Nº 2601 - Outubro de 2018
Tendências conflituais para o horizonte 2035
Major
Pedro Bretes Amador

Introdução

Estratégia, aos vários níveis, trata do estabelecimento de objetivos, conceitos e recursos, dentro de limites aceitáveis de risco, a fim de obter resultados mais favoráveis do que os que poderiam existir fruto do acaso ou da ação de outros.

A Teoria da Estratégia educa a mente do estrategista, disciplinando-a de forma a lidar com a complexidade e volatilidade do ambiente estratégico, as alterações e continuidades do mesmo bem como com as oportunidades e ameaças que dele surgem (Yarger, 2006).

Na abordagem estatocêntrica, Cabral Couto considera a estratégia como a aplicação do poder inerente aos recursos naturais e sociais[1] de um Estado, em função dos seus fins políticos, num ambiente estratégico, dinâmico e competitivo (Couto, 1988).

Neste contexto, estratégia é o emprego dos instrumentos de poder específicos do Estado, como o Político/Diplomático, Económico, Militar e Informacional/Psicossocial com vista à consecução dos objetivos políticos do mesmo, cooperando ou competindo com outros atores, que perseguem a consecução dos seus próprios objetivos (Ribeiro A. M., 2006).

Neste sentido, a estratégia é inerentemente abrangente, com o principal objetivo de influenciar favoravelmente um ambiente estratégico complexo e volátil, orientando o emprego de poder numa direção que conduza à consecução de objetivos políticos. Esta direção é por natureza proactiva e não profética, assumindo que o futuro não pode ser previsto, mas o ambiente estratégico pode ser estudado, avaliado e, em certo grau, antecipado e manipulado.

Para tal, a análise ao ambiente estratégico torna-se essencial, para a identificação de tendências, oportunidades e ameaças, que podem ser influenciadas e moldadas, cabendo essa decisão aos Estados enquanto detentores de poder.

Tal como refere Yarger, “good strategy seeks to influence and shape the future environment as opposed to merely reacting to it (…) Strategy is not crisis management. It is to a large degree its antithesis” (2006, p. 3).

Conforme referido, cabe à teoria da estratégia disciplinar a mente do estrategista. Neste domínio Yarger identifica quinze premissas que ajudam à construção deste exercício. Não sendo o propósito deste artigo refletir sobre Teoria Geral da Estratégia, destacamos duas premissas que destacam a relevância da Prospetiva para a Estratégia.

Por um lado, a estratégia apresenta uma natureza proactiva, antecipatória mas não preditiva. Por outro, subordina-se à natureza do ambiente estratégico. Tal sugere um estudo aprofundado do ambiente estratégico, resultando na identificação de cenários, nos quais a estratégia procura causar efeitos específicos, obtendo de tal resultados favoráveis, evitando os desfavoráveis.

Para o Estado, ambiente estratégico é o domínio no qual interage com outros Estados ou atores no sentido de promover o seu próprio bem-estar. Este ambiente consiste no contexto interno e externo, condições, relações, tendências, questões, ameaças, oportunidades, interações e efeitos que influenciam o sucesso do Estado em relação ao mundo físico, aos outros Estados e atores, ao acaso e a possíveis futuros.

A dificuldade do estudo do ambiente estratégico reside no facto de alguns aspetos do mesmo serem previsíveis, alguns serem prováveis, outros são plausíveis, alguns são possíveis e outros simplesmente desconhecidos. Caracterizado pela volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, o ambiente estratégico encontra-se sempre entre um nível dinâmico de instabilidade e caos. Neste quadro, cabe ao estrategista exercer influência sobre a volatilidade, gerir a incerteza, simplificar a complexidade, e resolver a ambiguidade, no sentido de favorecer os interesses do Estado em concordância com as orientações políticas (Yarger, 2006).

Dada a relevância do estudo do ambiente estratégico, da análise prospetiva do mesmo, bem como da observação do atual Sistema Político Internacional, é natural questionarmo-nos sobre quais são os atuais e futuros desafios que se podem apresentar.

É com base na tentativa de compreensão do atual ambiente estratégico, naturalmente diferente do anterior pela emergência da era da informação, da globalização, da revolução digital e do fim da Guerra-Fria, e da procura de eventuais respostas prévias, que surgiu a ideia de desenvolver o presente estudo. O contacto com métodos e técnicas de prospetiva como Cenários, Análise de Tendências, Delphi, Brainstorming, Deepdives, etc. e temas ou conceitos de Gestão Estratégica (vd. Tableau de Bord, Balanced Scorecard, Mapas Estratégicos, Core Competencies, Strategic Intent, Cadeia de Valor, etc.) despertaram o interesse da aplicação dos mesmos no contexto da Estratégia Militar, em particular no desenvolvimento do processo estratégico.

Este artigo tem, assim, por objetivo, apresentar de forma sistematizada, quais as tendências no domínio da conflitualidade global e um possível cenário, sob a forma de narrativa, para o horizonte 2035, recorrendo para tal a um conjunto de Relatórios e Estudos de reputadas organizações e instituições internacionais.

Para tal, dividimos o artigo em quatro capítulos. O primeiro capítulo segue um estudo da Oxford Analytica, Global, onde se apresentam as tendências conflituais até 2035, sob a perspetiva da União Europeia. O segundo capítulo segue o mesmo racional que o primeiro e onde, de forma sistematizada, se apresentam as tendências conflituais até 2035, na perspetiva da OTAN. Uma vez apresentadas as tendências conflituais globais das duas principais organizações onde Portugal se insere, dedicamos o terceiro capítulo ao ambiente estratégico apresentado em três níveis de análise: estatocêntrico, focado na União Europeia, nos Estados Unidos da América, na China e na Rússia; Regional, em particular a Europa de Leste, África e naturalmente o Médio Oriente; bem como uma análise temática, em concreto à Segurança Ambiental, à Cibersegurança e à Segurança Nuclear. Seguidamente, e no intuito de perceber que fatores podem estar na base da definição deste novo ambiente estratégico, dedica-se o quarto capítulo à identificação de condutores de conflitualidade. No quinto capítulo apresentam-se os possíveis impactos das tendências identificadas nos três primeiros capítulos no ambiente operativo de uma Força Conjunta. Por fim, no sexto capítulo apresentamos um possível cenário, expresso sob a forma de narrativa, que deriva da conjugação de dois supracenários, um ao nível do macroenquadramento e outro ao nível do ambiente contextual.

 

1. Horizonte 2035. Sob o olhar da União Europeia

No âmbito da União Europeia (UE) segue-se um estudo da Oxford Analytica, Global Trends to 2035: Geo-politics and International Power que considera oito tendências globais de âmbito Económico, Social e Político que moldarão o mundo até 2035, nomeadamente: o envelhecimento da população; uma globalização frágil; a revolução tecnológica; as alterações climáticas; as alterações às relações de poder; novas áreas da competição estatal; políticas da era da informação; e ameaças ecológicas (Oxford Analytica, 2017).

