Nº 2494 - Novembro de 2009
O “Regresso” da Rússia
Tenente-general PilAv
Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos
Nota prévia:
O presente artigo pretende actualizar e complementar o artigo “A Geopolítica Russa: de Pedro “O Grande” a Putin, a ‘Guerra-Fria’, o Eurasianismo e os Recursos Energéticos!”, publicado no n.º 2473/2474 (Fevereiro/Março de 2008) desta Revista, centrando-se essencialmente na actual gestão estratégica dos recursos energéticos fósseis.
 

1.  Superpotência energética

Poucos acontecimentos podem alterar e reformular, tão profundamente, os contornos da política internacional nas próximas décadas, como a (re)ascensão da Rússia ao estatuto de superpotência energética. Este fenómeno tem-se vindo a verificar graças à utilização estratégica da sua riqueza em fontes de energia fóssil.
 
Após o fim da “guerra-fria” e o colapso financeiro de Agosto de 1998, tudo parecia indicar que os dias da Rússia como superpotência tinham terminado. Porém, graças à sua riqueza energética e à liderança de Vladimir Putin, a economia russa foi estabilizada, conseguiu pagar a sua dívida internacional e acumular a terceira maior reserva mundial de divisas estrangeiras, tornando-se no maior produtor mundial de petróleo e gás natural e o segundo maior exportador.
 
Os recursos energéticos da Rússia fizeram aumentar a sua importância na política internacional. Após 1991, com a produção e as exportações baixando para cerca de 50%, e os preços do “crude” baixando até aos $10 - $12[1] o barril, a Rússia teve problemas em pagar as suas dívidas e, em consequência, sofreu um colapso financeiro maciço. Em Agosto de 1998, o governo falhou os pagamentos e muitos bancos privados fecharam as suas portas e trancaram os seus cofres. Como resultado, não só os bancos, mas também o país, oscilou à beira da bancarrota. O rublo perdeu uma grande percentagem do seu valor.
 
Porém, em 1999, numa reviravolta rápida, a procura global de energia começou a ultrapassar a capacidade dos produtores para responderem a essa procura. Os mercados rapidamente absorveram as reservas existentes. O petróleo e o gás russos ganharam uma nova importância económica e, especialmente, política. Com o preço do “brent” a passar os $70/barril em 2005, as companhias russas responderam aumentando substancialmente a produção. Cerca de 40% do aumento do consumo mundial entre 2000 e 2004 veio da Rússia.
Certamente que, no futuro próximo, a Rússia não voltará a ser uma superpotência militar. Mas é uma superpotência! Só que agora é uma superpotência energética!
 
Com os oleodutos e gasodutos que a ligam à Europa como um cordão umbilical, a Rússia tem uma influência e um poder sem precedentes que ultrapassam o poder e a influência militares que a URSS teve durante a “guerra fria”. Apesar do arsenal nuclear de que dispunha, não o podia utilizar porque sabia que, se o fizesse, seria também destruída.[2] Actualmente, se a Rússia decidir reduzir ou suspender o fluxo de gás à Ucrânia e/ou à Europa, nada a impede de o fazer.
 

2.  Sinopse histórica

A data da descoberta de petróleo na área de Baku (Azerbaijão), na margem ocidental do Mar Cáspio, remonta ao tempo de Zoroastro. A influência russa na região do Cáucaso iniciou-se apenas no séc. XVIII e, antes disso, a extracção de petróleo pelas populações da área era muito primitiva. Em 1848, os russos conseguiam perfurar apenas até 30 m. Cerca de 1873, o petróleo da região atraiu vários estrangeiros, entre os quais se encontrava o sueco Alfred Nobel e seu irmão, Ludwig. As exportações só se expandiram após a inauguração do caminho de ferro transcaucasiano, de Baku a Batumi, no mar Negro, em 1884. No final do séc. XIX, os Nobel e outras companhias estrangeiras, conseguiam já perfurar até 600 m, com perfuradoras rotativas. Nesse tempo, o Médio Oriente era apenas um deserto estéril, até que, em 1938, foi descoberto petróleo na Arábia Saudita. As outras áreas de exploração dignas de nota no início do séc. XX eram as Índias Holandesas (hoje Indonésia) e o México.
 
Durante a revolução de 1905, mais de 2/3 dos poços à volta de Baku foram destruídos, a produção baixou imenso e a exportação baixou para metade. As coisas não melhoraram até bastante depois da revolução de 1917. A ocupação turca de Baku em 1918 abriu a região aos investidores estrangeiros, tendo os ingleses enviado uma força expedicionária e expulso os turcos no final do ano. Os soviéticos retomaram contudo a região em 1920 e nacionalizaram os poços. Cedo descobriram, porém, que as empresas ocidentais tinham levado consigo toda a tecnologia e eles não podiam explorar os jazigos convenientemente. Em breve Lenine solicitou apoio às empresas estrangeiras, que responderam afirmativamente, restauraram os poços e abriram novos. À medida que a produção foi recuperando, também o controlo administrativo de Moscovo foi apertando e as concessões foram sendo sistematicamente revogadas, tendo a grande maioria cessado em 1930.
 
Em 1910, foram descobertos novos poços em Grozny, Tchetchénia, em Maikop, 80 km mais a Norte, e em Emba, na margem Norte do Mar Cáspio (hoje Cazaquistão).
 
As exportações foram aumentando e, de 1929 a 1933, atingiram cerca de 17% do petróleo que a Europa Ocidental importava, sendo a Itália o cliente mais importante (48% das importações italianas de petróleo, entre 1925 e 1935, vinham da URSS). Isto apenas reflecte que a política nunca foi obstáculo para o comércio. A ajuda estrangeira foi muito importante para a indústria petrolífera russa, tanto antes da revolução, como antes da 2.ª Guerra Mundial, nos domínios da perfuração, da extracção e da refinação. A ideologia política raramente se interpôs ao lucro comercial. De facto, em 1940, após o Pacto Nazi-Soviético, a Alemanha absorveu 75% das exportações de petróleo da URSS. Uma das grandes prioridades de Hitler, quando invadiu a URSS, era capturar os jazigos de Baku. As tropas nazis não chegaram lá, atingindo apenas Grozny mas, quando lá chegaram, os poços estavam tão danificados que não tirou grande proveito disso. Devido aos estragos nos poços, quando a guerra terminou a produção soviética de petróleo tinha descido 30% desde 1940.
 
Se antes da revolução as exportações de petróleo eram apenas 7%, em 1932 geraram 32% das receitas totais, o que foi um recorde antes da guerra. Após essa data, a depressão afectou todas as exportações, demorando mais de 20 anos a atingir o mesmo nível. A produção de petróleo ficou muito aquém dos objectivos estabelecidos pelo segundo plano quinquenal, que terminou em 1938. Com a tecnologia à sua disposição, os soviéticos não podiam aumentar a produção dos poços de Baku e de Grozny. Mas, quando a produção no Cáucaso baixou, novos jazigos foram descobertos na região entre o rio Volga e os Urais. Porém, devido a problemas tecnológicos, só após a 2.ª Guerra Mundial (1955) esses novos locais começaram a produzir em quantidade, nomeadamente Romashkino, que ultrapassou Baku, atingindo o seu pico em 1970.
 
