Nº 2608 - Maio de 2019
Tenente-general José Lopes Alves (1924-2018)
Coronel
António de Oliveira Pena

1. Explicação inicial

Tenente-general José Lopes Alves: Homem, Militar, Académico e Cidadão, justo e inovador; colaborador ilustre e ativo da Revista Militar desde 1961; Sócio efetivo em 1967; Presidente do Conselho Fiscal (1987 a 1990); Presidente da Direção (1991 a 2000); Sócio honorário (2012).

 

A recordação que me foi proposta pela Direção da Revista Militar, respeitante à participação do Tenente-general José Lopes Alves no vasto mundo da Revista, foi aceite com regozijo por me ser dada a oportunidade de rever parte importante do acervo e de estar perto do Homem que me serviu de exemplo e motivou desde 1993, quando tive a honra de ser eleito sócio efetivo da Revista Militar.

A metodologia seguida nesta síntese consta de alguns aspetos da sua biografia, no sentido de se poder avaliar a personalidade e a vivência no âmbito da Revista Militar, desde a publicação do seu primeiro artigo, em outubro de 1961, até à sua morte, e também melhor compreender a sua obra literária como militar escritor, do qual as editoras consideram que “mais parece profissional das letras que militar”.

O trabalho na construção deste conteúdo cumpriu-se com simplicidade, verdade e humanidade, procurando honrar um Homem Justo que nos alerta para “Romancear a História, se os seus eventos forem conhecidos, compreendidos e conscientemente trabalhados, é fazer regressar a vida”.

Honra e Glória ao Tenente-general José Lopes Alves que nos deixou em 30 de maio de 2018.

 

2. Aspetos biográficos

O Tenente-general José Lopes Alves nasceu em Valpaços, distrito de Vila Real, em julho de 1924, realizou os estudos secundários em Chaves e Porto e os preparatórios superiores na Universidade de Coimbra, para concorrer à Escola do Exército.

Em 1945, ingressou no curso de Infantaria da Escola do Exército, que terminou em 1948, seguindo-se na Escola Prática de Infantaria (Mafra) o tirocínio e a prestação de serviço, durante seis anos, como alferes, tenente e capitão.

Na sequência do início duma carreira militar desempenhada por forma a notar-se mérito e distinção, foi escolhido para frequentar o Curso de Estado-Maior, cujo estágio realizou no posto de capitão durante a comissão de serviço de dois anos, 1955/1956/1957, no Estado Português da Índia, Teatro de Operações de Goa, no Quartel-General das Forças Terrestres, até meados de 1956, e no Quartel-General do Comando-Chefe, até fins de setembro de 1957. O ingresso no Corpo do Estado-Maior ocorreu em 1959, aos 35 anos, tendo sido promovido a Major em 1961, a Tenente-coronel em 1968, a Coronel em 1973, a Brigadeiro (Major-general) em 1977 e a General de três estrelas (Tenente-general) em 1979.

A segunda comissão no Ultramar foi cumprida em Moçambique, 1967/1969, nos postos de major e tenente-coronel e a terceira em Angola, 1973/1975, como coronel, desempenhando as funções de Subchefe do Estado-Maior do Comando Chefe das Forças Armadas, vivendo ali os acontecimentos relacionados com o 25 de abril de 1974.

Em abril de 1975, regressou a Portugal, tendo sido designado para a Comissão Administrativa dos Transportes Aéreos Portugueses (TAP), que terminou em março de 1977, tendo colaborado, com reconhecido mérito, para o sucesso da Ponte Aérea de Angola e Moçambique, para Portugal.

No posto de coronel comandou o Regimento de Infantaria de Coimbra e foi Segundo-comandante da Região Militar do Sul, com sede em Évora, onde, depois de promovido a brigadeiro, assumiu o Comando da Região até setembro de 1978.

Promovido a General de três estrelas, em janeiro de 1979, foi nomeado Comandante-Geral da Polícia de Segurança Pública, cargo de que pediu exoneração, em 1980, por divergências com o poder político.

Em fevereiro de 1981, assumiu o cargo de Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, que terminou com a passagem à situação de reserva, por limite de idade, em 1983.

Neste resumido aspeto biográfico, para se poder compreender a sua vivência no âmbito da Revista Militar, objeto principal deste texto, interligada com notável obra publicada como militar escritor de coerência e domínio temático invulgares, refere-se que foi casado com a Dr.ª Nair Claro Delgado Lopes Alves, licenciada em Matemáticas Puras, pela Universidade do Porto, curso que aproveitou em termos profissionais apenas em curta experiência letiva realizada em Lisboa, já quando os filhos mais novos – de cinco filhos – frequentavam a universidade.

 

3. Envolvimento na Revista Militar

Em trabalho escrito, o Tenente-general José Lopes Alves tem o seu registo na Revista Militar iniciado com três artigos publicados, antes de ser eleito Sócio efetivo n.º 189, em 18 de maio de 1967, no posto de major do Corpo do Estado-Maior:

– O primeiro, publicado no número de outubro de 1961 (“Decadência das forças morais”);

– O segundo, no de outubro de 1966 (“Importância estratégica da península Ibérica no mundo actual”);

– O terceiro, em abril de 1967 (“Três períodos críticos da contra-subversão”).

A sua vasta e variada produção bibliográfica na Revista[1] distribui-se por:

– Editoriais, em todos os números, de janeiro de 1991 a dezembro de 2000, período em que foi Presidente da Direção;

– Quarenta e nove artigos, de out1961 a jun/jul2017;

– Uma compilação, em fev/mar1994;

– Três In Memoriam: General Alcide de Oliveira, mai1994, Contra-almirante Santos Viegas, dez2000 e General Pedro Cardoso, ago/set2002;

– Cento e quatro crónicas bibliográficas, de fev/mar1989 a jan2006;

– Crónicas – outros assuntos de atualidade, nos anos de 1995, 1998, 1999 e 2000.

Neste texto, formulado em termos de síntese orientada para um máximo de carateres, transcrevem-se passagens de editoriais, artigos e crónicas, com a preocupação de provocar vontades em aprofundar o estudo do acervo total de um militar escritor, de quem a Europress, a editora das suas últimas obras, salienta no lançamento de “Ocaso em tempo que nasce – os últimos meses de um império” (2013):

– “O Tenente-general José Lopes Alves, além de militar distinto, revela-se, obra a obra que vai publicando, um escritor de coluna vertebral, de uma coerência pouco comum e de um domínio temático que espanta pela sua profundidade e largueza de conhecimentos. (…)”.

a. Editoriais

O ciclo diretivo do Tenente-general Lopes Alves, como Presidente da Direção da Revista Militar, marca-se nos seus editorais preparados com atualidade, rigor e qualidade na parte A – Nota de Abertura e pormenor motivador na forma como aprecia os autores de cada artigo publicado no espaço B – Contexto da Revista.

Ao voltar a esta parte da sua obra – editoriais – registada na Revista depois de a conhecer totalmente, agora pela internet, tenho de confessar que fiz o percurso dos 90 editoriais, nove em cada um dos dez volumes, com enorme satisfação.

No começo deste gratificante trabalho recordo ser leitor/estudioso da Revista Militar, desde outubro de 1988, quando, na Messe de Oficiais de Caxias, fui desafiado, pelo Coronel de Artilharia Alberto Ribeiro Soares, para estudar a Revista Militar. A sugestão foi-me dada quando começava o curso de Comunicação Social na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A conversa decorreu face à escolha do trabalho individual solicitado para a disciplina (hoje unidade curricular) de História dos Media. A sugestão foi aceite e fez-se. “Influência da Revista Militar na vida cultural portuguesa, perspectiva histórico-militar do período da segunda-época, 1904-1905”. Do volume de 1991, e depois em todos os outros, salientam-se, em termos de apreço pessoal, sempre discutível, algumas passagens.

(1) Volume de 1991

No seu primeiro Editorial, número de janeiro 1991, pode considerar-se integrado o texto “General José Manuel Bethencourt Conceição Rodrigues – 10 anos de Presidente da Direcção da Revista Militar”, conjunto de 3+3 páginas onde no primeiro se descreve o desejo da continuidade da dignidade histórica da Revista, “impulsionando para isso novas iniciativas e novas ideias” e, no segundo, a forma como o General Bethencourt Rodrigues foi “lutador incansável no desenvolvimento da imagem da Revista”.

Depois, número de fev/março, do ponto 1, “A Empresa da Revista Militar criou uma estrutura, hoje centenária no meio da cultura nacional, votada ao benefício das Forças Armadas e da Defesa Nacional. Enquistou, criou raízes, congregou adesões e continua a singrar nos nossos dias com a dignidade e a elevação a que desde sempre habituou as pessoas e as instituições militares e civis do País”. De setembro, parte final de Abertura, “As instituições, de facto, quaisquer que elas sejam, têm de viver e cuidar os parâmetros do Presente, mas estreitamente ligados e inseridos nos do Passado, para poderem realizar o profícuo apuramento dos valores morais e da experiência acumulada que permite criar, com uns e outros, os ditames do Futuro”.

