Nº 2471 - Dezembro de 2007
Comunicação, instrumento decisivo, aos mundos Nação, Estado e Instituição Militar
Coronel
António de Oliveira Pena
Introdução
 
O artigo procura sensibilizar, militares e civis, envolvidos nas problemá­ticas de Segurança e Defesa e as pessoas, a todos os níveis, interessadas em abordar questões relacionadas com Nação, Estado e Instituição Militar, para considerarem a Comunicação instrumento decisivo para obter sucesso das suas propostas.
 
Numa primeira parte abordaram-se os mundos existentes nas áreas de informação, comunicação, relações públicas e protocolo, tanto do lado militar, alguns órgãos e pessoas como do campo dos media, alguns jornais e jornalistas. O espaço destinado ao artigo não permite análises profundas e respectivas conclusões havendo da recolha importantes pistas justificadoras de rápida necessidade, por ambas as partes, de melhorar as respectivas formas de comunicar, ou seja, a justificação do novo modelo de mediação.
 
A seguir apresenta-se, com o pormenor que o espaço permitiu, as bases do processo de comunicabilidade que se tem vindo a trabalhar desde 1994, quando se iniciou o curso de mestrado na FCSH/UNL, e de certo modo se consolidou com a aprovação da tese de doutoramento sobre o assunto, em 23 de Janeiro de 2006.
 
Os muitos mundos da actualidade portuguesa, nomeadamente os relacionados com a Instituição Militar, atravessam turbulências que se podem minimizar com outras posturas de comunicabilidade por parte dos decisores, aos mais diversos níveis e âmbitos.
 
O artigo, nesta parte, apresenta três exemplos de assuntos relevantes de âmbitos diferentes, mundial, português e apenas da Instituição Militar, que podem ser resolvidos com processos de comunicação adequados, mas muitos outros se podiam sugerir como difíceis de ultrapassar a curto prazo.
 
 
1.  Aspectos conceptuais.
 
Nos últimos anos, em ambientes de democracias mundiais e portuguesa, tem havido a preocupação nos Estados e nas Empresas de Comunicação Social, em melhorar o tratamento e a apresentação da Informação relacionada com a Segurança e Defesa. Ao mesmo tempo no âmbito das Ciências Comunicação, como produtoras de comunicabilidade adequada a provocar alte­rações de comportamento, pouco se tem estudado.
 
 Este trabalho orienta-se no sentido de valorizar a Comunicação como instrumento privilegiado para facilitar a compreensão e provocar o assumir, por parte dos respectivos auditórios, desde a própria pessoa, uma única, ou todo um povo de determinada região, país, união (UE) ou mesmo mundo, do assunto emitido.
 
O tema deste Número Especial da Revista Militar, “Nação, Estado e Instituição Militar”, foi abordado por especialistas de elevada sabedoria, havendo trabalhos inspiradores de mais investigação por parte dos campos militar e académico, ao mesmo tempo, que por si só, desenvolvem questões que importa desde já serem assumidas pelos respectivos alvos.
 
A tarefa deste escrito consiste em fornecer pistas, um novo modelo, para auxiliar os autores a fazerem cumprir as suas recomendações.
 
Estamos em tempo de mudança nos conceitos, emoções e relações (…) fala-se numa nova era (…). A data para o seu início tem sido sucessivamente alterada conforme acontecimentos e conveniências de perspectiva: (…).
 
Como elas (as diversas datas/realizações) influenciam novos arranjos da geopolítica (O mundo ocidental vive a emoção do medo, o mundo árabe e muçulmano vive a emoção da humilhação, grande parte do mundo asiático vive a emoção da esperança e o mundo africano, com crescentes assimetrias na sua inserção numa sociedade global, vive a emoção da solidão) ou novos arranjos no relacionamento entre grupos da Nação quando aparecem e se alimentam emoções de privilegiados ou rejeitados.1
 
Ou ainda do mesmo artigo. “Em tempos de grandes modificações da sociedade, a Instituição Militar adquire o estatuto de instituição de sobrevivência em que o espírito de corpo que a distingue tem funcionado como sentinela de alerta para os sinais que podem afectar as raízes históricas da unidade nacional e dos seus valores. Não é por acaso que as tentativas de conquista começam por avaliar e destruir o espírito de corpo que caracteriza as instituições militares do sistema a conquistar.”2
 
A postura actual da Instituição Militar relacionada com o controlo da informação a disponibilizar respeitante a disposições bélicas, estratégicas ou mesmo tácticas, é de abertura (censura prévia limitada), tendo presente que os conflitos são localizados, diversificados, envolvem no seu dia-a-dia a opinião pública, e, principalmente, a liberdade de comunicar das pessoas em geral, e dos próprios militares envolvidos nas operações, são facilitadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Este quadro de conhecimentos e práticas, para funcionar com eficácia recomenda o envolvimento de especialistas de comunicação nos órgãos militares do âmbito da Segurança e Defesa empenhados em actividades de “Comunicação, Relações Públicas e Protocolo”. Por outro lado importa haver apetência pela comunicação por parte dos militares opinion makers. Ao mesmo tempo, a exemplo do que se passa em Espanha, poderia desenvolver-se o perfil do jornalista de Segurança e Defesa, havendo conhecimentos e práticas das ciências e vivências militares, extensivos aos muitos outros comunicadores civis sobre esta temática.
 
