Nº 2520 - Janeiro de 2012
A Guerra Irregular - A Conspiração do Silêncio no século XXI? (5)
Sargento-ajudante
Fernando D´Eça Leal
I - Introdução
 
E se Portugal fosse atacado por alguma força ou forças coligadas, expressando de forma clara a ocupação territorial e formasse governo fantoche? E se as Forças Armadas fossem desbaratadas ou deixassem mesmo de existir? O nosso País está preparado estrategicamente para essa possibilidade? Podemos equacionar se a ameaça exterior não existe ou pode ser real? Estamos preparados?1 Precisamos de estar cientes de alguns outros aspectos não menos importantes: Portugal continental não tem profundidade estratégica que permita o «amortecimento» de acções militares contra o nosso território e a «troca de espaço por tempo». Esta vulnerabilidade tem sido colmatada, ao longo da história, na busca da profundidade que os arquipélagos lhe conferem, embora de forma limitada e à custa da descontinuidade territorial2.
 
Na óptica estratégico-militar, a pequena dimensão de Portugal não permite, a desejável dispersão dos principais complexos industriais e dos principais centros de decisão nacionais, reduzindo acentuadamente a possibilidade de sucesso de defesas passivas, bem como a capacidade de sobrevivência contra ataques aéreos.
 
A estas e outras questões residem em corrigir esses confrontos de atribuir o carácter da guerra, porque o fenómeno não reúne todos os tipos normalmente encontrados na guerra formal, embora a sua característica é importante no sistema de reserva, reforço e de equilíbrio. Por isso, estudar esse mistério e ver quem são estes guerrilheiros, preparados antes de qualquer situação se alterar e o que podem fazer. Numa visão superficial, supostamente, as forças irregulares estão aptas numa corporação pequena ou moderada para operações paramilitares (guerrilheiras) com regras não convencionais de combate.
 
Independentemente da força adversária, quando as tropas entram em campo como entidade militar distinta, as tácticas convencionais são eficazes. Após derrota das forças militares regulares do nosso País, chegamos à conclusão de que ganharam; quando o governo inimigo adere às reivindicações feitas; ou quando este é destruído e ocupa o território. No entanto, a guerra convencional planta sementes da guerra irregular, pois antes ou depois de ocupar o nosso território, o inimigo fica vulnerável à constante resistência, além de ser obrigação de todos os portugueses de o defender.
 
Em conflitos irregulares, o inimigo luta contra alguém que é ambíguo, de propósito. Empregam todo tipo de violência, mas, na maioria dos casos, evita operar como força armada identificável. Não quer dizer desorganizada, não se denomina “exército” e não concentra forças de combate quando percebe que daí pode tirar vantagem. Estes grupos dinâmicos, até se vislumbrar ao inimigo, podem mascarar alguma revolta popular programada, encobrir intenções políticas antigovernamentais, servir ideologias extremistas e porque não, oficiar em qualquer corpo de mercenários para defender alguma corporação criminosa. Outro busílis da questão: os irregulares mesclarem-se entre a população. A retaguarda, bem como o seu santuário - geralmente e em especial quando não existe parte do território sob o seu controlo - encon-
tram-se fora da arena do conflito, sem ocupar a área geográfica concreta, convivendo entremeio com a população local. Neste último caso, não atravessam fronteiras físicas para iniciar as hostilidades. O papel das forças armadas portuguesas - num cenário hipotético e muito conciso - passa a ser irregular, a vitória final (também política), chega ao epílogo, quando coíbe a violência a tal ponto permitir o funcionamento “normal” da sociedade.
 
Não olvidar: nenhuma guerrilha é autónoma, nem nasce exclusivamente por si e ou por impulso; o advir indica, por si, a existência de qualquer posto avançado de “algo” maior e que o mesmo, embora possa aparentar, ainda vago, pode ser o grande enigma de quem os tem de defrontar.
 
Para os insurgentes, o sucesso depende em manter a iniciativa. Como negam ao governo alvos de fácil identificação, os rebeldes asseguram que aquele só pode reagir aos seus movimentos. Como reúnem forças apenas em momentos e lugares de opção, controlam o ritmo e termos do conflito. Permite-lhes salvaguardar as características mais estáveis: ​​que estão a atingir a superioridade local ao fazer uso da iniciativa e atacar de surpresa.
 
