Nº 2583 - Abril de 2017
IN MEMORIAM

IN MEMORIAM

Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho

23 de Junho de 1933 – 6 de Março de 2017

 

Pediu-me o Senhor General José Luiz Pinto Ramalho, Presidente da Direção da Revista Militar, que escrevesse o “In Memoriam” do Senhor Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho, falecido em 6 de Março de 2017. Faço-o, respeitosamente, como um dever de Sócio da nossa Revista e, sentidamente, como amigo seu de que me regozijo ter sido.

O Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho nasceu em Travassós, freguesia de Orgéns, concelho de Viseu, em 23 de Junho de 1933, filho de Belarmino Rodrigues Branco e de Arminda Rodrigues Coelho. Casou com Maria Eugénia Mendonça de Azeredo Pereira, em 31 de Maio de 1959, e tiveram quatro filhos, Ana Isabel, Luísa Maria, Maria Cristina e Luís Miguel.

O Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho entrou para a Escola do Exército em 14 de Outubro de 1952, onde obteve excelente classificação na sua Licenciatura em Ciências Militares (Infantaria) e assim deu início à sua longa, preenchida e brilhante carreira militar, da qual se sublinham, de forma concisa, as seguintes referências.

Como oficial subalterno foi um destacado instrutor da Escola Prática de Infantaria, em Mafra. Como Capitão, comandou o Batalhão de Caçadores 141, em Angola, sendo de assinalar o seu contributo para o êxito das operações militares realizadas e a sua preocupação com o bem-estar do seu pessoal. No Curso Complementar de Estado-Maior, que terminou em 1965, obteve a classificação de “Distinto”, tendo desempenhado seguidamente funções no Estado-Maior do Exército e no Gabinete do Ministro da Defesa, onde o seu trabalho foi muito apreciado. Novamente no Ultramar, em Moçambique, serviu na Repartição Logística do Quartel-General, onde a sua acção no apoio às unidades, na área dos transportes e na da saúde, foi justamente louvada. Em 1973, tirou o Curso de Estado-Maior do Brasil, onde obteve o título de Doutor em Aplicação, Planeamento e Estudos Militares, tendo, depois do seu regresso, sido professor no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM), cumulativamente com funções no Estado-Maior do Exército. Em finais de 1974, foi nomeado Chefe de Gabinete do Governador de Timor, tendo regressado à metrópole no início de 1976. Considera-se imprescindível para o entendimento daquele período conturbado o estudo do Relatório do Governo, em cuja elaboração participou activamente. Nomeado posteriormente Chefe do Estado-Maior da 1ª Brigada Mista Independente, em Santa Margarida, é de realçar a sua acção para o aumento da operacionalidade daquela unidade e a sua participação em exercícios nacionais e em Itália. Também a GNR veio a usufruir do seu trabalho e profissionalismo quando foi Chefe do Estado-Maior naquele corpo especial de tropas. Como Coronel, comandou ainda o Regimento de Infantaria de Queluz, devendo notar-se a sua acção na participação da unidade em exercícios e na melhoria das infraestruturas. No IAEM, desempenhou depois as funções de Chefe de Secção de Ensino e finalmente de Subdirector.

Já no posto de Tenente-general, comandou a Região Militar Sul, em Évora, para seguidamente assumir as importantes funções de Quartel-Mestre General, onde aplicou os seus profundos conhecimentos na área da logística, com resultados assinaláveis no reequipamento do Exército e na conservação das infraestruturas. No final do serviço activo, foi nomeado para as elevadas funções de Vice-chefe do Estado-Maior do Exército, onde, mais uma vez, evidenciou os seus conhecimentos mlitares, as suas qualidades de chefia e a sua dedicação à Instituição Militar.

O Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho tem averbados 24 louvores, dos quais um do Conselho da Revolução, quatro de Ministro e seis de Chefe de Estado-Maior. Recebeu várias condecorações, sendo de realçar ter-lhe sido atribuído o grau de Comendador da Ordem Militar de Avis, possuir três medalhas de Serviços Distintos (uma de Ouro) e três medalhas de Mérito Militar (Grande Cruz, primeira, segunda e terceira classes).

O Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho foi Sócio efectivo da Revista Militar desde 1988, tendo nela escrito vários artigos. Foi Vogal efectivo da Direcção durante 18 anos e a sua acção foi sempre a de procurar o seu maior prestígio e difusão.

Lembrando o Tenente-general Adelino Rodrigues Coelho como amigo, refiro que apenas o conheci quando ele foi meu professor no Curso de Estado-Maior. Nesse curso, como era comum, naquele tempo, nos contactos entre docentes e discentes, a nossa relação foi distante, tendo-se verificado até alguns momentos de tensão. Mas, em 1974, o Tenente-coronel Lemos Pires levou-o para Timor como Chefe de Gabinete do Governador e a mim como Chefe de Estado-Maior do Comandante-Chefe. O período difícil e traumatizante que ali vivemos, de Outubro de 1974 a Dezembro de 1975, criou entre nós uma forte amizade. Dessa amizade resultou um contacto estreito e frequente entre as famílias Lemos Pires, Coelho e Barrento, tendo-se vivido em comum maus e bons momentos com encontros frequentes, nomeadamente nos aniversários, férias e natais. Bem natural é pois que, conjuntamente com as notas que recordam a sua vida militar, lembre, nestas breves palavras, a amizade, a gratidão e a consequente tristeza com a sua partida.

Para a sua família, a Revista Militar apresenta as mais sentidas condolências.

Descanse em paz, meu General e meu amigo.

 

 

General António Eduardo Queiroz Martins Barrento

Sócio efetivo da Revista Militar

 

General
António Eduardo Queiroz Martins Barrento
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