Para cumprir o objectivo respeitante à observação sobre o que se publica na imprensa, relacionado com a Instituição Militar, durante o mês de Outubro e primeiros dias de Novembro, analisaram-se os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Público e Correio da Manhã, os semanários Expresso e Sol, as revistas Visão e Sábado e os gratuitos disponíveis. Neste período estudaram-se alguns programas apresentados na RTP, nomeadamente o “Prós e Contras” de 15 de Outubro sobre a “Guerra do Ultramar/Guerra Colonial” e os primeiros episódios sobre o documentário “A Guerra”.
 
Em termos de simples recolha de opinião, não implicando base suficiente para obter resultados científicos, fizeram-se inquéritos (simples) a jornalistas e militares. Para recolher elementos observou-se o trabalho realizado pelo EME, tendo havido consultas aos sítios na Internet e visita à “Repartição de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo”.
 
O inquérito enviado por e-mail aos jornalistas (sem insistência nem contacto prévio) obteve as respostas suficientes para este artigo, havendo da parte do DN e Expresso, alta qualidade e prontidão. Os correios foram semelhantes, mas preparados caso a caso. Os enviados ao DN e Expresso transcrevem-se para se ficar a saber o que se perguntou, mas também por incluírem aspectos de comunicação importantes ao sucesso.
 
From: António Pena [mailto:antoniopena@netcabo.pt]
Sent: segunda-feira, 5 de Novembro de 2007 21:27
To: Manuel Carlos Freire (DN/de)
Subject: Revista Militar.
 
Caríssimo Jornalista Manuel Carlos Freire, diariamente estudo as peças que apresenta no DN e já nos conhecemos numa reportagem de elevada Sabedoria que em tempos fez na Universidade Lusófona respeitante a uma Conferência de Especialista Convidado na minha aula. Como se pode observar no resumo curricular, continuo activo em todas as frentes. Esta vinda à tentativa de contacto tem a ver com um artigo para a Revista Militar, “COMUNICAÇÃO, instrumento para interligar, Nação, Estado e Instituição Militar.” ou “A COMUNICAÇÃO nos mundos Nação, Estado e Instituição Militar”. Para fundamentar uma das partes agradecia que o Jornalista Manuel Carlos Freire me informasse do seguinte:
 
1.  No DN o Jornalista Manuel Carlos Freire é único em termos de Especialista para os assuntos de Segurança e Defesa?
 
2.  O DN (Jornalista Manuel Carlos Freire) para construir as peças sobre o assunto, em termos de qualidade e quantidade pode ordenar as preferências das Fontes de Informação; MDN, EMA, EME, EMFA, Associações de Militares (AOFA, ANS, ASMIR, outras), GNR e PSP?
 
3.  Em termos de nível de atendimento, em relação às Fontes indicadas em 2 seria possível ordenar as preferências?
 
4.  No respeitante ao atendimento e sequente eventual concretização para reportagens junto de militares que prestam serviço em Portugal ou em Operações no Estrangeiro, o DN tem encontrado facilidades dos MDN, EMA, EME e EMFA?
 
5.  O Jornalista Manuel Carlos Freire pode indicar aspectos gerais da percepção dos portugueses sobre as Forças Armadas?
 
Obrigado, desculpe.
Para ficar a saber onde estou ocupado indico alguns aspectos do currículo.
Saudações muito respeitosas,
António Pena.
 
From: António Pena [mailto:antoniopena@netcabo.pt]
Sent: segunda-feira, 5 de Novembro de 2007 22:22
To: Luisa Meireles (Sojornal)
Subject: Revista Militar.
 
Caríssima Jornalista Dra Luísa Meireles desde há muito estudo as peças que apresenta no Expresso, jornal que leio (em papel) desde o primeiro número.
Este e-mail tem a ver com um artigo para a Revista Militar, “COMUNI­CAÇÃO, instrumento para interligar, Nação, Estado e Instituição Militar.” ou “A COMUNICAÇÃO nos mundos Nação, Estado e Insti­tuição Militar”. Para fundamentar uma das partes do artigo agradecia que a Dra Luísa Meireles me informasse do seguinte:
1.  No Expresso a Jornalista Luísa Meireles é única em termos de Especialista para os assuntos de Segurança e Defesa?
2.  O Expresso (Jornalista Luísa Meireles) para construir as peças sobre o assunto, em termos de qualidade e quantidade pode ordenar as preferências das Fontes de Informação; MDN, EMA, EME, EMFA, Associações de Militares (AOFA, ANS, ASMIR, outras), GNR e PSP?
3.  Em termos de nível de atendimento, em relação às Fontes indicadas em 2 seria possível ordenar as preferências?
4.  No respeitante ao atendimento e sequente eventual concretização para reportagens junto de militares que prestam serviço em Portugal ou em Operações no Estrangeiro, o Expresso tem encontrado facilidades dos MDN, EMA, EME e EMFA?
5.  A Jornalista Dra Luísa Meireles pode indicar aspectos gerais da percepção dos portugueses sobre as Forças Armadas?
 
Obrigado, com parabéns pelo trabalho da Dra Luía Meireles no Expresso, pede desculpa pelo incómodo,António Pena.
NOTA: Para ficar a saber onde estou ocupado indico alguns aspectos do currículo.
 