(2) Volume de 1993

Continuando a destacar-se, surge o número jun/julho de 1993, “Passou em 19 de Março do corrente ano o 13º aniversário do falecimento do General Luiz Maria da Câmara Pina data em que desempenhava, desde 1969, o cargo de Presidente da Direcção da Revista Militar. (…) É esta figura de Homem e de Militar que, em jeito de ‘memória’, pretendo recordar neste Editorial nos aspetos seguintes: (…). Seguem-se duas páginas sobre o assunto.

(3) Volume de 1994

De 1994, agosto, ponto 5 de B – Contexto da Revista, “O Capitão-de-Mar-e-Guerra da Armada do Brasil, Willy Cozza, também brilhante escritor militar brasileiro, concede à Revista o privilégio de publicar neste seu número um texto de que é autor e no qual patenteia mais uma vez o esclarecido espírito de estratega e de pensador que é timbre de outros trabalhos que dele são conhecidos. (…) ”.

(4) Volume de 1995

Em 1995, destaca-se de B – CONTEXTO DA REVISTA, as referências sobre dois artigos relacionados com Comunicações. Em jan/fevereiro, comenta em termos motivadores para o seu autor, “Operadores das Telecomunicações portuguesas para o século XXI”, terminando, “São ainda referidas no texto alguns, muito ponderados, aspectos da situação, vivência e importância das Telecomunicações nas Forças Armadas Portuguesas e do seu empenhamento e exploração em proveito da Paz”. E no de outubro, ponto 4: “O Tenente Tm Viegas Nunes trata no quarto artigo, em estilo directo e com aprofundado conhecimento, o exercício do Comando nos modernos campos de batalha, terrestres, navais, aeroespaciais ou geograficamente mistos, tornado possível pela satisfação da Técnica das Comunicações. (…) O autor concretiza os diversos aspectos do seu elaborado estudo com a vivência da NATO com a cooperação necessária nos Sistemas C3I (Comando, Controlo, Comunicação e Informação) dos países da Aliança e, quanto ao nosso país, faz referência a projectos que materializam, «ainda que de forma embrionária, o fundamento de um Sistema C3I nacional»”.

(5) Volume de 1996

Em 1996, número de março, apresenta o Coronel de Artilharia Alberto Ribeiro Soares como Director-Gerente e, em maio, A – Nota de Abertura, ponto 1, descreve em pormenor o tema REGIONALIZAÇÃO E DEFESA NACIONAL (pp. 457-462), começando com “O problema. Ainda que a constituição da República em vigor a tenha já consagrado e se admitam, desde logo, os estudos, debates e planos atinentes à sua realização, a Regionalização do País no Continente tem sido ultimamente, e vai continuar a ser, sem dúvida, nos próximos meses, um dos grandes temas geopolítico, geoestratégico, político e estratégico, talvez o maior do tempo actual, em equação”. Continuando com Aspectos Particulares (…) Posições assumidas a favor e contra e termina e termina com Apontamento Final (…). “Deve dizer-se, como remate, que tudo o que na Regionalização possa prejudicar a coesão nacional e o ‘espírito de defesa’ enfraquece a Instituição Militar”. Do número de setembro, A – NOTA DE ABERTURA, salienta-se, COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (pp. 875-882) e no de nov/dezembro, em A – NOTA DE ABERTURA, “DA REVOLUÇÃO GORBACHEVIANA ÀS ACTUAIS ‘OPERAÇÕES DE PAZ’ (três páginas) onde se mencionam quatro intervenções:

Missão em Moçambique no quadro da ONU (ONUMOZ) de Julho de 1993 a Março de 1995; com cerca de 300 homens – BTM 4 – a fim de montar e assegurar o sistema de comunicações necessário ao êxito do processo de paz e à realização de eleições livres (num total de 5500 capacetes azuis);

Missão em Angola, também no quadro da ONU (UNAVEM III), no início de 1995, com cerca de 600 homens – Companhia de Transmissões e Companhia de Logística – com o objectivo de participar na consolidação do processo de paz resultante dos Acordos de Lusaca (num total de 7000 capacetes azuis;

Missão na Bósnia-Herzegovina, no quadro da NATO (IFOR), com início em 1995, com cerva de 900 homens – BAP 2 – de um total de 60000, com o objectivo de garantir a aplicação dos Acordos de Dayton, ou seja, a livre circulação de pessoas e bens. Esta missão vai prosseguir para além de Dezembro de 1996 com cerca de metade dos efectivos;

Missão da ONU no Sara Ocidental (MINURSO com início em 1992, com o objectivo de fiscalizar o cumprimento do acordo de cessar-fogo assinado em 1991 entre Marrocos e a Força Polisário”.

(6) Volume de 1997

Do número de jan/fevereiro de 1997, C – Nota de Apresentação, transcreve-se:

– “O presente número da Revista – o primeiro totalmente produzido por processos informáticos – exibe um novo aspecto gráfico e nova disposição do seu acervo, estudados por especialista que a contactou e adoptados no sentido de o tornar mais atraente e, sem dúvida mais adequado às modernas exigências do grafismo e da Comunicação escrita.(…) Uma palavra final para os Serviços Gráficos da Liga dos Combatentes que, durante 61 anos – desde 1936 – acompanharam a na ingente tarefa de dar vida e expressão a sucessivos números da ‘Revista Militar’, rodeando de inusitada paciência os ajustamentos e as alterações, muitas vezes até à última hora, apresentados para os textos pela Redacção e pelos próprios autores. Para eles e para os seus trabalhadores vai o nosso mais caro e profundo reconhecimento, com os votos das maiores prosperidades no prosseguimento da sua função”.

Do número de abril, na extensa (duas páginas e meia) parte A – Nota de Abertura, aborda-se por forma do maior interesse de ontem, hoje e amanhã, Encontros de Ex-Militares, donde recordamos apenas algumas passagens do início e do final, “Este tema foi abordado já em um ou dois números da Revista, quer neste mesmo espaço que periodicamente vou ocupando, quer num ou noutro texto do acervo mais desenvolvido: as dezenas, diria centenas, de reuniões de convívio, camaradagem e amizades de ex-Militares, muitos deles acompanhados de mulher, filhos e mesmo amigos, e que, anos após ano, em iniciativa independente ou apoiada nalguma unidade ou organismo das Forças Armadas, nomeadamente do Exército, se vêm realizando. (…) O tempo presente, quando alguém como o comentarista de periódico de grande circulação do País escreve a frase, atribuindo-a à opinião de militares, ‘(…) o estado pantanoso em que se encontra uma boa parte das Forças Armadas, requere bem e com acuidade, que se revejam e actualizem estudos de situação e o caminho e o caminho que, no domínio da Instituição Militar, está a ser trilhado. Não só acuidade!... Também urgência!...”.

De novembro, B – Contexto da Revista, recorda-se início e final do ponto 3. “O presente empenhamento das Forças Armadas de muitos países do Globo, com destaque para os da Organização Atlântica, em operações de manutenção da paz’ constitui o tema dominante do trabalho do Tenente-coronel Matos Coelho a seguir publicado, ainda que mais concretamente dirigido ao que nas mesmas operações se refere à legitimidade da defesa e uso da força. (…) Os escalões políticos e militares nacionais e de todos os países encontram no claro e acessível estudo do Tenente-coronel Matos Coelho vastos elementos de informação e de eventual seguimento para as atitudes que devem, ou quererão, assumir no cumprimento das suas missões”.

(7) Volume de 1998

No ano de 1998, número de abril, em A – Nota de Abertura, consta extenso editorial (três páginas) sobre Ética Militar e Ética Política, começando, “O relacionamento e o entendimento éticos que, no seu extensíssimo domínio, permanentemente exigem o estudo e a realização dos problemas da Defesa e da Segurança e a atitude das organizações e outras entidades políticas e estratégicas, de todos os níveis, que devem observá-los não são muitas vezes plenamente conhecidos e, muito menos, praticados”. E termina com, “Cito para concluir, o Marechal Montgomery na sua obra de memórias ‘8º Exército’: Como nas sucessivas retiradas em campanha, as pancadas da Política em tempo de paz criam nos exércitos atmosfera derrotista, nada empreendedora (…)”.

Na parte B – Contexto da Revista, salienta-se do ponto 1. “Após breve ‘introdução’ em que a teoria das leis, princípios e regras da Estratégia não foge, naturalmente, à controvérsia desde sempre reconhecida nas ideias dos pensadores que à disciplina se têm dedicado e nas escolas didácticas em que alguns deles se têm dedicado o Capitão-tenente Silva Ribeiro – em boa hora surgido no Corpo de colaboradores da Revista – fornece, no primeiro artigo deste número, elaborado panorama interpretativo e caracterizador, dos Princípios Estratégicos reconhecidos como mais clássico, remetendo-se a esquema de três dominantes, ou ´grandes princípios’, com definição do contexto, que lhe atribui, e das regras, que também admite estarem-lhe associadas. O trabalho, redigido em estilo claro, acessível e directo, e constituindo, sem dúvida, ponderada congeminação, é completado com útil apreciação histórica da aplicação e respeito dos princípios por diversos estrategas e em épocas diversas até à Segunda Guerra Mundial”.

