Nº Nº Temático - Maio de 2016
A Batalha de Verdun. Possíveis consequências e ensinamentos para Portugal
Tenente-coronel
Luís Manuel Brás Bernardino

"…A formidável lucta em que desde 21 de fevereiro ultimo [1916] se têm empenhado alemães e franceses em volta do campo entrincheirado de Verdun, um dos mais sólidos pontos de apoio da linha de batalha do exercito do general Joffre, e em que o heroísmo dos atacantes tem correspondido não menos heroísmo dos defensores, constituirá, sem duvida, pela grandesa e importância da acção travada, pela extraordinária violência dos ataques e pelas espantosas perdas produzidas, um dos episódios mais notáveis desta grande guerra, uma das mais importantes batalhas da frente ocidental, isto daquela, em que, segundo todas as probabilidades, virá afinal a decidir-se a grandiosa lucta europeia…".

coronel Luíz Henrique Pacheco Simões,

In “Revista Militar” Nº 6/Junho 1916, p. 337

 

 

Nota introdutória

O coronel Luíz Henrique Pacheco Simões[1], distinto Oficial do Exército Português e Vogal Efetivo da Direção da Revista Militar durante o período da Grande Guerra escreveu, entre junho de 1916 e março de 1920, quinze artigos sob o mesmo título “A Batalha de Verdun”. Mais do que um conjunto de crónicas e descrições, completas e muito elaboradas, sobre um dos acontecimentos mais relevantes na Grande Guerra, o autor, tendo por base o repositório de notícias e documentação privilegiada a que tinha acesso (vindas da frente de batalha), assume-se como um cronista e estudioso dos desenvolvimentos político-estratégico-táticos, que iam sendo vinculados no confronto entre a França (aliada à Inglaterra) e a Alemanha, no complexo cenário bélico de Verdun-Somme.

Nos anos de 1916/17, quando em Portugal se preparavam milhares de soldados para seguirem para o teatro de operações da Flandres, estes escritos tinham, no mínimo, um impacto na moral e na forma de perspetivar o que viria a acontecer em La Lys (9 de abril de 1918), e mostravam de uma forma muito pragmática e até demasiado realista e cruel, o que esperava o soldado português na frente da Flandres, no contexto da Grande Guerra.

O autor publicou, só neste período concreto (1916/17), cerca de uma dezena de meticulosos e bem escritos artigos (um por número da Revista Militar) com referência a aspetos político-militares que tiveram, pensamos nós, porventura inconscientemente, um impacto na forma de ver e “sentir” a guerra no centro da Europa. Era um “correspondente de guerra” que interpretava, desde Portugal, as novidades do campo da doutrina, da tática, das operações militares e das inovações técnicas (armamento, motorização e engenharia militar) que iam surgindo amiúde, neste período. Era, acima de tudo, um estudioso, muito metódico e detentor de boa capacidade de análise que, entre 1916 e 1920, se deteve a transcrever e a transmitir para Portugal, na Revista Militar, vinte artigos sobre um acontecimento que marcaria o futuro da Europa e do Mundo.

Em jeito de retrospetiva e até de homenagem a quem dedicou parte do seu tempo a fazer-nos entender os horrores e glórias da Grande Guerra, através de um prisma que foi a Batalha de Verdun, parece-nos adequado que nesta edição especial, onde se celebra o centenário da participação de Portugal na I Guerra Mundial, procuremos reviver estes episódios e ver de que forma esta batalha, e especialmente estes artigos, escritos pelo coronel Luíz Simões, contribuíram para junto do militar e do cidadão comum, salientar o que se passava na frente de combate e testemunhar como ficaria registado na nossa história a Batalha de Verdun.

Assim, o que se pretende neste artigo é, tão-somente, homenagear o coronel Luíz Henrique Pacheco Simões e, na sua pessoa, todos quantos na Revista Militar contribuíram com os seus escritos e análises sobre a Grande Guerra, e refletir sobre uma das batalhas mais marcantes na história militar da Europa e ainda procurar identificar quais seriam as consequências e ensinamentos que poderiam ter sido tirados por Portugal antes de rumar ao teatro de operações da Flandres.

 

Figura 1 – Primeira página do primeiro artigo publicado na Revista Militar (junho de 1916).

 

Como se chegou a Verdun?

Sabemos do relato da história moderna que as batalhas de Verdun e do Somme constituem duas das batalhas mais importantes e significativas da Grande Guerra, em que foram praticamente dizimadas inúmeras Divisões (francesas e alemãs) que se envolveram diretamente numa guerra de trincheiras, onde o movimento e o poder de fogo procurou ganhar vantagem ao imobilismo tático e à defesa em posição. Pior ainda se consideramos que, após o final das batalhas, não houve de facto quaisquer consequências operacionais que ficassem refletidas na carta de situação operacional e no decurso das operações militares, nem qualquer evolução da situação político-estratégica vivida no centro da Europa.

Assim, importaria perceber quais foram as razões que conduziram a esta situação? Quais os objetivos políticos, estratégicos e operacionais que explicam os motivos que conduziam à batalha de Verdun, quais as principais considerações estratégicas e operacionais? Quais os principais erros táticos cometidos? Quais as inovações táticas e técnicas que contribuíram para a solução da guerra de trincheiras e de atrição, e ainda qual a importância do moral e do envolvimento nacional no desfecho destas batalhas? Mas talvez o mais importante será podermos refletir sobre a influência, direta ou indireta, que os desenvolvimentos nesta batalha tiveram (ou poderiam ter tido) para Portugal.

