Nº 2436 - Janeiro de 2005
Crónicas Bibliográficas

O Exército Português em Timor-Leste

 
 
 
O esforço desenvolvido pelo Exército Portu­guês ao serviço da Organização das Nações Unidas (ONU) em Timor-Leste apresenta-se por forma de excelência neste livro. Antes de mais considerações a Direcção da Empresa da Revista Militar felicita, vivamente, os Oficiais que assumiram a realização da obra, Tenente-Coronel de Artilharia Ramalhôa Cavaleiro e Majores de Infantaria Santos de Azevedo e Afonso Calmeiro e a Secção de Cooperação Militar e Alianças do Gabinete do General Chefe do Estado-Maior do Exército, responsável pela Edição.
 
No livro ficam o Contingente Português, englobando uma Força Nacional Destacada (FND), Militares no Quartel-General da Peace Keeping Force (QG/PKF) e Observadores Militares, de 2000 até 2004, embora seja de admitir que militares do Exército Português se mantenham em Timor-Leste até 20 de Maio de 2005, data final do actual mandato.
 
O Presidente da República Timorense, José Alexandre Gusmão (Xanana Gusmão), participa na obra com o seu Prefácio, “As missões desempenhadas pelos militares portugueses em Timor-Leste de 2000 a 2004 são o mais flagrante testemunho de uma convivência multissecular que deixou uma marca indelével da nossa própria história.
 
(...)
 
O sucesso desta missão é um precioso contributo para o reforço dos laços de amizade e o aprofundamento da cooperação entre os nossos dois povos”.
 
O livro também se enriquece com o testemunho do General Chefe do Estado-Maior do Exército, escrito em 24 de Outubro de 2004, onde o General Luís Vasco Valença Pinto (Sócio Efectivo da Revista Militar) na forma de “Uma longa caminhada”, lembra o nosso Épico, Luís de Camões (Lusíadas, Canto X, Estância CXXXIV) e diz: “ (...) A afirmação de Portugal desenvolve-se num ambiente multidisciplinar e plurifuncional, para o qual o Exército tem capa­cidade e está preparado. O passado recente demonstra claramente essa vocação e aptidão do Exército. É neste âmbito que a qualidade da Força Operacional do Exército assume uma importância acrescida impondo que seja constituída como a prioridade central para a necessária Transformação do Exército.
 
(...)
 
Na sequência da conclusão da missão da nossa Força Nacional Destacada em Timor-Leste, para além de ilustrar o sucesso que foi o empenhamento do Exército no contributo para a paz e estabilidade daquele jovem país, no qua-
dro das Nações Unidas, importa louvar e manifestar a todos quantos, militares e civis, homens e mulheres, quadros e tropas no exterior ou no território nacional, contribuíram anonimamente no dia a dia, com o seu labor, para que as suas Forças Armadas em geral e o Exército em particular sejam um baluarte e uma sede do legítimo orgulho colectivo da nação Portuguesa
.”
 
Para além do “Prefácio” e de “Uma longa caminhada”, “O Exército Português em Timor-Leste apresenta “A lenda de Timor Lorosa’e”, “Timor-Leste - do outro lado do planeta”, “A história - a partir do século XIII”, “A intervenção da Organização das Nações Unidas”, “O Exército Português na marcha de Timor para a soberania”, “A independência de Timor-Leste”, “O regresso a Portugal”, “Outros aspectos relevantes da missão”, “Os Observadores Militares e os Oficiais de Ligação”, “A Equipa de Operação de Terminal”, “A Cooperação Técnico-Militar”, “O preço da paz” e “Missão cumprida”.
 
Neste conjunto destaca-se a clareza como se apresentam todos os aspectos, desde os económicos; “ (...) Timor-Leste depende ainda de uma agricultura praticamente de subsistência. Produz-se café, arroz, batata, milho, tapioca e hortaliças. A riqueza deste sector provém ainda, da pecuária, designadamente dos seus búfalos de água e suínos; há ainda imensas aves de capoeira, espalhadas por todo o território, em particular galos”. (p. 23) até ao primeiro aniversário da independência; “Em termos de cerimónias é ainda de registar a comemoração do ‘1st International Day of United Nations Peace Keepers’, em 29 de Maio de 2003, que em Timor-Leste contou com uma parada militar integrando forças de todos os países participantes na missão, tendo o Comando das Forças em parada sido atribuído ao comandante do Batalhão Português”. (p. 108)
 
A Direcção da Revista Militar tem o maior gosto em contribuir para divulgar esta relevante e actualizada obra informando que pode ser adquirida, ao preço de 25 euros, nos Museus Militares, Oficinas Gerais de Fardamento e Equipa-mento e no Gabinete do CEME (SIPRP) e agradece ao Gabinete do General CEME o exemplar enviado para a sua Biblioteca.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
 