Uma vez que as autoridades soviéticas restringiam o contacto dos seus técnicos com os especialistas estrangeiros, vários métodos de produção mais avançados, utilizados no Ocidente, não eram do conhecimento dos especialistas soviéticos. Mas, mesmo que os conhecessem, raramente tinham autorização para importar o equipamento necessário.
 
Quando a produção dos poços da região Volga-Urais começou também a decair, a queda foi compensada pela abertura de novas áreas na Sibéria Ocidental (Priobskoye), no rio Obi e nos seus tributários Konda e Irtysh em 1953, e o campo “supergigante” Samotlor, 800 km para Leste, em 1965. Ao passo que os campos da região Volga-Urais demoraram cerca de 20 anos a atingirem a produção máxima, os da Sibéria Ocidental demoraram apenas oito anos.
 
Notem a coincidência: a Sibéria Ocidental compensou a redução no Volga-Urais, assim como esta tinha compensado Baku. Sempre que uma região reduzia a produção, outra região surgia (Ver Fig. 1)! Porém, este tipo de solução tinha também um lado negativo: adiava a altura em que os soviéticos teriam de enfrentar a necessidade de utilizar os seus recursos com mais eficiência. De facto, estava em jogo um sistema de incentivos muito fraco. Os locais de exploração eram muito remotos, a iliteracia grassava, o legado opressivo do autoritarismo e da governação rígida desencorajavam a iniciativa individual. Tal restringia o pensamento criativo, pelo menos na área tecnológica.
 
Para perfurar com eficácia utilizando perfuradoras rotativas, estas e os tubos têm de ser de aço de boa qualidade, que aguentem a tensão e a pressão, à medida que se perfura mais fundo. O aço fabricado pelos soviéticos nos anos 1950’s apenas permitia perfurar até 2.000 m. Apesar de ineficiente, era suficiente para os poços de Baku, mas não satisfaziam na região Volga-Urais. Porque razão a URSS, o maior produtor mundial de aço, não produzia aço de boa qualidade? O sistema soviético punha ênfase na quantidade, em vez de na qualidade, e os gestores não tinham incentivos para melhorar a qualidade! A inovação era causadora de problemas e, portanto, devia ser evitada!
 
Por outro lado, para as entidades estatais que supervisavam o petróleo, o gás era considerado como um produto secundário da extracção do petróleo, não constituindo prioridade e, como tal, durante muitos anos foi pura e simplesmente queimado. Ninguém se preocupou em construir gasodutos para o aproveitar!
 
Após 1973, com a Guerra do Yom Kippur e o embargo petrolífero árabe dela resultante, os soviéticos procuraram manter os preços tão altos quanto possível, para aumentar os lucros do país. O petróleo foi utilizado como uma poderosa arma diplomática e de política externa que abriu as portas do “terceiro mundo” à ideologia soviética e às iniciativas diplomáticas inerentes que, de outro modo, teriam permanecido fechadas ou, pelo menos, “entreabertas”. Países africanos, asiáticos e da América Latina, que lutavam por se desligar das antigas potências coloniais e tinham problemas em conseguir moedas fortes, viram com bons olhos os preços mais baixos ou os empréstimos concedidos pela URSS, como modo de obter e ganhar influência. Foi assim utilizado como um modo de promover os objectivos políticos do Estado.
 
Não alinhando com o controlo de preços preconizado pela OPEP, criada em 1960, mas também não fazendo o jogo das grandes companhias ocidentais (Shell, Mobil, BP, Standard Oil - hoje Exxon e Chevron - etc.), os soviéticos aumentaram o seu poder de influenciar politicamente e também o conteúdo dos seus cofres. O embargo imposto pela OPEP aos EUA e a vários países ocidentais deram à URSS uma oportunidade dourada. Após 1973, os consumidores de energia encararam a realidade e concluíram que os abastecimentos provenientes do Médio Oriente envolviam bastantes riscos e procuraram reduzir a sua dependência daquela região incerta.
 
A energia importada da Rússia tornou-se assim atractiva para aqueles que desejavam ser menos dependentes do Médio Oriente. Com a turbulência política e militar instalada naquela região, a Europa quis aproveitar uma fonte suplementar de energia. Dado que a Rússia estava no continente europeu, o petróleo e o gás poderiam ser distribuídos por oleodutos e gasodutos, caminhos-de-ferro ou auto-estradas. Tal significava não só viagens mais curtas, mas também menos vulnerabilidade ao terrorismo, aos desmandos da OPEP e embargos políticos idênticos ao de 1973. Seria a URSS mais digna de confiança?
 
Dadas as vantagens dos gasodutos, iniciou-se a sua construção entre a URSS e a Europa, apesar dos avisos lançados pelo presidente Reagan. O gasoduto ficou concluído em 1985 e os europeus ficaram mais confortáveis utilizando o gás natural importado da Rússia nas suas casas e fábricas. À medida que os campos do Mar do Norte, especialmente o gás fornecido pela Noruega, começaram a diminuir, a Rússia começou a fornecer uma parcela maior.
 
O presidente Reagan compreendeu as implicações políticas dessa dependência e tentou impedi-la, mas não conseguiu convencer os europeus. Não tinha esquecido o “bloqueio de Berlim” e percebeu os riscos geopolíticos que um tal empreendimento envolvia. A Alemanha entendeu os argumentos de Reagan como ideológicos e avançou com o projecto. Outros líderes europeus entenderam os riscos e tentaram procurar, desenvolver e promover fontes alternativas de abastecimento na Noruega e no Mar de Barents. Estabeleceram também um “tecto” de 30% do seu consumo para o gás russo, mas cedo esqueceram essa “promessa”.
 
Quaisquer que fossem as precauções, uma paragem de alguns dias no fornecimento de gás seria inevitavelmente perturbadora.
 
Uma das alternativas possíveis ao gás dos gasodutos seria o LNG (gás natural liquefeito), mas tal seria extremamente oneroso e nunca uma alternativa apenas para emergências. Construir unidades processadoras para liquefazer o gás no local de exportação e para o reconverter no local de chegada era incomportável. O mesmo se aplicava a navios especialmente construídos para transportar esse tipo de gás.
 
Em 1975, a URSS produzia mais petróleo do que os EUA e tornou-se no maior produtor mundial. Em 1980, só a República Russa produzia mais do que os EUA. Mesmo após o colapso da URSS, por um breve período, a Rússia permaneceu como o maior produtor mundial. Só em 1992, a Arábia Saudita a ultrapassou. Em 1996, com a confusão económica e política que se gerou, a produção russa estava 45% abaixo da de 1990. Em 1999 a produção de “crude” começou de novo a aumentar, mas a Arábia Saudita manteve-se na liderança até 2006. Em 2007, a Rússia retomou o primeiro lugar na produção.
 
Os EUA, supostamente através da CIA, pressionaram a Arábia Saudita, em 1985, para aumentarem a produção e a exportação de petróleo. Aumentando o abastecimento global, fariam os preços descer; tal beneficiaria a economia americana e, ao mesmo tempo, comprometeria a economia soviética, influenciando o seu empenhamento no Afeganistão. Tal coincidiu com a subida de Gorbachev ao poder. Como previsto, os preços desceram em 1986 para metade do ano anterior, isto é, $25,63/barril. Em 1988, desceriam ainda para menos de $25/barril. De acordo com os arquivos do Politburo, a liderança soviética estava em pânico: a queda dos preços custou $20 mil milhões por ano, tendo um impacto desestabilizador na URSS e contribuindo para a derrocada do sistema.
 
