Nº 2566 - Novembro de 2015
Numa mão a pena e noutra a lança
Almirante
António Manuel Fernandes da Silva Ribeiro

1. Introdução

Os Lusíadas, sendo a obra maior da literatura de língua portuguesa, possuem um conteúdo moral e espiritualmente tão rico, profundo e diversificado, que se justifica buscar neles a inspiração e a orientação necessárias para analisar e compreender as questões relativas às principais matérias relacionadas com a identidade nacional e a consciência colectiva dos portugueses. Ora, é neste contexto que se pode colocar o perseverante problema existente em Portugal, país com uma história militar repleta de feitos com dimensão mundial e de heróis com estatuto universal, mas onde ambos são mal conhecidos e ainda menos celebrados.

Vem isto a propósito do VI Centenário da Tomada de Ceuta (22 de Agosto de 1415), empreendimento militarmente notável que, além de ter permitido a conquista de um importante entreposto comercial e praça-forte do Norte de África, marcou o início da construção do primeiro império marítimo pluricontinental e plurioceânico, desencadeou o processo de globalização económica e iniciou a revelação científica da verdadeira geografia da Terra! Lamentavelmente, se o feito militar não mereceu o devido assinalamento, os seus principais protagonistas permaneceram praticamente ignorados, tão poucas foram as manifestações literárias ocorridas recentemente no nosso país, nas quais se inclui a da Revista Militar [1] e a Revista da Armada [2] que, assim, cumpriram, como é seu relevante propósito, o dever patriótico de preservação da memória histórico-militar de Portugal.

Para se perceber a razão fundamental desta persistente dificuldade nacional, não há, certamente, melhor explicação do que a apresentada por Camões, no Canto V d’Os Lusíadas, das estrofes 92 à 100, dedicadas à caracterização das circunstâncias inerentes à subtil relação dos feitos militares e respectivos heróis, com as obras literárias e seus autores. No extracto seleccionado do poema épico, Camões, ao mesmo tempo que relata o elogio feito por Vasco da Gama à tenacidade dos idealizadores e executantes do império marítimo português, critica-os por desprezarem a poesia e seus cantores, facto que considera determinante do pouco apreço em que são tidos os principais protagonistas e da fraca exaltação com que são recordados os momentos altos da história nacional. Embora esta censura de Camões seja muito objectiva e claramente ligada à poesia, para os efeitos do que se pretende demonstrar neste texto, parece-nos lícito alargá-la à prosa, visto que, no essencial, e como refere Ricardo Reis[3], ambas são uma expressão artística que se fundamenta na ligação de palavras e frases, com o fim de transmitir ideias com emoção. O que as distingue, quanto à forma, é o facto da poesia, para projectar, por palavras, uma ideia com emoção, servir-se de três instrumentos disciplinadores da exposição harmoniosa, isto é, do ritmo, da rima e da estrofe. Nestas circunstâncias, o desprezo a que Camões se refere, já no seu tempo, abrangia todos os obreiros da literatura nacional, fossem eles poetas ou prosadores.

 

2. As estrofes

Nas estrofes a seguir analisadas, e como ideia geral, Camões evidencia que é a incapacidade dos portugueses aliarem a força e a coragem ao gosto pela literatura e ao apoio aos seus autores, a razão maior para que os seus extraordinários feitos militares e heróicos protagonistas não sejam devidamente divulgados e festejados. Esta ideia ampla é desenvolvida, logicamente, em três ideias particulares subordinadas, que a detalham, aprofundam e justificam: da estrofe 92 à 94 é realçada a importância da divulgação dos altos feitos militares; da estrofe 95 à 98 é enfatizada a essencialidade do cultivo das letras pelos militares; nas estrofes 99 e 100 é salientado o móbil do amor à Pátria na glorificação poética dos heróis virtuosos.

