Nº 2434 - Novembro de 2004
Crónicas - Narrativa Cronológica
Coronel
António de Oliveira Pena

Outonos na Revista Militar Outubro/Novembro/Dezembro 1854-1904-1954-2004

Nesta terceira Narrativa Cronológica, depois de Primaveras e de Verões, cuja intenção é dar a conhecer vivências e acervos da Revista, ocorridos há 150, 100 e 50 anos, interligados com a actualidade, continua-se a salientar artigos publicados nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro (primeira quinzena) de 1854, 1904 e 1954.
 
A Narrativa tem como objecto principal despertar a curiosidade dos leitores habituais da Revista para este ou aquele artigo, havendo toda a disponibi­lidade dos Serviços Administrativos para atender os pedidos respeitantes à consulta, ou até mesmo envio de fotocópia, de algumas das peças publicadas. Em simultâneo tem vindo a revelar-se uma outra valência das narrativas, o despertar curiosidades por parte de investigadores, e de outros estudiosos do acervo da Revista, no sentido do aprofundamento de todo o seu historial.
 
A vivência geral da Revista nestes períodos foi indicada nas crónicas anteriores. Em 1854 a Empresa tinha 28 Sócios Efectivos (SE) sendo vinte e seis Fundadores. No ano de 1904, nesta crónica analisado até ao número de 15 de Dezembro (ainda Outono), os SE eram apenas 17. Como se disse nas duas narrativas anteriores este quantitativo, os aspectos biográficos de cada um dos SE e os ambientes militar e jornalístico, e até político, merecem cuidado e profundo estudo para se perceber a fusão, que ocorreu em Janeiro de 1905. No ano de 1954 a totalidade era de 57 e agora, Julho/Agosto de 2004, embora o Regulamento Interno permita setenta, existem 63 Sócios Efectivos.
 
Em 1854 os Corpos Gerentes (CG) resultavam do “Acordo de 1848”, resumindo-se à Direcção constituída por quatro elementos; há 100 anos, 1904, já existiam Corpos Gerentes (AG/Direcção/Comissão Revisora de Contas) no total de oito. No Verão de 1954 os CG eram 22 (AG/4, Dir/14 e CF/4), sendo o Presidente da Direcção nomeado anualmente pelo Ministro da Guerra de entre os Sócios Efectivos da Empresa. Em 2004 a organização é semelhante à de 1954, mas de vinte elementos. A dinâmica executiva da Direcção tem sido semelhante ao longo de toda a vivência da Revista, sendo cometida há 150 anos a quatro directores, em 1904 a três, há 50 anos a quatro e agora continua-se com Presidente, Director-Gerente e Director-Administrador.
 
Nos aspectos gerais, em termos de pessoal e material, dos Serviços Administrativos da Empresa, verifica-se considerável diferença entre as quatro épocas em análise, 1854, 1904, 1954 e 2004, havendo actualmente nítida melhoria no que respeita a material e, sobretudo, em pessoal, em termos quantitativos e qualificativos.
 
A partir da observação do acervo e dos géneros jornalísticos que percorrem os números dos outonos de 1854, 1904 e 1954, salientam-se alguns trabalhos, mas conforme se tem vindo a referir o desafio consiste em provocar salutares desejos para melhor conhecer e interligar as quatro épocas relevadas. Os objectos de investigação proporcionados pela Revista Militar são da maior actualidade aos jovens militares das Forças Armadas (QP do Activo). O acervo da Revista proporciona envolvimentos em trabalhos académicos a todos os níveis, nomeadamente cursos de bacharelato e licenciatura, em diversas disciplinas, dissertações de cursos de mestrado, teses de doutoramento, em vários âmbitos científicos e trabalhos diversificados em cursos de pós-graduação.
 
Em 1854 poucos artigos eram assinados sendo grande parte da autoria da Redacção integrada na Direcção.
 
No Outono de 1904, como já se referiu na narrativa anterior sobre o Verão, embora se saiba agora que houve turbulência, uma vez que o Ministro da Guerra, tendo por base propostas da Direcção da Empresa, provocou a fusão de alguns jornais militares na Revista Militar, os números do Outono, numa observação normal, não davam a entender que em Janeiro de 1905 se iniciasse a “2ª Época”. No entanto estudo mais aturado do In Memoriam do “(...) seu esclarecido e dedicado director, o sr major Fernando da Costa Maya”, publicado no número 23, ano LVI, de 15 de Dezembro (ainda Outono) pode trazer alguma luz aos investigadores desta época. O assunto é pertinente pelo que se destaca à frente no espaço da narrativa dedicado a salientar os conteúdos de 1904.
 