Em maio, B – Contexto da Revista, ponto 2, consta, “(…) elaborado trabalho relativo à participação em operações de tipo análogo em Moçambique, em 1993 e 1994, através do Batalhão de Transmissões 4. É seu autor o Tenente-coronel de Transmissões (Eng) Miguel Leitão, que comandou a unidade. O texto do trabalho é, todo ele, esclarecido e preciso manancial de dados e considerações (…) Na ‘síntese’ e na ‘introdução’ com que o Tenente-coronel Leitão inicia o trabalho e nas ‘conclusões’ e ‘sugestões’ com que o encerra, fornecem-se indicações que dão clara abertura à compreensão do texto, cujo conteúdo muito vem enriquecer a História próxima e o Conhecimento Militar”.

Na Revista de novembro, em D – A “Revista Militar” na INTERNET, informa-se, “Acompanhando os tempos de mudança, sem dúvida acelerada, que hoje se vivem em matéria de Comunicação, Informação e Relacionamento informáticos, também a da nossa Revista, aproveitando pronto apoio do Estado-Maior do Exército, que penhoradamente se agradece, passa a dispor, a partir do presente número 11, Novembro de 1998, de uma ‘home page’ na INTERNET, (…)”. No ponto 2 de B – Contexto da Revista, salienta-se a colaboração da Professora Doutora Maria Filomena Mónica com o texto “Fontes Pereira de Melo”.

(8) Volume de 1999

Em 1999, o número de janeiro é Especial, tendo o Editorial quatro páginas sobre a comemoração do 150º Aniversário da Revista. Em abril, A – Nota de Abertura, destaca-se, “Revolução de 25 de Abril de 1974 – 25º Aniversário” em três páginas; no de maio, o 50º Aniversário da NATO (sete páginas); em jun/julho, Timor-Leste – o último espinho da descolonização; no mês de outubro, em A – Nota de Abertura, “Macau – uma partida anunciada” e em B – Contexto da Revista, ponto 2, salienta-se o trabalho do Major-general Eurico Sales Grade, “Os Sócios da Revista Militar desde a sua fundação”, dizendo, É uma pormenorizada e bem elaborada história do ‘cerne’ da Revista Militar (…) O Major-general Sales Grade, que faz acompanhar o seu elaborado texto de seis esclarecedores anexos e de um cuidado índice onomástico, empenhou-se devotadamente em trabalho que vai ser muito apreciado e que deverá ser incluído, talvez como anexo, na ‘Monografia sobre a História da Revista’ que, como parte do programa da Comunicação do seu 150º Aniversário, se encontra também em preparação”; o número de dezembro, destaca, “Congresso Internacional da Imprensa Militar”, em Número Especial da maior importância em editar o conteúdo total.

(9) Volume de 2000

No ano 2000, último do ciclo diretivo do Tenente-general José Lopes Alves como Presidente da Direção da Revista Militar, destaca-se:

– Em A – Nota de Abertura de janeiro, “No Limar do 4º Centenário” dedicado ainda à Comemoração do 150º Aniversário e da Revista, quatro páginas do maior interesse para todos nós, sócios efetivos da Revista Militar;

– Em ago/setembro, A – Nota de Abertura, apresenta, em continuação do número anterior, “A Nossa Guerra dos Anos Sessenta e Setenta do Século XX – A Permanência do Segredo –”, onde analisa “psicose do segredo”, o “o segredo do cidadão-soldado”, a “literatura de coronéis e de generais”, terminando com É bem tempo (…) de vencer inércias, de criar e reunir vontades, de abrir arquivos (…) procurando anular (…) a insistente psicose do segredo que continua a revelar-se, fazer completamente a história política, estratégica e militar da nossa dolorosa Última Guerra do século XX”;

– Em outubro, “Globalização, patriotismo e espírito de defesa” (cinco páginas); no de novembro, em A – Nota de Abertura, insiste-se na problemática, “Reuniões de convívio de ex-Combatentes” e, de dezembro, recordamos, “Encerramento do Ciclo Directivo”, onde se publica a nota nº 467/2000 da Revista, de 20 de setembro, para o General Chefe do Estado-Maior do Exército, na sequência da audiência que lhe foi concedida por esta entidade, em 19 de setembro, solicitando a sua substituição.

No final desta parte do Editorial (A – Nota de Abertura) diz-se, “Anuindo ao pedido apresentado o General CEME, por despacho de 14 de Dezembro de 2000 nomeou Presidente da Direcção para os Corpos Sociais de 2001 o General Gabriel Augusto do Espírito Santo (…)”.

b. Artigos

Ao relembrar 49 artigos, de out/1961 a jun/jul2017, depois da rememoração de 90 editoriais, através da leitura em computador, a maioria, e de revistas em papel, recordei os tempos do 150º Aniversário (coloquei aqui a medalha 172-500) quando se discutiu o que destacar da Introdução do Fundador e como posicionar a frase escolhida: “Precisa-se de estudo para fortificar a inteligência, da inteligência para dirigir a força e da força para defender a Pátria e a Liberdade”.

O trabalho começa com a transcrição dum pedaço do seu primeiro artigo, “Decadência das forças morais”, número de out1961 (major CEM), da parte III, “Há que voltar, mas com espírito franco e objectivo, ao caminho das forças morais. Os organismos militares ou militarizados necessitam do seu valiosíssimo concurso e as Nações têm de basear nelas a vigência de todas as suas actividades fazendo delas tanto maior emprego quanto, como é o nosso caso, mais dispersas se encontram pelo Mundo as parcelas que constituem a respectiva comunidade”.

Do segundo, out1966 (major CEM), “Importância estratégica da Península Ibérica no mundo actual”, de IV, Conclusões (p. 519), “As considerações apresentadas, não tendo, embora, fugido do campo de generalidades em que desde o início nos colocámos, permitem-nos chegar, entre outras, a três conclusões dominantes; a Península Ibérica possui uma nítida e destacada importância estratégica no conjunto da estruturação do Mundo dos nossos dias; essa importância estratégica é resultante do valor próprio de todas e de cada uma das parcelas que constituem hoje os dois países peninsulares e do de países irmãos que mantêm com eles relações de cultura, de interesse e de amizade; essa importância estratégica é resultante, ainda, do equilíbrio peninsular que se deseja, em permanência, franco, elevado e realista”.

Ainda antes de ser sócio efetivo, publica um terceiro artigo, abr1967 (major CEM), “Três períodos críticos da contra-subversão”, de que se recomunica a parte final (p. 217), “No domínio dos meios materiais, o problema não se apresenta em regra com carácter de premência já que poderão ser sempre utilizadas na luta as armas individuais e colectivas, ligeiras, médias e pesadas, as bocas de fogo e as viaturas blindadas ou outras que serviram para combater a Subversão nas suas primeiras fases. Quer quanto ao pessoal, quer quanto ao material, há no entanto, que reunir as condições mínimas indispensáveis que permitam a sua substituição e reforço quando necessários”.

Na Revista de nov/dez1967, já Sócio efetivo (Major CEM), “As Forças Armadas e a sua época”, (p. 591), “O problema mentalização, factor de coesão adentro da comunidade, não se apresenta menos grave que o anterior dado que implica em regra, a obtenção de duas finalidades essenciais: a destruição de ideias e conceitos inadequados à função militar e a edificação, em sua substituição, de outras que se consideram melhores”.

Em jul1970 (Tenente-coronel CEM), “Panorama geopolítico e geoestratégico do mundo actual”, 1. Bases de apreciação, (p. 576), “As extensas e bem ordenadas considerações, com sabor científico, de Mckinder e Spykman sobre a estruturação geopolítica e geoestratégica do Mundo do seu tempo e do Mundo futuro, fornecem-nos, sem qualquer forma de dúvida, se adequadamente aproveitadas, matéria altamente válida para caracterizar a mesma estruturação nos anos setenta que há pouco começaram”.

Depois de mais seis artigos publicados [Tenente-general (General)], jul/ago1984, jul/ago1985, abr1987, abr1989, jul/ago1990 e jan1991, este, “General José Manuel Bethencourt Conceição Rodrigues – 10 anos de Presidente da Direção da Revista Militar”, já observado em Editoriais, em abr1991, “Os fenómenos subversivo e contra-subversivo: rememoração breve das suas intensidade e actualidade”, salientando-se a parte final (p. 250). “Os problemas estruturais e de vizinhança, próxima e afastada, do nosso País, tornam-no, como noutras épocas, muito vulnerável à Subversão, continuando a existir da realidade factores internos e ambições externas que podem espoleta-la, fomentá-la e explorá-la. A preparação e a realização, no grau próprio, da Contra-Subversão constituem por isso, também entre nós, como se considerou de início, ‘sério imperativo e dura necessidade’”.