Resumo curricular (Novembro2007):
- Nascimento: 1936.
- Coronel TecnManTm/Exército (Situação de Reforma, antiguidade, 01Janeiro1995).
- Doutor em Ciências da Comunicação, especialidade de Comunicação e Ciências Sociais, desde 23 de Janeiro de 2006, com a tese; “A Comunicação como forma para reduzir a Incerteza em situações complexas de Decisão” [Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL)].
- Mestre em Ciências da Comunicação (FCSH/UNL - 1994/1997).
- Licenciado em Comunicação Social (FCSH/UNL - 1988/1993).
- Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação)
    * disciplina de Motivação e Liderança, curso de licenciatura “Informática de Gestão” (1ºSemestre);
    * disciplina de Comunicação Interna, curso de licenciatura “Comuni­cação Aplicada: Marketing, Publicidade e Relações Públicas” (2ºSemestre);
    * integra os Conselhos Científico e Pedagógico da Escola e das disciplinas.
    * Investigador no Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT) da Universidade.
- Professor na Academia Militar: curso de Pós-Graduação (mestrado em aprovação), Guerra da Informação/Competitive Intelligence (disciplina, Media e Opinião Pública);
- Sócio Efectivo da Revista Militar (1993). Director-Gerente do Executivo da Direcção desde 2001.
- Sócio Fundador da Associação 25 de Abril (1982).
- Sócio Fundador da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (1997).
- Leitor na Paróquia de Paço de Arcos e membro do Conselho Pastoral (coordenador do Grupo: Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso).
 
No respeitante ao inquérito realizado a militares em serviço (quantidade reduzida) obtiveram-se respostas de qualidade e rápidas, como se mostra no seguinte exemplo.
 
Inquérito
 
   1. Tem conhecimento de acções de Informação Interna provenientes de entidades superiores em princípio divulgadas no Jornal do Exército, na Intranet do Exército ou em Acções de Comando?
Principalmente as divulgadas no Jornal do Exército já que no serviço não há acesso há intranet.
 
   2. É convidado para eventos de natureza militar que se realizam em Unidades/Órgãos onde prestou serviço?
Sim normalmente sou com alguma frequência.
 
   3. Acompanha as realizações militares divulgadas nos órgãos de comunicação social? Em caso afirmativo quais os que habitualmente consulta?
Sim com mais frequência as divulgadas na TV, e jornais DN e Público.
 
   4. Em termos gerais considera-se bem informado sobre a realidade militar portuguesa da actualidade?
Sim penso que sim, apesar de neste momento não ser nada fácil estar bem informado com tantas alterações.
 
   5. No ambiente das suas relações familiares e de amizade é frequente abordar questões militares da actualidade dos âmbitos português, europeu ou mundial?
Mais nas relações de amizade.
 
   6. A Revista Militar interessa à Comunicação Interna do Exército? E à Comunicação Externa?
Eu penso que sim, já que aborta temas de fundo até para quem prepara ou faz alguns estudos mais aprofundados e se prepara até para teses de doutoramento.
 
   7. Para melhorar a Comunicação Interna realizada no Exército o que sugere?
Eu acho que há muita restrição à divulgação de certas informações, essenciais à vida dos militares neste momento, mais concretamente à situação de passagem à reserva e na assistência à doença.
 
   8. Para melhorar a Comunicação Externa do Exército o que sugere?
Devia haver mais comunicação na TV já que é o meio de maior audiência, mas também o mais dispendioso.
 
   9. Em termos de passagem pelo Exército (contrato temporal) recomen­dava essa oportunidade a familiares e amigos?
Não é fácil recomendar uma coisa que não tem qualquer hipótese de ter continuidade.
 
  10. Recomendava o ingresso no Exército (Quadros Permanentes de Ofi­ciais e de Sargentos) a familiares e amigos que solicitassem a sua opinião?
Sim com certeza, até porque é uma profissão que ainda têm alguma credibilidade nesta sociedade cada vez mais egoísta e continua com bons valores morais.
 
Na troca de impressões realizada como o Chefe da Repartição de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo do EME, abordaram-se as questões previamente apresentadas por e-mail, nomeadamente:
 
“  1.     Existem cursos do âmbito da Comunicação Social no IESM, AM ou outras Escolas das FA, ou disciplinas sobre o assunto em alguns cursos de formação ou qualificação?
 
2. Existe alguma Especialidade Militar do âmbito da CS, para militares profissionais ou para contratados?
 
3. As FA ou o Exército organizam, ou participam, em cursos em organismos militares ou civis sobre este âmbito?
 
4. Os Oficiais, outros militares ou civis, que prestam serviço na Repartição têm algum curso deste âmbito obtido nas FA ou no mundo académico civil?
 
5. Como se organiza e entrega o Dossier de Imprensa, o que contém, por exemplo numa Cerimónia como foi o recente “Dia do Exército”, gostaria de observar um exemplar.
 
6. Em termos de Protocolo gostaria de conhecer as normas de organi­zação das tribunas ou salas, por exemplo posicionamento relativo de Coronéis Antigos Comandantes no ‘Dia da Unidade’ para que foram oficialmente convidados e posicionamento relativo de Tenentes-Generais Antigos Comandantes da Academia Militar em cerimónias da AM para que foram oficialmente convidados.”
 
Para organizar o trabalho também se obteve colaboração (através de e-mails) do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas do MDN, com base nas questões que se salientam:
 
“1. Existem cursos do âmbito da Comunicação nas FA?
 
2. As FA organizam, ou participam, em cursos em organismos militares, ou civis, sobre este âmbito?
 
3. Os Oficiais, outros militares ou civis que prestam serviço no “Gabi­nete”, têm alguns cursos, deste âmbito nas FA ou no mundo académico civil?
 
4. O MDN prepara “Dossier de Imprensa” para alguma cerimónia do âmbito militar? Em caso afirmativo o que contém o dossier?”
 
Na sequência do conjunto de troca de impressões, que vai ser sugerido para ajudar em trabalhos de profundidade a realizar nos mundos militares e académicos, resulta como mais relevante: A certeza de haver muito interesse em melhorar os aspectos de comunicação servidores da interligação dos mundos Nação, Estado e Instituição Militar; A impressão de disponibilidade dos militares que prestam serviço nos órgãos desta área em se envolverem (Aprendizagem) nas Ciências da Comunicação; A confirmação da existência de boa rede tecnológica (TIC), só por si, potencial a merecer melhor aproveitamento, nomeadamente alargamento das intranets a mais utilizadores e aumento de conteúdos na internet.
 