Complementarmente, este estudo considera os seguintes pressupostos, ou elementos pré-determinados, com implicações a médio-longo prazo para a Europa, (Oxford Analytica, 2017, p. 5):

– Apesar do elevado grau de incerteza quanto às políticas de Donald Trump e fruto das pressões e incentivos do sistema internacional, a longo prazo, este poderá voltar a seguir as políticas de Obama e George W. Bush;

– Apesar do BREXIT, a população, a economia e o relacionamento do Reino Unido com a UE, permanecerá amplamente semelhante;

– As pressões das migrações para a Europa aumentarão;

– O mundo ocidental, mais desenvolvido, continuará dependente da internet e da tecnologia, explorando as vantagens económicas das tecnologias de informação e das comunicações, que continuarão a superar os riscos dos ciber-ataques;

– Sendo impossível seguir todos os potenciais terroristas na Europa, os ataques individuais contra soft targets assumirão um carácter constante na Europa, paralelamente às formas mais tradicionais de terrorismo.

Com base nestes elementos pré-determinados, as tendências para 2035 caracterizam-se da seguinte forma (2017, pp. 15-68):

 

1.1 Uma população global em envelhecimento

Associado ao envelhecimento populacional, nomeadamente nos países desenvolvidos, estarão baixas taxas de poupança, queda de consumo e aumento crescente da necessidade de serviços sociais. Em geral, os países mais ricos sofrerão estagnação ou mesmo declínio da população.

Por outro lado, nos países em desenvolvimento, particularmente na região da África subsaariana, verificar-se-á um aumento significativo da população ativa, que procurará melhores condições de vida.

Ambos os cenários demográficos representam desafios para os respetivos governos, que procurarão criar políticas economicamente sustentáveis e politicamente aprazíveis.

 

1.2 Globalização frágil num mundo multipolar

Existem inúmeras variáveis que se irão alterar, se o atual ambiente anticomercial/protecionista durar até 2035.

Por um lado, os padrões de globalização serão menos moldados pela política e mais por fatores estruturais. Neste contexto, o comércio global tenderá a ser constante, provavelmente devido à reorientação da China para o consumo doméstico e ao amadurecimento do comércio de bens.

Por outro lado, uma economia mais orientada para os serviços influenciará a governação do comércio global, mas Pequim, Bruxelas e Washington continuarão a ser os principais pontos de decisão para a economia global.

 

1.3 Revolução industrial e tecnológica

Em 2035, os avanços tecnológicos terão um grande impacto sobre os fundamentos sociais e económicos da sociedade.

O desenvolvimento tecnológico, em particular a automação e a inteligência artificial irão produzir alterações ao mercado de trabalho, tornando milhões de empregos obsoletos. A aplicação da tecnologia em novos domínios, como em veículos não-tripulados, começará a proliferar, apresentando aos governos desafios de adaptação no âmbito da governação e do desenvolvimento humano.

Aos Estados serão apresentados novos desafios no âmbito da gestão da informação. Quanto da sua infraestrutura de informação permitirá ser administrada por empresas domiciliadas noutros Estados? Proteger a privacidade dos consumidores e/ou incentivar o crescimento de empresas de inteligência artificial?, constituem-se como questões que cada vez mais estarão na ordem do dia, podendo conduzir a ações judiciais com empresas responsáveis pela gestão de plataformas informacionais, a maior parte nos EUA e na China.

 

1.4 Alterações climáticas e competição por recursos

Mesmo com a implementação de acordos políticos, a fim de reduzir a produção de dióxido de carbono no futuro, de que são exemplo os Acordos de Paris, estima-se que os efeitos dos gases de estufa não serão revertidos até 2035. Neste contexto, é provável a ocorrência de conflitos políticos relacionados com o clima, a nível nacional e internacional.

A utilização de energia renovável irá proliferar, tornando-se mais competitiva em termos de custos. Tal provocará instabilidade em países dependentes de combustíveis fósseis, muitos dos quais na vizinhança da Europa.

 

1.5 Alterações à distribuição de poder no sistema internacional

Considerando a expansão global da presença chinesa, a crise financeira de 2007-08, com impactos significativos no investimento em defesa, da disponibilidade da Rússia em intervir na sua zona de influência, é previsível que até 2035: os EUA continuem a ser a maior potência militar; a China e as potências regionais verão o seu poder crescer; a Rússia se concentre nas ex-regiões soviéticas; se verifique a criação de uma estrutura militar europeia unificada, com uma capacidade expedicionária significativa.

 

1.6 Espaços de competição

Até 2035, é possível que os principais conflitos se centrem na conquista do espaço; no desenvolvimento de novos sistemas de armas; no controlo de Estados pária e falhados; no controlo e gestão da internet e da ciberguerra; no Oceano Ártico em função da abertura de novas rotas marítimas e reclamação de território.

 

1.7 Política da Era da Informação

A economia assente na Era Industrial, que caracterizou o século XX, está hoje assente numa Era da Informação. Assim, até 2035, continuará a tendência para aumentar a desigualdade entre ricos e pobres, fundadas no avanço tecnológico, na evasão fiscal e nas proteções do mercado de trabalho.

Verificar-se-á uma rutura do emprego na indústria, em parte devido à introdução de inteligência artificial nos processos produtivos, em parte devido à carência de mão-de-obra altamente qualificada.

Por fim, aponta-se a tendência para o aumento de populismos desafiando as elites, explorando as desigualdades e a formação de novos grupos de votantes[2].

 

1.8 Ameaças ecológicas

É expectável que o mundo seja confrontado com mais desastres naturais, mais fortes, com maior impacto, em parte devido ao fenómeno da urbanização, para os quais os Estados terão de se ajustar. O norte da Europa será objeto de mais inundações e as ondas de calor serão mais frequentes no sul, afetando mais pessoas. Neste contexto, os Estados terão de criar sistemas de proteção mais eficazes e agilizar mecanismos de apoio aos novos refugiados e migrantes climáticos.

 

2. Horizonte 2035. Sob o olhar da OTAN

O relatório da visão estratégica da OTAN, NATO Strategic Foresight Analysis: 2017 report, identifica tendências e implicações das mesmas que podem moldar o futuro ambiente de segurança, nos próximos 20 anos (NATO ACT, 2017).

