Nº 2483 - Dezembro de 2008
CRÓNICAS II - Crónicas Bibliográficas
 
História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides
Tradução, Estudo Militar Introdutório e Notas pelo Coronel David Martelo e Estudo Introdutório de Luís Lobo-Fernandes
 
As Edições Sílabo publicaram uma tradução da “História da Guerra do Peloponeso”, de Tucídides, da responsabilidade do Coronel David Martelo. Trata-se de uma obra de estudo, com notável valo científico, de muito interesse, nomeadamente, para investigadores em história, militares, decisores políticos, gestores, especialistas em sociologia e público com sensibilidade para o aprofundamento de temas históricos
 
Tucídides, autor de um registo da Guerra do Peloponeso (Século V a. C.), ocorrida entre Atenas (centro político e civilizacional) e Esparta (cidade de organização militarista e costumes austeros), defende que a guerra teve origem no crescimento do poder ateniense e nos receios que este despertava nos espartanos. Através de vinte e seis capítulos, organizados em oito livros, somos conduzidos, de uma forma eloquente, desde os mais remotos tempos da Grécia ao final dos vinte e um anos, dos vinte oito que durou a Guerra do Peloponeso - o próprio índice fascina-nos com a sequência dos acontecimentos históricos [Ver caixa].
 
O Estudo Introdutório, do Prof Doutor Luís Lobo-Fernandes, e o Estudo Militar Introdutório e Notas, do tradutor, recordam-nos os contextos estra­tégico, político e diplomático das dinâmicas da relação entre os povos, fazendo-nos compreender, em face do espaço geográfico, da quantidade de estados envolvidos, da extensão temporal e da convergência de acções terrestres e navais, o sentido das condicionantes tácticas do conflito que, por mais de um quarto de século, colocou frente a frente atenienses e espartanos.
 
David Martelo enriquece a tradução com um resumo dos principais acontecimentos militares ocorridos até ao ano 404 a. C. e cujos factos não foram relatados por Tucídides, com destaque para as Batalhas Navais de Cízio, de Arginusas e de Egotismo.
 
A Revista Militar felicita a publicação desta obra, e agradece a sua oferta.
 
Adelino de Matos Coelho
Major-General, Sócio Efectivo da Revista Militar
 
 
 
 
“História da Galiza” de Manuel Recuero Astray e Baudilio Barreiro Mallón Tradução pelo Coronel David Martelo
 
As Edições Sílabo publicaram a “História da Galiza”, dos professores Manuel Recuero Astray e Baudilio Barreiro Mallón, da Universidade da Coruña, numa tradução da responsabilidade do Coronel David Martelo.
 
Esta publicação constitui mais uma obra, muito interessante, de estudo e de referência da colecção Líderes e Povos, com notável valor científico, quer para estudiosos quer para o público em geral, especialmente para os que se dedicam à História da Península Ibérica.
 
Os autores conduzem-nos com suavidade, deixando-nos inebriados de interesse e muita curiosidade, ao longo da História Antiga e Medieval, através da Antiguidade e da Idade Média, bem como ao longo da História Moderna e Contemporânea, percorrendo as Idades Moderna e Contemporânea.
 
Sendo evidente a partilha das características sócio-culturais, genéticas e pictóricas da Galiza com o norte de Portugal, nesta obra, convivemos com as variações territoriais e orgânicas das suas formações históricas, desde a pré-história aos nossos dias, através de uma escrita descritiva, muito bem encadeada, em que muitos dos factos têm paralelismos ou seguimentos, ao longo dos séculos.
 
Dotada de uma vasta bibliografia, em que o único investigador português referenciado é o Prof Doutor José Mattoso, contém muitas notas oportunas e elucidativas.
 
A Revista Militar saúda a publicação desta obra, agradecendo a sua oferta.
 