Talvez possamos, no fim deste pequeno texto em jeito de abordagem reflexiva, encontrar algum sentido para tantas mortes e principalmente tirar alguns ensinamentos que nos permita ter sempre em linha de conta que um dos bens mais preciosos, de que um comandante militar sempre será responsável, é a vida dos seus soldados e ainda que a nação é responsável pelo bem-estar e segurança dos que, fora do espaço nacional, lutam pela sua pátria… os soldados.

No início da Grande Guerra, tanto os franceses como os alemães levaram a efeito os seus planos estratégico-operacionais que visavam garantir a posse de determinado terreno vital, centrado geralmente na linha de fronteira entre a França e a Alemanha, sendo de destacar pela sua relevância político-estratégica a região de Verdun-Somme. Neste contexto, esta região passou a exigir dos franceses uma maior atenção, o que levou à construção de inúmeras linhas de trincheira como forma de conter a possível ofensiva alemã que era conhecida, esperada e mui temida pelos franceses e que, corroborando todas as previsões, viria a desenvolver-se no decurso da guerra, tal como referia o general Séré de Rivières, organizador do campo entrincheirado, onde salienta: “(…) calculava que seriam precisos pelo menos quatro Corpos de Exército para executarem o cerco. Ora o ataque dos alemães tem sido executado com efectivos mais consideráveis ainda, dispondo e meios de acção que aquele general não podia supor e exerceu-se de princípio sobre um sector de 7 quilómetros de extensão e portanto abrangendo apenas a sétima parte da linha da frente (…)” [2].

Em meados de dezembro de 1915, o general Douglas Haig[3] (Edimburgo, 1861 – Londres, 1928) substituiu o general Sir John French como Comandante da designada “British Expeditionary Force” (BEF – Força Expedicionária Britânica)[4]. Douglas Haig defendia, em termos estratégico-operacionais, a realização de uma grande ofensiva britânica na Flandres, dado que esta região ficava perto das linhas de abastecimento do BEF e conseguiria assim concentrar, mais facilmente, grande parte do seu potencial militar.

Além disso, a vitória na Flandres permitia alcançar o objetivo estratégico de evitar que os alemães tivessem o controlo do Mar do Norte, a partir do qual os seus submarinos ameaçavam constantemente as linhas de comunicação marítimas do Reino Unido. Todavia, embora não existisse um acordo formal, os britânicos constituíam a parte minoritária da Frente Ocidental, e tinham de operar de acordo com o alinhamento político-estratégico-operacional francês.

Contudo, no início de janeiro de 1916, o comandante das forças francesas, general Joseph Jacques Césaire Joffre[5], acedeu a que o BEF pudesse materializar o ataque principal na Flandres e, após uma reunião dos representantes dos Estados-Maiores aliados, realizada em meados de fevereiro, foi decidido executar uma ofensiva combinada e liderada pela Inglaterra na região do rio Somme, que viria a ser conhecida pela “Batalha do Somme”[6].

A este propósito histórico, Sir James Edward Edmonds, afirmaria que “(…)não é um exagero declarar que as fundamentas da vitória final na Frente Ocidental foram construídas pela ofensiva do Somme em 1916 (…)”[7]. De facto, a frente interna do Reino Unido assistiu, pela primeira vez, aos horrores da guerra moderna por meio de filmes de propaganda, tais como “The Battle of the Somme”, no qual foram utilizadas imagens reais dos primeiros dias de combate e projetadas nas salas de cinemas em Londres e por todo o Reino Unido. Uma propaganda que pretendia levantar a moral e contribuir para um maior engajamento da nação britânica no esforço da Grande Guerra, mas que, por outro lado, permitiu acompanhar e constatar, quase em direto, os horrores e as dificuldades que os britânicos viviam diariamente nos teatros de operações no nordeste da França e principalmente na região de Somme-Verdun.

Os planos para a ofensiva combinada no Somme iniciaram-se ainda antes da ofensiva alemã materializada na Batalha de Verdun, no dia 21 de fevereiro de 1916. Dado que os franceses se tinham empenhado para defenderem Verdun, diminuindo assim a sua capacidade operacional para cumprirem a sua missão na região do rio Somme, acabando por recair o esforço principal da ofensiva para as tropas britânicas. Em meados de 1916, o exército britânico, na França, começava já a ressentir-se dos efeitos de uma preparação das tropas feita de uma forma apressada, pouco integrada e sem unidade de comando. O exército britânico regular, de onde sairiam as seis divisões no início da guerra, ficara já algo desgastado pelas batalhas de 1914 e 1915 em que tinham tomado parte no teatro de operações francês e necessitariam de um reforço substancial para realizar a ofensiva de Somme.

Após este reforço, o grosso do exército britânico passava a ser essencialmente formado por voluntários da Força Territorial e pelas unidades do designado “New Army”, que foram concebidas pelo Ministro da Guerra, Sir Lord Kitchener, que tinham iniciado a sua constituição e aprontamento, em agosto de 1914, em Inglaterra, e que resultaria num reforço importante da frente de combate, principalmente para as unidades em primeiro escalão. Este maior envolvimento do exército britânico em França exigiu também a nomeação de mais oficiais generais para os comandos superiores e ainda a nomeação de grande número de oficiais superiores para guarnecer os comandos intermédios e os estados-maiores. Um esforço suplementar que a Inglaterra teve de fazer para auxiliar a França na Grande Guerra. O mesmo general Douglas Haig tinha começado a guerra como Comandante do I Corpo do Exército Britânico antes de comandar o 1º Exército Britânico e agora a BEF, um Grupo de Exércitos composto por quatro Exércitos (que em breve seriam cinco) integrando 60 Divisões. Uma força nunca antes reunida pela Inglaterra num teatro de operações fora do seu território pátrio.