Em 1988, com os cofres vazios, más colheitas na agricultura, uma guerra cada vez mais impopular no Afeganistão, e uma economia doméstica em desordem, a URSS teve de prescindir de alguns excessos do planeamento centralizado. Isso explica talvez a decisão de Gorbachev em retirar as tropas do Afeganistão no início de 1989.
 

3.  O colapso da URSS

Uma vez que, na última metade da década de 1970 e na primeira metade da década de 1980, a Rússia (então parte da URSS) tinha sido o maior produtor mundial de petróleo, porque é que, em 1991, com toda essa riqueza mineral, a URSS colapsou? Porque não era uma superpotência energética então e o é agora?
 
Yeltsin não era um gestor nem um planeador. Politicamente, disse aos governadores provinciais para assumir todo o poder que pudessem. Desmantelou a economia de estado e espalhou o controlo económico de modo a que os oligarcas pudessem obtê-lo ao desbarato.
 
Era um sistema político e económico centralizado onde, de repente, a centralização política acabou. A economia começou a fragmentar-se e enxames de consultores ocidentais surgiram em cena, dando conselhos mas também enriquecendo com facilidade, juntando-se aos russos. Fortunas foram feitas de repente. Gente desconhecida tornou-se multimilionária do dia para a noite.
 
A desintegração da URSS fez soltar uma cascata de forças centrífugas, políticas e económicas. Yeltsin não teve problemas em forçar a dissolução da URSS em 15 repúblicas, apenas três das quais eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), mas decidiu que não haveria mais secessões e deu ordens para sufocar a rebelião na Tchetchénia, de tradições islâmicas.
 
Para além da fragmentação política, a separação fez desaparecer o espaço económico unificado, com consequências desastrosas que levaram quase à bancarrota. Em 1996, por exemplo, a produção de petróleo, sector crucial do país, foi apenas 47% da de 1987. As rivalidades para privatizar os vários jazigos petrolíferos, as refinarias e os oleodutos causaram enorme desordem. Além disso, com os preços do petróleo em cerca de $20/barril, em meados da década de 1990, não existiam muitos incentivos para aumentar a capacidade de produção.
 
Quando o Estado transferiu a posse de todos esses bens para entidades privadas, tudo mudou! Não existia nenhum sistema previsto para pagamento de impostos e foi sem surpresa que, em 2000, quase 10 anos depois, apenas 3 milhões de russos, em 70 milhões, pagassem impostos. Do mesmo modo, não existiam mecanismos de mercado para os produtores e consumidores se reunirem, informarem, serem informados e negociar uns com os outros. Pior ainda, devido à política, à gula, a leis imperfeitas e à sua implementação corrupta, um pequeno número de investidores acabaram por controlar a maioria das empresas previamente estatais. Muitos desses oligarcas novos-ricos tinham sido membros de anteriores governos. Pura e simplesmente tomaram conta das propriedades do estado que tinham gerido anteriormente como agentes do governo. Outro grupo de proprietários, mais restrito, emergiu de entre os operadores do “mercado negro” e cambistas ilegais, que sabiam operar em ambientes marginais. Neste ambiente caótico, um número crescente destes oligarcas tornou-se milionário. Tal não significava, porém, que fossem bons gestores.
 
No Ministério da Indústria do Gás as coisas não se passaram assim. Os indivíduos nas posições mais altas lutaram e conseguiram manter as várias empresas no âmbito do ministério. Em 1992, Boris Yeltsin autorizou a sua conversão numa empresa conjunta (joint stock) denominada Gazprom, cujas acções podiam ser detidas pelo Estado e por privados. 15% foram reservadas a funcionários da empresa. Nessa altura, o Estado manteve 40% das acções e, dado que o Estado era o accionista principal, o ministro, Viktor Chernomyrdin, com larga experiência no governo e no sector da energia, tornou-se presidente da nova entidade. A Gazprom tornou-se a primeira empresa comercial gerida pelo Estado, através de acções. Nesse mesmo ano, face ao sucesso na Gazprom, Yeltsin escolheu Chernomyrdin para seu vice-primeiro ministro, cargo de que se demitiu em 1998, pouco tempo antes do “crash”.
 
O Ministério da Indústria do Petróleo teve uma sorte diferente, apesar de a sua privatização ter começado de modo idêntico. O primeiro passo, em Setembro de 1991, foi transformá-lo numa companhia de acções conjunta (Rosneftegaz) mas, ao contrário da Gazprom, que se manteve intacta, a Rosneftegaz foi rapidamente dividida numa dúzia de entidades independentes. No final de 1991, antes do colapso económico da Rússia, os campos petrolíferos de Langepaz, Urengoi e Kogalym, na Sibéria Ocidental, foram reunidos num “pacote” a que se deu o nome de LUKoil. Um ano depois, a Rosneftegaz deu origem a três novas companhias: Rosneft, Yukos e Surgutneftegaz. Dados os tempos que se viviam e a corrida para se apoderar dos bens do Estado, este processo tornou-se num esquema ilegal maciço, pois todos sabiam que o Estado seria incapaz de cobrar as taxas dos empréstimos bancários, pois os oligarcas, as suas companhias e os seus bancos estavam entre os maiores delinquentes fiscais.
 
Durante oito anos, a produção de petróleo continuou a decrescer. Em 1998 era de cerca de 60% do seu máximo. Com relutância, o governo russo permitiu a companhias estrangeiras (BP, Total, Royal Dutch Shell, Exxon-Mobil, etc.) que adquirissem parte do capital social de companhias russas de energia, especialmente nos locais mais remotos e que necessitavam de actualização, pois que as companhias russas não possuíam a tecnologia requerida (i.e. “offshore” no Árctico e na ilha Sacalina).
 
Em Agosto de 1998, dado não conseguir encontrar emprestadores que quisessem comprar títulos do Estado, não ter dólares e divisas estrangeiras, e de não poder pagar as suas dívidas, o governo russo estava, de facto, na bancarrota! O frágil sistema financeiro russo caiu, debilitado pela insurreição política, as decadentes receitas do petróleo e uma privatização atamancada. Em desespero, o Banco Central foi forçado a anunciar que não poderia cumprir as suas obrigações e pagar aos credores. Este colapso foi agravado pelo caos financeiro que atingiu a Ásia de Sudeste no ano anterior. O petróleo, o mais importante produto de exportação, baixou de $26 por barril em 1996, para quase $15. Com os bancos fechados, o crédito sem valor, e a sua principal exportação em queda, a Rússia viu muitos dos seus negócios ruírem, e as perspectivas para a sua economia bastante negras.
 
Em Agosto de 1998, o governo russo foi obrigado a incumprir as suas dívidas, incluindo as suas obrigações nacionais.
 

4.  A ascensão de Putin: O regresso do “czar”

Quando Putin assumiu funções, em Agosto de 1999, a Rússia estava ainda a recuperar do caos. Em 12 meses, Boris Yeltsin teve quatro primeiros-ministros: Kiryienko, Primakov, Stepashin e Putin. Um mês após o seu indigitamento como primeiro-ministro, Putin começou a apertar o controlo e ordenou o regresso das tropas russas à Tchetchénia, para reassumir a autoridade russa naquela república. Com este procedimento pôs um fim aos eventuais sonhos secessionistas nas regiões que tivessem ideias semelhantes.
 