 
 
 

 

“Portugal Militar - Da Regeneração à Paz de Versalhes”

XIII Colóquio De História Militar

 

 
A Comissão Portuguesa de História Militar ofereceu à Empresa da Revista Militar as ACTAS do XIII Colóquio, que se realizou no Palácio da Independência nos dias 10, 11 e 12 de Novembro de 2003, abordando um tema vasto que abrange a Regene­ração, iniciada com larga influência militar onde se destaca o Fundador da Revista, General Fontes Pereira de Melo, “realizando-se no período importantes reformas militares no âmbito da organização, do apetrechamento e da criação e uma indústria militar de apreciável valor e significado”.
 
O Colóquio organizou-se em onze sessões, cada uma com Presidente da Mesa, havendo 31 intervenientes. A sessão inaugural foi presidida pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional, Dr Paulo Sacadura Cabral Portas, que proferiu um discurso. O encerramento do Colóquio constou de três intervenções: discurso do Coronel Carlos Bessa, Secretário-Geral da Comissão Portuguesa de História Militar (Sócio Efectivo da Revista Militar); trabalho apresentado pelo Professor Soares Martinez, “A Grande Guerra e o Livro Branco Português” e discurso final, proferido pelo Inspector-Geral do Exército, Tenente-General António Marques Abrantes dos Santos, representante do General Chefe do Estado-Maior do Exército.
 
A Revista Militar, através de Sócios Efectivos, esteve largamente representada no Colóquio. Para além do principal impulsionador, Coronel Carlos Bessa, presidiram às sessões III, V, VI e VIII, respectivamente, Tenente-General Lopes Alves, Vice-Almirante Ferraz Sachetti, Coronel Carlos Bessa e General Martins Barrento. Por forma que a todos agradou apresentaram comunicações: Tenente-General Lopes Alves, “Evocação Reflexiva da Contribuição dos Militares”; Tenente-Coronel Vieira Borges, “Subsídios para o Portugal Militar do Armistício ao Tratado de Paz de Versalhes”; Tenente-General Belchior Vieira, “O Exercício dos Direitos Políticos pelos Militares”; Capitão-de-Mar-e-Guerra Silva Ribeiro, “Estrutura Decisória da Defesa nacional 1820-1920”; Major Proença Garcia, “Moçambique na 1ª Guerra Mundial - do Rovuma ao Nhamacurra”; Tenente-Coronel Brandão Ferreira, “Da Regeneração à Paz de Versalhes: considerações estratégicas do Portugal Militar” e Coronel Almeida Tomé,  “A Epopeia dos militares portugueses no Ultramar do final do século XIX”.
 
O livro das ACTAS também se refere ao Prémio Defesa Nacional 2002, cuja entrega se fez na Sessão Inaugural à Prof Doutora Isilda Braga da Costa Monteiro e ao Louvor e Medalha da Defesa Nacional de 1ª Classe concedidos pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional ao Coronel Carlos Bessa.
 
Ao percorrer as 557 páginas destas ACTAS qualquer português sente algo de especialmente favorável face à excelência da actuação do Portugal Militar da época ilustrada no Colóquio pelo que se recomenda vivamente a sua leitura integral.
 
Como convite ao estudo da obra transcrevem-se duas passagens:
A questão militar, embora de inegável centralidade na história nacional do século XIX e XX, só recentemente e em grande parte devido ao trabalho desenvolvido pela Comissão Portuguesa de História Militar tem merecido a devida atenção por parte dos historiadores”. p. 53
 
Na sessão de 19 de Abril de 1904 da Câmara dos Dignos Pares do Reino, o General José Estêvão de Morais Sarmento proferiu um memorável discurso abordando dois temas então instantes: os direitos políticos dos militares e a defesa nacional. Em relação ao primeiro, o orador iniciou a sua intervenção denunciando como anticonstitucional a atitude assumida pelo Ministro da Guerra (Conselheiro Pimentel Pinto) ao proibir aos oficiais a realização de conferências públicas, ‘sobre qualquer assunto, fora dos quartéis e estabelecimentos militares, sem prévia autorização ministerial’”. p. 147
 
A Direcção da Empresa da Revista Militar felicita os autores da concepção da capa, Coronel Carlos Bessa e Dr Pinto Ramalhete, e agradece à Comissão Portuguesa da História Militar o exemplar enviado para a sua Biblioteca.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
Coronel
António de Oliveira Pena
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2006-01-24
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REVISTA MILITAR @ 2019
by CMG Armando Dias Correia