Por outro lado, em meados de 1916, a aviação britânica, sob designação de “Royal Flying Corps” (RFC), conseguiu a supremacia aérea sobre grande parte do norte de França e especialmente sobre o campo de batalha do Somme-Verdun. Na frente do Somme a RFC tinha destacado dez esquadrões, envolvendo cerca de 185 aviões contra uma força alemã de “apenas” 129 aviões. Esta supremacia aérea local permitiria aos ingleses pensarem na ofensiva como forma de vencer uma guerra rápida e com poucas baixas… o que não viria a acontecer. Contudo, os britânicos alcançaram uma boa observação para o campo de batalha, permitindo a regulação da sua artilharia por via da observação aérea feita partir dos aviões (o que consistiu numa importante inovação táctica na época) e ainda o controlo e combate mais efetivo aos dirigíveis alemães, impedindo estes de fazerem uma observação completa e contínua do campo de batalha.

Em Verdun, concentravam-se assim algumas das variáveis que a Grande Guerra induziu na doutrina e na arte operacional, e que tiveram influência direta no desfecho da batalha, porventura no desfecho da Grande Guerra e na história da Europa e do Mundo.

 

Fonte: [https://centenarioprimeraguerramundial.wordpress.com/2016/01/01/fotos-1916/]

Figura 2 – Campo de batalha em Verdun (1915-16).

 

 

A Batalha de Verdun – antecedentes e envolvente operacional

O ano de 1915 tinha sido um bom ano para os interesses dos países centrais e dos aliados. Na frente ocidental tinha havido um impasse na procura de soluções para a designada “guerra das trincheiras” e na frente oriental os aliados tinham derrotado os russos e não se previam reações operacionais, embora fossem possíveis de acontecer. Era chegada a altura de se voltar a tentar a vitória na frente ocidental, mas sem se esquecer de manter a situação na frente oriental sob controlo operacional.

Por outro lado, os alemães concentraram forças a ocidente e esperavam que fossem os austro-húngaros os que vigiassem a sempre possível reação russa. Na segunda Conferência de Chantilly[8], realizada em 14 de fevereiro de 1916, os Aliados acordaram passar para a ofensiva com a maior sincronização operacional possível, empregando o máximo potencial de combate disponível, de modo a impedirem a manobra de linhas interiores de que tanto gostavam os oficiais alemães. Ficou marcada a ofensiva geral para o dia 7 de julho de 1915, tendo sido antecipada, contudo, para 1 de julho, e que ficaria registado na história da Grã-Bretanha como dos mais sangrentos dias na sua história militar moderna – a data da Batalha do Somme.

Por outro lado, o objetivo principal definido pelo general Erich Georg Anton von Falkenhayn (1861-1922)[9], Chefe de Estado-Maior alemão, era derrotar o exército francês alcançando um forte impacto ao nível político-militar, em que o nível de atrição no combate e o potencial de combate era tal que as forças opositoras não tivessem mais outra opção que se render, pois o objetivo principal não era a conquista e manutenção do terreno, mas a destruição do inimigo.

Era preciso, portanto, que o exército francês se empenhasse decisivamente na defesa do alvo escolhido e a escolha parecia ser fácil e óbvia – Verdun. A cidade de Verdun era uma das cidades mais antigas da França, tinha sido tomada, após longo cerco, durante a última guerra franco-prussiana e na década de oitenta do século XIX foi a pedra basilar da fronteira germano-francesa. A sua queda, após forte atrição, suporia o maior abalo moral para a nação francesa que a conduziria eventualmente à derrota e à capitulação. Não errou Falkenhayn na sua análise, pois a determinação francesa na defesa de Verdun foi total e a história situou, em termos do número de baixas e impacto na história, “Verdun” ao mesmo nível para os franceses, do que “Somme” para os britânicos e “La Lys” para os portugueses.

Para além do empenhamento francês, era importante para os alemães assegurarem o mínimo de perdas nas suas forças em primeiro escalão, ou seja, era preciso gizarem um plano de ataque de modo a proteger a infantaria e evitar assim perdas significativas. Assim, a infantaria teria objetivos muito limitados, alcançados após violentíssimas preparações de artilharia, sobre áreas muito concretas e limitadas. Contudo, pensamos que Erich Falkenhayn errou na sua análise, pois as perdas alemãs, embora menores do que as francesas, foram elevadíssimas e marcaram também a participação da Alemanha na Grande Guerra.

Para os franceses, para além dos fatores morais, táticos e principalmente estratégico-políticos que motivaram a escolha de Verdun, havia mais algumas considerações estratégico-operacionais e logísticas que foram tidas em linha de conta para a escolha desta posição, pois que o sector de Verdun constituía um saliente na linha da frente que representava também uma ameaça para a retaguarda alemã, nomeadamente, para as linhas de comunicações e de abastecimento. Pois que em termos logísticos, o setor fornecia uma grande superioridade aos alemães, dados as catorze linhas de caminho-de-ferro diferentes de que dispunha, face a apenas uma linha de caminho-de-ferro de via estreita e apenas uma estrada (com o mesmo percurso). A única alternativa estava sob controlo alemão, quer pelo fogo da artilharia quer por, no seu percurso, se passar pela retaguarda alemã, o que comportava sérios riscos.

No nível tático, o terreno, com abundância de florestas e barrancos, favorecia a ocultação dos preparativos e da movimentação das tropas, mas vulnerável aos fogos da artilharia. Do ponto de vista da defesa, o terreno dificultava o avanço das tropas e favorecia a construção de barragens e trincheiras, não só garantido pelos rios como pela perfusão de florestas e de elevações de terreno. A posição dominante dos fortes tornava vulneráveis os eixos de aproximação pelas duas margens do rio Mosa. Assim, era preciso avançar rápida e simultaneamente para que as forças que progredissem pela margem esquerda do rio protegessem as da margem direita, e foi essa a modalidade que viria a ser adotada para a manobra ofensiva alemã.