Tendo como finalidade contribuir para o desenvolvimento dos planos e estratégias de segurança e defesa das Nações da OTAN, este relatório analisa o futuro da globalização, o impacto da polarização política, o futuro da inteligência artificial, a ascensão da China e a redistribuição do poder geoestratégico e consequente nova ordem internacional. Ou seja, tem em conta que os aliados da OTAN podem influenciar o futuro ambiente de segurança, pelas escolhas estratégicas que podem fazer hoje (NATO ACT, 2017, p. 75).

Considerando como elemento predeterminado que o Ocidente possa ser menos dominante na futura ordem internacional, designadamente em termos económicos, este relatório, prevê que o ambiente de segurança na área euro-atlântica será mais volátil, com potencial de crescimento de conflitos entre Estados, da ameaça terrorista, da polarização e da regionalização.

Assim, faz um levantamento, seletivo, das tendências conflituais em cinco domínios: Político, Humano, Tecnológico, Económico e Ambiental.

 

2.1 Político

O predomínio da OTAN e do Ocidente será cada vez mais posto em causa por atores estatais e não estatais, emergentes e ressurgentes, designadamente da Ásia.

Os atores não estatais, deverão exercer maior influência sobre os Estados e organizações internacionais. Para este domínio concorre o descontentamento público, conduzindo a um aumento da polarização entre os grupos políticos e sociais, afetando a confiança nos governos e nas instituições tradicionais.

Ao nível estatal, a competição entre as grandes potências pode intensificar-se, aumentando a probabilidade de conflito no futuro, destacando a importância do compromisso de Defesa Coletiva.

 

2.2 Humano

As assimetrias demográficas, a urbanização e a polarização das sociedades irão moldar o futuro.

Sociedades caracterizadas por uma população envelhecida, por um lado, exigirão mais recursos para a manutenção do bem-estar médico e social, reduzindo a disponibilidade dos orçamentos estatais para investimento na defesa. Por outro, limitarão a capacidade de recrutamento em função da redução da população ativa.

Nos países em desenvolvimento, as taxas de fertilidade elevadas resultarão no aumento do desemprego jovem e das oportunidades de educação, que se podem verificar insuficientes, podendo conduzir à agitação social.

A urbanização pode levar à escassez de recursos e desafiar a distribuição dos recursos disponíveis.

 

2.3 Tecnologia

Para além de poder afetar a interoperabilidade entre Nações aliadas e instituições, a aplicação de tecnologia de ponta nos vários sistemas de defesa poderá levantar questões éticas e legais, como, por exemplo, a proliferação de ataques cibernéticos, a utilização de inteligência artificial e de sistemas autónomos.

A facilidade de acesso às redes globais permite hoje o acesso imediato a informação, facilitando também a divulgação de informações falsas ou enganosas. Além disso, os dados vão tornar-se cada vez mais um recurso estratégico.

As reduções nos orçamentos de defesa, em parte associados às tendências apontadas no domínio humano, poderão levar a uma dependência excessiva das soluções comercialmente disponíveis, à perda de capacidade de Investigação e desenvolvimento (I&D) focadas na defesa e à não existência de sistemas redundantes, podendo, por sua vez, aumentar os riscos de segurança.

O avanço na tecnologia continuará a abrir novos domínios de guerra. Constituem-se, hoje, como exemplo, os domínios operacionais: cibernético e espacial. Amanhã, poderão ser o eletromagnético e dimensional.

 

2.4 Económico

O efeito da globalização far-se-á sentir em duas dimensões. A primeira tem que ver com o acesso e a escassez de recursos naturais, aumentando a influência dos países emergentes e em desenvolvimento. O acesso e controlo de recursos naturais terão um papel fundamental na política internacional.

A segunda dimensão diz respeito ao advento dos mercados emergentes, que continuará a mudar os empregos para regiões onde a mão-de-obra é mais barata, fragilizando a base económica para a classe média trabalhadora nos países ocidentais, alimentando a desigualdade social.

O financiamento do terrorismo vai tornar-se menos visível e rastreável.

 

2.5 Ambiente

As preocupações com a segurança da água e dos recursos alimentares irão aumentar, aumentando a pressão sobre o sistema ecológico, podendo resultar em perdas para a biodiversidade.

As alterações climáticas irão impor novos desafios ao atual modo de vida e à capacidade dos indivíduos e Estados em manter o ritmo de crescimento e atender às necessidades das suas populações.

Em função do expectável aumento da frequência de fenómenos naturais abruptos, é igualmente previsível que os Estados e as organizações internacionais tenham maior participação em assistências humanitária.

 

3. Horizonte 2035. Análise tridimensional

Para percebermos como qual será a postura dos principais atores do atual Sistema Político Internacional, recorremos ao Munich Security Report 2018. To the Brink – and Back. Este é um documento produzido pela Conferência de Segurança de Munique, que representa a compilação de várias pesquisas feitas quer por investigadores individuais ou organizações como a Arab Barometer, Cyber Policy Initiative, Eurostat, International Monetary Fund, International Organization for Migration, NASA Goddard Space Flight Center, North Atlantic Treaty Organization, NATO Strategic Communications Center of Excellence, Nuclear Threat Initiative, ONE, Oxford Economics, Peterson Institute for International Economics, Pew Research Center, RAND Corporation, Stockholm International Peace Research Institute, Symantec, entre outras.

Como produto, este relatório apresenta-nos três níveis de análise: uma análise focada nos principais atores da política internacional, nomeadamente a União Europeia, os Estados Unidos da América, a China e a Rússia; uma análise às três regiões mais instáveis em termos securitários, em particular a Europa de Leste, África e naturalmente o Médio Oriente; bem como uma análise temática, em concreto à Segurança Ambiental, à Cibersegurança e à Segurança Nuclear (MSC, 2018).

 

3.1 Nível Estatocêntrico

Quanto ao primeiro nível de análise, estatocêntrico, podemos sistematizá-lo da seguinte forma:

3.1.1 União Europeia

A incerteza na relação transatlântica, o BREXIT e o desacordo quanto às migrações constituem-se como temas fraturantes para a UE que colocam desafios, mais uma vez, à sua integridade. Não obstante, o crescimento económico na zona euro e uma revigorada aposta da defesa, com a adesão de 25 Estados-membros à Cooperação Estruturada Permanente, colocam, para já, um cenário de desintegração afastado (MSC, 2018).

3.1.2 Estados Unidos da América

A dicotomia entre o discurso do Presidente Trump e os documentos estratégicos norte-americanos constitui, por si só, um desafio a qualquer tentativa de interpretação à atual posição dos EUA. Constituem-se como exemplos a evolução da situação com a Coreia do Norte e com o Irão. De fato, a incerteza tem caracterizado a abordagem de Trump nas relações externas, porém, a falta de clareza tem-se constituído como um obstáculo na aplicação do instrumento diplomático.