Adelino de Matos Coelho
Major-General, Sócio Efectivo da Revista Militar
 
 
 
 
 
Como Evitar Golpes Militares
O Presidente, o Governo e a Assembleia Eleita face à Instituição Castrense no Estado Parlamentar, no Presidencial e no Semipresidencial
 
Esta obra da autoria do investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, doutor Luís Salgado de Matos, editada pela Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa, 2008, trabalha cientificamente as melhores formas do Estado evitar golpes militares.
 
O livro contém oportuno Prefácio do Dr Jorge Sampaio, que fez “leitura atenta do substantivo estudo de Luís Salgado Matos”, salienta a importância da obra com base na afirmação, “Quase dois terços dos Estados actuais conhecerem um golpe de Estado ou equivalente desde o começo do século XX…” e termina afirmando que se interessou muito por esta investigação por ter sido obrigado a “descobrir” o conteúdo das funções de Comandante Supremo das Forças Armadas em pleno exercício do mandato de Presidente da República.
 
Na Introdução o doutor Salgado Matos salienta, para concretizar melhor a lição, “a relação do chefe de Estado com as Forças Armadas é crucial para assegurar que elas não intervêm na vida política.”
 
A obra articula-se em 17 capítulos, começando por Introdução e termi­nando com Síntese Conclusiva, abordando:
 
Golpes de Igreja, golpes de Estado e golpes militares; Método; Milícias, empresas e exércitos nacionais; A instituição castrense e a ordem da segu­rança; A Grécia; A marinha e o exército de terra produzem efeitos diferentes sobre a organização política; O exército do soberano e a milícia da República; O comando das Forças Armadas em diferentes formas de Estado; O chefe de Estado parlamentar e o comando da instituição castrense; O chefe de Estado parlamentar no comando da instituição castrense em tempo de crise política; O chefe de Estado presidencial em fases de instituição e paz política; O chefe de Estado presidencial no comando da instituição castrense em fase de crise política: os Estados Unidos; O presidente do Estado semipresidencial no comando da instituição castrense; O chefe de Estado fascista no comando da instituição castrense; O chefe de Estado tradicional contemporâneo no comando da instituição castrense; O presidente forte pacifica e, por último, O presidente forte e republicano para dirigir as Forças Armadas.
 
O investigador analisa a interligação entre a instituição militar e o mundo social desde Péricles, Platão e Aristóteles até à actualidade, relevando Maquiavel, Adam Smith, Montesquieu e os estudiosos das revoluções americana e francesa. Desta parte da obra destaca-se a referência à economia onde o autor de A Riqueza das Nações, Adam Smith (1723-1790), salienta que “a divisão do trabalho impõe o exército profissional” e responde aos iluministas escrevendo: “sem um exército permanente há a revolução, seguida pelo estado de excepção, que é uma forma de ditadura”.
 
Depois o autor aborda a acção do Chefe de Estado face à instituição castrense nas principais formas de Estado e na última parte apresenta-se a análise empírica de 193 países (todos da Organização das Nações Unidas) face a intervenções militares.
 
O livro é ilustrado por 20 imagens, todas merecedoras de aturado estudo, mas salienta-se a dedicada ao Presidente da República Manuel Teixeira-Gomes (o presidente cercado pelos militares) como apetência para se estudarem outras relacionadas com o período da sua Presidência (1923-1925).
 
O autor numa referência ao Estado Novo, páginas 294 e 295, refere a Revista Militar numa passagem intitulada “O general Carmona, oficial, cavalheiro e caserneiro”, onde diz que o General Carmona acentuava a sua dimensão militar, nomeadamente presidindo à comemoração do aniversário da Revista Militar, “uma publicação periódica que desfrutava de muito prestígio castrense e nacional”.
 
