Nº 2499 - Abril de 2010
Editorial - Encontros com a História
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
Encontros com a História
 
Na última Reunião da Assembleia-geral da Empresa, uma deliberação aprovada mandatou a Direcção para dar sequência a uma ideia que ficou designada, num conceito abrangente e de contornos a aperfeiçoar, como “Encontros com a História”. Para o ano perfazem-se cinquenta anos sobre o início de um esforço militar da Nação que alguns designam por Guerra Colonial, outros por Guerras das Independências e nós entendemos designar pelas Últimas Campanhas do Império, já que, durante treze anos, este foi o último esforço da Nação para manter um Império que atravessou cinco séculos da sua História e que se traduzia num conceito estratégico militar muito simples: defender o Reino e preservar o Império.
 
Conceito estratégico militar que derivava, e se manteve fiel, de um conceito estratégico nacional que, após a II Guerra Mundial e as novas realidades impostas por uma nova ordem internacional que nascia, se adaptou nalgumas áreas (a industrialização, a Europa, a sociedade) mas se manteve insensível aos ventos de mudança que sopravam noutras direcções como a política e a sua componente ideológica, o direito dos povos à autodeterminação e as desigualdades gritantes do desenvolvimento humano. Conceito estratégico nacional que, com a mudança do regime político em 25 de Abril de 1974 e as suas três ideias força de Democracia, Descolonização e Desenvolvimento ainda não encontrou bases de consenso na Nação para a sua implementação. Cumpriu-se a Descolonização, mais imposta do que comandada, e o conceito estratégico militar da Nação foi adaptado ao novo contexto. Como âncora de um passado comum tem-se implementado, muito bem e aceite por as diferentes partes, a cooperação técnico-militar com as novas Nações. Porque decorre bem, não tem merecido reparos nem louvores.
 
A finalidade dos “Encontros com a História” é recolher testemunhos orais, com significado para a História Militar, de indivíduos, civis e militares, sem distinção de postos ou personalidades, que tenham vivido o período desde o final da II Guerra Mundial até 1982. Testemunhos que relatem as suas experiências naquele período, a sua vivência com outros, as suas esperanças, motivações e desilusões.
 
Quando nos debruçamos sobre a História, e as fontes que constituem a historiografia, deparamo-nos, muitas vezes, com a falta de imagens, relatos ou escritos. Tentamos interpretar por textos que ficaram, por algumas representações muitas vezes feitas por ter ouvido contar, com a falta daquilo que novas tecnologias podem proporcionar à historiografia de vindouros. Por isso desejamos recolher, em registo áudio, já que mais seria muita ambição, os testemunhos dos que ainda vivem.
 
Iremos obter as convenientes autorizações dos Comandos Militares para a nossa iniciativa. Iremos pedir a ajuda da Liga dos Combatentes e de outras Associações de Corpos de Tropas para podermos cobrir o Território Nacional. Iremos guardar o que formos recolhendo, para outros o tratarem no futuro.
 
Para que a iniciativa resulte é necessária a colaboração dos Sócios Efectivos da nossa Empresa. Aqui fica o apelo e o espaço para sugestões e ideias que melhorem a modesta intenção.
 
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*      Presidente da Direcção da Revista Militar.

 

 
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General

Gabriel Augusto do Espírito Santo

Nasceu em Bragança em 8 de Outubro de 1935.

É General do Exército, na situação de Reforma desde o ano 2000, depois de ter servido nas Forças Armadas Portuguesas durante 49 anos.

Além de Tirocínios e Estágios na sua Arma de origem possui os Cursos da Escola do Exército (Artilharia), Curso Complementar de Estado-Maior e Curso Superior de Comando e Direcção (Instituto de Altos Estudos Militares), Curso de Comando e Estado-Maior (Brasil) e o Curso do Colégio de Defesa Nato (Roma).

Falecido em 17 de outubro de 2014.

REVISTA MILITAR @ 2019
by CMG Armando Dias Correia