Não obstante, é possível identificar três domínios onde a posição norte americana é clara: relevância à Soberania e a abordagem ao Sistema Político Internacional enquanto espaço de competição; “Paz pela Força” reduzindo o papel do instrumento diplomático; Retração, em áreas específicas, como a saída da UNESCO e dos Acordos de Paris, abdicando de posições de liderança (MSC, 2018).

3.1.3 China

O discurso de Xi-Jiping, em outubro de 2017, marca uma nova era no socialismo chinês e o regresso da geopolítica àquela região da Ásia. A posição da China é hoje caracterizada por uma crescente relevância na diplomacia e segurança internacionais. Associada a esta crescente relevância e participação no Sistema Político Internacional (SPI) está o desenvolvimento do seu aparelho militar. Na realidade, parece certo que num futuro próximo voltaremos a uma nova ordem internacional, bipolar, china-centric (MSC, 2018).

3.1.4 Rússia

72% da população russa acredita que o seu país é uma grande potência. Esta perceção é produto da crescente influência regional russa nos últimos anos. Através de uma rede económica opaca e patronato político, a Rússia consegue influenciar e direcionar a tomada de decisões em toda a região. É exemplo disso a sua capacidade de influência no conflito da Síria que também lhe permitiu testar novos equipamentos militares (MSC, 2018).

Contudo, à Rússia apresentam-se vários desafios. Internamente, a Rússia tem um PIB igual ao espanhol, mas 3 vezes mais população e 33 vezes mais território. Para além da desertificação e do baixo rendimento per capita, tal contribui para um outro problema, grave, na Rússia, o da saúde pública. Externamente, ao crescente aumento da influência e acontecimentos como a Ucrânia, fizeram soar os alarmes nos países vizinhos, que vêm a NATO como uma possível solução. Atendendo ao discurso de Sergei Lavrov e Andrey Kortunov, por ocasião da Conferência Securitária de Munique, é previsível que a necessária, mas não aceite pelo ocidente, esfera de influência russa se manterá, constituindo-se não como a solução perfeita, mas a possível (MSC, 2018).

 

3.2 Nível Regional

Quanto ao segundo nível de análise, regional, podemos sistematizá-lo da seguinte forma:

3.2.1 Europa Central e Oriental

Espaço natural de tensão, a Europa Central e Oriental preocupa, hoje, também pela tendência nos processos democráticos, assumindo em certos Estados, uma forma de Democracia não liberal, onde os tribunais e os media são controlados pelo aparelho do Estado. A política de Parceria Oriental da Europa parece ter perdido.

Mas se o processo político tem sofrido alguns retrocessos, o mesmo não se pode dizer da componente de defesa, onde o reforço da cooperação com a OTAN da Polónia e dos Estados Bálticos se constituem como uma realidade, em resultado do conflito da Ucrânia. Por sua vez, a Aliança continua a promover a sua “estratégia dual” de dissuasão e diálogo. Não obstante a política de “portas abertas” da OTAN, não se vislumbra que a maioria dos Estados interessados adira à mesma a curto prazo, debatendo-se hoje uma nova arquitetura de segurança para a região.

3.2.2 África

Ao contrário do que seria expectável em 2012, quando o crescimento económico de África atingiu o pico, o esperado “dividendo demográfico” africano não se verificou, e tem vindo a decrescer a cada ano que passa. A preocupação prende-se com os cerca de 20 milhões de jovens que entram para o mercado de trabalho todos os anos e que vêm as suas expectativas frustradas. Esta situação não só é preocupante pela agitação generalizada e desestabilização que pode provocar ao invés de produtividade, como coloca a Europa sob uma enorme pressão demográfica.

Para além da ainda fragilidade económica, a manutenção de conflitos de longa duração em África constitui-se como o principal causa das migrações. São exemplo o nordeste da Nigéria, devastado pela ação o Boko Haram; o sul do Sudão, afetado pela guerra civil; e a Somália pela ação do Al Shabaab.

Complementarmente, a falta de estratégias regionais, governações fracas ou arbitrárias, exacerbam o potencial do extremismo e violência.

Em determinadas partes do continente africano é hoje possível identificar uma incapacidade política e financeira sem precedentes, para superar as crises atuais e os desafios do futuro.

 

3.2.3 Médio Oriente

De acordo com o International Institute for Strategic Studies (IISS, 2017), oito dos dez conflitos mais letais têm atualmente lugar nesta região. A estagnação e/ou retrocesso social e económico, as divisões étnicas e/ou sectárias, as rivalidades regionais e a influência externa constituem-se como principais causas da conflitualidade persistente nesta área do globo. Isto é particularmente óbvio na Síria, onde já várias centenas de milhares de sírios foram mortos e mais de 11,6 milhões estão deslocados ou fugiram do país.

Mas a maior crise humanitária do mundo, segundo a OMS (WHO, 2018), resulta do conflito no Iémen, onde Arábia Saudita e Irão se digladiam por uma hegemonia regional, assumindo o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, um papel relevante neste contexto.

Enquanto isso, a Turquia luta para manter um equilíbrio das suas relações com os dois países, enquanto procura o seu próprio papel na dinâmica de mudança da região. Ancara e Riade têm sido parceiros próximos na Síria, mas colidiram no boicote económico ao Qatar[3] liderado pela Arábia Saudita. Por outro lado, Teerão e Ancara apoiam lados opostos no conflito sírio, mas cooperaram quando confrontados com um referendo, em setembro de 2017, sobre a independência dos curdos no Iraque.

O Irão, por sua vez, internamente, enfrenta uma crise económica, colocando o Presidente Rouhani num a posição de fragilidade. A abertura da sua economia poderia ser uma solução, mas muito difícil face a renovada hostilidade dos EUA, resultado da falha do acordo nuclear e que pode vir a desencadear um perigoso dinamismo geopolítico na região.

O Estado Islâmico é outro dos grandes protagonistas desta região. Expulso do Iraque, em dezembro de 2017, o “califado” enfrenta agora um destino semelhante na Síria. Contudo, é previsível que continuemos a ouvir falar do mesmo, em particular no norte da África, onde já estabeleceu novos pontos de apoio.

Quanto ao terceiro nível de análise, temático, podemos sistematizá-lo da seguinte forma:

 

3.3 Nível Temático

3.3.1 Segurança ambiental

De acordo com a OXFAM International, entre 2008 e 2016, cerca de 21,8 milhões de pessoas deslocam-se, por ano, em resultado das alterações climáticas (OXFAM, 2017). De facto, os últimos três anos foram os mais quentes, desde que há registo, tendo sido marcado por tempestades, secas, inundações e outros fenómenos climáticos extremos.