A Revista Militar agradece ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa o exemplar enviado para a sua biblioteca e felicita o doutor Luís Salgado de Matos, pela excelente e oportuna investigação.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
 
 
 
 
 
Estratégias de Intervenção em África
Uma década de Segurança e Defesa
Na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
 
Este trabalho do major de Infantaria, Luís Manuel Brás Bernardino, mestre em Estratégia pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, apresenta a visão estratégica global da África Subsariana relevando acções realizadas e a desenvolver e contributos para analisar a cooperação militar no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
 
A obra contém oportuno Prefácio do Embaixador Luís de Matos Monteiro da Fonseca, Secretário Executivo da CPLP, datado de 20 de Junho de 2008, onde se destaca, “O Major Luís Bernardino, um dos mais atentos estudiosos do processo de cooperação militar que rapidamente se afirmou no universo da CPLP, apresenta-nos um quadro bem documentado dos esforços que os países membros têm desenvolvido para dela fazer um instrumento eficaz na consolidação das relações entre si.
 
Na Introdução o major Luís Bernardino destaca como objectivo principal da sua investigação a análise das políticas e estratégias africanas da CPLP no âmbito da cooperação, em especial na área da segurança e defesa, destacando que se apontam estratégias para levar a efeito junto das organizações africanas no sentido de se contribuir para segurança regional participada e desenvolvimento sustentado e próspero.
 
O livro (282 páginas) resultante de estudo a nível académico, para além de organizado em sete capítulos, todos contendo Nota introdutória e Síntese conclusiva, integra Prefácio (já salientado), Agradecimentos, Resumo, Introdução, Conclusões, Apêndices (A, Glossário Sistematizado de Conceitos e B, As Organizações Regionais Africanas e as estratégias da Segurança e Defesa em África) e Anexo [Protocolo de Cooperação da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa no Domínio da Defesa (15 de Setembro de 2006)]. A obra está organizada seguindo a metodologia de investigação científica hipotético-dedutivo (“método em que se reúne um postulado de conceitos e que pelo levantamento de hipóteses se chega aos factos que se pretendem demonstrar”), identificando-se como apetência para o seu estudo por parte dos leitores e estudiosos do acervo da Revista Militar, os respectivos capítulos: I - Conceitos abrangentes sobre prevenção e resolução de conflitos; II - O Desenvolvimento Sustentado. Uma introdução à sua problemática; III - A conflitualidade no mundo. A matriz Africana da “nova” conflitualidade; IV - O papel actual das Organizações Internacionais em África; V - As Estratégias das Organizações Regionais Africanas em África. Desafios e Oportunidades para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; VI - A Estratégia Africana de Segurança e Defesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como factor de Apoio ao Desenvolvimento e VII - Portugal. Que Desafios e Oportunidades?
 
O major, Luís Bernardino destaca nos capítulos VI e VII, com sabedoria e força, a importância da CPLP como factor de união de países, organizações, continentes, mares e oceanos. Desta parte da obra salienta-se a sinergia comum de mais de quinhentos anos como “vital para cada um dos oito Estados-membros e que importa fazer evoluir, de forma a reafirmar a identidade a identidade que os uniu novamente em 1996.” e a terminar (último capítulo) a importância de Portugal na Comunidade, em especial nas políticas de cooperação com África: “Portugal, com os seus parcos recursos materiais e financeiros, mas potenciando o valor dos seus recursos humanos, a sua aptidão diplomática e excelente capacidade de Cooperação Técnico-Militar, a larga experiência em Ope­rações de Apoio à Paz e o enorme conhecimento e contacto com o continente africano, encontra-se em óptimas condições de reforçar os laços políticos, económicos e culturais e de defesa com os países lusófonos.
 
Ao major de Infantaria Luís Bernardino, qualificado com o curso de Estado-Maior; mestre em Estratégia, pelo ISCSP; pós-graduado em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa e doutorando em Ciências Sociais e Políticas, especialidade de Relações Internacionais, no ISCSP; a Empresa da Revista Militar agradece o exemplar da obra, enviado com simpática dedicatória ao Presidente da Direcção, destinando-o à sua biblioteca, e felicita o Autor pela excelente apresentação do resultado da sua oportuna e estimulante investigação.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
 
 
 
 
 
 
Em busca de uma SOCIOLOGIA DA POLÍCIA
 
    Esta obra do coronel da GNR Armando Carlos Alves resulta dos estudos que realizou, no âmbito da sociologia política, ao longo de mais de trinta anos, num percurso profissional envolvido pela actividade docente desempenhada na Escola Prática da Guarda Nacional Republicana, na Academia Militar e no Instituto Superior Militar.
 