Mas Verdun tinha perdido grande parte da fortaleza defensiva de que dispunha. Após a guerra franco-prussiana (1870), Verdun converteu-se no local melhor fortificado da fronteira germano-francesa com uma vasta rede de fortes, munidos para sua defesa de guarnição fixa e uma abundância de peças de artilharia de diferentes calibres. A queda de inúmeras praças assim defendidas fez com que todos os seus recursos (humanos e materiais) fossem postos ao dispor do general Joffre para o seu uso, onde mais vantajosa fosse considerada a sua utilização.

 

 

A Batalha de Verdun

Em meados de fevereiro de 1916, o dispositivo das forças francesas no setor de Verdun era constituído por nove Divisões (oito em primeiro escalão e apenas uma em reserva na região de Soully). Porém, quando a chefia do exército francês se apercebeu do que estava a acontecer reforçou o setor com o XX Corpo de Exército que ocuparia posições na região de Bar-le-Duc. Ao todo, os franceses passariam a dispor de onze Divisões (cerca de 187.000 homens e 632 peças de artilharia, das quais 244 eram pesadas) para defender a região de Verdun. Por outra parte, a Alemanha concentrou no sector dezoito Divisões (cerca de 234.000 homens e cerca de 2000 peças de artilharia), um efetivo militar nunca antes concentrado num espaço tão restrito de terreno.

A relação de forças condizia inteiramente com o plano desenhado por Erich Falkenhayn, que consistia no emprego maciço da artilharia e na redução do envolvimento da infantaria no combate direto, permitindo assim obter superioridade tática e sofrer um menos número de baixas. Restava-lhe “apenas” escolher o local mais adequado para lançar o ataque. A escolha pela zona florestal densa assegurava-lhe alguma surpresa, em que o eixo de aproximação mais favorável ao avanço foi determinante na escolha do Norte do saliente, à direita do rio Mosa, entre Brabant e Ornés (com cerca de 7 Km de frente), onde se enfrentariam os Corpos de Exército VII, XVIII e III alemães e as Divisões 72 e 51 francesas. Além disso, o XV Corpo de Exército alemão progrediria, a proteger a ala leste do dispositivo, sobre a região de Woevre defendida pela 14ª Divisão francesa, constituindo assim o dispositivo da batalha para o primeiro dia, tal como escrevia o coronel Luíz Simões nas suas crónicas e que aqui resumimos.

De 21 de fevereiro a 5 de março desse ano, desenvolveu-se a primeira fase da batalha. Embora estivesse previsto o ataque para os primeiros dias de fevereiro, o mau tempo obrigou os alemães a adiarem o ataque até ao dia 21. Nesse dia, pensa-se que cerca de dois milhões de projéteis foram lançados pela artilharia alemã numa frente de cerca de 22 km, visando iludir qualquer indício sobre o local escolhido para o ataque principal. Apenas no final do dia é que se concentraram os fogos na margem direita do rio Mosa.

A 22 de fevereiro, começou o avanço da infantaria com a ilusão de não encontrar qualquer resistência, após o forte bombardeamento da véspera. Com excessiva confiança na artilharia, Erich Falkenhayn não só privou as suas unidades das reservas, mas também privou-as de terem protegido a sua ala oeste dos fogos que provinham da margem esquerda do rio Mosa. Erro que se alicerça na sua ânsia de evitar perdas com o mínimo uso da infantaria e no facto de não considerar o terreno mais além do que um objetivo secundário. Mas o pretenso impacto moral tinha de ser atingido com o menor número de baixas e principalmente com a conquista da praça de Verdun para a Alemanha.

Com efeito, apesar das muitas perdas sofridas, a infantaria francesa resistiu ao bombardeamento maciço e opôs uma excelente resistência ao avanço alemão. Contudo, as primeiras posições francesas caíram ao fim desse dia na posse dos alemães. De 23 a 25 de fevereiro, embora chegassem reforços franceses, caíram também as subsequentes posições, essencialmente devido ao rápido avanço alemão na região de Woevre, o que impôs a retirada francesa perante a ameaça de ficarem isolados no campo de batalha. Ao fim do dia 25, os alemães atingiram o forte Douaumont e tinham avançado pouco mais de oito quilómetros, em quatro dias, tendo estabilizado a sua frente de batalha. Apenas restavam seis quilómetros para alcançarem Verdun que consistia no seu objetivo principal.

Mas por que razão a frente de combate se estabilizou na região de Woevre-Douaumont? Essencialmente, por duas razões. A primeira, deve-se à decisão de avançar pela margem esquerda do rio, dadas as perdas provocadas pela defesa e a segunda, por não existirem subunidades alemãs em reservas que pudessem prontamente explorar o sucesso. Os franceses estavam também fora do alcance da artilharia alemã e as reservas demoraram até dez dias nas suas movimentações para a vanguarda por um terreno lamacento e cheio de crateras feitas pela sua artilharia, o que invalidava o seu emprego, tendo uma influência decisiva no progresso do combate e levando mesmo a uma estabilização da linha de avanço alemã. Estas manobras táticas e o volume de meios de artilharia envolvidos, bem como o papel da infantaria na luta das trincheiras, era uma pequena amostra do que seria o envolvimento de Portugal e do CEP na frente de batalha na Flandres e que poderia ser vista e “sentida” através dos escritos do coronel Luíz Simões.