A economia estava já a dar sinais de crescimento, mas o crédito deve ser dado a Primakov. Com o aumento do preço do petróleo, a economia russa tornaria quem quer que estivesse em funções num génio económico, mas o crescimento do PIB deu certamente popularidade acrescida a Putin.
 
Não se sabe ao certo o que o motivou, mas existem alguns indícios. Putin ficou chocado com o modo como Yeltsin actuou. Qualquer que fosse a sua motivação, era um centralizador e tentou preservar e recuperar o que conseguisse dos poderes do estado soviético.
 
Qual a sua visão do mundo? Sabe-se que disse que o fim da URSS foi a maior calamidade geopolítica do século XX, um século em que aconteceram duas guerras mundiais em que morreram milhões de pessoas, um século onde existiram o nazismo e o Holocausto, o estalinismo e o Gulag. Mas, para ele, o desmantelamento pacífico da URSS foi a maior calamidade geopolítica desse século.
 
Porém, mais cedo do que se esperava, a economia mundial começou a recuperar. Em 1999, quando o preço do petróleo começou a aumentar para mais de $100 o barril, a memória do colapso financeiro de 1998 e do seu impacto na Rússia, desvaneceram-se. Afortunadamente para Putin, a sua selecção como primeiro-ministro quase coincidiu com a recuperação dos preços, devido ao aumento do preço do barril de petróleo e o forte aumento da produção e da exportação do petróleo russo, que fizeram aumentar o valor do rublo relativamente às outras moedas. A sua primeira prioridade foi evitar que a situação política e económica da Rússia se deteriorasse mais. A desvalorização do rublo, juntamente com o aumento dos preços do petróleo, provaram ser uma bênção disfarçada. Este lucro inesperado explica a razão pela qual a produção industrial total aumentou 6,4% em 1999 e 10% em 2000, relativamente a 1999. Apesar de Putin ter iniciado funções no Verão de 1999, muitos (inclusivamente a revista “Time”) o consideraram “o homem do ano”, pensando que ele tinha sido o responsável pela reviravolta.
 
Em 2000, o preço do barril de petróleo chegou aos $33, o dobro de dois anos antes. Muito do impulso para esta alteração foi em grande parte devido à recuperação na Europa e nos EUA, mas também a uma maior procura de petróleo e de gás na Índia e na China. Esta, que tinha sido exportador até 1993, em 2005 tinha-se tornado num importante importador (40% do seu consumo). Em 2004, o seu PIB cresceu 9%, mas o consumo de petróleo cresceu 16%, tendo tido, de 2001 a 2006, um crescimento médio de 11,4%, maior do que os 10% do crescimento médio do seu PIB nesse período. De 2001 a 2005, a China foi responsável por 40% do aumento no consumo de petróleo. Em 2005, o grupo de “países emergentes” originou 90% do aumento da procura.
 
Idêntico panorama é o da Índia. Importa agora cerca de 2/3 da energia que consume. Espera-se que passará a importar ainda mais para continuar o seu crescimento, que tem sido de 8%/ano.
 
O estreitamento do mercado dos produtos energéticos e o aumento de preços que se seguiu tiveram um impacto directo na Rússia. Por isso, os oligarcas começaram a investir na exploração geológica e em melhor equipamento.
 
No início de 2001, Putin continuou a sua campanha aumentando o seu controlo sobre a Gazprom. Graças aos lucros provenientes das exportações energéticas, a Rússia passou a ser a terceira potência em reservas de ouro e divisas estrangeiras ($420 mil milhões), apenas atrás da China e do Japão. Com tanta liquidez, o governo russo começou rapidamente a pagar as suas dívidas e, no final de 2006, tinha-as reduzido a cerca de metade.
 
A expansão do mercado exportador de recursos energéticos tem normalmente um impacto negativo nas indústrias domésticas e desencadeia uma luta denodada pelo controlo dos campos de petróleo, pelo menos em países onde o Estado permite companhias privadas no sector. Sempre que a indústria petrolífera e de gás natural começa a dominar a economia de um país, as instituições democráticas tendem a enfraquecer, senão mesmo a colapsar (i.e. Venezuela e Angola).
 
Putin começou por se manifestar contra o exagerado número de partidos políticos no país. Insurgiu-se também contra os OCS, por pensar que muitos oligarcas utilizavam os canais de TV que possuíam para atacar os interesses do Estado, em vez de os defender.
 
Putin fez voltar ao controlo do Estado as abundantes as matérias-primas e os recursos naturais. Em vez de permitir que as empresas controladas pelos oligarcas se focalizassem apenas nos lucros, propôs que elas deveriam ser utilizadas em proveito dos interesses nacionais. Por outro lado, deixou entender que a Rússia agradecia os investimentos de capital estrangeiro, mas esses investidores tinham de compreender que a Rússia reteria o controlo das operações.
 
Parte da estratégia de Putin está na reimposição, não só do controlo, mas da posse pelo Estado de pelo menos 50%+1 das acções da maioria das companhias petrolíferas, metalúrgicas ou de confecção de produtos manufacturados que tinham sido privatizadas no início dos anos 90.
 
Como passo inicial, Putin colocou nas empresas estatais administradores que pudesse manobrar para atingir aquelas finalidades. Tal obrigou à remoção de vários dos oligarcas mais influentes e poderosos das empresas recém-privatizadas. Como resultado, de 2000 para 2007, a percentagem dos lucros do Estado na produção de petróleo triplicou.
 
Começou também a perseguir os oligarcas novos-ricos que não eram oriundos da “nomenclatura”. A sua “mensagem” era um aviso para impedir ataques nos OCS e interferências na Duma (Câmara Baixa do Parlamento) sobre as suas políticas. A maior parte deles compreendeu a “mensagem”. Um dos poucos que não a aceitaram foi Mikhail Khodorkovsky, administrador da Yukos, de um banco, com interesses em estações de televisão e um dos homens mais ricos da Rússia. Foi preso em finais de 2003 e acusado de evasão fiscal, roubo, fraude, falsificação e extorsão. A sentença final foi de 23 anos de prisão. A Yukos foi declarada na bancarrota e englobada noutras empresas estatais (i.e. Rosneft) por processos obscuros. Este caso passou a ser uma “pedra no sapato” na posição oficial de que a Rússia era “um país normal”, um “estado de direito”, mas teve o efeito desejado por Putin: o desaparecimento de Khodorkovsky da cena económica e política, o desmembramento da Yukos, a sua renacionalização e redistribuição efectivas, e evitar que caísse nas mãos de empresas estrangeiras, como a Exxon-Mobil.
 
Mas nem todos concordam com tudo, mesmo na Rússia. O líder do Partido Yabloko, um dos mais pró-ocidentais, disse numa entrevista ao “Economist” em 2006: “Boris Yeltsin tomou algumas decisões erradas na direcção certa, a da democracia; Putin tomou medidas certas na direcção errada, a de um petro-estado autoritário”.
 