No Prefácio (22 de Maio de 2007) o Comandante-Geral da GNR, tenente-general Carlos Manuel Mourato Nunes, salienta, “No tempo em que os conceitos de polícia e ordem pública se confundiam e a Guarda, por força das vulnerabilidades conceptuais internas e das pressões externas, parecia enredar-se em dificuldades de afirmação das vantagens da sua natureza militar, o Coronel Carlos Alves, suportado na melhor doutrina sociológica de polícia e segurança, soube ir às ‘Raízes’ e evidenciar as potencialidades da Guarda, enquanto Força de Segurança gendármica, para responder aos grandes desafios da segurança em Portugal. Como sempre escreveu e justificou, a condição militar - não o militarismo - quando correctamente interpretada e orientada para a missão, constitui uma mais-valia decisiva para o exercício da função policial.
 
Ao longo de 345 páginas o autor, coronel da GNR na situação de reforma desde 1999 que serviu no Exército como oficial miliciano de 1958 a 1965 (cumpriu uma comissão militar em Moçambique de 1961 a 1965), descreve com clareza de linguagem ideias e factos bem fundamentados e documen­tados, notando-se em cada página nítida prática de correcta investigação científica, “desbravando caminhos e indicando outros que o leitor (estudioso) poderá seguir pelo próprio pé.
 
Obra organizada com nítida separação dos assuntos trabalhados, articula-se em trinta e quatro diferentes, destacando-se nesta resumida apreciação para estudo prioritário por parte dos leitores da Revista Militar: Violência e vida em sociedade; A função Polícia; Forças de Segurança e mudança em Portugal; Forças de Segurança e Sociedade da Informação; Relações Militares - Polícias; Forças de Segurança e Corpos Militares de Polícia; As Forças de Segurança - Militarização e o Militarismo; O Corpo Militar de Polícia como instituição; Reformar a Polícia; Pensar a GNR hoje e Pensar a GNR de amanhã. Nos últimos dois assuntos o autor apresenta pormenorizada e fundamentada análise no que respeita a dualidade policial, polícia única e especificidade gendármica, apontando para se manter a opção em vigor em Portugal, com base no estudo de diversas tipologias, ou seja, claramente rejeita a concentração num tipo único de policiamento que poderia resultar da fusão da GNR/PSP.
 
A Empresa da Revista Militar agradece o exemplar desta Edição da Revista da Guarda Nacional Republicana, de Maio de 2008, destinando-o à sua biblioteca, e felicita o Autor pela oportuna investigação sobre Sociologia da Polícia, tema da maior actualidade.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
 
Major-general
Adelino de Matos Coelho
Coronel
António de Oliveira Pena
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2009-04-17
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Major-general

Adelino de Matos Coelho

Habilitado com os Cursos de Infantaria, da Academia Militar, Geral de Comando e Estado-Maior e Superior de Comando e Direção, do Instituto de Altos Estudos Militares; possui outros Cursos de que se destacam o de Oficial de Informação Pública do Comando Aliado da Europa da OTAN (Bélgica), o Curso Militar de Direito Internacional dos Conflitos Armados, do Instituto de Direito Humanitário de Sanremo (Itália) e o Diploma de Pós-Graduação em Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades e Órgãos do Exército, nomeadamente, no Regimento de Infantaria de nº 3, em Beja, que comandou, e no Estado-Maior do Exército, onde desempenhou o cargo de Chefe da Divisão de Pessoal. Além disso, também desempenhou carg

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António de Oliveira Pena

REVISTA MILITAR @ 2017
by CMG Armando Dias Correia