Este tempo foi empregue pelos franceses para se reorganizarem. Com efeito, só a partir de 24 de fevereiro, quando os reforços e reabastecimentos de materiais e munições começaram a chegar às posições, haveria condições para procurar a ofensiva. A 25 de fevereiro, o general Pétain assume o comando do sector e começa por centralizar a artilharia. Porém, a mudança mais importante que se produziu naqueles dias de estabilização da frente foi a organização de uma única linha de abastecimentos em que, de catorze em catorze segundos, passava por um dado ponto da estrada um camião (quer com homens de reforço quer com reabastecimentos). Pela primeira vez na história militar uma batalha dependia inteiramente do motor a combustão (e da motorização logística), em que a partir desse momento a estrada de Bar-le-Duc passou a ser conhecida por “via sacra”.

Além disso, os britânicos renderam o X Exército francês e, consequentemente, a coligação dispôs de mais Divisões na frente de combate, o que teve também um impacto na resistência francesa. Nesta nova situação operacional começou a segunda fase, a partir de 6 de março (que durou até ao fim de abril), em que os alemães lançaram um ataque simultâneo nas duas margens do rio Mosa, alargando a frente de combate, de forma a alcançar, à esquerda, a região de Mort-Homme e o ponto de cota 304 e, na direita, o Forte Vaux, enquanto o general Pétain dispôs a defesa imediata de Verdun na conhecida “linha do pânico”. No entanto, nesta segunda fase, por ação do gás fosgénio, os alemães tinham perdido a iniciativa, as perdas foram inúmeras, o avanço muito lento e os ganhos de terreno pouco relevante. Mas os esforços franceses também não foram bem-sucedidos. Como refere o coronel Luíz Simões “(…) à parte um pequeno êxito parcial, a grande ofensiva do dia 09 de abril resultou improfícua para os alemães, como vimos. O general Pétain, que os franceses dizem ser sóbrio de manifestações, dirigiu no dia 10 às numerosas tropas do seu comando a seguinte Ordem do Dia, a qual acentuava a importância da acção travada e do revez infligido aos alemães no dia anterior (…)”, salientando a mensagem que o general Pétain deixava aos seus militares, nessa data onde referia:

“…a data de 9 de Abril é a de um dia glorioso para os nosso exércitos. Os assaltos furiosos dos soldados do Kronprinz por toda a parte foram repelidos: infantes, artilheiros, sapadores e aviadores o segundo exército rivalizaram de heroísmo. Honra e glória a todos! Os Alemães voltarão sem dúvida a atacar; que cada um proceda por forma a alcançar o mesmo êxito de ontem. Coragem…Vencê-los-lemos!...”.

general Pétain, 10 de abril de 1916 – Verdun.

 

É desde os primeiros dias de maio até meados de julho, quando se desenvolve a terceira fase da batalha, onde se assiste à esperada iniciativa alemã, que se converte numa batalha de atrição como as de 1914, com grandes perdas para as duas partes, principalmente para o exército francês que chegou a empenhar uma nova Divisão de dois em dois dias e que seriam dizimadas pela sequência de contra-ataques e por causa do fogo da artilharia alemã. A ofensiva coligada do rio Somme fez com que o general Erich Falkenhayn decidisse pôr fim à luta no sector de Verdun e, em dois últimos ataques (23 de junho e 11 de julho), os alemães conseguem atingir a povoação de Fleury, a 2,5 km de Verdun, bem como consolidar os pontos de cota 304 e a região de Mort-Homme. Enquanto decorria no sector do rio Somme a ofensiva, os alemães mantiveram no sector de Verdun uma defesa ativa com ataques locais limitados essencialmente para fixar forças inimigas, para que estas não se deslocarem para o Somme, influenciando a batalha.

 

Figura 3 – O general Pétain.

 

Em setembro, já “demitido” o general Erich Falkenhayn, o seu substituto, o marechal Von Hinderburg, determinou pôr fim a qualquer atividade operacional no sector. Os franceses começaram então a gizar planos para recuperarem o terreno perdido. A França viria a passar para a ofensiva (4ª fase) sob o comando do general Nivelle e, a 24 de outubro, com o general Magin como comandante das forças francesas, recuperaram os Fortes de Douaumont e Vaux e, a 15 de dezembro desse ano, atingiram a impensável linha Bezonvaux-Louvemont.

No entanto, a maioria do terreno que tinha sido ganho pelos alemães manteve-se no seu poder praticamente até ao final da guerra. Em agosto, do ano seguinte (1917) teve lugar uma nova ofensiva, com o objetivo de recuperar a confiança do seu exército, após o fracasso da ofensiva da primavera no sector de Reims, que recuperaria o Mort-Homme e o ponto de cota 304 e, em consequência, restabeleceria a situação de fevereiro de 1916. As Divisões francesas atacaram em profundidade, procuraram a surpresa com o transporte de camião para a vanguarda de tropas de assalto que, na véspera, ensaiavam sobre modelos copiados dos que haviam de ser os seus objetivos, evitando os pontos fortes alemães e combinavam o avanço da infantaria com barragens de artilharia que se deslocavam 100 metros para a frente de quatro em quatro minutos.

Nesta quinta fase, a artilharia pesada francesa destruiu os refúgios inimigos, o fogo de interdição isolava os sobreviventes, a força aérea mantinha a ligação com a infantaria mais avançada e as tropas de assalto, com espingardas automáticas e lança-granadas, impediam a infantaria alemã de pegar nas suas armas. As reservas avançavam 2 km por trás das Divisões de primeira linha, visando uma eventual oportunidade e espaço para atingir a segunda linha de posições, antes de os alemães a poderem ocupar. Apesar da desumanidade e da inanidade da batalha, Verdun permitiu valorizar a integração dos fogos na manobra e levou ao combate combinado das diferentes armas (artilharia, infantaria e engenharia).