Vejamos, agora, as expressões do poema épico de Camões nas nove estrofes escolhidas, complementadas por comentários interpretativos de cada uma delas. Nessas interpretações das estrofes conjugaremos os contornos literais, morais e espirituais, de forma a evidenciar: os factos passados; os valores éticos, que determinam os modelos de acção e os comportamentos das pessoas; e a vida mística dos homens, ligada às manifestações do sagrado. Assim, para além de se considerarem as circunstâncias dos momentos históricos referidos, com recurso às leituras morais e espirituais, procuramos evidenciar os elementos mais perenes das estrofes, que configuram a identidade nacional e a consciência colectiva dos portugueses.

 

2.1. A importância da divulgação dos altos feitos militares

92  Quão doce é o louvor e a justa glória

  Dos próprios feitos, quando são soados!

  Qualquer Nobre trabalha que em memória[4]

  Vença ou iguale os grandes já passados[5].

  As invejas da ilustre e alheia história

  Fazem mil vezes feitos sublimados.

  Quem valerosas obras exercita

  Louvor alheio muito o esperta e incita.

 

Nestes versos, Camões comenta a narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde, dizendo que é agradável ouvir louvar e glorificar os próprios feitos, quando são esforçados. Depois, refere que qualquer nobre se esforça para que a memória, de quem foi e do que fez, ultrapasse ou iguale aquela de que desfrutam os seus antepassados ilustres. Neste âmbito, afirma que a inveja do passado insigne dos outros, isto é, as emulações produzidas pela história acerca dos factos e feitos notáveis ocorridos noutros tempos e realizados por personagens célebres, excitam o zelo e as actividades que cada pessoa realiza com o fim de as igualar ou exceder, o que conduz, amiúde, à prática de grandes façanhas. Termina, referindo que aqueles cujo trabalho é corajoso e útil são animados e desafiados quando recebem elogios de outras pessoas.

 

93 Não tinha em tanto os feitos gloriosos

De Aquiles[6], Alexandro[7], na peleja,

Quanto de quem o canta[8], os numerosos

Versos: isso só louva, isso deseja.

Os troféus de Milcíades[9], famosos

Temístocles[10] despertam só de inveja;

E diz que nada tanto o deleitava

Como a voz[11] que seus feitos celebrava.

 

Nestes versos, Camões alega que Alexandre Magno tinha menos apreço pelos feitos gloriosos de Aquiles na guerra do que pelos belos versos com que Homero os celebrou, e que o rei macedónio tanto encarecia e se esforçava por merecer. Afirma, ainda, que a inveja de Temístocles, relativamente aos famosos troféus (vitórias) de Milcíades, tirava-lhe o sono. Conclui, dizendo que nada lhe era tão agradável de ouvir como as referências de exaltação das suas obras.

 

94 Trabalha por mostrar Vasco da Gama

Que essas navegações que o mundo canta

Não merecem tamanha glória e fama

Como a sua, que o Céu e a Terra espanta.

Si [12]; mas aquele Herói[13], que estima e ama.

Com dões[14], mercês, favores e honra tanta

A lira Mantuana[15], faz que soe

Eneias[16], e a Romana glória voe.

Nestes versos, Camões conclui que Vasco da Gama esforça-se por evidenciar que as navegações de Ulisses e Eneias, heróis da antiguidade, tão celebradas no mundo, não merecem tanta glória e fama como a viagem que realizou de Lisboa a Calecute, feito tão extraordinário que assombrou o Céu e a Terra. Para além disso, afirma ser verdade que foi Octaviano César Augusto, por tanto prezar e recompensar com dádivas, benefícios, abonos e distinções o poeta Virgílio, quem o motivou a fazer ecoar pelo mundo o nome de Eneias e, assim, a difundir rapidamente pela Terra o esplendor de Roma.

 

2.2. A essencialidade do cultivo das letras pelos militares

95 Dá a terra Lusitana Cipiões[17],

Césares[18], Alexandros, e dá Augustos;

Mas não lhe dá, contudo, aqueles dões[19]

Cuja falta os faz duros e robustos.