Ainda se verificou a necessidade de se ir construindo, nos aspectos de melhor e permanente comunicabilidade, o referido pelo General CEME, em Leiria, no Dia do Exército de 2007. “A prestação de serviço nas fileiras tem de ser atractiva para as camadas mais jovens da população, por forma a que o objectivo estrutural do Exército em pessoal possa ser atingido, quer pela existência de incentivos estimulantes e motivadores, (…) Neste sentido realço o Programa de Educação e Formação do Exército (PEFEX), destinado aos voluntários e contratados, que visa conferir aos nossos militares uma formação profissional, e a possibilidade de obterem, através do Centro de Novas Oportunidades do Exército o diploma do 12ºano, num precioso contributo para o combate à iliteracia e para o reforço das qualificações dos activos nacionais.”
 
No espaço dedicado aos Aspectos conceptuais considera-se pertinente deixar referências sobre o poder e influência dos media nesta época de crescente ambiente de megamedia e cibermedia.
 
As premissas de comunicabilidade do século XXI continuam as anteriores: Os processos comunicativos são assimétricos; a comunicação é individual e intencional e os processos comunicativos episódicos.
 
Na interacção entre media, políticos, militares e outros públicos, a realidade pode alterar-se rapidamente deixando registos de informação aproveitados por relações públicas, assessorias e opinion makers, para orientarem os seus públicos para opções determinadas.
 
O poder dos jornalistas motiva análises, mas certos pressupostos dificultam estudos científicos sobre o tema estudado exaustivamente, mas em visão resultante de muita observação destaca-se: ideia de que discutir a prática jornalística constitui ataque à liberdade de imprensa; o jornalista ainda não se insere em profissão organizada em termos de obrigatoriedade de cursos ou práticas académicas propiciadoras de diploma para ingressar na profissão (analisar veto Presidencial recente); o trabalho jornalístico deve ser compreendido no âmbito de interacções próprias das redacções e das fontes; exigência do domínio de certas definições, por exemplo, o que é, ou não, notícia, formas de escrita, titulagens e o “saber fazer” dos jornalistas obtém-se em ambiente de ligação à hierarquia e aos colegas, sendo, de um modo geral, baseado nas estratégias comerciais da empresa onde se insere o meio onde trabalha.
 
A informação simplesmente transmitida, não trabalhada nem repetida com insistência e por meios diversificados, pouca alteração de comportamento produz na opinião pública. As pessoas confiam demasiado nas orientações fornecidas pelas elites de permanência frequente nos media.
 
O relato jornalístico, enquanto discurso de apreensão e expressão do real, emerge, consequentemente, como uma reconstrução da realidade, e não como uma reprodução da realidade.”3
 
Os jornalistas escolhem determinado enquadramento para apreciação dos factos e não um leque alargado. A inteligibilidade dos acontecimentos consegue-se reconstruindo as estruturas através da sua contextualização e enquadramento, daqui a subjectividade e influência ideológica.
 
Actualmente existe “ataque a redes” estando a sociedade em geral e as crises/guerras, dependentes das tecnologias pelo que importa trabalhar esta arma. A “rede” (Internet, Net ou WWW) constitui-se braço armado da globalização sendo o instrumento principal da “Informação/Comunicação” e o medium que melhor permite fluxos multilaterais (mensagens e retornos) que se devem utilizar e divulgar, embora sabendo tratar-se de meio fácil de explorar (o segredo já não é a alma do negócio) e difícil de controlar.
 
Para lidar com estes media refere-se Nuno Rogeiro, “Ciber-ataque e ciber-defesa: a novíssima guerra” nos aspectos relacionados com política e comunicação, “E parte da análise política moderna procura, como se sabe, averiguar do papel da ‘mediacracia’ da comunicação social - que influencia, mas não governa - na tomada final de decisões por parte da ‘mediacracia’ dos intermediários políticos, que governa, mesmo que não influencie.
Em geral, a resposta tem sido a de que a abertura ‘mediocrática’ da comunicação às novas tecnologias, torna mais difícil - senão mesmo impossível - qualquer tipo de controlo social por parte dos mediadores políticos”.4
 
Os caracteres disponíveis para construir este artigo, podiam impedir que se apresentassem aspectos de “jornalismo de proximidade” e questões de deontologia dos media.
 
No primeiro, a marginalização de que se reveste a informação local, em temas políticos, sociais, económicos e históricos, devido aos ambientes de comunicabilidade próximos, onde todos se conhecem, no respeitante aos assuntos militares da região sucede o contrário, havendo divulgação e tratamento profundo de alguns assuntos. As tecnologias colocam nas casas (cidades, vilas, aldeias, lugares, quintas, vivendas isoladas na floresta, palheiros e corpo/telefone celular) informação e potencialidades para comunicar cada vez melhor, criando visibilidade mundial em tempo real. “A globalização é um espaço de geografia e de geometria variáveis. Porquê então insistir tanto na questão do território e da desterritorialização? O nosso pressuposto é o de que não podemos falar de globalização sem definirmos, à partida, de onde olhamos essa globalização. Dentro dessa geografia variável, escolhemos o território como ponto de referência ainda que não como ponto de ancoragem. A noção de território é aqui assumida como um espaço atravessado por uma espacio-temporalidade própria que marca a natureza fenomenológica”.5
 
No âmbito da deontologia, relevar as verdades; estudos académicos estão a provocar conclusões para além da vivência corrente do jornalismo, apontando para que se desenvolva, sugerindo alguns, a criação em Portugal de Ordem dos Jornalistas. Para além de outras pistas deontológicas relevam-se as recolhidas na obra de Claude-Jean Bertrand, “A Deontologia dos Media”. As questões de deontologia generalizada exigem liberdade para escolher, cultura e disponibilidade económica, só existindo liberdade política com aqueles dois pilares do bem-estar alcançados.
 
