Nº 2508 - Janeiro 2011
EDITORIAL
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
O ano de 2011, dando crédito a várias publicações difundidas por organizações e institutos especializados em previsões, não será um ano risonho para a segurança e para o desenvolvimento. Continuarão a manter-se riscos e ameaças globais e a imprevisibilidade sobre os seus tempos e locais de ocorrência, os conflitos existentes permanecerão no impasse de resolução e outros tenderão a escalar na violência e nas populações e áreas afectadas. A economia global, com as suas assimetrias de crescimento, contínua escassez de recursos e desigualdades na distribuição, continua a não responder a um desenvolvimento global e sustentado. No velho e tradicional Ocidente um sistema financeiro desregulado e não ajustado às capacidades económicas da sua sustentação, levou a que as expectativas criadas sobre bem-estar ao longo de anos não estejam a ter respostas adequadas, pelo que a instabilidade social pode conduzir a tensões e revoltas como em outras épocas da História.
 
O equilíbrio estratégico militar mundial continuará numa evolução que reflecte as capacidades das economias. Tradicionais pólos de potencial militar vivem tempos de contracção das despesas com segurança e defesa, assumindo riscos no seu planeamento que contrariam tendências do passado recente. Outros pólos nascem em regiões do globo que levam a novas configurações geoestratégicas em espaços tradicionais como o Índico, o Pacífico, o Atlântico Sul ou o Antárctico. Parece que o aumento percentual dos PIB conta mais do que potenciais militares para essas novas configurações.
 
A defesa e as Forças Armadas de Portugal terão de seguir estas evoluções e em 2011 será iniciado mais um ciclo de planeamento que irá estar condicionado pelo enquadramento global, pelos desenvolvimentos nos espaços e Alianças em que Portugal se insere e por factores conjunturais da sua população, economia e recursos financeiros. Naturalmente que nesse planeamento terão de ser admitidos riscos mais elevados do que num passado recente. No diálogo entre estadistas e comandantes militares será importante que os riscos assumidos não comprometam segurança, disciplina e dignidade das Forças Armadas.
 
A Revista Militar irá seguir esta evolução, fiel à sua finalidade e orientação redactorial. Mas, para 2011, o nosso nível de ambição irá ser orientado para recordarmos as Últimas Campanhas do Império, na sequência das iniciativas lançadas com os Encontros da Revista, nos últimos três anos. No calendário, o ano de 2011 marca o início do esforço militar das Forças Armadas Portuguesas em Angola. Iremos recolher depoimentos de alguns que ali combateram e desafiamos leitores a enviarem-nos as suas recordações e histórias. É importante que fiquem para a História relatos de quem viveu os acontecimentos, para não ficarmos limitados a descrições e interpretações dos que ouviram dizer.
 
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* Presidente da Direcção da Revista Militar.
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General

Gabriel Augusto do Espírito Santo

Nasceu em Bragança em 8 de Outubro de 1935.

É General do Exército, na situação de Reforma desde o ano 2000, depois de ter servido nas Forças Armadas Portuguesas durante 49 anos.

Além de Tirocínios e Estágios na sua Arma de origem possui os Cursos da Escola do Exército (Artilharia), Curso Complementar de Estado-Maior e Curso Superior de Comando e Direcção (Instituto de Altos Estudos Militares), Curso de Comando e Estado-Maior (Brasil) e o Curso do Colégio de Defesa Nato (Roma).

Falecido em 17 de outubro de 2014.

REVISTA MILITAR @ 2019
by CMG Armando Dias Correia