A seguir da publicação de dez artigos, abr1991 (p. 262), mar1992, mai1993, out1993 (p. 913), out1993 (p. 1027), jan1994, mai1995, out1996, mar1998 e ago/set1998, transcreve-se de dez1998, “Revista Militar – 150 anos ao serviço da Defesa Nacional, das Forças Armadas e da Pátria”, passagem do texto sobre a Comunicação apresentada na Sessão Solene Comemorativa da Fundação e da Revista Militar – em 1 de dezembro de 1848 – que decorreu na Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 2 de dezembro de 1998, (pp. 1017-1032). “(…) Vinte e quatro horas depois do dia, ontem, em que na realidade, há 150 anos,, teve lugar a sua fundação, conjuntamente com a que a deveria lançar e administrar, a Revista Militar encontra-se nesta situação. Pairam neste momento na nossa mente, envolvem-nos insistentemente exigindo a rememoração da sua vitalidade, tantas e tantas figuras, vivas ou desaparecidas, que a criaram e alimentaram, em suma, a fizeram prosseguir sucessivamente mais velha, mas sempre jovem no espírito e na alta compreensão que sempre soube preservar no tratamento dos assuntos da ‘Defesa Nacional, da Instrução Militar e das Forças Armadas’”.

Depois de publicados mais sete artigos, abr1999, ago/set1999, out1999, nov1999 (pp. 1575-1582), nov1999 (pp. 1943-1946), dez1999 (pp. 2069-2072) e dez1999 (pp. 2075-2083), seis dos quais relacionados com a Comemoração do 150º Aniversário da Revista, surge, abr2000, “Sessão Solene da 1ª Assembleia Geral Ordinária do Ano 2000”, salientando-se a parte inicial (p. 271) do Presidente da Direção: “Ainda extasiada pela ampla projecção nacional e internacional conseguida nos dois pretéritos anos com a Comemoração do seu Centésimo Quinquagésimo Aniversário e a cuja Sessão Solene de encerramento, realizada no Porto em 7 de dezembro de 1999, V. Excelência, Senhor Ministro da Defesa Nacional deu a subida honra de a ela presidir, vem a da Revista Militar fazer reviver nesta Sessão Solene, integrada na sua 1ª Assembleia Geral Ordinária do ano 2000, a já antiga tradição de receber anualmente no seu seio uma Autoridade do Estado, neste dia V. Excelência, e de nela proceder a duas realizações”.

Depois de, em mai2000, se publicar “O Tempo Histórico de Ourique” e de, em jun/jul2000, “Brigadeiro Médico António de Azevedo Meyrelles do Souto”, publica-se o último artigo da sua presidência, dez2000, “Breve reflexão sobre uma década e da Revista”, (pp. 1019-1028), do qual se transcrevem algumas passagens. “Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército; Excelência; Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Revista Militar; Senhor General Gabriel Augusto do Espírito Santo, novo Presidente da Direcção; Senhor Tenente-general José Eduardo Garcia Leandro, Vice-chefe do EME: Ilustre Convidado; Caros Confrades Sócios da Revista Militar. Desta reflexão importa deixar transcrito algumas passagens do ponto 2 (p. 1021) relacionadas com o seu ciclo diretivo (1991/2000). “1993: Organização e realização do IX Colóquio da Imprensa Militar e difusão das suas conclusões às entidades intervenientes. 1994: Organização e realização no Instituto de Defesa Nacional do Seminário sobre a ‘Situação das Forças Armadas Portuguesas’. 1994, 1996 a 1999: Planeamento, organização e realização da ‘Comemoração do 150º Aniversário e da Revista’, com destaque para os anos 1998 e 1999 em que se verificaram diversas actividades comemorativas entre as quais a publicação do Número Especial relativo à ‘Presença Portuguesa no Oriente’; a realização do 1º Congresso Internacional de Imprensa Militar; a inauguração pela Câmara Municipal de Lisboa do ‘Largo Revista Militar – Fundada em 1848’ e o lançamento dos I, II, III e IV volumes dos ‘Índices da Revista’. 2000: Organização, em 30 de Março, da 1ª Assembleia Geral de 2000 na qual em Sessão Solene, se procedeu à ‘Evocação do Sócio Efectivo Almirante Sarmento Rodrigues, no 1º Centenário do seu Nascimento’ e à Rememoração do Achamento do Brasil no seu 5º Centenário. No ponto 3, desenvolveu, “(…) elevado reconhecimento que jamais pode ser suficiente (…)”, aos seus colaboradores mais diretos com nomeação individual extensa. Do ponto 7, a terminar, salienta-se; “Senhor General Gabriel Augusto do Espírito Santo, novo e ilustre Presidente da Direcção e meu excelentíssimo amigo: regozijo-me com alto apreço pela sua nomeação, desejo-lhe, bem como aos Corpos Gerentes que vão acompanhá-lo, os maiores êxitos na administração da nossa e da nossa Revista e manifesto-lhe com dedicação, a minha inteira disponibilidade para o ajudar’ (p. 1027).

Decorridos mai2001, “Deambulação pelos Pensamentos Militar e Político e pela Relatividade da sua posição”; out2002, “A Barragem de Alqueva e a Defesa Nacional – Memórias e reflexões geopolíticas e geoestratégicas sobre o Teatro de Operações do Alentejo”; out2003, “Guerra do Iraque de Março e Abril de 2003 – Uma Contribuição para o seu Estudo” e nov2004, “Evocação Reflexiva da Contribuição dos Militares na Regeneração (1851-1910”; observa-se, em dez2004, “General Luís Maria da Câmara PinaO Cidadão e o Militarna Criação e Fundação do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional”; “Nota Inicial. O tema que me proponho desenvolver nesta sessão de homenagem ao saudoso General Câmara Pina, no período em que decorre o centenário do seu nascimento, vai englobar a rememoração, com espírito de síntese: – De alguns aspectos da biografia do homenageado para que a minha geração e as actuais, possam, respectivamente, recordar e inserir-se nas idiossincrasias da sua personalidade; – Dos princípios, conceitos, eventos e realizações que presidiram à sua proficiente e profícua actividade nos cinco anos em que foi director do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional; – Finalmente, ponderado remate com algumas considerações.” (pp. 1211- 1212) e da “Nota Final. (…) O General Câmara Pina deixou sempre um rasto luminoso por onde passava. Podiam ou podem ainda hoje merecer controvérsia algumas das suas atitudes. Mas, no fim, como resto, fica sempre perante nós um devotado e exaltante defensor dos princípios, dos conceitos e dos valores que formavam e devem continuar a formar as nações, as pátrias e as suas Forças Armadas. E as afirmações que tive o prazer de lhes fazer sobre a sua figura são disso indelével testemunho” (p. 1250).

A sua produção continua, nov2005, “A Guerra da Restauração (1640-1668) no Teatro de Operações Transmontano” (pp. 1155-1181) e “Estado Português da Índia. Eventos da década de cinquenta anterior à invasão do Estado pelas Forças Armadas da União Indiana em 18 de Dezembro de 1961 – MEMORAÇÃO PESSOAL, (pp. 871-909), donde se salienta de 3. Eventos Subsequentes – Comandos e Unidades em fins de 1955 (p. 879); “Deste modo, pelos fins do ano de 1955, o efectivo total das Forças Armadas do Estado Português da Índia (FAEI), incluindo a Polícia de Segurança (PEI), 600, e a Guarda-Fiscal (GFEI), 250, naturais e metropolitanos, era de cerca de 8 000 homens, com 7 000 para as Forças Terrestres e 250 para as Forças Navais (FNEI). A representação do ramo aéreo estava a cargo do oficial-adjunto já referido.” e de 10. A Terminar (pp. 908 e 909); “A propósito deste sentimento, de verdade certamente ponderável, repita-se, será de considerar que a História se repete por vezes, ainda que com carizes diferentes de caso para caso, e que Portugal continua a estender-se actualmente por duas Regiões Atlânticas, a da Madeira e a dos Açores, cujo patriotismo e espírito de coesão das populações em relação ao País Continental, tomando as grandes decisões oportunas e adequadas, convirá cuidar. O Estado Português da Índia é já hoje um mito a afastar-se rapidamente do período áureo que percorreu na História, mas, mesmo mito, pode aconselhar”.