No acesso à Internet Portugal está acima da média europeia e nos blogues, após um desenvolvimento inicial muito abrangente, viveu-se em 2005 uma certa acalmia, mas agora (finais de 2007) a blogosfera continua a garantir automaticamente a todos a difusão de mensagens sendo um novo mundo que habita a internet.
 
Estas valências são importantes para adquirir, e manter, poderes, desenvolvimento (também cultural) e riqueza, resultantes da possibilidade (capaci­dade) de participar nas mais diversas redes.
 
Para terminar aspectos conceptuais, para justificar o acesso a novo modelo de mediação, para melhorar as questões referidas, considera-se de alguma oportunidade referir Fernando Pessoa na sua visão sobre o perfil do servidor público, “’Salvo para carreiras militares, nenhum homem de verdadeira energia e ambição entra para o serviço fixo do Estado.’ Porque não há ali caminho para a energia nem para a ambição, diz.”6
 
 
2.  A importância da Comunicação nos mundos, Nação, Estado e Instituição Militar - novo modelo de mediação
 
A influência da Comunicação, nomeadamente das Tecnologias de Infor­mação e Comunicação (TIC), é decisiva para os êxitos empresariais, económicos e das mais diversas gestões e lideranças, onde se integram as políticas e militares.
 
A literacia mediática é da maior importância para fazer da comunicação instrumento privilegiado à Aprendizagem e ao Conhecimento, conceitos e práticas necessárias para obter consensos e participação correcta nas problemáticas decisórias, ultrapassando enviesamentos por disponibilidade de informação e por enquadramento, hoje constantes no espaço mediático português e mundial.
 
A nova literacia (Relatório da UNESCO de 2005) é transformação mais contextual e social que individual, desenvolve-se em ambientes caracterizados por documentos escritos, (livros, revistas e jornais), materiais visuais (posters, flyers, avisos e anúncios) e medidas electrónicas (rádios, televisões, compu­tadores e telemóveis). Estes ambientes permitem que os cidadãos expressem as suas ideias, façam aprendizagens efectivas, participem na comunicação escrita, que distingue as sociedades democráticas na forma de partilhar conhecimentos”. (Parágrafo retirado da comunicação, “A luta dos jornais de papel para atraírem os leitores da geração digital: uma guerra perdida ou um mundo de oportunidades”, proferida pela Prof Doutora Cristina Ponte, da FCSH da UNL no “5ºCongressoSOPCOM”, realizado em Braga (06/07Set07).
 
O parágrafo anterior é importante e alarga o âmbito da literacia, mas agora, 2007, importa acrescentar o desenvolvimento em curso na União Europeia (UE), nos Estados Unidos da América (EUA) e noutros países, da “Comunicação e Cultura Inclusivas”. Esta disciplina tem como objectivo essencial melhorar a partilha de conhecimento pelo aumento do apetrechamento mental dos seres humanos, procurando atingir metas de igualdade de oportunidades no acesso à informação, comunicação e sequente conhecimento. Este desafio à ciência no sentido da dinamizar o saber tecnológico nos âmbitos sensoriais, cognitivos, motores e outros, das pessoas com deficiência, refere-se neste trabalho sobre as problemáticas de Comunicação, tendo em vista promover a eliminação das barreiras que dificultam a Qualidade de Vida de muitos deficientes das Forças Armadas.
 
A Informação/Comunicação, dinamizadora de Aprendizagem e de Conhecimento, proporciona boa ligação entre a forma de trabalhar a política e as vivências individuais, nos aspectos morais e éticos, passando a haver dificuldade em mentir e melhor transparência nos viveres (solitário, de trabalho, familiar e de lazer), aspectos essenciais quando se procura cientificar neste número da Revista Militar o mundo Nação, Estado e Instituição Militar.
 
A Esfera Pública (EP) dispõe de organismos de vários tipos e constitui-se em instituições/organizações/espaços exteriores ao Estado servindo de palco de interesses comuns, formando opinião que influencia a política, mas o Estado é agente relevante na construção da sociedade civil, através da sua influência na EP, ajudando a dar voz aos cidadãos.
 
Os media portugueses possuem largo conjunto de opinion makers, principais responsáveis pelo discurso dos media. Alguns acumulam em diversos campos constituindo-se força de pressão, modelando o discurso na sociedade, construindo a realidade social, de certo modo perpetuando o seu grupo social. Ao recrutamento destes comunicadores talvez fosse de começar a seguir o conceito de partilha no sentido de cumprirem mandatos de dois/três anos.
 
Ao longo dos tempos a relação entre o campo dos media e a opinião pública foi privilegiada, mas actualmente é decisiva à mediação social. A realidade, público, concretiza-se em correntes de opinião formando ideias semelhantes em elevado quantitativo de pessoas sendo conseguida pela comunicação social. A opinião pública é complexa e ambivalente, por vezes origina conflitos éticos, mas desempenha função política quando dispõe de legitimidade ao nível das relações sociais, agindo como agente de mediação simbólica nos diferentes contextos da vida social. No aspecto de campo dos media da actualidade (2007), tendo em consideração o público alvo deste artigo, importa referir para consulta/estudo o desenvolvimento do blogue, como novo meio comunicacional de elevada influência na EP.
 
