Nº 2459 - Dezembro de 2006
CRÓNICAS I - Crónicas Militares Nacionais
Tenente-coronel
Miguel Silva Machado
Primeiros “Pandur II” 8x8 destinados a Portugal já estão construídos
 

 
Na fábrica da Steyr-Daimler-Puch, em Viena (Áustria) já estão a ser testados os primeiros Veículos Blindados de Rodas “Pandur II” 8x8, destinados a Portugal.
 
As Forças Armadas Portuguesas deverão começar a receber um primeiro lote de “Pandur II” 8X8, fabricados na Áustria, no decurso de 2007. Dos 260 constantes do contrato de aquisição 20 serão anfíbios, destinados ao Corpo de Fuzileiros da Marinha e os restantes 240 serão destinados ao Exército que previsivelmente os atribuirá a diversos regimentos da Brigada de Intervenção. No total serão 15 as versões da “Pandur II” 8x8 a serem entregues, das quais se destacam parte dotadas com torres SP 30. Portugal tem ainda previsto, embora não calendarizada, a aquisição de um novo lote de 33 viaturas deste mesmo modelo mas armadas com uma peça de 105mm.
 
A entrega das viaturas ao Exército deverá iniciar-se em 2007 e terminar em 2010 e ao Corpo de Fuzileiros em 2008 e 2009. Caso a opção MGS (Main Gun System) 105mm venha a concretizar-se, as 33 viaturas desta versão deverão ser entregues em 2010 e 2011.
 
Em Portugal será a Fabrequipa, Lda. sedeada no concelho do Barreiro a produzir as viaturas, depois de ter adquirido a firma Gestão de Operações Metalomecânicas, parceiro português da Steyr no início deste processo e de ter sido, em Novembro 2006, autorizada pelo Ministério da Defesa a “…exercer actividades de indústria e comércio de armamento…”.
 
Portugal é o primeiro cliente desta versão da “Pandur” a qual, recente­mente foi também encomendada pela República Checa. Anteriormente vários países já haviam adquirido e utilizado a versão 6x6.
 
 
 
Dia dos Fuzileiros em Vale do Zebro
 

Fotos originais em: http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_dez2006/pag_10.html

 
Na data em que se assinalou os 45 anos da partida para Angola do 1º Destacamento de Fuzileiros Especiais, 11 de Novembro de 1961, o Corpo de Fuzileiros comemorou o seu aniversário na Escola de Fuzileiros em Vale do Zebro.
 
Com a presença do Chefe do Estado-Maior da Armada que impôs no Estandarte Nacional da Escola de Fuzileiros, as insígnias da Ordem Militar de Aviz com que tinha sido recentemente agraciado, e de muitos antigos fuzileiros que nessa data se quiseram juntar ao evento, foi descerrada no Monumento ao Fuzileiro uma lápide com os nomes dos 74 fuzileiros mortos em combate no antigo ultramar português.
 
No seu discurso o CEMA, Almirante Fernando de Melo Gomes, além de aludir ao passado destas unidades de elite da Marinha referiu-se ainda ao presente e ao que a Marinha espera dos seus fuzileiros no futuro. É esta a parte do discurso que se transcreve:
 
“…Entendemos hoje - todos - que o Corpo de Fuzileiros é uma inegável mais-valia para o País. Por isso continuamos a conferir uma elevada prioridade ao seu reequipamento e achamos indispensável e urgente - como já se demonstrou em várias ocasiões - aumentar ao efectivo um navio polivalente logístico, com capacidade orgânica de desembarque a partir de uma doca interior, bem como de operação de helicópteros, de tratamento de feridos e de apoio logístico em larga escala. Assim, a Marinha estará ainda mais apetrechada e pronta para ajudar os Portugueses onde quer que se encontrem, e a dar um contributo de qualidade para as organizações de que Portugal é parte;  no combate, como na ajuda humanitária, na guerra como na paz, na projecção de força, como no auxílio em caso de catástrofe ou acidente. É para este salto qualitativo que há muito deveria ter sido dado, que nos temos e estamos a preparar.
 
Temos uma tradição de prontidão, de espírito de bem servir, de permanente disponibilidade, de procura incessante da excelência, da busca de novas capacidades, tudo para melhor servir Portugal e os Portugueses. Estamos prontos para actuar, sem alarde, onde e quando for preciso, como é norma da Marinha, aliando às capacidades de intervenção no mar, uma capacidade de projectar poder e segurança em terra, vector decisivo em muitíssimas situações no passado recente, e que é hoje mais relevante que nunca.
 