Nos anos seguintes, continua a regular publicação, nomeadamente, out2008, “O ‘Novo Terrorismo’ e a ‘Velha História’ – Da Teoria Substanciada à sua Prática”, (pp. 871-909); out2010, “Bicentenário das Invasões Francesas – Guerra Peninsular (1807-1814) – A Batalha de Arapilles ou de Salamanca (22 de Julho de 1812). Última Operação contra as Tropas Anglo-Lusas do Último Exército Francês de Portugal” (pp. 979-1005); dez2010, “Subversão e Contra-Subversão – As Forças Armadas Portuguesas em 1961”, (pp. 1289-1315); jan2012, “Guerra Peninsular (1807-1814) – Uma Figura dos 1º, 2º e 3º Exércitos Franceses que invadiram Portugal”, (pp. 19-44); nov2012, “Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) – Intervenção do Marechal Schomberg”, (pp. 1005-1019); abr2014, “Uma Figura da Resistência Anti-colonial em Angola no século XVII – Dona Ana de Sousa Njinga Mbanda”, (pp. 319-342) e fev/mar2015, “Fontes Pereira de Melo, a Regeneração e a Revista Militar (a avozinha, segundo o Doutor Augusto de Castro)”, (pp. 157-170), da qual salientamos, de “4. Os eventos de 1904/1905. (…) Em consequência desta intervenção ministerial de 1905, são elaborados novos Estatutos, em substituição dos de 1862, cujas disposições mais relevantes, ainda hoje em vigor, são as seguintes: – O apoio financeiro por parte do Ministério é institucionalizado; – A nomeação do presidente da direcção e da Revista será feita, como até então, entre os seus Sócios Efectivos, mediante consenso da sua Assembleia Geral, competindo o seu sancionamento final à autoridade que, na altura detenha a competência do mesmo Ministro da Guerra – com a extinção do Ministério em Abril de 1974, essa autoridade é, presentemente, do Chefe do Estado-Maior do Exército; – Diz-se ainda no documento que este sistema de nomeação representa apenas o direito que o Governo tem de fiscalizar o integral cumprimento das bases acordadas, mas não prejudica o estatuído no sentido de que a deverá manter-se independente de qualquer tutela oficial ou de outra natureza”. Da parte final de “9. A Revista Militar e a Maçonaria. (…) Em conclusão, a meu ver, embora não existam documentos oficiais ou privados que o afirmem ou testemunhem, a Empresa da Revista Militar, através da intervenção de alguns dos seus sócios, terá sido influenciada na sua criação e fundação por ideias e princípios do Movimento Maçónico e terá também influenciado o próprio Movimento”.

O último artigo do Tenente-general José Lopes Alves publicado durante a sua vida foi no número de jun/jul2017, “Um príncipe português, D. Fernando Sanches, filho de D. Sancho I, Conde da Flandres, na formação e consolidação da França no século XIII”, (pp. 527-542).

c. Compilação

Revista de fev/mar1994, “Regimento de Comandos” (pp. 189-215), integra três partes: Alocução do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Proposta de Condecoração e Regimento de Comandos – Da sua História e do seu Espírito.

Da intervenção do General CEME, transcreve-se o final (p. 197). “Quando dentro de momentos Sua Excelência o Presidente da República condecorar o Estandarte Nacional do Regimento com a Ordem Militar de Avis, uma das mais altas distinções nacionais, relembraremos que o estandarte do regimento, herdeiro da história e tradições de todas as unidades de Comandos, ostenta já as mais altas condecorações por feitos em campanha: Medalha de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; Medalha de Ouro de Valor Militar, com Palma; Medalha da Cruz de Guerra de 1ª Classe e Medalha de Ouro de Serviços Distintos, com Palma. E que estamos a homenagear, com orgulho, o carácter, a lealdade, a determinação e a fidelidade à Pátria de todos os que têm o privilégio de ser ‘Comandos’ e muito especialmente os que deram a vida por Portugal”.

A proposta de “Condecoração do Regimento de Comandos” (pp. 197-201) surge na sequência da Reorganização das Forças Armadas que extingue o Regimento de Comandos; É pois, dever nacional assinalar o valor de tão prestigiada Unidade reconhecendo que dos serviços prestados, altamente meritórios, relevantes, extraordinários e muito distintos, resultou lustre e honra para a Instituição Militar e para o País. Nestes termos, (…). Proponho que seja agraciado com a ORDEM MILITAR DE AVIS o Regimento de Comandos”.

Da terceira parte, “Regimento de Comandos – Da sua História e do seu Espírito” (pp. 201-215) das quinze páginas registamos. “1 – Nota Preambular. Revertendo sobre a matéria do Editorial do número 7/8, de Julho/Agosto de 1992, da Revista, vamos transcrever o que então se escreveu a propósito do 30º Aniversário das Tropas de Comandos, em afirmações de significado sempre real e permanente:” e a sua parte final (p. 215), baseada na entrevista do Padre Beneditino e Capelão Militar, Doutor Abel Matias, e de um dos seus artigos publicados no jornal “O Dia”, o último relativo à cerimónia de 16 de dezembro de 1993 em que foi condecorado o Regimento de Comandos. “Quando conto aos meus alunos as Histórias de Portugal nas suas ex-colónias começo sempre da mesma maneira: A História de Portugal em África é poesia, cujas estâncias são escritas com tintas de variadíssimos matizes; sangue, vidas, frustrações e persistência e os autores não são poucos, tantos os Oficiais, Sargentos e Praças que se esvaíram em sangue no ressequido capim das suas agrestes savanas”.

d. Crónicas Bibliográficas

Das 106 crónicas, embora todas mereçam ser recordadas, por questão de espaço apenas se transcreve um pouco de algumas.

Antes e depois de Presidente da Direção fez uma crónica. Em fev/mar1989 (pp. 167-170), sobre “Estratégia Global” do Tenente-general Kaúlza Oliveira de Arriaga, transcreve-se do início, “O contexto da obra do General Kaúlza de Arriaga, editada pela Referendo, resultou da ampliação e aprofundamento da conferência por ele proferida na Universidade Lusíada em Março de 1988 (…)” e o princípio da parte final, “como complemento muito esclarecido, o Autor remata o seu texto referindo os ‘graves´ erros do Ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial e sintetiza através de claras e precisas conclusões os parâmetros e os vectores que definem a presente situação internacional. Transcrevem-se na íntegra as mesmas conclusões”.

A crónica realizada depois de Presidente da Direção foi publicada em jan2006 (pp. 129 e 130) sobre o livro, da autoria do Sargento-ajudante José Luís Assis, que entretanto se doutorou na Universidade de Évora, “Ciência & Técnica na Revista Militar 1849-1910”, “Esta obra do Sargento-ajudante, Mestre, José Luís Assis, relativa ao contexto parcelar dos fascículos da Revista Militar do período 1849 a 1910, o período do Movimento da Regeneração, constitui a dissertação do seu curso de mestrado realizado na Universidade de Évora (…)”. E da parte final, É justo não apenas felicitar o autor, mas, também, augurar-lhe e desejar-lhe novos êxitos na carreira universitária para a qual se sentiu vocacionado e sugerir que, na sua ascensão, prossiga o mesmo tema, que tão longe ainda está de ser investigado e devidamente avaliado do ponto de vista histórico, sociológico, ético e científico”.

No período da Presidência da Direção da Revista, jan1991 a dez2000, das suas 104 crónicas deixam-se referências de quatro. Out/nov1994 (pp. 1223 e 1224), “Capitão de Abril – Histórias da Guerra do Ultramar – Depoimentos”, do Tenente-coronel de Cavalaria Fernando José Salgueiro Maia, publicada em 1994. Da crónica de quatro parágrafos transcreve-se o segundo, “Utilizando estilo claro, directo e preciso, não isento do pormenor julgado adequado, e caminhando apagadamente sobre os seus devotados passos e atitudes, o Autor consegue embrenhar-nos novamente, com facilidade, na dureza da luta e nos imensos sacrifícios vividos pelos militares de todos os postos nessas ex-portuguesas terras africanas, e, logo de seguida, ampliar e esclarecer o conhecimento de Abril”. Dez1994 (pp. 1278 e 1279), “Militares Revolucionários – 1975: Um retrato-robot”, do Coronel de Artilharia Alberto Ribeiro Soares, publicada em 1994, salienta-se o início do primeiro parágrafo, “Com texto excelentemente elaborado a partir da leitura do Semanário ‘Expresso’, lançou o Coronel Ribeiro Soares nos últimos dias de Novembro o livro em epígrafe, no qual desenvolve esclarecida e ponderada contribuição para a historia política e militar do Movimento de Abril, centrando as suas consideração no seu ano crucial de 1975 e na influência que nele tiveram muitos militares ‘revolucionários’ e algumas individualidades civis”. Ago/set1999 (pp. 1367 e 1368), “Fontes Pereira de Melo”, da Professora Doutora Maria Filomena Mónica, dos quatro parágrafos mostra-se o segundo. “Em texto muito cuidado e atraente, que numerosos documentos e fotografias iluminam, e escrito de forma precisa e muito acessível, a Autora patenteia obra que engloba fino, pormenorizado e equilibrado manancial de conhecimentos que só persistente e ponderada investigação histórica permite realizar, tornando desde logo efectivamente verdadeira a síntese do espírito de acção de Fontes Pereira de Mello quando dele refere que ‘a sua obsessão consistiu em tentar qualquer coisa, estivesse onde estivesse, para minimizar o atraso global do País”. A última crónica bibliográfica da sua presidência, dez2000 (pp. 1183 e 1184) foi sobre o livro “Um Testemunho do Presente para o Futuro”, do General Gabriel Augusto do Espírito Santo, transcreve-se parte do segundo parágrafo. “O texto do livro, de aprimorado e bem seleccionado conteúdo e escrito em estilo directo e sempre acessível, insere, afinal duas vidas no período de três anos: – a das Forças Armadas Portuguesas, em que muito evoluiu o espírito de concretização da sua estrutura, da luta pela sua imagem orgânica e funcional (…). – a do próprio Autor, no empenhamento e no devotamento individuais que julga certos, ou seja, os que melhor servissem as Forças que comandava e o País na sua interioridade e na sua projecção externa, sendo de destacar a sua profícua e proficiente actividade em funções desempenhadas no Continente, no ex-Ultramar e em delicadas missões no âmbito da NATO, de outras organizações nacionais e internacionais e de diversos países”.

e. Crónicas – Outros Assuntos de Atualidade

Estas mensagens do Tenente-general José Lopes Alves são do maior interesse, tendo em vista atualidade, cuidado e oportunidade.