Octávio, entre as maiores opressões[20],

Compunha versos doutos e venustos[21].

(Não dirá Fúlvia[22], certo[23], que é mentira,

Quando a deixava António[24] por Glafira[25]).

 

Nestes versos, Camões começa por destacar a contradição existente em Portugal, país que produz guerreiros destemidos e reis heróicos, tão ilustres como os principais ícones da antiguidade clássica, mas desprovidos dos dotes necessários para apreciar a poesia, sem os quais os homens ficam rudes e incultos. Neste contexto, o poeta argumenta que Octávio, no meio das maiores dificuldades, apertos e angústias, decorrentes do seu cargo de imperador de Roma, fazia versos eruditos e formosos, e que Fúlvia podia, certamente, confirmar este facto, quando António a trocou por Glafira.

96 Vai César subjugando toda França,

E as armas não lhe impedem a ciência;

Mas, numa mão a pena e noutra a lança,

Igualava de Cícero[26] a eloquência.

O que de Cipião se sabe e alcança,

É nas comédias grande experiência[27].

Lia Alexandro[28] a Homero de maneira

Que sempre se lhe sabe à cabeceira.

 

Nestes versos, Camões continua a comparação com os grandes heróis da antiguidade, dentro do mesmo tipo de análise e discurso expositivo da estrofe anterior, e refere que César, enquanto conquistava a Gália, ia cultivando os saberes e, por isso, sustentando numa mão a pena e na outra a lança, a par dos grandes feitos bélicos, conseguia igualar Cícero na arte de bem falar. Também afirma que o conhecimento e a consciência dos feitos de Cícero devem-se à sua divulgação nas comédias, e que Alexandre Magno era tão assíduo na leitura de Homero, que o tinha sempre à cabeceira da cama.

 

97 Enfim, não houve forte Capitão

Que não fosse também douto e ciente[29],

Da Lácia[30], Grega, ou Bárbara[31] nação,

Senão da Portuguesa tão somente.

Sem vergonha o não digo, que a razão

D’algum não ser por versos excelente,

É não se ver prezado o verso e a rima,

Porque, quem não sabe arte[32], não na estima[33].

 

Nestes versos, Camões acrescenta, com desilusão e queixume, que, na antiguidade, os grandes capitães romanos, gregos ou bárbaros, para além de guerreiros épicos, eram também instruídos ou dados às letras (doutos) e sabedores (cientes), o que apenas não sucedia com os portugueses. Também lamenta, com embaraço, não haver muitos heróis portugueses celebrados na poesia, devido ao desprezo que os autores de feitos notáveis nutrem por ela, pois que quem não cultiva a arte de expressão do pensamento dos poetas não pode apreciá-la.

 

98 Por isso, e não por falta de Natura,

Não há também Virgílios nem Homeros[34];

Não haverá, se este costume dura,

Pios Eneias, nem Aquiles feros.

Mas o pior de tudo é que a ventura

Tão ásperos os fez, e tão austeros,

Tão rudos, e de engenho tão remisso[35],

Que a muitos lhe dá pouco, ou nada disso.

 

Nestes versos, Camões conclui que, em Portugal, não há poetas épicos como o romano Virgílio e o grego Homero, não por falta de dotes ou talento natural dos poetas portugueses, mas porque os grandes líderes militares nacionais desprezam a poesia. Acrescenta que, caso este modo de proceder não se altere, dentro de algum tempo não haverá para se cantarem no país grandes heróis, como o devoto Eneias ou o bravo Aquiles. Para além disso, afirma que o pior de tudo é que o destino fez os nossos maiores guerreiros tão toscos e tão ríspidos, tão incultos e de talento tão frouxo, que muitos têm reduzidas ou nenhumas aptidões literárias.