Embora conseguisse reduzir as forças francesas no rio Somme, a ofensiva alemã no sector de Verdun não atingiu os objetivos planeados, mas motivou inúmeras perdas humanas e materiais ao exército francês por causa da forte atrição. Mas o facto de Verdun não cair na posse alemã e se manter na posse da França minorou o abalo francês e fez com que, após os contra-ataques de outubro e dezembro, ficasse um sentimento de “vitória moral”, embora não se refletisse na carta de situação operacional. Portanto, não poderemos considerar a batalha de Verdun como perfeitamente bem-sucedida para os alemães e nem completamente perdida para os franceses, sendo contudo exemplo para Portugal e para os soldados portugueses das dificuldades que iriam ter na Flandres e que viriam a viver na batalha de La Lys.

Muito se tem falado do número de perdas da Batalha de Verdun. Os diversos autores e as muitas obras consultados não coincidem no número de baixas produzidas em cada um dos exércitos beligerantes. Porém, concordam em dois aspetos. Que as perdas foram maiores na França do que na Alemanha e que, genericamente, superam as cem mil baixas em cada uma das partes. Como refere o coronel Luíz Henrique Pacheco Simões na sua crónica mensal, na Revista Militar “(…) com a semana iniciada em 27 de julho, termina o 2º ano desta Grande Guerra e ao começar o 3º ano todos os chefes de estado e todos os generalíssimos dirigiram entusiásticas e animadoras proclamações aos respetivos exércitos. Em França, além da eloquente proclamação do Presidente Poincaré, o general Joffre dirigiu aos exércitos franceses sob o seu comando a seguinte Ordem do Dia, a qual contém um período expressamente consagrado à defesa de Verdun (…)”. É do teor seguinte essa Ordem:

“Soldados da República!

Há dois anos que, sem fraquejar um só momento, sustentais o peso de uma luta implacável. Fizestes abortar todos os planos dos nossos inimigos: venceste-los nas margens do Marne, detiveste-los sobre Yser, bateste-los no Artois e na Champagne, enquanto eles debalde procuraram a vitória nas planícies da Rússia.

Depois, a vossa resistência vitoriosa, numa batalha de cinco meses, quebrou o impulso alemão em frente de Verdun. Graças ao vosso valor e tenacidade, os exércitos dos nossos aliados puderam forjar as armas cujo peso os nossos inimigos sentem hoje em todas as frentes de batalha. Aproxima-se o momento em que, sob o nosso comum impulso, o poderio militar alemão se desmoronará!

Soldados da França, podereis orgulhar-vos da missão que já tendes desempenhado.

Vós estais decididos a levá-la a cabo.

A vitória é certa!”

 

 

Portugal condecorou a cidade de Verdun

Portugal ficaria emocional e institucionalmente ligado à Batalha de Verdun, não só pelas crónicas e pela vivência que o coronel Luíz Simões nos ia relatando, mês após mês, na Revista Militar, mas também através da ação meritória do Estado português, que à semelhança de outros estados europeus (e não só) viria, em cerimónia própria, nos terrenos de Verdun, a condecorar a cidade e todas as tropas que aí combateram pelos seus feitos em prol da Pátria francesa.

Efetivamente, em 5 de outubro de 1917, foi publicado no Diário da República e depois reproduzido na Ordem do Exército nº 15 – 2ª serie, de 16 de outubro de 1917, o decreto com o seguinte teor: “(…) Dispondo o § único do artigo 2º do decreto nº 3.386, de 26 de Setembro de 1917, que a Ordem da torre e Espada, poderá ser conferida a praças de guerra que por altos feitos se tenham notavelmente distinguido em qualquer campanha; «Tendo a Praça de Verdun, pela sua tenaz resistência, constância na luta e heroicidade da sua guarnição marcado brilhante lugar na actual guerra e dado gloriosa prova de quanto podem o valor e patriotismo de uma nação: Hei por bem, sob proposta do Ministro da Guerra, e nos termos do artigo 4º do referido decreto nº 3.386, decretar o seguinte: Artigo único: è conferido à Praça de Verdun a 1ª Classe da Ordem da Torre e Espada, do valor, Lialdade e Mérito (…)”.

 

Figura 4 – Estojo com as insígnias da Ordem a Torre e Espada oferecida à cidade
de Verdun pelo Governo Português (“Revista Militar” Nº1/janeiro 1918, pp. 282-283).

 

A cerimónia de entrega das insígnias respetivas realizou-se no dia 10 de outubro de 1917, na cidade de Verdun, aquando da visita do Presidente da República Portuguesa, Bernardino Machado, às tropas na frente de combate em França e foi objeto de muitas crónicas na imprensa francesa. SIMÕES, Luíz, in “Revista Militar” Nº1/janeiro 1918, pp. 282-283.

 

 

Conclusões

Através das crónicas mensais do coronel Luíz Henrique Pacheco Simões foi possível constatar que as elevadas perdas produzidas pela guerra das trincheiras e de atrição foi consequência da adoção de doutrinas extremamente ofensivas sem fornecer a apropriada proteção aos exércitos. Os avanços tecnológicos anteriores à Grande Guerra trouxeram como consequência um grande poder de fogo que favoreciam as situações defensivas. Por outro lado, a concentração de esforços e a atuação coordenada e simultânea contra um inimigo comum é da máxima importância e foi o que fizeram os aliados, após a Conferência de Chantilly.