A diversidade e quantidade de meios de comunicação da actualidade fazem da Atenção um Bem, que os editores, e todos nós de alguma forma comunicadores, procuram conquistar por ser hoje Bem Escasso no mundo imerso em abundante comunicabilidade.
 
Nas sociedades democráticas o campo dos media é dos mais activos construtores da realidade sendo do maior interesse ao processo social, posturas inovadoras, práticas correctas e novas lideranças.
 
O problema da Comunicação é omnipresente. Tudo, hoje em dia, é comunicação, do comércio à política. Quanto ao desenvolvimento de uma ciência da comunicação, ainda não atingimos a maturidade. Estamos no balbuciar de uma Ciência da Comunicação.7
 
Para promover melhorias na comunicabilidade tendo em vista gerir a mudança no espaço público, nomeadamente servir de instrumento aos autores dos trabalhos de base científica respeitante ao tema, apresentados neste número especial e a outros que trabalham as problemáticas “Nação, Estado e Instituição Militar”, considera-se conveniente apresentar um novo modelo de mediação, salientando-se como base de partida:
 
- Quem terá interesse no nosso trabalho?
- Quais são os sistemas mais capazes de o comunicar? Quem está em melhor posição para nos ajudar a alterar comportamentos em relação a determinado assunto?
- Pensar é organizar. Organizar é hierarquizar para facilitar a decisão.
- Os conhecimentos e as experiências, interligadas a partir do agir, integram o conjunto de relações; sendo agir, agir sobre e agir com (os outros). Estes mundos integram coerência e partilha de saberes/poderes.
 
O modelo de comunicabilidade aprovado em provas de doutoramento realizadas em 23 de Janeiro de 2006, na FCSH/UNL, constrói-se a partir de contributos da Teoria da Argumentação, da Pragmática, da Técnica, de modelos valorizantes da Relação Sistema-Meio e de Critérios Epistémicos caracterizadores de racionalidades.
 
O conjunto aplica-se a qualquer assunto interligando os cinco paradigmas [que devem ser vistos como esferas de conhecimentos/práticas de níveis diferentes (tamanhos) conforme conhecimento/prática pessoal ou desejo de saberes/práticas], conforme Diagrama Funcional junto.
 
No diagrama (complexo esférico de comunicabilidade) constitui-se um espaço comum, que pode ser de dimensões maiores ou menores.
 
Ao conjunto dos cinco paradigmas interligados sobrepõem-se, numa espécie de coroa circular de conceitos e práticas que importa conhecer e aplicar, a partir da compreensão do diagrama:
 
APRENDIZAGEM; PARTILHA (de poderes, saberes e economia), COERÊNCIA, VERDADE e EFICÁCIA
 
Esta prática de comunicabilidade recomenda-se a decisores, líderes e outros protagonistas do processo decisório, mas também a todos nós, nos mais simples processos de comunicação (profissionais, familiares e outros).
 

 
 
Na coroa circular de valores e atitudes o conceito de VERDADE interliga-se nos conjuntos Verdade/Autoridade e Verdade/Utilidade, como valor a relevar na prática comunicativa.
 
* Teoria da Argumentação.
- “O autor tem de se fazer compreender.
A argumentação provoca, ou aumenta, a adesão do auditório às questões apresentadas. A ligação espiritual entre os interlocutores é indispensável à comunicação correcta”.
- “O processo argumentativo obriga a prévio conhecimento dos valores admitidos pelos interlocutores. Quando o orador parte do princípio de que o auditório concorda com determinadas questões, que são controversas, comete petição de princípio, erro grave quando se pre­tende persuadir”.
- “A oportunidade do objecto da comunicação e o prestígio dos autores conseguido através do conhecimento dos seus currículos, nomeadamente, experiência, juventude, qualidade, competência e disponibilidade, são convenientes à eficácia do processo de comunicabilidade”.
- “As entoações, posturas, gestos e olhares, desenvolvidos na interlocução, influenciam a eficácia da comunicação”.
- “A organização dos discursos ajuda a criar consensos. Na sequência do contexto comunicativo, nomeadamente dos hábitos e conhecimento do auditório, a intervenção é preparada analisando os seus limites tem­poral, social, económico e psicológico, face à quantidade e qualidade dos argumentos disponíveis”.
 
* Os conceitos e metodologias a relevar na Pragmática situam-se num processo comunicativo orientado para as consequências e para os efeitos das ideias. Falar é agir, quando se fala desenvolvem-se sentimentos, pensamentos e comportamentos nos interlocutores. A Pragmática constitui-se processo privilegiado na interlocução livre, com o fim de entendimento recíproco e mútuo do ser humano.
 
- “Comunicar é agir. O autor desenvolve no seu auditório, sentimentos, pensamentos e comportamentos.
 
- “A Comunicação eficaz pressupõe saberes mútuos e que haja intenções de autor e auditório em considerarem que os enunciados produzem efeitos construtivos.
 
- O contexto em que decorre o processo comunicativo tem influência no sentido dos enunciados, uma vez que os interlocutores podem dizer coisas diferentes daquilo que pensam”.
 
- “Na Comunicação eficaz os intervenientes analisam todo o contexto envolvente: espaço, tempo, coisas, acções, estados, juízos, desejos, opiniões e suposições das pessoas que integram o processo comunicativo”.
 
* Técnica.
 
 - A natureza cultural da evolução técnica recomenda que se aproveitem todas as potencialidades dos interlocutores, quer venham da exper­iência teórica quer da experiência prática.
 