Como estão dispersos, entre a população, evitam servir de alvo conspícuo e facilmente distinguível dos não-combatentes (ou permanecem em santuários externos não acessíveis às forças ocupantes ou governamentais inimigas). Quando comparados às forças convencionais, deixam poucos vestígios passíveis de colecta pela inteligência técnica. Muitas vezes, só os habitantes da vizinhança podem fornecer dados relevantes - a identidade dos insurgentes - mas para isso, é preciso colaborar e nem sempre os sujeitos estão dispostos a exporem-se sabendo mesmo, se colaborar com o inimigo podem sofrer represálias do lado oposto e o contrário, por vezes, pode acontecer - mas aqui a guerrilha está em preeminência, porque primeiro está em vantagem e defende o País da invasão estrangeira, mesmo não sendo ostensiva e podendo ser “governado” por compatriotas manietados. A proximidade à população transforma qualquer vantagem de fogo em desvantagem, pois os insurgentes tentam induzir o inimigo ou nações parceiras a reagir em grande escala, causando a morte a civis e a destruir a propriedade, demonstrando a falta de interesse deste no bem-estar dos cidadãos.
 
A ofensiva da guerrilha não é usada para encarar o inimigo, usa o estilo de luta idêntico a si mesmo e, portanto, em muitos casos, hoje, as forças especiais podem ser temidas e contornadas por algumas organizações irregulares - muitas vezes por ignorância. Diante destas forças os insurgentes, muitas vezes, podem perder o factor surpresa permitindo-lhes reduzir as desvantagens e bater-se assimetricamente com as forças regulares.
 
Por exemplo, as “guerras revolucionárias”, sobretudo marxistas do século passado, as facções subversivas recorreriam a esses instrumentos de choque, normalmente a partir da terceira fase do conflito (violência sistemática). No entanto, em casos raros podiam avançar para a quarta fase (zona libertada) e a quinta fase (insurreição geral), como fizeram no Vietname, China e na Coreia do Norte. De acordo com o estilo actual da guerra prolongada não convencional, as guerrilhas ainda são usadas ​​na Colômbia, Afeganistão, Iraque, Médio Oriente, Argélia, Sudão, Filipinas, Indonésia e outros locais mais ou menos relevantes.
 
A táctica padrão respeitada pela guerrilha é ser superior no local da acção, i.e., raramente atacam forças mais poderosas. As células não param em locais de muito movimento e evitam o transporte de cargas por atrasarem os deslocamentos. O sistema logístico da guerrilha é simples e leve. Os irregulares definem as próprias regras de empenho e adaptam-se às peculiaridades terrestres: como combater o inimigo e as suas capacidades, sem afectar acordos internacionais nesta matéria. De qualquer forma, independentemente das cautelas tomadas, a guerrilha sabe que não está preparada para desafiar abertamente o Exército e o Estado instalado.
 
As guerrilhas não são amigas de organizar unidades numericamente superiores a batalhão de infantaria. Se fossem maiores, contrariavam os padrões orgânicos. Quando se deve integrar a massa superior, agrupa-se várias unidades menores. O paramilitar de qualquer tendência identifica-se pela Kalashnikov automática (AK47 e AK74), a arma mais popular por causa da robustez, confiabilidade e disponibilidade, no mercado ilegal. O treino guerrilheiro ocorre em duas áreas principais: o paramilitar e o ideológico de cada organização.
 
As operações de guerrilha não é restrita a nenhum grupo, não se irmanam com qualquer padrão político-ideológico específico. Para operar, requerem recursos de chefia forte, astuta e proporcional.
 
Mao Zedong afirmou que o destino final da guerrilha não é a “guerra popular”3, mas «a guerra de guerrilha e as operações do Exército Vermelho, a força principal, são complementares como as duas mãos da pessoa». Só a guerrilha não poderia alcançar a vitória militar e precisou do exército convencional. Enquanto o exército de guerrilha tem origem sediciosa, não pode ser usada como organização desse tipo na fase final da luta contra as forças do Estado. Os guerrilheiros fazem melhor a parte intermédia da luta, apoiando a “estratégia sem tempo”.
 
Usar uniforme na guerrilha é simbólico e subjectivamente prenuncia ao Estado agredido a direcção à inclusão do exército permanente e estável, mais tarde, figuram como regulares do novo Estado - a primeira fase paralela ao do inimigo; na segunda e última fase, a substituição do Estado hostil.
 
As unidades rebeldes não instalam armazéns de logística, depósitos, oficinas e hospitais, a menos se têm alguma “zona libertada” por serem alvos de grande visibilidade para plataformas aéreas tripuladas ou não. Além disso, a infraestrutura fixa compromete a flexibilidade operativa e obriga a guerrilha a acudir ao abastecimento local, sobretudo víveres. Pelo contrário, a reposição de munições é problema a exigir outras soluções.
 