Talvez a sua decisão mais controversa tenha sido ignorar o cessar-fogo aceite em 1996 por Yeltsin e ter ordenado o regresso das tropas russas à Tchetchénia em 1999, em retaliação contra os ataques bombistas em Moscovo e outras cidades. Ainda hoje não há a certeza de os tchetchenos terem sido os responsáveis por esses atentados.
 
Contudo, a contribuição mais significativa de Putin para o renascimento da economia russa, foi a adopção da ideia de empresas “campeãs nacionais”. Foi a sua ideia de fazer convergir os interesses do Estado com as capacidades do sector privado. Percebeu correctamente que a Rússia pouco tinha na sua economia que pudesse igualar os seus recursos energéticos e minerais. Utilizados com perícia, o petróleo, o gás e outros minerais exóticos, colocados por Yeltsin sob o controlo de oligarcas e das suas empresas, podiam ser utilizados para defender os interesses do Estado.
 
Putin manteve o conceito de privatização, apesar de usar argumentos subtis (e por vezes a intimidação) para convencer as empresas que deviam apoiar o que ele tinha definido como interesses estratégicos ou geopolíticos do país.
 
O aparecimento da China e da Índia como vorazes consumidores de energia e de metais colocou a Rússia e os seus abundantes depósitos numa forte posição negocial. Aproveitando estas alterações nas condições do mercado, Putin utilizou habilmente o potencial energético da Rússia para fazer avançar a sua agenda económica e política, assemelhando-se por vezes ao que Lenine denominou como “imperialismo económico” soviético.
 
Este imperialismo económico não se limitou ao exterior. Após a revolução de 1917 e a desintegração da URSS em 1991, o governo achou necessário oferecer concessões a empresas energéticas estrangeiras, porque as empresas russas não eram capazes de explorar os depósitos petrolíferos do país, principalmente aqueles localizados “offshore”. Mas após as suas indústrias terem recuperado economicamente o suficiente, ou não cumpriam os acordos contratuais, ou encontravam pontos fracos (suspeita de evasão fiscal, regras ambientais, etc.) para os denunciar, como fizeram na Sacalina e em Kovykta, na Sibéria Oriental.
 
A bancarrota e a renacionalização da Yukos foi um exemplo claro de como o Estado utilizava medidas extremas para voltar a ter o controlo de uma empresa privada. Para as vítimas, era uma forma de “imperialismo económico” doméstico.
 
Será a posse de grandes reservas de petróleo e de gás natural uma bênção ou uma maldição para um país? Na Noruega não foi uma maldição porque o país há muito que estava industrializado e democratizado. Ao contrário, é difícil de ver que países como a Líbia, o Irão, a Nigéria, ou mesmo a Arábia Saudita, tenham beneficiado das suas riquezas energéticas. Existe o perigo, como a maioria dos países da OPEP descobriram, que ter o petróleo e o gás natural como principal exportação, pode corromper um país, colocando em lugar secundário indústrias com mais trabalho intensivo, o desenvolvimento de tecnologia e o capital humano.
 
Após um período de dificuldade em ser auto-suficiente, a Rússia emergiu como uma outra espécie de superpotência, que assenta o seu poder na economia e na energia. O papel do petróleo e do gás na Rússia é uma história de descoberta, intriga, corrupção, riqueza, maus julgamentos e decisões, gula, apoios financeiros, nepotismo e poder.
 

5.  A utilização político-estratégica dos recursos energéticos fósseis

O embargo petrolífero que se seguiu à “guerra do Yom Kippur”, de 1973, ensinou o Ocidente que a manipulação do abastecimento de energia poderia ter repercussões financeiras importantes e poderia também ser uma poderosa arma política.
 
Determinados em reduzir a sua enorme dependência energética do Médio Oriente, os líderes europeus dos anos 1980, nomeadamente os alemães H. Kohl e G. Schroeder, concluíram que deviam diversificar as suas fontes de abastecimento. Daí, terem-se virado para a URSS e, posteriormente, para a Rússia.
 
Embora a compra de petróleo e de gás natural à Rússia tenha as suas vantagens, também comporta bastantes riscos, especialmente para os consumidores de gás natural. Os gasodutos são de construção extremamente cara, e ninguém pode construir um segundo gasoduto para outro fornecedor como alternativa ou em emergência. Deste modo, embora a rede europeia de gasodutos tenha ligações a três fontes principais de abastecimento (Rússia, Argélia e Mar do Norte), os países consumidores tendem a depender de uma só fonte e isto torna-os vulneráveis perante esse abastecedor. O LNG (gás natural liquefeito) pode ser transportado por via marítima e poderia servir como alternativa, mas requer muitos milhões de investimento, quer para os transportadores, quer para as refinarias de transformação.
 
No seu esforço de diversificação, os europeus decidiram também reduzir a sua dependência do petróleo e do carvão. Em 2004, 78% da energia em França é de origem nuclear. Por razões ambientais, a Alemanha começou por utilizar a energia nuclear em 30% das suas necessidades mas, posteriormente, desactivou-a. Face à sua proximidade com a Rússia, aceitaram complementar o gás natural que vinham recebendo do Mar do Norte, com um gasoduto vindo da Rússia. Por outro lado, a construção do gasoduto e dos compressores associados gerariam empregos na Europa.
 
A Rússia não é a única fonte de abastecimento de gás da Europa. A Noruega e a Argélia são também fornecedores importantes, bem como o Reino Unido e a Holanda. Mas as suas reservas estão a esgotar-se. A Rússia fornece mais de 25% do gás que a Europa consome. A Finlândia e os Países Bálticos dependem da Rússia a 100%; a Alemanha em cerca de 40%. À medida que as reservas dos outros fornecedores vão diminuindo, a dependência da Rússia irá aumentar. (Ver Fig. 2)
 
Durante vários anos, a Gazprom, tal como o Ministério do Gás antes dela, manteve intencionalmente os preços do gás natural que vendia dentro das fronteiras da ex-URSS bastante abaixo dos praticados no Ocidente. Tal teve por finalidade facilitar a industrialização soviética.
 
Apesar das repetidas afirmações dos seus dirigentes de topo que “A Federação Russa sempre cumpriu, inteira e completamente, as suas obrigações, e continuará a fazê-lo”, a Gazprom reduziu significativamente o seu fornecimento à Ucrânia, à Geórgia e à Moldávia, em Janeiro de 2006, com o argumento que se tinham recusado a pagar o preço de mercado europeu. Porém, outros países clientes da Rússia, como a Bielorrússia e a Arménia, pagavam preços mais baixos, todos perceberam que a Rússia estava a utilizar o seu gás como uma arma mais política do que económica.
 
Pouco tempo depois de assumir o cargo de presidente da Ucrânia, no início de 2005, Victor Yushchenko esfriou as suas relações com a Rússia e tentou uma aproximação ao Ocidente. Reagindo, a Gazprom, incitada por Putin, avisou que tal atitude levaria à cessação dos subsídios no preço do gás. Se Yushchenko estava disposto a ter uma relação mais chegada com o Ocidente, deveria estar preparado para pagar os mesmos preços. No início de 2006, a Gazprom pediu à Ucrânia $150 por 1000 m3, um aumento de 300% sobre o preço anterior. Recusando ser ameaçada, a Ucrânia insistiu em pagar um preço mais baixo, tal como a Bielorrússia, pois era isso que estava nos contratos. A Gazprom insistiu que os contratos tinham expirado e reduziu o abastecimento, o suficiente apenas para cumprir as suas obrigações para com os clientes da Europa Ocidental. A Ucrânia, argumentando que a Gazprom tinha violado o contrato, continuou a utilizar a mesma quantidade de gás, ficando a Europa Ocidental, que pagava a totalidade, apenas com a quantidade restante.
 