 

2.3. O amor à Pátria na glorificação poética dos heróis virtuosos

99 Às Musas agradeça o nosso Gama

O muito amor da Pátria, que as obriga

A dar aos seus[36], na lira[37], nome e fama

De toda a ilustre e bélica fadiga;

Que ele, nem quem na estirpe seu se chama[38],

Calíope[39] não tem por tão amiga[40],

Nem as filhas do Tejo[41], que deixassem

As telas d’ouro fino, e que o cantassem[42].

 

Nestes versos, Camões afirma que Vasco da Gama deve agradecer às deidades, inspiradoras do poeta, o intenso amor pela Pátria, que as impele a cantar n’Os Lusíadas as suas ilustres e árduas acções guerreiras, dando, assim, aos seus descendentes, reputação e glória. Acrescenta que, nem ele nem quem da sua linhagem usa o mesmo nome manifestou tanto apreço pela poesia, a ponto da musa inspiradora da poesia épica ou as divindades do Tejo se dignassem, por esse motivo e para os enaltecerem, a abandonar a tecelagem dos panos de ouro.

 

100 Porque o amor fraterno[43] e puro gosto

  De dar a todo o Lusitano feito

  Seu louvor[44], é somente o pressuposto

  Das Tágides gentis, e seu respeito[45].

  Porém não deixe, enfim, de ter disposto

  Ninguém a grandes obras sempre o peito:

  Que, por esta ou por outra qualquer via,

  Não perderá seu preço e sua valia.

 

Nestes versos, Camões conclui que é a sua grande afeição aos compatriotas e o gosto sincero de glorificar o que é devido, o único propósito para continuar a engrandecer, com versos, as grandes obras portuguesas. Também apela para que ninguém deixe de ter a alma sempre pronta a praticar empreendimentos relevantes, porque eles, pela divulgação na literatura ou de qualquer outra forma, terão sempre evidenciada a sua importância e utilidade. O poeta assume, assim, uma postura motivadora e mobilizadora dos portugueses, para colocarem todas as suas capacidades ao serviço das grandes causas patrióticas.

 

3. Conclusão

As estrofes 92 a 100 do Canto V permitem perceber o pensamento de Camões sobre os feitos com dimensão mundial e os heróis com estatuto universal que fazem parte da História de Portugal, relativamente aos quais tece duas considerações arrebatadoras e outras tantas desassombradas advertências.

No essencial, considera o poeta que tais feitos eram de grandiosidade sublime e realizados por pessoas muito corajosas. Contudo, podiam ter sido amplamente conhecidos e celebrados, se os seus heróicos protagonistas, para além de bons combatentes, tivessem, também, gosto pela literatura e apoiassem os poetas nacionais. Neste âmbito, ao cantar «E as armas não lhe impedem ciência», Camões afirma que os chefes militares se devem interessar, também, pelo cultivo dos saberes, para perpetuarem, através da escrita, o mérito dos grandes feitos, porque, sem registo e divulgação, desaparecem os incentivos ao surgimento de novos heróis. Considera, ainda, que não é por falta de gente notável que os portugueses são desconhecidos, mas por insuficiente valorização do culto das letras. Reitera esta opinião nos versos «Enfim não houve forte Capitão/Que não fosse também douto e ciente», onde conclui que não basta ser um militar valoroso, capaz de cometer grandes feitos bélicos. Para ficar conhecido e celebrado é preciso ter, igualmente, o dom de transmitir as obras grandiosas através da escrita, como fazem os heróis dos outros países, a quem não falta eloquência. Desta forma, considera que Portugal produz gente de grande heroísmo e valia militar, mas, por serem rudes e incultos, nunca saem da penumbra da História.