O recrutamento não é interrompido, embora os escolhidos, possam aderir por convicção como querer defender a Pátria; mas também podem ser escolhidos a incorporar por persuasão - ameaça e pagamento de serviços até ao seu sequestro, quando há oposição expressa. A coesão interna é a mais vigiada pelos grupos e dá origem ao rigor disciplinar habitual dos guerrilheiros.
 
A versatilidade do guerrilheiro clássico é explorada em várias acções complementares, sobretudo em conflitos altamente ideológicos. Comprova o corolário da vocação política, os militantes fazem de doutrinadores, assistentes sociais e até mesmo, eventualmente, de administradores. Além disso, este procura contacto contínuo com a população, para sobreviver; faz o trabalho para também obter ajuda. Se o sujeito encontrar ambiente hostil, a guerrilha recebe menos informações, abrigo e colaboração. A liderança pode tentar corrigir o dano usando o terror e coacção.
 
O treino está a cargo de especialistas e mais tarde de veteranos, para quem a qualidade é mais importante do que quantidade. A célula está de acordo com o número de membros que podem ser controlados pelo líder/chefe e, portanto, varia. Esta abordagem orgânica facilita a auto-defesa: reduz problemas de comando - o controlo interno é mais fácil e ocultação o encobrimento é facilitado.
 
O registo de activistas dificilmente é excedentário, são incorporados postulantes de ambos os sexos e os líderes cuidam dos dependentes: as perdas não são cobertas facilmente; a deserção entre guerrilheiros, às vezes, causa o eclipse de unidades.
 
Os guerrilheiros não estão acostumados a combater em massa contra as forças regulares, devido à grande diferença dos respectivos recursos militares, a não ser que sejam surpreendidos. Se precisam de lidar com objectos importantes, estudam cuidadosamente a eventual concentração de forças e efectivos, uma vez o risco ocorra nem sempre compensa o resultado. Nestas operações, geralmente, vê-se a disparidade.
 
Os antigos hierárquicos aplicam tempo considerável a falar com os guerrilheiros para consolidar lealdade para com os objectivos. Nestas células são preferidos aqueles, tendo cultura básica ou superior, pois absorvem melhor a inclusão dos princípios doutrinários, mas não é regra.
 
Coincidentemente, os recrutadores têm mais sucesso com pessoas de espírito sensíveis, amantes das artes ou ideias reaccionárias, sempre inclinados a pender o lado oposto. Sem essas capas têm mais hipótese de serem chamados a executar tarefas de maior exposição pessoal.
 
Os capturados procuram tratamento de “prisioneiro de guerra” para serem colocados sob protecção das Convenções de Genebra. Assim, estão sujeitos à fiscalização pela Cruz Vermelha e, ocasionalmente, podem ser repatriados4.
 
Mas estes combatentes não representam o Estado reconhecido pela comunidade das nações, adoptam as próprias regras de empenhamento e violam sistematicamente as leis da guerra. Além disso, o terrorismo é meio normalmente usado entre os guerrilheiros.
 
Planeiam procedimentos operacionais, procuram preservar a vida dos membros, não pelo sentimento fraternal, mas para permitir a participação noutras operações subsequentes. Mao Zedong dizia: «a destruição das forças inimigas é o principal e a preservação das próprias, é secundário...». Portanto, tudo o que se faz no combate fará sentido se tende a atingir o objectivo, não importa o sacrifício a ser feito pelos membros, que é “secundário”. Esse pensamento primitivo confirma a sobrevivência dos activistas e por essa razão, não é, portanto, preocupação dos líderes.
 
Quando aparece a guerrilha numa guerra subversiva, é porque alguém iniciou a militarizar efectivos encabeçando o processo numa oportunidade a determinar. Esta não tem objectivos independentes e está associada ao plano que a transcende. Então, tecnicamente, a existência é efémera, mas a duração de intervenção fica subordinada à estratégia sem tempo.
 
Além de cumprir os fins de carácter ideopolítico, os guerrilheiros, são capazes de criar o estado obstinado de insegurança nacional, sitiar forças e instalações militares, perturbar o funcionamento da administração, bloquear a circulação, emboscar comboios e pessoas, para atentar contra autoridades locais e atacar objectivos mediáticos. Dessa forma, prova: o governo acabará por não ter capacidade de resposta aceitável.
 
Os guerrilheiros encontraram terreno fértil quando o governo e a comunidade são indulgentes ou indolentes com a lei. A falta do poder oficial gera o clima positivo ao seu progresso. Mas se o Estado conseguir abrir brecha entre a população e estes, o futuro dos activistas é automaticamente posta em causa.
 