Temos, neste momento de viragem, de mudar mentalidades, criar meca­nismos, eliminar dogmas, refazer doutrinas e procedimentos que nos permitam fazer a transição de uma força apeada e ultra ligeira para uma força motorizada, com maior tecnologia e mais capacidade no campo de batalha, sem nunca perder aquilo que nos distingue: o litoral, a flexibilidade e, sobretudo, a abnegação e a coragem.
 
A aquisição de viaturas blindadas anfíbias de rodas será um grande passo neste caminho que queremos trilhar, com novos e exigentes padrões de desempenho, que iremos experimentar através da participação em forças anfíbias internacionais, como a Força Anfíbia Ítalo-Espanhola (SIAF) e a Força Anfíbia da União Europeia (EUABG). Mas haverá também que, internamente, prosseguir na melhoria constante dos padrões de desempenho operacional, institucionalizando, designadamente, a avaliação das Unidades de Fuzileiros.
 
Por tudo isto, pelo passado, pelo presente e pelo futuro que já podemos antever, estou firmemente convencido de que o Corpo de Fuzileiros irá estar na primeira linha sempre que Portugal precisar “do mar para a terra” de forças prontas, flexíveis e capazes, honrando a memória dos que hoje aqui home­nageámos.
Como bem dizem os Fuzileiros: Fuzileiro uma vez, Fuzileiro para sempre!
A nossa memória não se apagará!
Tenho dito.”
 
Este foi também o dia escolhido pelos fuzileiros para proceder ao lançamento dos quatro volumes da sua História, da autoria do Capitão-de-Fragata Fuzileiro Especial Sanches Baêna (ver Crónicas Bibliográficas), acto muito concorrido e emotivo com que se encerraram as cerimónias deste dia 11 de Novembro de 2006.
 
 
 
Companhias de Comandos agraciadas pela missão no Afeganistão
 
Por decreto do Presidente da República de 14 de Novembro de 2006 as 1ª e 2ª Companhias de Comandos da Brigada de Reacção Rápida do Exército foram agraciadas com a medalha de ouro de serviços distintos.
 
Estas distinções forma concedidas na sequência de louvores atribuídos pelo CEMGFA em 23 de Outubro de 2006, pelo modo como ambas as companhias cumpriram as respectivas missões no Afeganistão. A 2ª Companhia de Comandos foi a primeira a prestar serviço como “Força de Reacção Rápida” ao serviço da força da NATO no Afeganistão, a ISAF, de 10 de Agosto a 17 de Fevereiro de 2006, tendo sido rendida pela 1ª Companhia de Comandos, que terminou a sua permanência no teatro de operações a 29 de Agosto de 2006.
 
Actualmente está no Afeganistão desempenhando a mesma missão, a 11ª Companhia de Pára-quedistas do 1º Batalhão de Pára-quedistas da Brigada de Reacção Rápida do Exército e ainda um Grupo de Controlo Aéreo Táctico da Força Aérea que apoia esta unidade e, quando necessário, outras da força multinacional.
 
 
 
Redução do empenhamento nacional na Bósnia e RD Congo
 
O Conselho Superior de Defesa Nacional de 17 de Novembro último deu parecer favorável a uma proposta do governo que reduz a participação militar nacional em missões internacionais, sobretudo na Bósnia-Herzegovina onde passaremos a ter uma participação simbólica de 12 militares e na RD do Congo onde, como aliás estava previsto desde o inicio da missão, foram retirados a totalidade da força da Marinha (Destacamento de Acções Especiais do Corpo de Fuzileiros) e da Força Aérea (um C-130 da esquadra 501 e pessoal de apoio e segurança), empenhada na missão da União Europeia. Permaneceram neste país africano 2 assessores militares.
 
No Afeganistão a participação portuguesa deverá manter-se inalterada até Fevereiro de 2008 e no Kosovo até final de 2007, altura em que será reavaliada.
 
Em Timor-Leste no âmbito da United Nations Integrated Mission in Timor-Leste manteremos 9 oficiais. No âmbito da NATO participaremos, com meios aéreos e navais, nas operações de Vigilância Aérea do Báltico, na Standing NATO Maritime Group 1 (antes designada STANAVFORLANT) e na Active Endeavour.
 