Por outro lado, o objetivo da Batalha de Verdun não era o terreno, mas o inimigo e para se conseguir o objetivo político de alcançar uma paz aceitável para Alemanha era preciso que a proposta fosse apresentada pela Inglaterra que era o principal adversário na luta pela hegemonia. Se a França fosse forçada a render-se (objetivo estratégico), a Inglaterra, por não dispor de umas forças terrestres comparáveis com as alemãs, teriam de propor negociações de paz. Mas para isso era precisa a quebra material e moral da nação francesa e dos seus Exércitos (objetivo operacional), que se haveria de alcançar com a destruição total do inimigo e a tomada de Verdun que era parte do objetivo tático.

Dos escritos do coronel Luíz Simões foi ainda possível constatar que as considerações político-estratégico-logístico-operacionais de Falkenhayn foram as mais adequadas, mas que um aparente bom plano estratégico-operacional pode não ser bem-sucedida, por causa do uso de tácticas que não são certas, pois que, na Batalha de Verdun, ficou demonstrado que a artilharia isolada não consegue ganhar um combate, que as unidades devem dispor de reservas para explorar o êxito imediatamente e que as alas do esforço principal devem ser protegidas das reações e dos fogos inimigos. Estes ensinamentos também seriam úteis para a continuação do desenrolar da guerra e fariam sentido na preparação das batalhas que se iriam desenrolar neste cenário, nomeadamente, em La Lys.

Mais uma vez, o moral viria a ser decisivo no desenvolvimento de uma batalha. A firme determinação de manterem a todo o custo a praça de Verdun fez com que os franceses continuassem a lutar até à exaustão. A determinação dos políticos em acompanhar e apoiar as operações no terreno conseguiu que a grande quebra moral do povo francês não tivesse consequências negativas para o desenvolvimento dos combates futuros. Verdun foi de facto para a França uma batalha moral, uma vitória moral que seria reconhecida por todos os países aliados e, nomeadamente, por Portugal que na preparação para ir ocupar o sector da Flandres se aproximava do palco central da Grande Guerra e que via nesta batalha a atitude, audácia e bravura que precisaria para se manter na frente de combate.

Na sala do Museu Militar, em Lisboa, dedicada à Grande Guerra, é-nos contada uma história que refere o que um comandante de pelotão dizia aos seus soldados antes de morrer “(…) Um Soldado nunca morre (…)”. Porém, o que a batalha de Verdun nos mostra e que seria relatada pelo coronel Luíz Simões é que nem sempre é bem assim, e que embora a morte em combate seja a mais honrosa para um soldado, a perda de vidas em combate nem sempre serve para justificar os meios para alcançar determinados fins.

 

Fonte: http://portugal1914.org/portal/pt/historia/iconografia/item/3972-a-entrega-da-ordem-da-torre-e-espada-a-cidade-de-verdun

Figura 5 – O Presidente Bernardino Machado entrega as insígnias da Ordem da Torre e Espada à cidade de Verdun.

 

 

Nota conclusiva

Pretende-se com esta referência contextualizada ao excelente trabalho desenvolvido pelo coronel Luíz Henrique Pacheco Simões, nos quinze artigos que escreveu sobre a Batalha de Verdun, na Revista Militar, procurar refletir sobre dois aspetos que nos parecem importantes no quadro das atuais Comemorações do Centenário da Grande Guerra.

A primeira é de que, direta ou indiretamente, Verdun mostra-nos, em antecipação, os erros cometidos pelos ingleses e franceses (e pelos alemães) e quais os principais ensinamentos táticos que poderiam ser retirados para a preparação, aprontamento e conduta do Corpo Expedicionário Português (CEP) num quadro operacional muito semelhante. Os artigos publicados, entre junho de 1916 e agosto de 1918 (o último viria a ser publicado em março de 1920), deveriam ter um efeito elucidativo e certamente terão tido impacto nas elites político-militares da época, pois foi possível constatar, tal crónicas de guerra, as vicissitudes e dificuldades vividas nos campos de batalha franceses e concretamente na região de Verdun.

O segundo aspeto, é prestar uma singela homenagem a todos quantos, na Revista Militar, se dedicaram a estudar, analisar e escrever sobre a Grande Guerra, concretamente nesta época e mais especificamente sobre o teatro europeu, onde o soldado português daria mostras da sua valentia… tal como fizeram todos os beligerantes que em Verdun defenderam as suas cores e deram as suas vidas por causas que, tal como salientava o coronel Luíz Simões “(…) heroísmo dos atacantes tem correspondido não menos heroísmo dos defensores, constituirá, sem divida, pela grandesa e importância da acção travada, pela extraordinária violência dos ataques e pelas espantosas perdas produzidas, um dos episódios mais notáveis desta grande guerra, uma das mais importantes batalhas da frente ocidental, isto daquela, em que, segundo todas as probabilidades, virá afinal a decidir-se a grandiosa lucta europeia (…)”, in, Revista Militar nº 6/Junho 1916, p. 337.

 

 

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[1] O coronel de Infantaria Luíz Henrique Pacheco Simões nasceu a 15 de novembro de 1866 e faleceu em 16 de fevereiro de 1925. Foi sócio efetivo da Revista Militar (nº 57), desde 1901, e desempenhou, entre 1902 e 1925, os cargos de Secretário da Assembleia Geral, Vogal Efetivo da Direção e Membro do Conselho Fiscal, tendo escrito sobre a Grande Guerra uma serie de crónicas que o tornaram conhecido nos meios militares da época.

[2]  SIMÕES, Luíz Henrique Pacheco, In “Revista Militar”, Nº 6/junho 1916, p. 338.