- A Técnica faz parte do actual êxito do ser humano, sendo as decisões correctas encontradas no entrosamento dos saberes teórico e prático.
 
 - “Hoje, século XXI, temos de aderir à comunidade virtual, protagonizada pelo computador multimedia, ligado às redes nacionais e mundiais, mas evitando mentalidade tecnocêntrica com melhores contactos humanos e actividades corporais, através do exercício físico, de afeições e amizades.
 
* Na Teoria Sistémica tradicional o todo era formado por partes, reunindo qualidades não possíveis em cada uma. Na nova teoria as estruturas e processos só são possíveis em relação a certo ambiente. Os Sistemas são objectos que criam e regulam relações auto-implicativas, sendo a sociedade considerada objecto capaz de produzir relações. A Comuni­cação é dispositivo de auto-regulação, sendo as operações de selecção que produzem a Informação o seu objectivo mais importante.
Modelos de comunicabilidade valorizantes da Relação Sistema-Meio.
 
- “No conceito actual de Sistema a Comunicação é o dispositivo funda­mental da sua dinâmica desenvolvendo aspectos selectivos a três níveis: produção do conteúdo informativo; sua difusão; aceitação do conteúdo com a respectiva alteração de comportamento”.
 
- “A Improbabilidade de Comunicação acontece em três níveis: falta de compreensão, os intervenientes entendem apenas o que a memória lhes permite; dificuldade de recepção, por razões de espaço, tempo e diversidade de interesses; resistência à aceitação do conteúdo da comunicação e dificuldade na mudança de comportamento”.
Neste projecto de comunicabilidade (baseado no diagrama funcional apresentado) joga-se em permanência esta esfera de conhecimento/prática, nomea­damente nos aspectos de gestão e liderança preparando com base em cuidada programação as tarefas principais utilizando o método denominado Project Evaluation and Review Technique (PERT) como instrumento de planeamento e controlo adaptado a este modelo de mediação.
 
* Critérios Epistémicos.
 
- “O processo argumentativo desenvolve-se demonstrando que uma correcta compreensão do discurso e das crenças do autor, provoca no auditório a sensação de que a maior parte do que se diz é verdadeiro”.
 
- “O cepticismo evita-se com a presunção geral a favor da verdade das crenças e no evitar atitudes de dúvida sistemática. As reticências sobre as próprias potencialidades, ou relativa a factos, circunstâncias e, até, acontecimentos concretos, favorecem o cepticismo. O céptico prejudica o ambiente social, devido a frequentes temores, ansiedades e desconfianças”.
 
- A percepção epistemológica da actualidade desenvolve-se na argumentação, nomeadamente no seu estatuto, e na articulação da verdade com o racionavelmente aceitável”.
Este último princípio, com reduzida aplicação e em fase de divulgação científica, recomenda que se aceite a falta de conhecimentos nas diversas áreas envolventes, por um lado, mas por outro, que se estudem e conheçam as partes e o conjunto, para melhor se poder informar, comunicar e criar condições para alterar comportamentos, ou seja, releva a Aprendizagem.
 
A forma de comunicabilidade apresentada, envolvendo esferas de conhecimentos e práticas de cinco paradigmas e interligação de valores, está em desenvolvimento em termos de aplicação, mas já deu provas de que ajuda a aceitar o pretendido pelos diversos autores de ideias, conceitos e proble­máticas científicas.
 
Neste aspecto importa salientar que na recente Conferência realizada na Fundação Calouste Gulbenkian (25/26Outubro2007), sobre “A Ciência terá limites?”, o principal impulsionador e arquitecto da temática a debater, Professor da Universidade de Cambridge George Steiner, referiu na sua comuni­cação e respectivo debate, que a crise actual da ciência se podia ficar a dever a três ordens de razões, sendo a segunda, “porque a ciência estará a passar por uma crise de comunicação interna, com os seus múltiplos ramos a não conseguirem articular-se entre si, deste modo perdendo-se a coerência e a reciprocidade que permitiram à ciência avançar como um todo”.
 
Na sequência do conceito de Aprendizagem este artigo termina com três sugestões de aplicação de comunicabilidade correcta, aqui apresentada em termos de desafio para a construção/aplicação do modelo de mediação, em problemáticas de algum melindre, em desenvolvimento no imediato, ou a curto prazo, que têm a ver com Nação, Estado e Instituição Militar:
 
- Na Conferência “A Ciência tem limites?”, o Jornalista de Ciência, norte-americano John Horgan, doutor em Psicologia e Professor de Relações Internacionais, terminou a sua comunicação salientando, o que provocou várias intervenções durante o respectivo debate, “A guerra é vista como uma manifestação inevitável da natureza humana, mas a minha esperança é que os cientistas nos façam olhar para a guerra como um problema que tem solução, tal como a sida ou o aquecimento global. Neste campo as coisas estão a melhorar; a guerra não é uma doença da civilização. Pelo contrário, precisamos de mais civilização se quisermos conseguir a paz. Está ao alcance da ciência explorar as formas como a humanidade pode operar uma transição para o desarmamento permanente e global. O fim da guerra seria algo que mereceria ser celebrado”.
 