 
 
“Transformação” do Exército: EPC, RI 8 e EPST
 
A Escola Prática de Cavalaria, transferida para Abrantes no âmbito do processo de “Transformação” do Exército, realizou na Praça Sá da Bandeira naquela cidade, em 17 de Novembro de 2006, uma cerimónia pública para assinalar o seu encerramento. O evento contou com a presença do Presidente da Autarquia que lamentou o facto da cidade “perder” a EPC, mesmo que se preveja a permanência de um espaço museológico dedicado à Cavalaria e à sua participação no golpe militar do 25 de Abril de 1974, evocando a figura de Salgueiro Maia.
 
A 20 de Novembro foi a vez da EPC se apresentar à cidade de Abrantes, com cerimónia pública no Jardim da República também com a presença do Presidente da Autarquia que se congratulou com manutenção de uma unidade militar na cidade.
 
Encerra-se assim, formalmente, a presença militar numa localidade, a terceira até agora a ser concretizada no âmbito da “Transformação” do Exército.
 
Em Elvas o Regimento de Infantaria 8 foi oficialmente encerrado em 30 de Junho último. Nesta cidade também a autarquia se manifestou contra o encerramento e também em Elvas parece estar assegurado, para 2008, a instalação de um núcleo museológico, aqui dedicado à guerra no antigo Ultramar.
 
Na Figueira da Foz, onde funcionava a Escola Prática do Serviço de Transportes, é agora a Guarda Nacional Republicana que ocupa o quartel com o Centro de Formação da Figueira da Foz, tendo também aqui, sido vãs as vozes locais a manifestarem a sua tristeza pela “saída” de uma unidade do Exército da cidade. Na Figueira da Foz a Liga dos Amigos do Cabo Mondego, com patrocínios das Câmaras Municipais da cidade e de Montemor-o-velho e de particulares e apoio da Unidade, publicou um livro da autoria de José de Sousa Monteiro, “Memórias do Quartel”, no qual se relembram episódios da vida das unidades militares que ao longo dos anos estiveram aquarteladas na cidade.
 
 
 
GNR rende contingente em Timor-Leste
 
 

Foto original de: Ricardo Oliveira - GPM

 
A GNR procedeu entre 22 e 25 de Novembro últimos à rendição dos efectivos que integram sua força em Timor-Leste, designada “Subagrupamento Bravo”1.
 
Esta unidade de escalão companhia, composta por cerca de 130 militares da GNR, foi enviada para Timor-Leste com carácter de urgência e a pedido das autoridades timorenses, em Junho de 2006, na sequência da grave degradação das condições de segurança que desde início de Abril se vinham verificando.
 
Este 1º Contingente do “Subagrupamento Bravo”, bem assim como elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP em serviço na Embaixada de Portugal em Díli, apoiaram os esforços da comunidade internacional, nomeadamente a Austrália, Nova Zelândia e Malásia, no sentido de estancar a onda de violência que começava a alastrar pelo país e contra a qual as autoridades locais se revelaram impotentes.
 
Em 26 de Agosto de 2006 o “Subagrupamento Bravo” troca a sua boina do Regimento de Infantaria da GNR pela azul da Nações Unidas e é integrado na UNMIT (United Nations Integrated Mission in Timor-Leste), criada nos termos de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada no dia anterior.
 
Durante a sua permanência em Timor-Leste, este 1º Contingente foi numerosas vezes empenhado em missões de manutenção da ordem pública e outras de carácter policial e ainda na formação e treino da Polícia Nacional Timorense.
 
Por altura da rendição foi anunciado, em Timor-Leste, pelo Primeiro-Ministro do país, que será solicitado às Nações Unidas a duplicação do efectivo da GNR ao serviço desta força multinacional, reconhecendo assim, sem margem para dúvidas, o papel que esta força ali desempenhou e também a instabilidade que ainda grassa no país.
 
O 2º Contingente do “Subagrupamento Bravo”, conta com um efectivo de 140 militares da GNR e ainda 3 elementos civis do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), voltando assim a Guarda Nacional Republicana a adoptar neste particular da assistência médica, para esta missão, o mesmo procedimento que já havia tomado no Iraque.
 
Na UNMIT, além da GNR, participam elementos da PSP, sendo inclusive um português o responsável máximo pela componente policial da missão, e 4 militares como oficiais de ligação.
 