Estas divergências entre a Rússia e a Ucrânia lançaram dúvidas sobre a integridade e a transparência das trocas económicas. Os argumentos da Rússia enfraqueceram quando se soube que 60% do gás fornecido à Ucrânia provinha do Turcomenistão, a quem a Gazprom recusava pagar mais de $46 por 1000 m3.
 
Tudo isto ilustra que o controlo que a Gazprom exercia sobre a rede de gasodutos era um dos argumentos estrategicamente mais valiosos que a Rússia possuía. Os países da Ásia Central apenas podiam exportar gás para a Europa através dos gasodutos russos!
 
Decorrem esforços, desenvolvidos pelos EUA e alguns países europeus para construir um gasoduto alternativo sob o Mar Cáspio, da Ásia Central para Baku. Esse gasoduto correria paralelo àquele outro, privado, que liga Baku, Tbilisi e Ceyhan, Turquia, no Mediterrâneo. Os russos, juntamente com a empresa italiana ENI, estão a fazer todos os possíveis para evitar que tal aconteça.
 
Quanto à Geórgia, dado o seu papel crucial nesta ligação, tem sido alvo de desestabilização por parte da Rússia, para evitar que possa operar o gasoduto com normalidade. Se a Geórgia for envolvida em instabilidade, os investidores não quererão arriscar investimentos nesse segundo gasoduto. Tal explica, pelo menos parcialmente, o apoio aberto dado às exigências de secessão da Ossétia do Sul e da Abkhazia.
 
Mas a Rússia não fez apenas isso! Em 2006, declarou um embargo às importações de vinho, água mineral, fruta e legumes, as principais exportações georgianas. Ao mesmo tempo, encerrou os serviços postais e de transportes para a Geórgia, restringindo assim o seu meio de ligação mais importante para o exterior. Expulsou também georgianos que viviam e trabalhavam na Rússia, fez vários cortes de energia e o gasoduto da Rússia para a Geórgia explodiu misteriosamente. Tudo isto coincidiu com a campanha contra a Ucrânia e a aplicação de medidas idênticas à Moldávia.
 
Subindo a parada, a Gazprom exigiu que lhe fosse concedida a posse dos gasodutos para a Geórgia e para a Moldávia. Em 2007, os dois países aceitaram pagar mais pelo gás (no caso da Geórgia, $235 por m3). A Geórgia recusou as exigências da Gazprom sobre os gasodutos, mas a Moldávia e a Arménia sucumbiram e acederam em vender uma percentagem e o controlo das suas redes de distribuição.
 
A Geórgia conseguiu quase imediatamente alternativa para o fornecimento de gás, primariamente do Azerbaijão. Se a intimidação à Geórgia não resultou, a Rússia continuou a pressionar a Ucrânia e, em 2007, mesmo o seu aliado de sempre, a Bielorrússia, teve de aceitar um preço de $100 por 1000 m3, o dobro do ano anterior. Em resposta, a Bielorrússia impôs um preço de passagem de $45 por tonelada de petróleo vendido à Europa Ocidental e cujo oleoduto passava por solo bielorrusso. Após 10 dias de altercações, os dois países chegaram a acordo: $53 por 1000m3 de gás e nenhum preço de passagem para o petróleo.
 
O problema da Geórgia não é pois o seu presidente, Saakashvili, a “revolução das rosas”, a Ossétia do Sul, ou a Abkhazia. É o óleoduto Baku-Ceyhan!
 
Os novos países da Ásia Central estão realmente vulneráveis. Desde que não exista alternativa aos gasodutos controlados pela Gazprom para transportar o seu gás para a Europa, têm de aceitar o preço ditado por aquela empresa, ou conseguir clientes na Ásia. Isto explica o interesse demonstrado pelo Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão no gasoduto sob o mar Cáspio.
 
Os oleodutos e gasodutos a construir sob o Cáspio têm tido a oposição russa com o argumento de que o estatuto legal do Mar Cáspio não está ainda definido internacionalmente. Os cinco países que o circundam (Rússia, Azerbaijão, Irão, Turcomenistão e Cazaquistão) não conseguem acordo nem consenso sobre esta matéria. Se for considerado como “mar”, existirão precedentes e tratados garantindo o acesso de navios estrangeiros. Se for considerado meramente um “lago”, essas obrigações não existem. O estatuto regulará três assuntos principais: acesso aos recursos energéticos, acesso à pesca e a águas internacionais, através da rede de canais que ligam o Mar Negro e o Mar Cáspio, através do rio Volga, ao Mar Báltico (recorde-se que a rede de canais é território russo, e que o Azerbaijão, o Cazaquistão e o Turcomenistão não têm costa marítima) e problemas ambientais e de poluição.
 
Conscientes de quanto estão à mercê de futuros cortes, vários países europeus estão a pensar vias alternativas de abastecimento. De qualquer modo, outros produtores de gás natural da Ásia Central (Cazaquistão, Turcomenistão e Uzbequistão) não podem fornecer gás à Europa, pois estão dependentes dos gasodutos da Gazprom, herança ainda da era soviética. Alguns dos países europeus têm tentado quebrar este monopólio, apoiando outro gasoduto que atravessaria submerso o Mar Cáspio, ligando a Ásia Central ao Azerbaijão. No final de 2006, um consórcio liderado pela BP iniciou a construção de um gasoduto no Sul do Cáucaso, destinado a transportar gás natural do Mar Cáspio (costa do Azerbaijão) e daqueles países da Ásia Central, através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia, para o porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo, paralelamente ao óleoduto que já existe. Daqui, o gás seria transportado pelo gasoduto NABUCCO (a ficar concluído em 2011), passando pela Bulgária, Roménia, Hungria e Áustria) para a Europa Ocidental. (Ver Fig. 3)
 
A Rússia, através da Gazprom, aumentou imediatamente o fornecimento à Turquia pelo gasoduto Blue Stream, sob o Mar Negro. Enviou também uma delegação à Hungria, com uma proposta de gás mais barato e mais rápido, de um contrato atractivo de longa duração, e de passar a ser a Hungria, e não a Áustria, o núcleo de distribuição europeia. No início de 2007, os húngaros acederam a receber metade por cada gasoduto.
 
Putin e a Gazprom lançaram também um projecto, envolto em controvérsia, de um gasoduto (Nord Stream) sob o mar Báltico directamente para a Alemanha (Ver Fig. 4). Claro que cortar o abastecimento de gás à Alemanha seria muito mais problemático do que fazê-lo à Ucrânia, mas seria possível. Os países da região opuseram-se ao projecto, justificando essa posição pelos danos ecológicos que traria ao já muito poluído Báltico. A Suécia e a Estónia defendem que o projecto tem de ter a aprovação de todos os países cujo território fosse atravessado pelo gasoduto e, por esta razão, o projecto foi adiado no mínimo por um ano. A Suécia opõe-se também por desconfiar que a Rússia utilizará o gasoduto para instalar equipamentos subaquáticos para escutas secretas de comunicações.
 