Estas alterações são, em grande parte, produto da poluição atmosférica, em particular da combustão de fontes de energia fóssil. Este fator, não só alimenta as alterações climáticas como também produz um efeito imediato – a poluição do ar. Esta é a principal causa de morte entre todos os tipos de poluição e foi responsável por cerca de 6,5 milhões de mortes, só em 2015. A poluição mata 15 vezes mais pessoas do que a guerra e todas as formas de conflito violento combinadas.

No entanto, enquanto a comunidade internacional discutia como o Acordo de Paris poderia ser posto em prática, os EUA anunciam a sua retirada[4] dos esforços internacionais de combate às alterações climáticas. No entanto, a grande maioria da comunidade internacional permaneceu comprometida, com 197 signatários, tendo 172 Estados já ratificado o Acordo. Esta lacuna de liderança pode ser preenchida por atores inesperados, como a China, considerado o maior poluidor do mundo, mas que anunciou planos para um ambicioso esquema de comércio de emissões de carbono.

Em termos de conflitualidade, a maioria dos estudos sobre esta matéria encontra uma correlação positiva entre as alterações climáticas e maiores níveis de conflito violento. Muito embora as alterações climáticas venham a afetar a economia, a segurança e os sistemas políticos em todo o mundo atuarão principalmente como um “multiplicador de ameaças” a Estados com capacidades limitadas de resposta.

Por fim, estima-se que, até 2040, as necessidades energéticas globais aumentem em cerca de 30%, ou seja, o equivalente a uma outra Índia ou China num mundo de recursos limitados e geradores de competição.

3.3.2 Cibersegurança

Ao contrário do que se possa pensar, os problemas da segurança cibernética têm implicações diretas em alguns dos conceitos clássicos da estratégia como a Dissuasão Nuclear. Se um ciberataque se concretizar a uma capacidade nuclear, este poderá conduzir uma situação já por si frágil a um cenário de catástrofe generalizada. Como consequência, a segurança do ciberespaço passou para o topo da agenda das preocupações securitárias de muitos Estados, em particular os EUA.

Especialmente digno de nota, enquanto ameaça à atual ordem internacional, são os esforços da Coreia do Norte, concentrando-se em particular nas capacidades ofensivas e na variedade de objetivos, que vão desde a atividade criminosa até o roubo militar.

De facto, a cibercriminalidade atingiu níveis sem precedentes de atividade e escala em 2017, dos quais destacamos os ataques de ransomware, como o WannaCry, que, em maio de 2017, infetou cerca de 300.000 vítimas em 150 países, orientado não para infraestruturas, como no passado, mas empresas, indivíduos e estados que definem o domínio da segurança cibernética.

Em resultado do aumento da ameaça, a maioria do Estados reforçou as suas capacidades defensivas, de que é exemplo a atualização, em 2017, da Estratégia da UE para o domínio cibernético.

Em discussão está o processo internacional de cibernormas, que visa regular a utilização do ciberespaço em particular.

3.3.3 Segurança Nuclear

Em 2017, verificou-se o recrudescimento do advento do Nuclear ou como alguns autores designam, a “Segunda Era Nuclear”, com mais atores e menos estabilidade. Se, em julho deste ano, 122 países votaram a adoção de um Tratado sobre a proibição de Armas Nucleares, verificou-se igualmente a modernização dos atuais arsenais nucleares das grandes potências e a aquisição dessas capacidades por potências militares mais pequenas. Fala-se concretamente da China, India ou Paquistão, que têm aumentado os seus orçamentos de defesa, em particular no desenvolvimento de novas capacidades.

No entanto, a maior preocupação não é a Coreia do Norte, mas sim o que ela representa. Ou seja, o fim do sistema de regulação de armamento nuclear, materializado em Tratados[5], o desafio à atual ordem internacional e as vantagens de se tornar num Estado Pária.

 

4. Condutores Conflituais

O documento Conflict Trends and Conflict Drivers: an empirical assessment of historical conflict patterns and future conflict projections representa o corolário do estudo desenvolvido pelo Projeto “Emergência de Novos Conflitos”, que pretende identificar tendências operacionais nos conflitos armados no período pós guerra-fria e tendências estratégicas que caracterizam e influenciam o ambiente onde estes conflitos têm lugar. Complementarmente, pretende igualmente identificar as condições que podem propiciar um conflito interestatal – condutores conflituais (Szayna, et al., 2017).

Da análise feita ao documento e em síntese, o estudo identifica dez (10) fatores-chave que influenciam a natureza, o catalisador e a intensidade dum conflito, agrupando a identificação das tendências conflituais em dois domínios: Violência Intraestatal e Violência Interestatal com Atores não-estatais.

Quanto à Violência Intraestatal, esta poderá derivar das:

– Vulnerabilidades do próprio Estado, ou seja, incapacidade das instituições em garantir os objetivos teleológicos do estado – Segurança e Bem-Estar, bem como impedir a difusão de tecnologia letal, capaz de fazer evoluir uma crise para uma situação de conflito armado;

– Interesses, isto é, a competição pelo crescimento económico, a polarização étnica e sectária e o stress de recursos associado às pressões demográficas, podem expressar-se na definição de objetivos antagónicos.

A Violência Intraestatal pode derivar também de fatores que afetem o sistema de dissuasão de conflitos, como as democracias consolidadas, a força das normas internacionais, capacidades das Organizações Internacionais e a predominância dos EUA no contexto global.

Quanto à Violência Interestatal, esta poderá derivar da:

– Prevalência das democracias consolidadas;

– Grau de interdependência económica;

– Força das normas internacionais;

– Capacidade das organizações internacionais; e

– do grau de primazia dos EUA.

De forma geral, o estudo diz-nos que a natureza, a intensidade e a frequência do conflito mudou desde o fim da guerra-fria, passando de uma matriz interestatal para uma matriz intraestatal, incluindo guerras de guerrilha, terrorismo e criminalidade organizada.

Relativamente às tendências, diz-nos que, até 2040, verificar-se-á uma tendência decrescente na ocorrência de conflitos interestatais e intraestatais, embora para a primeira tipologia aponte a ocorrência de um conflito e para a segunda tipologia, preveja a ocorrência de 10 conflitos.

No que a futuros possíveis diz respeito, o estudo identifica, para 2040, que o declínio da primazia dos EUA, a menor relevância das organizações internacionais e o declínio das democracias consolidadas são os fatores mais prováveis e passíveis de conduzir a um conflito interestatal.

 

5. Impactos no Ambiente Operativo

Uma vez apresentadas as principais tendências para 2035 nas mais diversas áreas, bem como as principais tendências e condutores conflituais, achou-se interessante apresentar os possíveis impactos de tais tendências no ambiente operativo. Para tal, recorremos ao Joint Operating Environment 2035(JOE 2035): The Joint Force in a Contested and Disordered World, produzido pelo United States Joint Force Development, com o apoio da National Defense University (US JCS, 2016).