 
 
Companhia de Engenharia chega ao Líbano
 

Fotos do portal do EMGFA (http://www.emgfa.pt/Pages/visualizaconteudo.asp?idconteudo=559)

 
A Companhia de Engenharia que Portugal disponibilizou para participar na missão das Nações Unidas no Sul do Líbano, em 30 de Agosto, e cujos primeiros elementos partiram em 1 de Novembro, em voo comercial de carreira, terminou a projecção da totalidade do seu pessoal e materiais em finais de Novembro, utilizando transportes fretados pelas Nações Unidas: Um avião cargueiro em 3 de Novembro, e um de passageiros em 24 de Novembro e um navio, o “MV Gramosti”, que atracou em Beirute na última semana de Novembro.
 
Esta unidade, que está aquartelada perto da cidade de Tiro, em Shama, seis quilómetros a nordeste de Naqoura cidade onde se encontra o Quartel-General da UNIFIL, bem perto da fronteira com Israel, integra 140 militares e é constituída por: Comando, Unidade se Apoio de Serviços, Pelotão de Engenharia de Construção Horizontal e Pelotão de Engenharia de Construção Vertical.
 
Prevê-se que nas primeiras semanas de Dezembro, após recepcionar todos os seus equipamentos e terminar a instalação, a Companhia de Engenharia possa começar os seus trabalhos, às ordens directas do Comandante da UNIFIL.
 
 
Exercício “Lusíada 2006”
 

Foto da FAP

 
 
No território continental, sobretudo entre S. Jacinto e Ovar, decorreu no período entre 6 e 15 de Novembro, o exercício conjunto “Lusíada 2006”, o único deste tipo e com esta dimensão que se realiza anualmente em Portugal.
 
Tratou-se de um exercício em que, mais uma vez, se testou a Força de Reacção Imediata, accionada pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, num cenário de resposta a uma crise num país fictício, onde cidadãos nacionais estavam em perigo e necessitavam de ser evacuados.
 
Estiveram envolvidos cerca de 1 300 militares dos três ramos e ainda co
laboraram em algumas das fases do exercício, elementos do Conselho Nacional do Planeamento Civil de Emergência, funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Instituto Nacional de Emergência Médica, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, da firma civil ESRI - Portugal Sistemas de Informação Geográfica e alunos do Curso de Pós-Graduação “Os Media, a Segurança e a Defesa”, da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. No âmbito da cooperação militar com o Reino de Marrocos, dois oficiais deste país estiveram a observar o exercício.
 
A direcção estratégica e o comando operacional do exercício articularam-se em Lisboa (EMGFA) e Oeiras (Comando Operacional do Exército), o Comando da FRI esteve localizado no AM 1 em Maceda (Ovar) e o Comando Conjunto de Operações Especiais em Oeiras e S. Jacinto. Estes diferentes “patamares” de comando e condução do exercício estiveram compostos por militares dos três ramos das Forças Armadas.
 
A Marinha empenhou no “Lusíada”, os NRP “Vasco da Gama”, “João Belo”, “Bérrio”, “João Roby” e “Bacamarte”, uma companhia de fuzileiros, um grupo de combate de acções especiais e uma equipa de mergulhadores-sapadores. O Instituto Hidrográfico forneceu a previsão ambiental às forças envolvidas através de uma célula de produção, previsão, compilação e fusão de dados.
 
O Exército envolveu o Regimento de Infantaria Nº 10 (S. Jacinto), uma companhia de pára-quedistas e elementos de operações especiais da Brigada de Reacção Rápida, militares do Regimento de Engenharia Nº 3, da Escola Prática de Artilharia e do Instituto Geográfico do Exército.
 
A Força Aérea disponibilizou o Aeródromo de Manobra Nº 1 (Maceda) e empregou o Centro de Informação Meteorológica e os seguintes meios aéreos: 1 C-130H da Esquadra 501, 1 C-212 “Aviocar” da Esquadra 502, 1 EH-101 “Merlin” da Esquadra 751, 2 Alouette III da Esquadra 552 e 1 P3-P “Orion” da Esquadra 601.
 