6.  A nova arma secreta sem restrições da superpotência: o gás natural.

Enquanto a Arábia Saudita possui as maiores reservas de petróleo bruto, a Rússia tem as maiores reservas de gás natural (cerca de 28% das reservas mundiais). O Irão é o segundo, com cerca de 15% e o Qatar segue-se com cerca de 14%. O Canadá, que é um dos principais fornecedores dos EUA, detém apenas 1%. A Rússia tem pois uma posição dominante. As suas reservas e os seus gasodutos, se estrategicamente utilizados, podem dar-lhe uma potencial arma política e económica poderosa. Putin compreendeu este potencial e reconheceu quase instintivamente que a Gazprom seria uma “bandeira” ideal.
Em 2006, segundo ele, a Gazprom era a terceira maior empresa mundial, apenas atrás da Exxon-Mobil e da General Electric (a Microsoft empurrou-a posteriormente para quarto lugar).
 
Hoje em dia, se a Rússia ou a Gazprom ameaçarem suspender o fluxo do seu gás natural, muito pouco se pode fazer para o impedir. A Rússia tem efectivamente o monopólio do gás que fornece através dos seus gasodutos. Após cerca de 20 anos, o gás natural russo tornou-se uma parte integral das economias dos países que serve (Ver Fig. 4). Se ele fosse reduzido, os consumidores na Alemanha ou noutros países da Europa Central teriam sérios problemas para encontrar substituto. O carvão poderia sê-lo, mas seriam necessários muitos meses para fazer os ajustamentos necessários e pelo menos um Inverno passaria entretanto. Por isso, um gasoduto se parece com um cordão umbilical.
 
É por esta razão que o sucesso ou falhanço político e económico da Rússia, através da Gazprom, a coloca numa posição mais forte do que nunca (mesmo durante a “guerra-fria”) relativamente à Europa Ocidental.
 
A sua influência poderia ser reduzida se os europeus conseguissem um processo de ter acesso ao gás natural da Ásia Central, sem ter de passar pela Rússia. Esta rota alternativa tem sido apoiada pelos EUA e pela UE e é considerada por ambos como uma prioridade.
 
Outra alternativa para os países da Ásia Central é virarem-se para Leste e vender à China, à Índia ou ao Irão. O Cazaquistão já construiu um óleoduto para a China. O acesso da China aos três países da Ásia Central permitir-lhe-á ter uma posição negocial mais dura com a Rússia e com a Gazprom sobre preços.
 
Alguns economistas apontam o facto da construção de 1 km de gasoduto custar em média à Gazprom três vezes mais do que às outras empresas mundiais. Os russos defendem-se dizendo que constroem a maior parte dos seus gasodutos em gelo permanente ou em áreas pantanosas. Dada a alta latitude onde se localizam muitos dos depósitos energéticos russos e, por vezes, no mar, e a distância a que estão de potenciais consumidores estrangeiros, o seu transporte não é tarefa fácil, pois os invernos russos são longos e muito frios (que o digam Napoleão e Hitler) e os portos sem gelo e de águas profundas são poucos ou inacessíveis. Além disso, os grandes rios da Sibéria correm todos para Norte, para o Árctico, e não para Leste ou para Oeste, onde se encontram os potenciais consumidores.
 
Para complicar ainda mais o problema, alguns cépticos afirmam que a Rússia se comprometeu com demasiadas obrigações e que a Gazprom não investiu o suficiente na melhoria e no desenvolvimento de novos jazigos. A tecnologia de perfuração russa tem-se deixado atrasar relativamente ao ocidente, particularmente a utilizada “offshore” e alguns técnicos dizem que cerca de 30% dos gasodutos e outros equipamentos essenciais necessitam de substituição. De acordo com os mesmos especialistas, as empresas russas queimam cerca de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás como subproduto da extracção de petróleo, um desperdício enorme.
 
A Gazprom tem continuado a manter um controlo monopolista apertado, não só sobre a rede nacional de gasodutos, mas também sobre a produção. Ocasionalmente, quando sente a necessidade de renovar a tecnologia necessária para explorar os locais mais difíceis (i.e. na Sacalina e no mar de Barents), a Rússia aceita com relutância a intervenção de companhias estrangeiras mas, tal como no passado, quando começam a controlar os novos processos, volta a reduzir drasticamente o envolvimento estrangeiro. Apesar de estar actualmente mais aberta ao exterior, o sentimento de paranóia e de xenofobia da época soviética ainda não desapareceu completamente. Este problema vem já dos tempos soviéticos, quando a URSS proibia muitas das suas empresas e técnicos de terem acesso ao Ocidente, por medo de “contaminação ideológica”.
 
Como exemplo desta postura, em 2007 Putin queixou-se que existiam demasiados estrangeiros com posições de relevo em empresas russas, em especial naquelas que produziam matérias-primas.
 
Desde o fim do séc. XIX que existiam provas da existência de petróleo na ilha Sacalina, situada no Mar de Okhotsk, a Norte do Japão (Ver Fig. 5). Porém, devido às condições climáticas extremas e ao trabalho “offshore”, não foi possível explorar aqueles depósitos por si só. Em 1975, as autoridades soviéticas acederam a permitir a exploração de petróleo e gás por empresas japonesas. Esta foi uma das raras ocasiões em que foi permitida a uma empresa estrangeira actividade comercial dentro da URSS. As condições de trabalho na Sacalina são das mais extremas do planeta: o mar está gelado durante a maior parte do Inverno, não permitindo o trabalho e as placas de gelo são um perigo constante para as brocas de perfuração. A Exxon-Mobil resolveu o problemas das placas de gelo perfurando verticalmente em terra firme e, depois, redireccionando o furo horizontalmente sob o fundo do mar. Os russos não tinham tido acesso a esta tecnologia.
 
Não muito tempo depois, contudo, quando as companhias quiseram rever as verbas estabelecidas, porque os custos tinham ultrapassado bastante o previsto, a Rússia pressionou para renegociar o acordo inicial.
 
O que se pode concluir deste e de outros casos semelhantes é que a Rússia, uma vez de posse das ferramentas necessárias para revitalizar o sector energético, deixam de agir como pedintes. Para utilizar termos correntes, têm a faca, o queijo e o pão na mão, e portanto podem fazer o que quiserem. O problema é que o não fazem de um modo “civilizado”. Se a Rússia pretende ser - como parece querer merecer - um membro do G-8 países de economia de mercado desenvolvidos e democráticos, não pode continuar a agir como no passado.
 
Os sauditas tradicionalmente nunca deixaram oscilar demasiado o preço do petróleo. Assim, quando os preços baixam bastante, pressionam os outros membros da OPEP para reduzir a produção. Por vezes, fazem-no unilateralmente. Do mesmo modo, quando os preços sobem muito, utilizam as suas reservas para aumentar a produção.
 
O aumento rápido dos preços no início dos anos 2000 levou a uma dessas reacções sauditas. Após subirem de $15/barril em 1998, para $77/barril em meados de 2006, os preços estabilizaram no início de 2007 um pouco abaixo dos $50.
 
