Nº 2476 - Maio de 2008
II - Crónicas Bibliográficas

A Guerra Peninsular - da Génese ao seu Termo - (1793-1813)

 

  
“A Guerra Peninsular - da Génese ao seu Termo - (1793-1813)” é um estudo da autoria de Eurico Brandão de Ataíde Malafaia. A publicação deste livro, na evocação dos antecedentes, feitos e consequências da Guerra Peninsular, dá um valioso contributo para a historiografia portuguesa, em aspectos relevantes de um período contur­bado da História de Portugal, há mais de 200 Anos, do qual ainda poderá estar muito por contar.
 
Nesta obra, o autor desenvolve um trabalho que assenta numa vasta documentação biblio­gráfica, com enfoque para a actividade de António Araújo de Azevedo (Conde da Barca), documentada a partir do respectivo Fundo, do Arquivo Distrital de Braga da Unidade Cultural da Universidade do Minho, complementando outros estudos que publicou acerca daquela personagem, designadamente “António de Araújo de Azevedo, Conde da Barca, Diplomata e Estadista, Subsídios Documentais sobre a Época e a Personalidade” (Edição do Arquivo Distrital de Braga da Universidade do Minho, Colecção Estudos e Manuscritos, Volume V, 2004).
 
Após um conjunto de considerações introdutórias, em que o autor sublinha “a nossa dimensão, dignidade de comportamento e esforço humano”, a obra percorre os aspectos que marcaram o período entre a Campanha do Rossilhão (1792-1793) e os Congressos para a Paz (1814-1815), fazendo um balanço das relações entre a Espanha, a França e a Inglaterra, bem como dos seus reflexos em Portugal, com relevo para as acções diplomáticas de António de Araújo de Azevedo, Lannes e Junot, a chamada “Guerra das Laranjas” (1801), os tratados assinados em Basileia, Badajoz, Madrid e Amiens, a teoria das “quatro invasões francesas”, a saída da Família Real para o Brasil e a atitude dos ingleses, até ao final da Guerra na Península Ibérica.
 
A publicação finda com uma alusão à valorosa participação dos portugueses, “integrados no exército comandado por Wellington” que conquistou o Castelo de San Sebastian, derrotando os franceses, nele acoitados, de 31 de Agosto a 8 de Setembro de 1813, não esquecendo o “rol das desgraças, para além do não quantificável que foi roubado, em Portugal, aos particulares, conventos e igrejas, por franceses, ingleses e espanhóis e, finalmente, os efeitos directos e indirectos consequentes do registo de mais de 100 000 mortos, como resultado dos combates, da acção da guerrilha, dos saques, dos desastres colectivos, dos decorrentes da gravíssima penúria alimentar e das epidemias trazidas pelas tropas invasoras.”
 
A Revista Militar felicita o autor por esta publicação que, fazendo uma leitura e uma interpretação das relações estratégicas e de política externa europeias, no fim do Século XVIII e princípio do Século XIX, constitui um bom instrumento de trabalho para quem se debruça sobre estes temas, agradecendo a sua oferta.
Major-General Adelino de Matos Coelho
Sócio Efectivo da Revista Militar
 
 
 
  

Grandes Estrategistas Portugueses Antologia

 

 
Na colecção “Clássicos do Pensamento Estratégico”, que pretende dar a conhecer “algumas das obras e dos autores que marcaram a evolução do pensamento e da acção estratégica”, apresentam os Professores António Paulo Duarte e António Horta Fernandes uma antologia dos grandes estrategistas portugueses.
 
Antecedida por dois textos dos organizadores onde se fala das “mutações” ou “metamorfoses” da Estratégia (e seus conceitos) ao longo do tempo, a antologia compõe-se de textos escolhidos daqueles autores que são entendidos como os mais relevantes estrategistas portugueses, precedidos de notas biográficas e de uma breve exposição das linhas mestras do pensamento de cada um (com três excepções).
 
Desde o Almirante Ferreira do Amaral (1907) até ao Major-General Pezarat Correia (2005) são elencados 14 autores que produziram relevantes trabalhos sobre estratégia dos quais tivemos de salientar pela sua profundidade os do Tenente-General Abel Cabral Couto e do General José Alberto Loureiro dos Santos.
 
Admitindo que, porventura, outros poderiam ser citados, trata-se de uma interessante e útil colectânea dos principais autores nesta matéria, agora disponível para todos os que pretendam dedicar-se ao estudo da “Sublime Ciência”.
Edição cuidada das “Edições Sílabo”.
Coronel Tir Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho
Vogal da Direcção da Revista Militar
 
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Adelino de Matos Coelho
Coronel
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho
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2008-11-28
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Major-general

Adelino de Matos Coelho

Habilitado com os Cursos de Infantaria, da Academia Militar, Geral de Comando e Estado-Maior e Superior de Comando e Direção, do Instituto de Altos Estudos Militares; possui outros Cursos de que se destacam o de Oficial de Informação Pública do Comando Aliado da Europa da OTAN (Bélgica), o Curso Militar de Direito Internacional dos Conflitos Armados, do Instituto de Direito Humanitário de Sanremo (Itália) e o Diploma de Pós-Graduação em Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades e Órgãos do Exército, nomeadamente, no Regimento de Infantaria de nº 3, em Beja, que comandou, e no Estado-Maior do Exército, onde desempenhou o cargo de Chefe da Divisão de Pessoal. Além disso, também desempenhou carg

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Coronel

Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho

Falecido em 22 de setembro de 2014.

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by CMG Armando Dias Correia