...)

 

5. Bibliografia da RM, no âmbito da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul

 

Republicação de Artigos

6. A Travessia Aerea do Atlantico
   (Revista Militar n.º 4, abril de 1912, pp. 280-284)

O periodico norte americano – Boletim da Sociedade de navegação aerea da America (Aero Club of America Bulletin) – publica no seu numero de abril do corrente anno um curioso artigo sobre a travessia do Atlantico, acompanhado dum elucidativo mapa. Embora nele haja alguma coisa que se nos afigura fantastico, pelo menos por agora, esse artigo tem para nós o interesse de pôr a importância que num futuro, talvez proximo, hão-de ter as nossas ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde, como estações de descida ou de paragem na travessia aerea do Oceano Atlantico; por isso damos dele um extráto, acompanhado do mapa que o ilustra. O auctor dessas linhas, destinadas, ao que parece, a causarem grande sensação entre os cultores da navegação aerea e os que lhe seguem os progressos com interesse, é o sr. Raffe Emerson, engenheiro e aviador e autoridade incontestada no assunto. (...)

 

7. A travessia aérea do atlantico
   Alfredo Botelho de Sousa (Revista Militar n.º 5, maio de 1922, pp. 233-242)

Todo o Portugal vibra neste momento de entusiasmo pelo notável feito de aviação, realizado pelos dois grandes portugueses e ilustres oficiais da nossa marinha de guerra, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. E o prestígio de Portugal alevantado; é a prova de que se não perderam as energias da raça, que, pelo contrário, despertam de novo; é a fôrça da tradição operando. (...)

 

8. A travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro
   (Revista Militar n.º 6/7, junho/julho de 1922, pp. 297-304)

A travessia aérea do Atlântico, decidida e iniciada com meios e recursos escassos, mas garantida pelo saber, pela fôrça de vontade e fé viva dos dois grandes portugueses que a empreenderam, completou-se de forma brilhante, com meios ainda mais deficientes. (...)

 

9. Cinquentenário da I Travessia Aérea do Atlântico-Sul. Por Gago Coutinho e Sacadura Cabral (1922-1972)
   Contra-Almirante Manuel M. Sarmento Rodrigues (Revista Militar n.º 6, junho de 1972, pp. 270-286)

Eu quero agradecer ao distinto camarada, Sr. General Amaro Romão, insigne Comandante da Academia Militar, o empenho que mostrou pela minha vinda a esta Academia proferir uma conferência, convite que muito me desvanece. E se a minha prolongada actividade no tratamento dos assuntos referentes a Gago Coutinho, Sacadura Cabral e à sua viagem famosa, me esgotou pràticamente a possibilidade de apresentar aspectos novos, tantas têm sido as minhas intervenções sobre a matéria, desde a Assembleia Nacional às mais modestas tribunas, o certo é também que me não cansa exaltar um feito que, além de ser um dos grandes da nossa história, é uma contínua fonte de inspiração para a juventude.

Por isso até lhe agradeço mais esta excelente oportunidade que me concede, dirigindo-me àqueles que recolheram a honrosa missão de ser alguém na vida e servir a sua Pátria, para apresentar e recordar um acontecimento e dois homens, dois marinheiros-aviadores, dois militares, que fizeram renascer, num período muito conturbado da vida nacional, o orgulho de ser Português. (...)

 

10. Crónicas Bibliográficas

a) Travessia Aérea do Atlântico Sul – 100 Anos

                 Capitão-de-mar-e-guerra José António Rodrigues Pereira

b) A Grande Aventura, Sacadura Cabral e Gago Coutinho na Primeira Travessia do Atlântico Sul

                 Major-general Manuel de Campos Almeida

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