Este documento encontra-se organizado em três secções. A primeira descreve as circunstâncias mais prováveis de alterar o ambiente de segurança. A segunda secção descreve o impacto dessas alterações no carácter da guerra. E, por fim, a terceira secção apresenta-nos o espectro de missões que uma Força Conjunta poderá ter de desempenhar no quadro de um novo ambiente estratégico.

Para o presente texto, interessam-nos particularmente a primeira e segunda secções. Assim, este documento considera que o ambiente de segurança futuro será definido pelos seguintes desafios globais: Desafios à Ordem Internacional e Desordem Persistente.

Quanto aos Desafios à Ordem Internacional, estes serão promovidos por um conjunto de atores, Estados revisionistas, emergentes e atores não estatais, que irão confrontar os interesses dos EUA e dos seus aliados. Ou seja, a atual Ordem Internacional será contestada por atores credíveis.

Quanto à Desordem Persistente, esta será promovida por atores de natureza primariamente não estatal, que irão explorar as fragilidades de governos legítimos. Os confrontos que daí resultem serão provavelmente violentos, com uma dimensão militar, mas não tradicional.

Estes dois desafios globais manifestam-se no ambiente securitário em três áreas temáticas:

– Ordem Mundial;

– Geografia Humana;

– Ciência, Tecnologia e Engenharia.

Em cada uma destas áreas temáticas existe um conjunto de condições que definem o ambiente securitário. Cada condição contempla três a quatro tendências de âmbito militar.

                                                                                                                      Fonte: (US JCS, 2016 adaptado pelo autor)

Figura 1 – Future Security Environment 2035.

 

5.1. Ordem Mundial

A primeira área temática – Ordem Mundial – descreve como o Sistema Político Internacional pode alterar comportamento dos Estados, as relações interestatais, o conjunto de normas e acordos que regulam essas relações.

Assim, o futuro da ordem mundial será definido pelas seguintes condições:

5.1.1.            Alteração nas relações estratégicas entre atores

         Esta condição resulta das seguintes tendências:

         5.1.1.1.           Novos polos económicos de poder;

         5.1.1.2.           Novos equilíbrios no âmbito da segurança energética;

         5.1.1.3.           Enfraquecimento das alianças com EUA;

         5.1.1.4.           Emergência de novas parcerias.

5.1.2.            Potências com ambições regionais

         5.1.2.1.           Refinamento de estratégias estatais hibridas;

         5.1.2.2.           Intensificação das designadas proxies wars;

         5.1.2.3.           Estabelecimento de elementos de dissuasão regional.

5.1.3.            Evolução de potências regionais para globais

         5.1.3.1.           Aumento da competitividade nos domínios marítimo e aéreo;

         5.1.3.2.           Emergência de novas nações na competição pelo domínio espacial;

         5.1.3.3.           Crescimento das capacidades estatais no domínio do ciberespaço. Após consolidar o seu papel regional, o próximo passo será o de se tornar potência global. Este passo trará consigo o desenvolvimento de capacidades cibernéticas.

5.1.4.            Evolução do papel das Organizações Internacionais (descontentamento das novas potências que pretendem ter papel mais ativo)

         5.1.4.1.           Expressão de descontentamento das atuais normas internacionais (China, Rússia, India, Irão e Brasil);

         5.1.4.2.           Erosão de algumas instituições internacionais;

         5.1.4.3.           Emergência de instituições internacionais alternativas.

5.1.5.            Exteriorização das consequências de Estados Frágeis ou Falhados

         5.1.5.1.           Continuação do colapso interno de Estados frágeis;

         5.1.5.2.           Enfraquecimento de Estados frágeis por potências externas;

         5.1.5.3.           Proliferação de ADM;

         5.1.5.4.           Incapacidade de conter doenças infeciosas.

 

5.2. Geografia Humana

A segunda área temática diz respeito à geografia humana, que descreve a quantidade, características e distribuição da população global e a forma como se prevê que a mesma evolua. Assim, o futuro do mundo sociocultural será definido pelas seguintes condições:

5.2.1.            Intensificação das consequências do crescimento da população e migrações

         5.2.1.1.           Crescimento geográfico assimétrico da população, concentrada em África e na Índia. Prevê-se que, em 2022, se torne o Estado mais populoso;

         5.2.1.2.           Migração em massa e incapacidade de integração de imigrantes;

         5.2.1.3.           Migração em massa e rejeição de imigrantes e minorias.

5.2.2.            Urbanização da sociedade

         5.2.2.1.           Superação da necessidade à capacidade de fornecimento de alimentação e água nos grandes centros populacionais;

         5.2.2.2.           Expansão de espaços urbanos sem tutela governamental;

         5.2.2.3.           Emergência de Cidades Globais como atores internacionais.

5.2.3.            Expansão de Conflitos ideológicos

         5.2.3.1.           Declínio da legitimidade da autoridade estatal;

         5.2.3.2.           Alterações à identidade de grupos;

         5.2.3.3.           Aumento da polarização ideológica.

5.2.4.            Hubs de autoridade alternativos

         5.2.4.1.           Aceleração da difusão do poder;

         5.2.4.2.           Cooperação/convergência entre o terrorismo e a criminalidade organizada;

         5.2.4.3.           Globalização das redes terroristas e criminosas.

5.2.5.            Crescimento da violência privada

         5.2.5.1.           Adversários subestatais/irregulares;

         5.2.5.2.           Manufatura de tecnologias disruptivas;

         5.2.5.3.           Militarização da tecnologia comercial.

 

5.3. Ciência, Tecnologia e Engenharia

A terceira área temática – Ciência, Tecnologia e Engenharia – ilustra um conjunto de avanços tecnológicos e outras capacidades científicas que podem surgir nos próximos 20 anos. Assim, o futuro do mundo tecnológico e científico será definido pelas seguintes condições:

5.3.1.            Pesquisa científica e multidisciplinar

         5.3.1.1.           Aplicação de metamateriais (novos compósitos);

         5.3.1.2.           Exploração de materiais à nano escala;

         5.3.1.3.           Aumento da densidade de combustíveis e baterias;

         5.3.1.4.           Engenharia bioquímica e biológica.

5.3.2.            Relevância dos sistemas e integração de sistemas

         5.3.2.1.           Globalização dos processos de manufatura (Additive manufacturing);

         5.3.2.2.           Evolução da robotização autónoma;

         5.3.2.3.           Open source design – aumento da conectividade;

         5.3.2.4 Emergência de micro e nano satélites.

5.3.3.            Emergência de espaços competitivos

         5.3.3.1.           Proliferação de armamento baseado em radiofrequência;

         5.3.3.2.           Disponibilidade de armamento eletromagnético;

         5.3.3.3.           Emergência de sistemas autónomos (robotização).

5.3.4.            Proliferação de tecnologias de informação

         5.3.4.1.           Paridade entre potências regionais de sistemas C3/ISR;

         5.3.4.2.           Exploração das vulnerabilidades em C3/ISR;

         5.3.4.3.           Crescimento de sistemas digitais de análise de informação;

         5.3.4.4.          
Desenvolvimento de computadores com tecnologia Quantum.

5.3.5.            Emergência de New High-End, Capital Intensive Capabilities

         5.3.5.1.           Armamento laser;

         5.3.5.2.           Breakthrough energy;

         5.3.5.3.           Sistemas hipersónicos.

Em resultado da análise das três áreas temáticas, o JOE 2035 identifica 6 contextos que poderão enquadrar um conflito futuro, designadamente:

– Competição ideológica violenta, orientada para a subversão;

– Ameaça à integridade territorial dos EUA;

– Antagonismos Geopolíticos por adversários capazes;

– Disputa pelos Global Commons;

– Competição pelo Ciberespaço;

– Zonas destruídas e reordenadas serão criadas em função de fraturas políticas, influências externas e impactos ambientais.

 

6. Uma possível narrativa

Atendendo ao referido nos capítulos anteriores, construiu-se uma matriz que conjuga os elementos predeterminados apresentados por cada uma das perspetivas abordadas, permitindo, desta forma, a identificação de elementos comuns.

 

Quadro 1 – Elementos Predeterminados

Fonte: (autor)

União Europeia

Joint Operating Environment 2035

OTAN

EUA mantêm linha política internacional

Desafio à Ordem nternacional

 

Desordem Persistente

Ocidente menos dominante na Ordem Internacional

BREXIT sem efeitos aparentes

 

Ambiente Securitário mais volátil

Aumento das pressões demográficas na UE

Pressão demográfica em África e Europa (tendência)

Aumento conflitos interestatais

Estados desenvolvidos mais ricos

 

Polarização política/ideológica

Ocidente mais afetado pela Era Tecnológica

 

Regionalização

Manutenção do Terrorismo na UE

Exploração de espaços não governados por organizações terroristas (tendência)

Aumento Terrorismo

 

Assim, tendo em vista a construção de uma narrativa, identificam-se quatro elementos pré-determinados:

– O primeiro elemento diz respeito à retração da relevância dos EUA na Ordem Mundial, associada à perda de hegemonia mundial em alguns domínios, particularmente do económico, à recusa voluntária da liderança em domínios considerados secundários, como o climático, num contexto de reordenação da Ordem Mundial;

– O segundo elemento que se identifica tem que ver a Regionalização. Por um lado, o aumento da relevância de Arquiteturas Económicas e de Segurança e Defesa regionais em detrimento de organizações com uma ação geográfica mais abrangente. Por outro, a instabilidade persistente em determinadas regiões do globo, designadamente no Médio Oriente, em função dos antagonismos entre os Estados aí presentes.

A manutenção do terrorismo enquanto principal ameaça à segurança ocidental, mas não a mais perigosa, constitui-se como o terceiro elemento predeterminado. Na realidade, este elemento é constante nos três documentos objeto de análise.

Por fim, o aumento das pressões demográficas na Europa, quer do Médio-Oriente, em resultado de conflitos, e do Norte de África, produto da procura de melhores condições de vida.

Uma vez definidos estes elementos, dividimos a nossa análise em três patamares, tomando como referência o texto de James Dubik e Nic Vincent America’s Global Competition:The Gray Zone in context, embora adaptando-o (Dubik & Vincent, 2018), bem como as tendências apresentadas nos capítulos anteriores, sistematizadas em tabela, conforme Anexo A.

O primeiro patamar tem que ver com a ordenação Sistema Político Internacional. O segundo patamar de análise tem que ver com Complexos de Segurança Regional, que exercerão a sua influência de forma mais vincada, perante uns EUA retraídos e uma China não ingerente. O terceiro patamar de análise dedicámo-lo às temáticas que consideramos como transversais e cujo grau de influência será grande, em particular: as alterações climáticas, a tecnologia e a geografia humana.

Assim, quanto ao primeiro patamar, 2035 será eventualmente caracterizado por uma Ordem Mundial Multipolar, por uns EUA menos dominantes, abdicando da liderança em temas que lhe são secundários, focados na manutenção do status-quo. É provável que associado à retração dos EUA e à emergência da China, se verifique uma reformulação das principais Organizações Internacionais, refletindo essa nova distribuição de poder. Num contexto internacional “China Centric” a disputa será feita ao nível da concertação política, mais volátil que a atual, tentando agregar o maior número de parceiros. As alianças entre nações serão baseadas no grau de afinidade económico e comercial, deixando de lado a questão ideológica. Os conflitos poderão ser expressos através de proxy wars, de forma hibrida e/ou interferindo em Estados mais frágeis.

O desafio à atual ordem internacional poderá ser igualmente representado por Estados Pária de que é exemplo a Coreia do Norte. Kim Jong-un tem procurado manter elevados níveis de tensão para legitimar o seu regime e manter-se no poder, mas tal implicou muito empenhamento e recursos aos atuais atores do SPI, em particular àqueles que querem manter o seu atual estatuto.

O domínio do espaço, o desenvolvimento de capacidades para atuar no ciberespaço e de uma nova tipologia de armamento, que desequilibre a balança de poder, estará na base do investimento em Segurança e Defesa das grandes potências pois, “no fim do dia”, é o poder militar que conta. O nível de poder de um país será medido pelo seu desenvolvimento científico nas áreas de informática e biotecnologia, com aplicações militares.

Relativamente ao segundo patamar, a concentração de polos de poder regional será um desígnio das potências revisionistas, como a Rússia e o Irão, que pretendem ampliar a sua influência global e regional, respetivamente. No caso da Rússia, foi bem visível o seu comportamento Ucrânia quando vê o seu espaço de influência regional afetado. Neste caso, reitera-se a ideia de que manter um espaço de influência em redor da Rússia não será a solução ideal, mas a possível.

O Médio-Oriente continuará a ser a região de maior instabilidade, em resultado de uma relação de permanente hostilidade entre Arábia Saudita e Irão. Neste contexto, é previsível um agudizar das relações entre estes dois Estados, de relações diplomáticas cortadas desde 2016, atendendo à postura assumida de Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro saudita e a resposta iraniana. Tal antagonismo continuará a manifestar-se, provavelmente, de forma indireta no apoio a vários conflitos, dos quais destacamos o Iémen, Líbano, Síria e Iraque.