Quando a OPEP reduz a sua produção, a Rússia normalmente aumenta a sua.Por isso, em finais de 2006, a Rússia voltou a ser o maior produtor mundial. No início de 2007, com o barril de petróleo a rondar os $100, a Rússia e as empresas petrolíferas prosperavam.
 
Mas o que realmente fez alterar os termos da equação foi a chegada da China e da Índia ao mercado!
 
Com esta nova dinâmica, os mercados e fornecimentos de energia vão ser mais apertados. Substitutos e mercados adicionais tornar-se-ão mais difíceis. Enquanto esta situação fortalece os produtores (e explica parcialmente o comportamento e o perigo de gente como Hugo Chavez), ela é particularmente importante para a Rússia. As suas reservas confirmadas são quase iguais às da Arábia Saudita, cerca de 42% das reservas “não OPEP”. Adicionalmente, grande parte da Rússia continua inexplorada pelos geólogos, sendo ainda possível encontrar mais petróleo e gás.
 
Enquanto as exportações de petróleo faziam da Rússia um país rico, permitindo-lhe pagar as suas dívidas externas, o seu monopólio do gás natural e dos gasodutos que o transportam para Ocidente, transformaram a Rússia numa superpotência energética com renovado ímpeto político.
 
A Rússia tem resistido a ser membro da OPEP porque não quer subordinar as suas decisões às de um grupo, preferindo que sejam outros a coordenar os cortes a efectuar. Isto permite-lhe aumentar a sua própria produção para beneficiar da subida dos preços que os cortes da OPEP proporcionam. Foi isso que fez em 1973.
 
Em 2006-2007, debateu-se se a Rússia poderia criar algo semelhante à OPEP relativamente ao gás natural. Os seus principais parceiros seriam seguramente o Irão, o Qatar e a Argélia. Porém, o mercado do gás é diferente do mercado do petróleo. Os países produtores de gás não podem mudar o destino dos seus fornecimentos facilmente.
 
A diplomacia russa dos gasodutos não se restringe à Europa. As dinâmicas economias asiáticas também são mercados importantes para as exportações energéticas russas, nomeadamente da ilha Sacalina e do campo Kovytka, na Sibéria Oriental, perto de Irkutsk e do Lago Baikal. O Japão, a Coreia do Sul, a China e possivelmente a Índia são mercados potenciais. Em 2006, numa visita à China, Putin indicou que construiria dois gasodutos para a China. Dadas as distâncias envolvidas, construir um gasoduto para a China é um enorme desafio de engenharia. Porém, a empresa estatal petrolífera cazaque construiu já um óleoduto de 970 km entre o Cazaquistão e a província do Xinjiang, no Noroeste da China, que irá ser ampliado até às margens do Cáspio.
 
Em Fevereiro de 2007, na Conferência Anual de Política de Segurança de Munique, criticou abertamente a NATO por instalar bases na Europa Central (em países do ex-Pacto de Varsóvia) e, em Junho, num discurso dirigido a empresários russos e ocidentais, Putin criticou abertamente o modo de funcionamento do FMI, chamando-lhe “arcaico, não-democrático e inadequado”, acusou os EUA, a UE e o Japão de dirigir a organização como se tratasse de um “clube privado”, e questionou porque só o dólar e o euro podiam servir como divisas internacionais.
 
No mesmo ano, na Conferência de Segurança de Munique, disse a uma audiência NATO qualquer coisa como: “Quando estávamos fracos, caídos no chão, vocês, os ocidentais, pisaram-nos. Agora, recuperámos as forças e não seremos pisados de novo.”
 
Ainda em 2007, Putin afirmou em Zagreb, numa conferência internacional sobre energia, que “em 40 anos, apesar das alterações globais sérias, a Rússia nunca quebrou um compromisso contratual”. Porém, é sabido que, em várias ocasiões, antes e depois de 1991, os abastecimentos de produtos energéticos foram várias vezes cancelados quando um cliente se opunha aos objectivos políticos e/ou económicos da URSS/Rússia: a Jugoslávia de Tito, Israel em 1956 e os países bálticos em 1990. O mesmo sucedeu mais recentemente, como já foi referido, com o fornecimento de gás natural à Ucrânia, à Bielorrússia, à Geórgia e à Moldávia.
 
Para a Rússia, em termos de soberania, é muito difícil controlar o seu imenso território do Oriente, com um clima extremamente agreste, com uma profunda crise demográfica, alcoolismo, uma das taxas de mortalidade mais elevadas do mundo, imigração e a pressão da China.
Mesmo tendo a população a crescer, a Rússia tem um problema em encontrar gente para viver nas províncias marítimas do Extremo Oriente. Como consequência, apenas 4,6% da população russa ocupa 36% do seu território. Assim, ao passo que, naquela região, a população russa diminui, a população chinesa imediatamente adjacente à fronteira, ao longo do rio Amur, está a crescer rapidamente e já ultrapassou os 38 milhões.
 

7.  Conclusão

As condições económicas e financeiras da Rússia melhoraram substancialmente desde o colapso de Agosto de 1998. A sua recuperação foi quase considerada um milagre político e económico. A quase totalidade da dívida externa foi paga, e tem agora mais de $500 mil milhões em divisas fortes. Mas um colapso significativo no preço da energia terminaria com o seu estatuto de superpotência energética. Países com uma “monocultura” baseada na energia têm amiúde problemas económicos, sociais e políticos complicados. Até agora, a Rússia tem tido mais benefícios do que contratempos. A sua riqueza em gás natural e em petróleo, numa época em que os mercados parecem estar superlotados durante os próximos anos, dá à Rússia um poder político e económico sem precedentes.
 
Nos tempos mais próximos, não parece existir modo de conter o comportamento russo. Enquanto acumulam mais dólares e mais euros, irão utilizá-los para alargar os seus investimentos fora do país. Por outro lado, está a aumentar o investimento nas suas forças armadas. Em 2005, as despesas militares aumentaram 27% relativamente a 2004 e, em 2007, 22% relativamente a 2006.
 
Putin é um homem racional e não tentará recriar uma nova URSS. Mas fará duas coisas: vai tentar isolar a Ásia Central para manter o Ocidente o mais possível de fora; e vai tentar submeter estados como a Ucrânia e a Geórgia porque eles são geopoliticamente críticos. Existe ainda uma outra dificuldade que Putin não consegue resolver: o que acontecerá à estrutura política e social quando ele abandonar o cargo?
 

Bibliografia

GOLDMAN, Marshall I. - “Petrostate - Putin, power and the new Russia”, Oxford University Press, New York, 2008.
BRZEZINSKI, Z. & SCOWCROFT, B. - “America and the world”, Basic Books, New York, 2008.
FERGUSON, Niall - “A ascensão do dinheiro - uma história financeira do mundo”, Civilização Editora, Porto, 2009.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

*     Mestre em Estratégia pelo ISCSP.
 
[1] $ = US dólares.
 
[2]  Situação que ficou conhecida como MAD (Mutual Assured Destruction) = destruição mútua garantida.
 
[3]www.eia.doe.gov/emeu/cabs/Russia/Maps.html, 2008-05-11.
 
[4]www.google.pt/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/41/Nabucco_Gas_Pipeline-fr.svg/800px-Nabucco_Gas_Pipeline-fr.svg.png&imgrefurl, 2009-05-11.
 
[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Nord_Stream, 2009-05-11.
 
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