Nos versos «Não haverá, se este costume dura,/Pios Eneias nem Aquiles feros», o poeta, com agónica percepção do desastre, adverte que se Portugal persistir em ignorar o reconhecimento, por via das letras, dos seus feitos com dimensão mundial e dos heróis com estatuto universal, no futuro não terá homens ilustres e corajosos. Reitera esta opinião quando canta «Tão ásperos os fez e tão austeros,/Tão rudes, e de empenho tão remisso,/Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso». Camões adverte, com desencantada lucidez, que caso se persista em Portugal no costume do desprezo pela literatura e pelos seus autores, não só não teremos homens ilustres e corajosos, como o embrutecimento dos espíritos delapidará os dotes e o talento natural literário dos portugueses.

Ora, é exactamente por não se terem atendido às considerações arrebatadoras, nem respeitado as desassombradas advertências de Camões que, chegados à data do VI Centenário da Tomada de Ceuta, este grande feito militar da nossa História passou quase despercebido e os seus heróis não mereceram adequada celebração, enquanto o país estava sufocado pelo intenso calor de verão e submerso pela onda de trivialidades circunstanciais desta época do ano.

Perante este perseverante problema, bem faríamos nós, os militares de hoje, se inspirados no poeta e apelando à consciência nacional plasmada n’Os Lusíadas, cuidássemos para que nas unidades, estabelecimentos e órgãos militares e nas datas relevantes, fossem evocados, num viril apelo de liberdade e esperança, os momentos privilegiados e as figuras exemplares da História de Portugal, actividade essencial para revitalizar as energias individuais e colectivas das nossas Forças Armadas. Mas, acima de tudo, seria muito importante reforçar os currículos académicos das escolas superiores militares, com o estudo das humanidades, onde a história dos feitos bélicos com dimensão mundial e dos heróis nacionais com estatuto universal, teria o seu lugar relevante. Desta forma, acrescentavam-se elementos determinantes do saber e da motivação para os oficiais servirem a Pátria com lustre e bravura, tirando partido de uma simbiose perfeita entre a vida profissional e a vida intelectual, destinada a equilibrar as competências nos campos das letras e das armas, requisito que Camões expressa numa forma literária eminentemente majestosa e monumental, como usando «...numa mão a pena e na outra a lança».

 

Bibliografia

Brandão Ferreira, João José, A conquista de Ceuta: aspectos políticos e estratégicos, Lisboa, Revista Militar, n.º 2561/2562, Junho/Julho de 2015, pp. 509 a 531.

Camões, Luís de, Os Lusíadas, Anotados e parafraseados por Campos Monteiro, 4ª ed., Porto, Editorial Domingos Barreira, s.d..

Camões, Luís de, Os Lusíadas, Edição organizada por Cláudio Basto, 3ª ed., Porto, Meranus, 1934.

Pessoa, Fernando, Obras de Fernando Pessoa, Poesia, vol. IV, Lisboa, Promoclube, s.d..

 


 * Vogal Efetivo da Direção da Revista Militar.

 

[1] Em artigo da autoria do Tenente-coronel (ref.) João José Brandão Ferreira, intitulado “A conquista de Ceuta: aspectos políticos e estratégicos”, Lisboa, Revista Militar n.º 2561/2562, Junho/Julho de 2015, pp. 509 a 531.

[2]  Em artigo da autoria do Dr. Luís da Costa Diogo, intitulado “Ceuta: O início do prodígio português e o final da Idade Média”, Lisboa, Revista da Armada n.º 499, Agosto de 2015, pp. 17 a 10.

[3]  Heterónimo de Fernando Pessoa.

[4]  Trabalha para que se preserve a memória de quem foi e do que fez.

[5]  Antepassados ilustres.

[6]  Aquiles foi rei dos mirmidões e o mais ilustre dos generais que participaram na guerra de Tróia.

[7]  Alexandre Magno foi rei da Macedónia, dominou a Grécia, o Egipto e parte relevante da Ásia até à Índia.

[8]  O cantor dos feitos de Aquiles foi Homero, poeta grego autor da Ilíada e da Odisseia.

[9]  Milcíades foi o general ateniense que, de forma considerada improvável, venceu os persas na batalha de Maratona.