[3]  [http://www.historylearningsite.co.uk/world-war-one/military-commanders-of-world-war-one/general-douglas-haig/].

[4]  A British Expeditionary Force ou Força Expedicionária Britânica (BEF) era a designação dada às forças militares britânicas que foram destacadas para o norte da França, no início da Grande Guerra com a finalidade de apoiar a ala esquerda do exército francês na guerra contra a Alemanha. O BEF teve a sua origem na reforma do exército britânico de 1908 patrocinado por Sir Haldane Richard Burdon. Antes desta reforma estrutural, tinha sido habitual o exército britânico enviar pequenas unidades organizadas em Brigadas ou unidades pouco maiores. Mas, no início do século XX, tendo em conta as obrigações decorrentes do “Tratado da Grã-Bretanha” para ajudar a França a defender-se contra um possível ataque alemão, ficou claro que as unidades operacionais do exército britânico tinham que ser organizadas e treinadas como unidades (antes da guerra ter começado), podendo assim ser usadas de forma mais rápida e eficaz onde a unidade de comando e o treino conjunto poderiam fazer a diferença. As reformas de Sir Haldane Burdon na organização das forças do exército regular baseou-se assim na designada "Força Expedicionária", constituída por seis Divisões de Infantaria e uma Divisão de Cavalaria que seriam enviadas para França, em meados de 1914.

[5]  [http://www.firstworldwar.com/bio/joffre.htm].

[6]  A Batalha do Somme, também conhecida como “Ofensiva do Somme”, foi travada entre julho e novembro de 1916, sendo considerada uma das maiores batalhas da I Guerra Mundial. Tratou-se de uma ofensiva anglo-francesa, com o objetivo de romper as linhas de defesa alemãs, ao longo de cerca de 19 km, estacionadas na região do rio Somme. As baixas foram elevadíssimas para ambos os lados, sobretudo para a Grã-Bretanha, ainda mais pelo facto de o objetivo não ter sido plenamente alcançado. A batalha foi concebida para ser uma manobra secundária, cujo objetivo era iludir o esforço das forças alemãs sobre Verdun, palco dos combates mais violentos até então. No entanto, a violência dos combates ao longo do rio Somme fez com que as baixas para ambos os lados ultrapassassem as perdas nos combates de Verdun. A Infantaria dos Aliados enfrentou o fogo cerrado das metralhadoras, o arame farpado mas, em vinte dias de combate, não conseguiu avançar mais do que cerca de 8 km, porquanto os alemães encontravam-se em posição de vantagem no terreno, estrategicamente entrincheirados e dominantes, quando se deu o ataque principal na frente norte do rio Somme. Essa vantagem foi decisiva para o desfecho do confronto entre franceses e alemães. Se Verdun, como iremos ver, se tornou um ícone que afetaria a consciência nacional da França, o Somme teria o mesmo efeito em gerações de cidadãos britânicos. A batalha é principalmente recordada pelo seu primeiro dia (1 de julho de 1916), data em que os britânicos sofreram 57.470 baixas (19.240 mortos), considerado o mais sangrento dia na história do exército britânico. Com mais de 1,2 milhão de baixas (entre mortos e feridos), em cinco meses de combate, foi uma das operações militares mais violentas da História da Humanidade e, levando-se em conta os escassos ganhos territoriais (cerca de 300 quilómetros quadrados), foi também talvez uma das mais inconsequentes da História Militar de todos os tempos.

[7]  EDMONDS, J. A., In “Military Operations: France and Belgium 1916”, Macmillan, London, 1932.

[8]  Com a mudança de governos em França e na Grã-Bretanha, em finais de 1915, os chefes de governo reconheceram a necessidade de encetarem medidas de coordenação político-militar entre os países Aliados. Neste sentido, a 4 de dezembro de 1915, o chefe de governo francês, Aristide Briand, reuniu-se, em Calais, com Lloyd George, ministro britânico, estando presentes ainda o ministro britânico da Guerra (Horatio H. Kitchener) e os generais Joffre e Gallieni. Esta reunião levou à realização do primeiro “Conselho de Guerra Interaliado”, sob a presidência do general Joffre e com a presença de representantes militares da Grã-Bretanha, Rússia, Itália, Bélgica e Sérvia. Foi nesta reunião que se consertaram as atividades militares operacionais para 1916 e a estratégia apontava para um incremento das ações ofensivas nas três frentes principais – ocidente, oriente e italiana – e de contenção nos teatros de operações menores – Salónica, Egito e Mesopotâmia. A par desta estratégia, ficou ainda assente que as grandes ofensivas deveriam ser lançadas em simultâneo para dificultar o uso das reservas por parte do inimigo. Contudo, a decisão de avançar para uma ofensiva generalizada apenas foi tomada em 14 de fevereiro de 1916, no segundo “Conselho de Guerra Interaliado”, realizado também em Chantilly, onde viria a ficar decidido que, se os alemães cedessem a iniciativa aos Aliados, estes lançariam uma poderosa ofensiva na frente do rio Somme, a 7 de julho de 1916, data que só seria antecipada caso ocorresse uma grande ofensiva na Frente Oriental [http://zassu.blogs.sapo.pt/grande-guerra-1914-1918-28-41549].

[9]  [http://www.britannica.com/biography/Erich-von-Falkenhayn].

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Tenente-coronel

Luís Manuel Brás Bernardino

Habilitado com o Curso de Estado-Maior. Pós-Graduado em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa, Mestre em Estratégia (ISCSP-UTL) e Doutorado em História dos Factos Sociais na especialidade de Relações Internacionais (ISCSP-UTL).

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by CMG Armando Dias Correia