Embora passando algo despercebido do grande público, fruto do cancelamento da visita do Presidente da República2, este “Lusíada” representou para as Forças Armadas a possibilidade de testar capacidades novas e continuar o desenvolvimento de alguns projectos. Apenas alguns exemplos: Foi neste exercício que o EH-101 “Merlin” pela primeira vez cumpriu missões de transporte aéreo táctico, primeiro com pára-quedistas da Brigada de Reacção Rápida e depois apoiando uma acção levada a cabo por elementos de operações especiais da mesma brigada e do Destacamento de Acções Especiais do Corpo de Fuzileiros; O Instituto Hidrográfico da Marinha em colaboração com o Instituto Geográfico do Exército e a firma civil ESRI - Portugal apoiaram a constituição de uma célula ambiental do Estado-Maior Conjunto do EMGFA; Foi testada uma aplicação informática para gestão de informação operacional e para apoiar a acção de comando e controlo da Força de Reacção Imediata; Alunos do 1º Curso de Pós-Gradução “Os Media, a Segurança e a Defesa”, foram integrados no exercício, em Oeiras no Comando Operacional, onde participaram no treino de “press-briefing” do comandante operacional, tomaram contacto com os meios à sua disposição para a direcção operacional e, já na zona de acção, acompanharam missões da Marinha (a bordo da fragata “Vasco da Gama”), do Exército (no Centro de Controlo de Evacuados e áreas adjacentes) e da Força Aérea (no Centro de Informação Pública do Comando da FRI em Maceda e a bordo de helicópteros AL III e EH-101).
 
 
Futuro Museu da Artilharia de Costa apresentado no Regimento de Artilharia Antiaérea Nº 1
 
No passado dia 29 de Novembro, em Queluz no RAAA N.º 13, realizou-se por ocasião de mais um encontro evocativo do extinto Regimento de Artilharia de Costa (RAC), a apresentação do futuro Museu da Artilharia de Costa.
 
Na ocasião o Presidente da Comissão Executiva para a Instalação do Museu da Artilharia de Costa, Coronel Tir. Art José Augusto Moura Soares, fez um “ponto da situação” sobre este processo que, após cerca de 4 anos de trabalho, se aproxima de uma fase crucial: A assinatura de um Protocolo entre a Câmara Municipal de Cascais e o Exército Português que vai definir muitos dos aspectos relativos ao Museu a instalar na antiga Bateria da Parede. É convicção da Comissão Executiva que o referido protocolo será muito em breve assinado e só motivos de força maior impediram a sua assinatura na data deste encontro evocativo.
 
Sendo um processo em desenvolvimento, todas as ajudas para contar a História da Artilharia de Costa em Portugal serão recebidas com interesse pela Comissão Executiva, a qual pode ser contactada no RAAA 1 através do endereço postal, Largo do Palácio, 2795-191 Queluz, telefone 21 4343485, ou dos seguintes endereços de e-mail: ceimac@hotmail.com; raaa1@mail.exercito.pt; berger.jpr@mail.exercito.pt.
 
 
EH-101 “Merlin” substitui o SA-330 “Puma” nos Açores
 

 
 
A Força Aérea terminou em 30 de Novembro o processo de substituição dos helicópteros SA-330 “Puma” pelos EH-101 “Merlin” com a entrada em serviço, na Base Aérea Nº 4 (Lages), de 3 destas novas aeronaves, que passam a constituir um Destacamento da Esquadra 751 da Base Aérea Nº 6 (Montijo)
 
Os “Puma” que agora terminam 36 anos de serviço na Força Aérea, realizaram 70 mil horas de voo, na guerra em África e em Portugal, muitas das quais em missões de busca e salvamento no mar.
 
Na Região Autónoma dos Açores os SA-330 “Puma” realizaram 26 000 horas de voo em 2 959 missões das quais 2 307 foram de transporte de doentes entre as nove ilhas do arquipélago. Realizaram ainda 332 missões de busca e salvamento e 320 resgates de navios, nos quais transportaram 375 doentes ou náufragos.
 
Na cerimónia oficial que se realizou nas Lages com a presença do Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General PilAv Taveira Martins, foi feita a imposição das insígnias de Membro Honorário da Ordem do Infante no Estandarte Nacional da BA 4, distinção concedida a esta unidade pelo Presidente da República.
 
Na mesma data a Força Aérea realizou um emotivo encontro com os portugueses que… nasceram a bordo de helicópteros “Puma” nos Açores. Foram 16 crianças, a mais velha hoje com 12 anos e a mais nova com 6 meses, cuja maternidade foi um SA-330 “Puma” com a “Cruz de Cristo” na fuselagem.
 
Logo no dia 2 de Dezembro, o EH-101 cumpriu, entre as 11H00 e as 23H00, três missões de evacuação sanitária de urgência sendo a primeira, no trajecto Lages-Horta-Ponta Delgada-Lages, a de uma criança com dois dias de vida que teve que ser transportada numa incubadora, a segunda, no trajecto Lages-São Jorge-Angra do Heroísmo-Lages, de um adolescente e a terceira, no trajecto Lages-Santa Maria-Ponta Delgada-Lages, de uma senhora em trabalho de parto e que foi mãe de uma menina durante este voo. Em todas estas evacuações os pacientes foram assitidos a bordo por equipas médicas da Unidade de Evacuações Aéreas do Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo. Este dia fica assim para a História da Força Aérea nos Açores como o da primeira missão de evacuação e o primeiro nascimento a bordo. Está inaugurada a maternidade EH 101 “Merlin”.
 