A primeira ocorreu em jun/jul1995, A – II Encontro Nacional de Combatentes (pp. 589-591), “Foi levado a efeito em 10 de Dezembro de 1995, com início às 10h, junto do Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, Lisboa (…) O convite para o Encontro foi de âmbito nacional e, sobre a sua organização, o Sócio Efectivo da Revista Militar e Membro da sua Direcção, Tenente-coronel Brandão Ferreira elaborou o texto que a seguir se transcreve: (…). A seguir B – Actividades do Serviço Nacional de Protecção Civil (pp. 591 e 592), informando que, “Teve lugar em 19 de Maio de 1995, o Exercício LINCE-95 (…), com a finalidade de aumentar a capacidade do País para dar resposta a situações de emergência. (…) Tratou-se de Exercício de Quadros não havendo motivação de forças no terreno”. Depois, ago1995, Encerramento do ano académico na Academia Portuguesa da História e Revista Militar (pp. 730 e 731), “A Academia Portuguesa da História levou a efeito, na tarde de 5 de Julho de 1995, o Encerramento das suas actividades académicas no ano 1994/1995 com Sessão Solene de que foram pontos altos: (…) a) Aberta a sessão, foi anunciada a atribuição e entrega dos seguintes prémios: 1) Prémio Caloust Gulbenkian – História de Portugal dos séculos XVI e XX – ao Coronel Carlos Gomes Bessa, pelos seus ‘ESTUDOS DE ESTRATÉGIA E HISTÓRIA MILITAR’, difundidos na Revista Militar e noutras publicações; (…)”. No número de out1995 (pp. 1011-1014), sem autor mencionado, publicaram-se, A – As causas da Guerra Ultramarina de 1961-1974 em Angola e Moçambique – Síntese, do General Kaúlza de Arriaga”, e B – “500º Aniversário da morte de D. João II. Em nov/dez1995 (pp. 1127-1133), também seu autor mencionado, mas que, por certo, sendo do Presidente da Direção, publicaram-se: A – Jornadas de História Militar – VI Colóquio. Como nos anos anteriores, a Comissão Portuguesa de História Militar iniciou no corrente mês de Novembro as suas Jornadas de História Militar de 1995, sob o tema geral ‘Portugal na História Militar’ (…)”. A seguir, B – 20º Aniversário do 25 de Novembro – Colóquio. Organizado pela Associação de Comandos teve lugar no salão nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa, na 2ª quinzena de Novembro, um Colóquio relativo à efeméride em epígrafe, sobre o tema ‘Aproximação histórica ao 25 de Novembro de 1975’. O programa geral desenvolvido foi o seguinte (…)”.

Jan1996 (pp. 121-135), 1 – Entrevista ao General CEME. “Foi publicada no Jornal ‘Diário de Notícias’ de 25 de Janeiro de 1996 uma entrevista concedida por S. Exª o General Cerqueira Rocha ao Jornalista Sr Eduardo Mascarenhas, (…)”. A entrevista foi transcrita na íntegra (treze páginas). 2 – Prémio “Almirante Sarmento Rodrigues de 1995”. “Por comunicação de 16 de Janeiro da Academia de Marinha (…), foi atribuído ao Comandante Fernando Augusto Mendes Pedrosa, Sócio Efectivo da Revista Militar, o Prémio em epígrafe, pelo seu trabalho ‘Corsários e Piratas na Costa Portuguesa, Séc. II a I (1139 – 1830). (…)”. 3 – Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA). Salienta que representantes da AOFA, “foram recebidos em 11 de Novembro p.p. por Sua Exª o Ministro da Defesa Nacional (…)”. 4 – Lar dos Veteranos Militares (LVM). “(…) solicita que lhe sejam remetidos objectos de carácter histórico, museológico e decorativo para enriquecimento do seu espólio (…)”.

Dez1998 (pp. 1159-1167), apresenta, Associativismo Militar “(Transcrição com vénia ao ‘Diário de Notícias’ e agradecimento ao Autor, do artigo do General José Alberto Loureiro dos Santos, com o mesmo título, publicado em 20 de Novembro de 1998)”. E ainda, Comissão Portuguesa de História Militar (CPHM)Prémio Defesa Nacional 1997. “Publicação do despacho do Ministro da Defesa Nacional”; Comissão Portuguesa da História Militar (CPHM) – Simpósio ‘A Técnica e a Viagem de Vasco da Gama, publicando-se o programa; Instituto de Altos Estudos Militares – Seminário ‘A Comunidade de Países de Língua Portuguesa’, realizado em 10 e 11 de dezembro publicando-se o programa; Sociedade Histórica da Independência de Portugal – Comemoração da Restauração da Independência, realizada em Lisboa em Lisboa nos dias 27 de novembro e 1 de dezembro de 1998 com diversas cerimónias alusivas “Restauração da Independência em 1640”, de que se publicou o programa.

Fev/mar1999 (pp. 747-758), Entrevista ao Bispo Castrense, concedida ao Diário de Notícias por Dom Januário Torgal Ferreira, publicada em 27 de dezembro de 1988, cujo texto está transcrito na íntegra (pp. 747-752); Colóquio sobre o Luso-Tropicalismo realizado na Sociedade de Geografia de Lisboa. “Comemorando o Centenário do Nascimento de Gilberto Freyre, teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 11 e 12 de Fevereiro, organizado pelos Professores Doutores Adriano Moreira e José Carlos Venâncio e patrocinado por diversas entidades, oficiais e privadas o Colóquio em epígrafe no qual foi desenvolvido o programa seguinte: (…)”; Colóquio Internacional “25 anos do 25 de Abril”. “Organizado pela Câmara Municipal de Lisboa (Pelouro da Cultura) através da Biblioteca Museu República e Resistência, teve lugar nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 1999 (…). O Programa desenvolvido sob coordenação científica do Dr António Reis da Universidade Nova de Lisboa, foi o seguinte (…)”; “Situação em Timor-Leste – Entrevista do Dr Jaime Gama ao Jornal ‘Expresso’ difundida em 27 de Fevereiro de 1999 (…)”. Out1999 (pp. 1529-1537). A Defesa Nacional e o Futuro dos Jovens. “Em vénia a Sua Excelência o Secretário de Estado da Defesa Nacional (José Penedos) e o periódico Diário de Notícias, com o qual temos acordo de intercâmbio literário e cultural, difunde-se o artigo de Sua Excelência publicado no número de 30 de Setembro daquele jornal. (…); Congresso Internacional “A Guerra Colonial: Realidade e Ficção”. “Organizado pela Universidade Aberta, vai realizar-se em Abril do ano 2000, de 13 a 15 em Lisboa e, em 15, no Porto, o Congresso em epígrafe, no qual serão tratados privilegiadamente as áreas da História, da Política, da Diplomacia, do Jornalismo, do Cinema, da Medicina e da Literatura, e de cuja Comissão Organizadora, constituída por cinco membros e presidida pelo Prof. Doutor Rui de Azevedo Teixeira, faz parte o Coronel Alberto Ribeiro Soares, Director-Gerente da nossa Revista. (…)”; IX Colóquio de História Militar, da CPHM. “Organizado pela Comissão Portuguesa de História Militar, sob o tema ‘Os Militares na Sociedade Portuguesa’ tem lugar na sede da Comissão, em Lisboa, o Colóquio em epígrafe, com o calendário, programa e intervenientes a seguir indicados: (…)”.