Naturalmente o tema necessita de comunicação cuidada para ajudar qualquer dos campos a fundamentar e desenvolver o seu ponto de vista.8
 
- O Ensino Superior Militar está em desenvolvimento, parece claro nas Escolas da Armada, Exército e Força Aérea, a realização do 1ºciclo do Processo de Bolonha [cursos de licenciatura destinados a Oficiais Técnicos (acesso máximo a CMG/Coronel)] e 2ºciclo [cursos de mestrado desti­nados a Oficiais de altos comandos e elevados serviços (acesso máximo a Almirante/General)].
Mas o grau de doutor pode ser difícil de compreender e aceitar, havendo necessidade de boa comunicação para trabalhar a evidência. O curso de doutoramento pode ser assumido pelo IESM a partir do esquema de base actual; acesso CFR/TCor e CMG/Cor; concurso com apresentação de tema (tese); vagas (como actualmente nas FA e nas Universidades); admissão ou rejeição com base nas informações das armas, serviços e especialidades; curso de um ano lectivo e dois anos para trabalhar e entregar a tese final.
 
- “A Instituição Militar, no seu seio, pois só ela o conhece, terá de encontrar a vontade e dinâmica de adaptação para os seus elementos estruturantes nos novos ambientes estratégicos e da sociedade. Independentemente das políticas de defesa, que definem modos e tempos de actuação da força militar, obtenção e disponibilidade de recursos para a defesa, fronteiras entre a segurança e a defesa”.9
 
O excelente texto, construído a partir de base doutrinária, bem estudada e melhor apresentada, recomenda boa prática de comunicabilidade para sensibilizar os alvos diversificados dele emergentes.
 
 
Conclusões
 
O artigo não pretende aprofundar cientificamente as necessidades de alterar posturas de comunicabilidade para obter sucesso em muitas das problemáticas do complexo sistema Nação, Estado e Instituição Militar, que actualmente perturbam a Família Militar e outros portugueses.
 
Por vezes, muitas vezes, parece que tudo desaba, que estamos a distanciar-nos do crescente bem-estar médio das populações da União Europeia, mas, melhor comunicabilidade permitiria explicar as finalidades das alterações e dos sacrifícios de hoje para alcançar metas confortáveis.
 
O modelo de mediação apresentado procura, para além de valorizar a comunicação, que os mais diversos agentes assumam novas posturas de intervenção, face à necessidade de se fazerem compreender. As esferas de conhecimentos/práticas inscritas no Diagrama Funcional devem ser vistas e assumidas como de utilização variável em termos de aplicação caso a caso, mas sempre jogando com a interligação dos cinco paradigmas e havendo um mínimo do conjunto com aplicação constante.
 
A falta de consideração (necessidade) do valioso instrumento que representam as “Ciências da Comunicação” ainda está generalizada na maioria das problemáticas sociais, políticas e militares. No entanto este artigo publicado no número da Revista Militar de Dezembro de 2007, para que, em boa hora, se foi desafiado pelo Excelentíssimo Presidente da Direcção, General Espírito Santo, pode abrir espaços nos ambientes de Aprendizagem actualmente em desenvolvimento no meio cultural português onde se integra, desde 1849, o acervo da Revista Militar.
 
 
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*      Coronel. Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar. Licenciado (1988/1993), mestre (1994/1997) e doutorado (1998/23Jan2006) em Ciências da Comunicação, especiali­dade Comunicação e Ciências Sociais pela FCSH/UNL.
 
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 1 Passagem da primeira parte, I - Uma Reflexão Necessária, do artigo “Nação, Estado e Instituição Militar”, publicado neste número da Revista Militar, da autoria do Presidente da Direcção, General Gabriel Augusto do Espírito Santo.
 2 Passagem da terceira parte, III - Evolução em Portugal, do artigo “Nação, Estado e Instituição Militar”, publicado neste número da Revista Militar, da autoria do Presidente da Direcção, General Gabriel Augusto do Espírito Santo.
 3 José Rodrigues dos Santos, A Verdade da Guerra - da subjectividade, do jornalismo e da guerra, Gradiva, Lisboa, 2002, p. 57.
 4 Nuno Rogeiro, Guerra em Paz - A Defesa Nacional na Nova Desordem Mundial, Ed Hugin, Lisboa, 2002, p. 551.
 5 Carlos Camponez, Jornalismo de Proximidade, Editora Minerva, Coimbra, 2002, p. 271.
 6 Sérgio Figueiredo, “Lições de Pessoa”, Sábado, de 08 a 14 de Novembro de 2007, p. 104.
 7 Serge Proulx (Sociólogo canadiano, Professor na Universidade do Quebec), “O projecto da cibernética foi bem sucedido?”, Conferência proferida no Instituto de Ciências Sociais, ISCTE, em 24 de Outubro de 2005.
 8 O extracto foi retirado do artigo de Ana Gerschenfeld, “John Horgan, jornalista iconoclasta, anunciou o fim da ciência”, Público, de 28 de Outubro de 2007, p.10.
O autor deste trabalho da Revista Militar assistiu à Conferência, tendo havido largo debate sobre esta parte final da comunicação, que não foi referido pelos jornais trabalhados. Esta parte consta do texto base, em inglês, previamente distribuído de que se arquivou um exemplar que pode ser observado pelo leitor.
O interesse no debate foi tal que o Professor John Horgan solicitou à assistência (Auditório 2 esgotado) que indicasse o que achava sobre a continuação das guerras por muitos mais anos, ou se a ciência resolvia as questões de agressividade versus altruísmo, por forma a longo prazo terminarem os conflitos.
O Professor ficou surpreendido quando apenas 4% da assistência admitiu que a violência algum dia terminaria.
 9 Passagem da sexta parte, VI - Algumas Conclusões, do artigo “Nação, Estado e Instituição Militar”, publicado neste número da Revista Militar, da autoria do Presidente da Direcção, General Gabriel Augusto do Espírito Santo.
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2008-03-21
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REVISTA MILITAR @ 2018
by CMG Armando Dias Correia