[10]  Temístocles foi o general ateniense que comandou a esquadra persa de Xerxes I na batalha de Salamina. Conta-se que, após a batalha de Maratona, disse que a vitória (troféu) de Milcíades não o deixava dormir.

[11]  Refere-se ao autor que exalta as obras de Temístocles, presumivelmente Plutarco.

[12]  Sim.

[13]  Octaviano César Augusto foi o primeiro imperador de Roma. Também foi um grande protector das letras e soube premiar Virgílio, o autor da Eneida, entre outras obras notáveis da literatura latina.

[14]  Donativos ou presentes.

[15]  A lira Mantuana são os versos de Virgílio, apelidado de mantuano, por ter nascido em Mântua.

[16]  Eneias foi o herói da Eneida, epopeia de Virgílio, que canta a fundação de Roma.

[17]  Públio Cornélio Cipião Emiliano foi um general romano que venceu Cartago e Numância. Além de militar ilustre, foi protector do comediógrafo Terêncio.

[18]  Júlio César foi o general conquistador da Gália e um grande escritor e orador romano.

[19]  Dotes necessários para apreciar a poesia.

[20]  Dificuldades, apertos e angústias devidas ao seu cargo de imperador.

[21]  Graciosos ou formosos.

[22]  Fúlvia foi a mulher que Marco António abandonou por Glafira.

[23]  Certamente.

[24]  Marco António foi um importante político e militar romano, que assumiu o controlo do Egipto quando Octávio Augusto era imperador, a quem desafiou e por quem foi derrotado na batalha de Áccio.

[25]  Glafira foi mulher de Arquelon, Sacerdote de Belona, na Capadócia, e amante de Marco António.

[26]  Cícero foi o mais famoso orador dos romanos, e teve uma vida política muito activa. Partidário de Pompeio e, depois, de César, foi oposicionista de Marco António, que o mandou assassinar. Diz-se que Fúlvia, mulher de Marco António, que Cícero havia atacado nas “Filípicas”, lhe trespassou a língua com um alfinete de ouro.

[27]  Refere-se Camões à tradição de Cipião Emiliano ter colaborado nas comédias de Terêncio.

[28]  Alexandre Magno foi educado por Aristóteles e um grande admirador de Homero, autor da Odisseia e da Ilíada.

[29]  Sabedor.

[30]  Latina ou romana.

[31]  Designação romana para os não latinos ou não gregos.

[32]  Aqui entendida como uma forma de linguagem, para exprimir o pensamento do poeta usando recursos linguísticos e estéticos.

[33]  Sem apreço pela poesia.

[34]  Poetas como o romano Virgílio e o grego Homero.

[35]  Talento tão frouxo.

[36]  Aos descendentes de Vasco da Gama, que nenhum apreço terão por Os Lusíadas, quando estes lhes dão nome e fama.

[37]  No poema épico Os Lusíadas.

[38]  A família de Vasco da Gama.

[39]  Musa inspiradora da poesia épica, da ciência em geral e a mais velha e sábia das nove musas da mitologia grega, filhas de Zeus e de Mnemosine.

[40]  Não davam apreço à poesia.

[41]  As Tágides são as ninfas do Tejo, divindades criadas por Camões e que incarnam o poeta.

[42]  As ninfas entretinham-se a tecer panos de ouro.

[43]  Porque as musas do Tejo eram irmãs dos portugueses.

[44]  O louvor correspondente ou que é devido.

[45]  Propósito.

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2015-12-16
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Almirante

António Manuel Fernandes da Silva Ribeiro

O almirante António Manuel Fernandes da Silva Ribeiro nasceu em Pombal a 14 de Outubro de 1957. Ingressou no Curso de Marinha da Escola Naval em 1974. É atualmente o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional. 

O almirante António Silva Ribeiro é sócio da Revista Militar.

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by CMG Armando Dias Correia