Contribuem igualmente para estes complexos regionais, os poderes revolucionários, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Estes atores não se apresentam como apenas grupos terroristas. Na realidade têm conduzido uma guerra revolucionária, do ponto de vista ideológico, na forma de insurgência, localmente restrita numa fase inicial, mas que hoje assume uma presença e implicações globais. A derrota do Estado Islâmico na Síria e no Iraque não fez desaparecer esta ameaça, mas sim obrigou-a a procurar novos espaços, fragilizados ou não governados, em particular no norte de África.

Relativamente ao terceiro patamar, o efeito das alterações climáticas continuará a manifestar-se através de fenómenos climáticos extremos – cheias e nevões a norte, períodos de seca prolongada a sul. Estas alterações terão igualmente impacto em várias espécies de animais e plantas, extinguindo-se umas, mutando-se outras, mas sempre implicações ao nível da agricultura e pecuária, alterando os ciclos de produção e reprodução.

Neste domínio, a aplicação da biotecnologia, bioquímica e da nanotecnologia poderá constituir-se como uma solução, em particular a nanotecnologia, na criação de novos compostos, com múltiplas aplicações, que vão desde a construção, do vestuário à saúde. Mas esta evolução tecnológica poderá permitir a outros atores desafiar os interesses dos EUA e dos seus aliados, influenciando as dinâmicas apresentadas no primeiro patamar.

Ao nível da geografia humana, as pressões sociais, económicas, ambientais e políticas obrigarão alguns Estados a intervir fora de fronteiras, criando problemas no plano internacional. Com o aumento exponencial da população ativa que se prevê em África, da instabilidade persistente no Médio Oriente e de África, bem como do fácil acesso às tecnologias de informação associada às expectativas dos jovens, é plausível que o fenómeno das migrações para a Europa se agrave. Tal poderá provocar a alteração das estruturas de determinados Estados, em função do fenómeno migratório.

 

Conclusões

O texto que se apresentou teve por objetivo identificar e apresentar, de uma forma sistematizada, quais as tendências da conflitualidade global para o horizonte 2035, no sentido de se perceber que ambiente estratégico podemos verificar e daí seguir na condução de um processo de planeamento estratégico, a fim de articular os meios de um Estado, de uma forma coerente e ajustada, a fim de garantir a consecução dos seus objetivos.

Para tal, procedeu-se à análise de vários estudos e relatórios de instituições de referência, bem como à conjugação de elementos, condições e tendências, de forma a construir um cenário, expresso sob a forma de narrativa, que oriente a definição de objetivos.

No final deste estudo, tomámos a retração da relevância dos EUA na Ordem Mundial, o aumento da relevância de Arquiteturas Económicas e de Segurança e Defesa regionais, a manutenção do terrorismo enquanto principal ameaça à segurança ocidental e o aumento das pressões demográficas na Europa como elementos pré-determinados.

Após a identificação destes quatro elementos pré-determinados foi possível proceder-se à análise tendencial em três patamares de análise, que se entendeu dar ao leitor uma perspetiva mais abrangente mas organizada, que permita uma melhor interpretação da realidade, nomeadamente ao nível do Sistema Político Internacional, da concentração em polos de poder regional e um patamar temático.

Neste domínio, foram identificadas tendências que nos parecem tornar o mundo em 2035 mais complexo e incerto, não tanto volátil, em função da constituição de órbitas em torno de poderes regionais mais exigente em termos securitários, reforçando a importância da compreensão do ambiente estratégico, do processo de formulação estratégica e da relevância do instrumento militar.

Espera-se com este texto ter despertado a atenção e curiosidade pela prospetiva e formulação de cenários, muito embora haja vários processos de o fazer. Acima de tudo, espera-se colmatar uma lacuna numa área que se considera uma das mais relevantes no processo de planeamento estratégico, que diz respeito à compreensão do problema, para depois, então, se idealizar as possibilidades de solução.

 

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Anexo A – Tendências conflituais para o horizonte 2035

União Europeia

Munich Security Report

OTAN

Níveis de Análise

Estatocêntrico

Regional

Temático

Envelhecimento da população

 

Pressão demográfica em África e Europa. Migrações.

 

Envelhecimento e Pressões demográficas.

 

 

Aumento da conflitualidade, em particular em Estados fragilizados.

 

Escassez de recursos e consequente aumento da conflitualidade.

Menor exposição à Globalização

Unida em torno da Defesa.

Polarização política e ideológica.

Estados menos desenvolvidos serão mais vulneráveis.

 

Agravamento dos efeitos das alterações climáticas

 

 

Retração dos EUA de áreas consideradas secundárias. Aumento de fenómenos climáticos extremos.

Aumento dos desastres naturais.

Revolução Tecnológica

Aumento das Capacidades Ciberespaciais.

 

Maior aplicação da Bioquímica. Proliferação das TI. Nova tipologia de Armamento.

 

Nova Ordem Mundial

Nova ordem mundial “China-Centric”. Regionalização.

Espaço de influência russo. A solução possível.

Segunda Era Nuclear.

Desafios à Ordem Internacional, designadamente da Ásia.

Polarização.

Era da Informação

 

Urbanização.

Manutenção da ameaça cibernética.

Disputa pelo Ciberespaço.

Proliferação de ataques cibernéticos.

Ameaças Ecológicas

 

 

 

 

 

 

Terrorismo num novo TO. Espaços não governados: Nigéria, Somália e Sudão.

 

 

 

Reformulação das OI.

Médio Oriente em ebulição.

 

 

Ordem Mundial

Geografia Humana

Ciência, Tecnologia, Engenharia

Joint Operating Environment 2035

 

 

 


[1] Forças morais e materiais (Couto, 1988), Recursos tangíveis e intangíveis (Fernandes & Abreu, 2004, p. 215)

[2]    Classe média-alta, antigos trabalhadores da indústria e da economia, citadinos vs rurais, e idosos.

[3]    Arábia Saudita acusou o Qatar de apoio ao Terrorismo.

[4]    Conferência da ONU sobre o clima, em Bona.

[5]    Tratado START, que reduziu o arsenal nuclear dos EUA e da Rússia, expira em fevereiro de 2021 – mas pode ser prorrogado por, até, cinco anos.

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2019-02-13
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Major

Pedro Bretes Amador

Mestre em Ciências Militares, especialidade de Artilharia, pela Academia Militar. Mestre em Segurança e Defesa, pelo Instituto Universitário Militar. Atualmente, desempenha funções na Área de Estudos das Crises e dos Conflitos Armados, como Professor de Estratégia, e assume a coordenação do Curso de Estudos Africanos e do Núcleo Nacional português do Centro de Análise Estratégica da CPLP.

REVISTA MILITAR @ 2019
by CMG Armando Dias Correia