Fev/mar2000 (pp. 229-245). Lápides nominativas no Monumento aos Combatentes do Ultramar. “Em cerimónia militar que se revestiu da mais alta dignidade e a que presidiu Sua Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, teve lugar na manhã de 5 de Fevereiro no Monumento dos Combatentes aos Combatentes do Ultramar, em Belém, na muralha do Forte do Bom Sucesso, que o envolve, a inauguração da lápides nominativas com os nomes dos Oficiais, Sargentos e Praças que, entre 1958 e 1975, morreram nas lutas de libertação nos ex-Territórios Ultramarinos Portugueses. (…)”; Seminário “Forças Armadas em Regime Democrático”. “Com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), teve lugar no Instituto da Defesa Nacional em 25 de Fevereiro o Seminário em epígrafe, com o Programa seguinte: (…)”; Entrevista com o Chefe do Estado Maior do Exército, General António Martins Barrento (26 de Fevereiro) “Não me demito!”. “Em entrevista exclusiva ao Semanário, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Martins Barrento, diz que não se demite, apesar das acusações de que tem sido alvo, por causa das promoções. (…). O homem forte do Exército fala ainda das suas preocupações com o arrastamento no tempo da missão na Bósnia e acredita que seria muito difícil às FA envolverem-se noutro cenário (…)”. A entrevista foi transcrita na íntegra (cinco páginas). Dez2000 (pp. 1149-1165). X Colóquio de História Militar – 13 a 15 de Novembro de 2000, na CPHM. Na crónica transcrevem-se na íntegra os textos das comunicações do General (Tenente-general) Themudo Barata e do Coronel do Exército Brasileiro Macedo Carvalho. Segue-se, “As Forças Armadas são Prioridade”, do Capitão-de-fragata António Silva Ribeiro. “Debruçando-se sobre debate organizado pelo PSD em Lisboa, no dia 18 de Outubro de 2000, em que foi tema a Política de Defesa Nacional, publicou o Comandante Silva Ribeiro, Sócio Efectivo da Revista, no Jornal ‘Público’ de 25 de Outubro, um ‘artigo de opinião’ sob o título em epígrafe. Pelo interesse e oportunidade do texto do referido artigo, transcreve-se o mesmo na íntegra, com vénia àquele Jornal e ao Autor, para conhecimento dos Sócios e Leitores da Revista”; Comemoração pública do “Dia do Mar” – Sociedade de Geografia de Lisboa, 16 de Novembro de 2000. Na crónica apresenta-se o programa; Seminário Segurança para o Século XXI – IDN 20 de Novembro de 2000. Publica-se o programa; Portugal Sempre – Comemoração do 1º de Dezembro – Movimento “10 de Junho”. “O Movimento ’10 de Junho’ levou a efeito uma manifestação pública no passado dia 1 de Dezembro, evocando a Restauração e chamando à atenção para os perigos que nunca deixaram de existir para a Nação Portuguesa, mas que considera estarem, hoje em dia, extraordinariamente agradados. O programa levado a efeito foi o seguinte: (…)”.

 

4. Outros aspetos interligados à sua vivência na Revista

a. Prémios

Nov/dez1991 (pp. 772 e 773), Prémio “Almirante Augusto Osório – 1990”. Atribuído ao artigo, “GLASNOST- PERESTROIKA – Uma análise da Situação do início dos anos noventa”, da autoria do Tenente-general José Lopes Alves, publicado no número de julho/agosto de 1990 (pp. 487-547). O prémio foi atribuído por maioria [Ata (N.º 84) do Júri do Prémio de 1990].

Out/nov1994 (p. 1125), Prémio “Almirante Augusto Osório – 1993”. Atribuído ex-aequo aos artigos; “Portugal a sete anos do século XXI: contributo para o conhecimento geopolítico e geoestratégico da sua realidade”, da autoria do Tenente-general José Lopes Alves, publicado no número de maio de 1993 (pp. 349-403), e “A Campanha do Rossilhão”, da autoria do Brigadeiro (Major-general), agora General, António Martins Barrento. O Prémio foi atribuído por unanimidade aos dois artigos [Ata (N.º 86) do Júri do Prémio de 1993].

b. Passagens de algumas atas de Assembleias Gerais Ordinárias

Neste trabalho observaram-se as atas das duas assembleias gerais realizadas por ano durante a sua Presidência da Direção da Revista (1991/2000) e as duas que registam as últimas presenças (2015 e 2016), no sentido de retirar passagens para fundamentar estarmos na presença de um homem, militar, académico e cidadão, justo e inovador.

Ata 184, 23abr93. No ponto “Eleição de novos Sócios Efectivos”, ao discutir-se a proposta para eleição de quatro sócios quando só havia duas vagas, na altura o quantitativo máximo era 60, surgiu a primeira ideia para se estudar o aumento, que se veio a concretizar, passando para 70, que ainda se mantém. “Nestes termos (o Presidente da Direção), pôs à consideração da Assembleia-Geral a hipótese de poder ser excedido aquele número limite, temporariamente, (…). Este assunto deu origem a uma ampla troca de opiniões, algo diversas, (…). Por esse facto, o Senhor General Lopes Alves, entendeu oportuno, em nome da Direcção, rever a proposta que havia apresentado e considerar, da lista inicial de quatro nomes, apenas os dois primeiros, comprometendo-se a Direcção a estudar o assunto novamente e voltar a apresentá-lo em próxima Assembleia-Geral ”.

Ata 191, 21mar96. Início do projeto de revisão do Regulamento Interno.

Ata 192, 10dez96. Ao discutirem-se as alterações a fazer no Regulamento Interno, depois de acalorado debate, três sócios efetivos expressaram a sua discordância em relação ao alargamento preconizado (passagem de 60 para 70), por fim, submetida a proposta da Direção à votação da Assembleia, esta foi aprovada por maioria.

Ata 196, 16dez98. Na sequência do aumento da quantidade máxima de sócios efetivos para 70, foram propostos e aprovados por unanimidade cinco oficiais (um coronel, um capitão-de-fragata e três capitães).

Ata 197, 25mar99. Transcreve-se: “(…) O Senhor General Betthencourt Rodrigues, no momento, não quis deixar de manifestar, uma vez mais, a sua congratulação por a Direcção estar a aproveitar, inteligentemente, as vagas existentes para a renovação e, a seguir, felicitou os novos Sócios Efectivos”.

Ata 198, 17dez99. Nesta última Assembleia Geral Ordinária da Presidência da Direção, o Tenente-general José Lopes Alves fez questão de mencionar a constituição da Comissão de Organização e dos Grupos de Trabalho que intervieram na Comemoração do 150º Aniversário, nomeando todos os intervenientes. Rememorando esta importante Assembleia e lendo a ata, indicam-se todos os Grupos de Trabalho mencionados: Financeiro, Informação e Relações Públicas, Cooperação no “Caminho do Oriente” da EXPO98 (Museu Militar), Cooperação e Propaganda no “Congresso Internacional da História Militar, “Colóquio com a Comunicação Social e Imprensa Militar”, “Sessão Solene de Abertura da Comemoração”, Elaboração e lançamento do livro “Presença de Portugal no Oriente”, “Congresso Internacional de Imprensa Militar”, Execução e instalação do Busto do Major-general Fontes Pereira de Mello, Execução da “Placa do 150º Aniversário”, Sessão Solene de Encerramento da Comemoração, no Porto, “Emblema da Comemoração”, “Inteiro Postal e “Medalha Comemorativa”, Elaboração e publicação dos “Índices da Revista”, Elaboração e publicação da “História da Revista Militar” e Elaboração e publicação da “Memória da Comemoração”.

Continuando no uso da palavra o Presidente da Direção leu um texto a que deu o nome, ‘No Culminar da Comemoração do 150º Aniversário da Revista’”, que está totalmente transcrito na ata. Na parte final, o texto menciona: “Entre os sócios cumpre-me, no entanto, destacar o Coronel António de Oliveira Pena, Secretário-Geral da Comissão de Organização da Comemoração, elemento sempre disponível e que desempenhou enorme esforço em todas as actividades (…). Destaco também o Capitão José Soares, Chefe da Secretaria, que foi auxiliar incansável, valioso e de excelente trato e comunicabilidade, interna e externamente, na execução pronta, certa e sempre oportuna de todas as directrizes estabelecidas. Proponho à Assembleia que faça exarar em acta louvor a cada um destes oficiais pela sua devotação e disponibilidade e que do mesmo lhes seja dado conhecimento por escrito. Com esta última proposta o Presidente da Direção terminou a sua intervenção.

Na oportunidade, o Senhor Tenente-general José Manuel Bethencourt da Conceição Rodrigues, único Sócio Honorário vivo da Empresa, pediu a palavra para manifestar a sua total concordância com as propostas apresentadas pelo Presidente da Direcção, mas que, ele próprio, em consciência, não podia deixar de destacar o nome da pessoa que considerava que fora a dinamizadora da iniciativa e de todo o processo levado a cabo – o Senhor Tenente-General José Lopes Alves. E, nesse sentido, apresentou ao Presidente da Mesa da Assembleia um documento redigido nos seguintes termos: – Nós, os sócios da Revista Militar (…)”. Seguem-se 25 linhas manuscritas.

Ata 230, 25mar2015. “Em cumprimento do ponto cinco da Agenda, Outros Assuntos, (…). O Tenente-general José Lopes Alves referiu-se ao primeiro Congresso da Revista Militar, efetuado aquando da comemoração dos cento e cinquenta anos da publicação, referindo que, nessa ocasião, foi aventada a hipótese de se criar uma Associação da Imprensa Militar, e que pelo facto de desconhecer se esse assunto tinha tido alguma evolução, solicitava à Assembleia Geral que, caso algum sócio o conhecesse, o informasse”.