 
Força portuguesa termina missão na República Democrática do Congo
 
No passado dia 1 de Dezembro regressou a Portugal a força portuguesa que havia integrado a missão da União Europeia no Gabão e República Democrática do Congo.
Como foi noticiado anteriormente nestas Crónicas4 a força portuguesa esteve integrada na EUFOR, uma força da União Europeia constituída para apoiar a missão das Nações Unidas naquele país africano, a MONUC, no período eleitoral.
 
O C-130 da Força Aérea Portuguesa e os 17 militares deste ramo bem assim como os 24 elementos do Corpo de Fuzileiros, a maioria do Destacamento de Acções Especiais, estiveram estacionados no Gabão desde Julho último, embora em locais e com missões naturalmente diferenciadas. No decurso da operação uns e outros, integrados em componentes multinacionais, foram por diversas vezes empenhados em acções no interior da República Democrática do Congo.
 
 
General Luís Vasco Valença Pinto toma posse como CEMGFA
 

 
Em 5 de Dezembro de 2006, tomou posse no cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o General Luís Vasco Valença Pinto.
 
Foi em 17 de Novembro último no final da reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional que foi anunciado oficialmente ter o Presidente da República nomeado, por proposta do governo, o General Luís Valença Pinto, Chefe do Estado-Maior do Exército, para o desempenho deste cargo, o mais elevado da hierarquia militar.
 
O General Valença Pinto substitui o Almirante Mendes Cabeçadas que abandonou o cargo a seu pedido, depois de ter sido reconduzido em Novembro de 2005 por um período de tempo até dois anos. Por seu lado o General Valença Pinto desempenhava as funções de CEME desde 2003 tendo em Agosto último visto também o seu mandato ser prorrogado.
 
 
 
Notícia “Dia da Brigada de Reacção Rápida” - Correcção
 
A notícia alusiva ao “Dia da Brigada de Reacção Rápida” publicada na edição de Outubro de 2006, Nº 2457, na página 1147, apresenta um lapso no respeitante à sua constituição, do qual apresentamos desculpa aos nossos leitores e que agora se corrige. Na relação das unidades que constituem esta brigada falta incluir a Escola de Tropas Pára-Quedistas. Assim a BRR, de acordo aliás com a legislação publicada no âmbito da chamada “Transformação” do Exército (Despacho n.º 12555/2006 do MDN de 24 de Maio, publicado no Diário da República II Série 16JUN2006), é constituída por:
Comando e Gabinete (Tancos); Estado-Maior (Tancos); Unidade de Apoio (Tancos); Escola de Tropas Pára-Quedistas (Tancos); Centro de Tropas Comandos (Mafra); Centro de Tropas de Operações Especiais (Lamego); Regimento de Infantaria Nº 3 (Beja); Regimento de Infantaria Nº 10 (S. Jacinto); Regimento de Infantaria Nº 15 (Tomar); Unidade de Aviação Ligeira do Exército (Tancos).
 
 
*      Tenente-Coronel SG Pára-quedista. Sócio Efectivo e Secretário da Assembleia Geral da Revista Militar.
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 1 No respeitante à designação dos contingentes que envia para as missões no estrangeiro a GNR tem adoptado o procedimento de manter numa mesma missão a designação, mesmo quando o pessoal é rendido. No Iraque manteve o “Subagrupamento Alfa” desde Novembro de 2003 a Fevereiro de 2005 em e em Timor-Leste, no âmbito da UNTAET a “Companhia de Reacção Rápida” de 2000 a 2002.
 
 2 O PR deveria deslocar-se de Lisboa para o AMI em P-3P “Orion” mas as condições meteorológicas extremamente adversas não permitiram a descolagem da aeronave.
 
 3 O Regimento de Artilharia Antiaérea Nº 1 é o herdeiro das tradições militares e do património histórico dos extintos Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa, Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea de Cascais e do RAC.
 
 4 Revista Militar n.º 2457 - Outubro 2006, páginas 1143 e 1144.
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2007-02-18
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REVISTA MILITAR @ 2017
by CMG Armando Dias Correia