Em 1954, no Outono de há cinquenta anos, destacou-se a Obra Social do Exército, cujo primeiro Presidente foi o General D. Miguel Pereira Coutinho, havendo outros trabalhos de Oficiais do CEM.
 
Agora, Outono de 2004 verifica-se diversificada produção para o acervo; pormenorização e diversidade nas duas crónicas, notícias do mundo militar e militares nacionais; a forma regular, de actualidade e profunda, como se apresentam os editoriais e, ainda, a prioridade atribuída às crónicas biblio­gráficas sobre todas as obras oferecidas à Revista Militar.
 
Outono de 1854 - há 150 anos.
 
- Noticiário Militar (Novembro)
    * O dia 15 de Novembro (primeiro aniversário da morte da Rainha D. Maria II).
    * Uma recordação dos nossos tempos antigos (Macau).
    * Um escândalo que parece insulto (Moços do correio em grande uniforme de Inverno!!!).
    * Uma viagem ao estrangeiro (Capitão Graduado de Cavalaria visita estabelecimentos militares de Instrução na França, Bélgica, Áustria e Prússia).
    * Aviso da comissão portuguesa para a Exposição Universal de Paris (A extensão do anúncio não permitiu condescender com os desejos da comissão no sentido de ser inserido na totalidade).
    * Aula de esgrima (Ensino generalizado da esgrima na Escola do Exército).
    * Como se consideram em França os militares (O Governo francês concedeu uma verba para ser repartida pelos antigos militares do Império e da República que provassem a sua idade avançada e falta absoluta de meios).
 
 
 
 
–   Organização Militar (Dezembro)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta notícia do falecimento do Major da Cavalaria, Fernando da Costa Maya, contém algumas passagens donde se pode inferir turbulência sus­ceptível de poder provocar a profunda alteração no funcionamento da Revista Militar ocorrida logo no mês seguinte, dando-se início à 2ª Época.
 
(...) E, na dedicação perseverança dispensada à prosperidade da Revista, só teve por émulo o general António Florêncio de Souza Pinto, que, com o seu único esforço, conseguiu salvar-lhe a existência em crise agudíssima, ocorrida em data já remota”.
 
A seguir, “ (...) colaborou em diferentes jornais militares, sendo, contudo, a Revista Militar aquele que lhe mereceu sempre especial predilecção, ent­rando, em janeiro de 1888, para a sua direcção, da qual continuou a fazer parte até ao momento da sua morte”.
 
E perto do final, “A falta causada pela sua morte no quadro da empresa e da direcção da Revista Militar é irremediável. Dificilmente se encontrará quem tenha esforço e competência para o igualar na dedicação e inteligência que votava à prosperidade d’ este jornal”.
 
A partir do estudo da necrologia ocorrida em 1890 verifica-se no in memoriam do General de Divisão António Florêncio de Sousa Pinto (RM, Nº4, de 28 de Fevereiro de 1890). “ (...) Pelo diz especialmente respeito a este jornal não podemos deixar no esquecimento que ele lhe deve a sua existência. O general Sousa Pinto foi um dos seus fundadores, entrando pouco tempo depois para a sua direcção, na qual se conservou ininterruptamente até ao seu falecimento. Houve uma época calamitosa para a Revista Militar em que a empresa esteve quase resolvida a suspender a sua publicação. Obstou a que se procedesse assim o general Sousa Pinto satisfazendo do seu bolso às despesas correntes, e empregando toda a sua actividade, inteligência e conhecimento nos trabalhos de administração e redacção”.
 
Na próxima, e última, Narrativa Cronológica, “Invernos na Revista Militar”, analisa-se com algum pormenor a Perspectiva Histórica da Segunda Época (1904/1905), mas estas passagens do tempo em análise consideram-se importantes para se enquadrar o acontecimento lembrado número a número na capa da Revista:
 
Fundada em 1848    2ª Época 1905
Publicação iniciada em Janeiro de 1849
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
–   Crónicas (Novembro)
 
 
Com a próxima Narrativa Cronológica, Invernos na Revista Militar, termina-se o trabalho sobre o interlaçar de períodos de há 150, 100 e 50 anos, destacando-se no último artigo a problemática iniciadora da 2ª Época, Janeiro de 1905.
 
António Pena
antoniopena@netcabo.pt
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção
 
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2009-06-29
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by CMG Armando Dias Correia