Ata 233, 12dez2016. Última participação do Tenente-general José Lopes Alves na Assembleia Geral, mas sem qualquer intervenção.

c. Algumas referências sobre envolvimento associativo

Na sua postura social e intelectual, para além da intervenção na Revista Militar, esteve envolvido com mérito e assiduidade em outras instituições, nomeadamente: Sociedade de Geografia de Lisboa; Academia Portuguesa de História; Sociedade Histórica da Independência Nacional; Academia de Letras de Trás-os-Montes; e Centro de Investigação Veríssimo Serrão.

Neste resumo apenas se destaca um pouco do vasto mundo de académico e cidadão, salientando a sua colaboração na Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), onde foi Vogal da Secção de Ciências Militares, desde o início da atividade desta Secção Profissional (2006) até à sua morte. Nas iniciativas da Secção participou em todas, com particular realce para a colaboração prestada, em 2009, no Projecto intitulado “O Terrorismo como Forma de Coacção”, sobre o qual, o Presidente da Secção, Tenente-general José Carlos de Azevedo Araújo Geraldes (membro da Direção da Revista Militar), no Relatório de Atividades desse ano para o Boletim da SGL, referiu: “No segundo quadrimestre do Ano, o instrumento encontrado para aprofundar o conhecimento sobre o terror que emerge, hoje, como modo de acção eficaz nas estratégias do fraco ao forte, foi dar início a um Ciclo de Conferências sobre ‘O Terrorismo como Forma de Coacção’ que, neste Ano, teve lugar, em Setembro e Outubro. Sob a orientação de uma Direcção de Projecto, constituída por Vogais da Secção, em três sessões, foram tratadas três vertentes que, na actualidade tipificam esta expressão de violência: ´Terrorismo, Perspectiva Estratégica’, ‘Terrorismo, Perspectivas Socioeconómica e Cultural’ e ‘Terrorismo, Práticas de Acção’. (…), tendo as conclusões finais ficado a cargo do Tenente-General José Lopes Alves[2].

d. Obras de ficção procurando romancear a História e valorizar a Verdade

O Tenente-general José Rodrigues Tavares Pimentel, no In Memoriam (Revista Militar de jun/jul2018), salienta três obras: “O Abafador (2011)”, “Ocaso em tempo que nasce – últimos meses de um império” (2013) e “A Bombarda de Banastarim – seis capitães e outros mais em terras da Índia Portuguesa do século XX” (2016).

A sua ficção, para além de história da História, constitui-se caminhada para a autobiografia do autor, completando-se com as obras: “Entre cardos e espinhos ao anoitecer – Regresso ao ‘Verão Quente’ de 1936” (2002, sob o pseudónimo de A. de Alémmontes); “o preto deitado que não estava – moçambique, 1969” (2003); “A morte desceu à praia” (2005); “Lagunae, Lagoas, Minha Aldeia Romana – Romance de uma época na História Profunda –“ (2006); “A Batalha de Ourique, 25 de Julho de 1139 (2008) e “Oito em mesa redonda, franjas da Guerra do Ultramar” (2010).

A propósito de “A Bombarda de Banastarim”, saliento do agradecimento do livro (18set2016 – carta de duas páginas): “Na verdade considero que muito do escrito se interliga com vivências concretas de alguns de nós, jovens militares, que cumpriram a sua primeira comissão de serviço na Índia Portuguesa em 1954/1957 como aconteceu comigo integrado no Batalhão de Caçadores “Vasco da Gama”. Por outro lado, a obra aponta novos e inovadores caminhos ao mencionar:

Mas, devo dizer-lhe que apesar dos benefícios estruturais realizados após a ocupação de 1961 pelas actuais autoridades estas populações continuam a viver de acordo com as ancestrais características conservadoras, com superpovoamento, pobreza generalizada, silencioso sofrimento e aferrados a um determinismo e a um destino que admitem ter de ser assim até ao fim da vida!...” (p. 331).

e. Edição em fase de revisão pelo seu filho Rui Delgado Alves

Rememoração de eventos do ‘PREC’ (Processo Revolucionário em Curso) do Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974, nos quais me foi dado participar.”

O Tenente-general José Lopes Alves estava a terminar este livro quando a doença de que veio a falecer, em maio de 2018, já não permitiu dedicar-se-lhe com a atenção e energia que colocava em todos os projetos.

O livro, de carácter biográfico, narra o seu percurso em períodos marcantes do pós 25 de Abril podendo considerar-se de grande importância para o conhecimento do Processo Histórico do 25 de Abril. O documento em causa está presentemente a ser revisto por um dos seus filhos, Rui Delgado Alves, de formação em Sociologia, que me facilitou a leitura do texto e permitiu que registasse, entre outros aspetos:

– Dedicatória, “a todos os que serviram e continuam a servir abril ”;

– Índice: “Introdução; O PREC, conhecimento e acção; O PREC, pessoalmente vivido; Série de eventos em Cabinda em finais de 1974; Acções de Massabi e de Sala-Benje; Missão do CCFAA a Lisboa, em princípios de 1975; Comissão Administrativa da TAP em 1975/1976; Comando da Região Militar do Sul, em 1976/1977; Evento Político Militar e de Segurança, em 1998; Anexos e Notas”.

– Início da Introdução: “Ainda que já quase quarenta e dois anos tenham decorrido sobre a data do Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril de 1974, não pode, nem deve considerar-se esgotado o panorama das obras literárias e culturais que lhe vem sendo dedicadas, nomeadamente quanto aos acontecimentos da guerra colonial de treze anos menos conhecidos e verificados, quer na Metrópole, quer nos teatros de operações do Estado Português da Índia, de Angola, da Guiné, de Moçambique e de Timor”.

 

Conclusões

Este gratificante e tocante trabalho solicitado pela Direção da Revista Militar, teve ajuda importante e atenciosa do Senhor Rui Delgado Alves, filho do Tenente-general José Lopes Alves, e simpática, pronta e enriquecedora, dos Tenente-general Araújo Geraldes, Major-general Sales Grade, Coronel Ribeiro Soares e Major José Soares. Nesta lembrança de agradecimento regista-se a disponibilidade e qualidade na ajuda do Secretariado da Revista Militar.

Do conjunto de observações do ciclo diretivo do Tenente-general, José Lopes Alves destaca-se a Comemoração do 150º Aniversário da Fundação e da Revista, seu grande êxito, envolvendo: “1º Congresso Internacional de Imprensa Militar (primeiro e até agora único); Número Especial Presença Portuguesa no Oriente; Inauguração, em Lisboa, do Largo Revista Militar – Fundada em 1848; e Publicação dos Índices da Revista. Ainda merecem destaque o início do processo de informatização da Revista; a alteração do Artigo 5º do Regulamento Interno, passando de 60 para 70 o conjunto máximo de sócios efetivos (aprovada em sessão da Assembleia Geral Ordinária de 10 de dezembro de 1996) e a mudança das instalações do Largo da Anunciada para o Campo de Santa Clara.

O Tenente-general José Lopes Alves era um homem singular, inovador e de elevada capacidade de liderança na forma como sabia organizar as potencialidades dos seus colaboradores, concretizando, pela arte como exercia a delegação e o controlo.

Como ser humano de sábias palavras, militar, académico e cidadão justo que valorizava a Liberdade e a Igualdade, ao caminhar no mundo da Revista Militar, de 1961 (primeiro artigo – Major do CEM) até 2018 (sua morte – Tenente-general) o seu legado, e o seu exemplo, continuam a mostrar que a Força do Fundador, Tenente de Engenharia Fontes Pereira de Melo, de janeiro de 1849, merece encerrar este texto com uma frase da sua Introdução do Primeiro Número da Revista Militar:

– “Todos os homens pensadores, todos os corações generosos se congregam hoje para melhorar a sorte de seus irmãos na sociedade; é uma cruzada civilizadora, em que se alistam quantos querem sinceramente o bem do maior número”.

 


[1]    Esta produção pode ser observada em papel ou na internet, no sítio http://bibliotecas.defesa.pt/ipac20/ipac.jsp?go_sort_limit.x=5&go_sort_limit.y=5&npp=20&ipp=20&spp=20&profile=bde&aspect=subtab62&term=

revista+militar&index=.EW&uindex=&oper=&session=155X6108NY523.1811&limitbox_6=LOC01+%3D+BDE&

menu=search&aspect=subtab62&npp=20&ipp=20&spp=20&profile=bde&ri=1&source=%7E%21dglb&sort=3100012.

[2]    Este parágrafo foi preparado com pronta e eficaz ajuda, que muito se agradece ao Tenente-general Engenheiro João Carlos de Azevedo Araújo Geraldes.

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2020-01-12
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REVISTA MILITAR @ 2020
by CMG Armando Dias Correia