Quando há clara rejeição popular aos insurgentes, nestes grupos manifestam tendência à fractura devido ao cruzamento de acusações entre sectores internos. Se ao mesmo tempo, o governo inimigo aumentar a pressão, as cisões são rápidas. Em ambiente social adverso às crises criadas pela guerrilha, é decididamente negativo para as necessidades de informação, alimentação, alojamento e segurança dos revoltosos.
 
Surpreender sempre o inimigo - atingido pelo sigilo, astúcia no planeamento e ataques ousados - é a rainha da arte da guerrilha: maior capacidade de manobra possível das pequenas unidades guerrilheiras evitando todos os padrões usuais; usar truques e artimanhas; explorar a escuridão e terreno; rápida compreensão e domínio das situações; camuflagem cuidada; emboscadas, ataques e destruição secreta em missões são o meio pela qual a surpresa é alcançada.
 
A guerra psicológica deve caminhar lado a lado com as acções de combate. Deve ser usada toda a possibilidade de despertar e fortalecer a vontade de resistência na população, para desgastar o moral e minar o prestígio inimigo.
 
A escolha da área operacional para as unidades de guerrilha é a tarefa do comando superior - situações a serem consideradas são:
 
a)  Exigência da política e do exército regular do alto comando;
 
b)  Resultado do reconhecimento e inteligência;
 
c)  Adequação do terreno;
 
d)  Possibilidade de reabastecimento;
 
e)  Os requisitos do alto comando do exército regular são as considerações mais importantes na guerra de guerrilha. As tarefas podem ser atribuídas:
 
  - Para iniciar e apoiar as ambições da guerrilha local na esfera de influência inimiga como meio de pressão político e de perturbar a sua indústria de guerra ou outra;
 
  - A obstrução de implantação de tropas inimigas;
 
  - Preparação da unidade de guerrilha própria, operações de ataque de longo alcance através do reconhecimento local, bem como assédio das ligações da retaguarda inimiga;
 
  - Nos últimos dias e horas antes do ataque, essas acções deveriam ser aumentadas até à paralisação temporária do comando, controlo e centros de comunicações inimigo, bem como a interrupção massiva de tráfego. No decurso do ataque, as unidades de guerrilha, são ajuda valiosa no avanço das tropas amigas;
 
  - Cobrir operações retrógradas das forças amigas através de acções contra os flancos da perseguição dos ataques inimigos e contra as linhas de suprimento inimigas, que são alongadas no decurso do ataque e, portanto, são alvos vulneráveis;
 
  - Combater com todos os meios para ganhar tempo em períodos de fraqueza e depois de ofensivas sérias na guerra regular. Após o colapso e situações aparentemente sem esperança, essa luta, nas áreas onde o inimigo está vulnerável, deve, sob implacável auto-sacrifício, ser ampliado até ao máximo de efetividade;
 
f)  O próprio reconhecimento do exército regular dá informações ao comando da guerrilha como requisitos do alto comando da guerra regular pode ser satisfeita e são encontradas as metas especialmente valiosas. Muitas vezes, o comando da guerrilha vai explorar as oportunidades políticas e militares para acções de combate de forma livre;
 
g)  A adaptação do terreno na área de planeamento operacional deve ser causada por meio de reconhecimento ou julgados por sujeitos familiarizados com o País, pois condiciona fortemente o combate possibilidades e formas de combate;
 
h)  A atitude da população é de importância tão grande para a escolha da área operacional, pelo que a atitude hostil pode tornar as operações, mesmo contra alvos importantes, quase impossível ou o apoio da população suficiente, por outro lado, faz missões contra a série de objectivos menos valiosos, rendáveis devido ao efeito de acumulação;
 
i)  As possibilidades de reabastecimento, por terra, mar ou ar, devem ser cuidadosamente examinadas, sendo factores que contribuem para a escolha da área operacional e de primordial importância para a duração das operações.
 
 
II - Organização e Operação do Movimento de Resistência Civil
 
1.   Organização
 
  A. Missões do Movimento de Resistência Civil
   
     a. Manter a fé na vitória final;
   
     b. Informar a população sobre o comportamento adequado para com o inimigo;
   
     c. Colectar e esconder armas e munições para o momento quando, juntamente com as unidades de guerrilha, a revolta aberta possa ser exibida, o que geralmente, coincide com a aproximação do colapso inimigo ou pela aproximação das tropas aliadas;
   
     d. Desenvolver o serviço de inteligência para ajudar as unidades guerrilheiras e parte do Exército, se ainda preservado, bem como dos países aliados se estiverem envolvidos;
   
     e. Manter a lista de todas as atrocidades cometidas pelos opressores para o “dia de ajuste de contas” (através de cartazes, panfletos e boatos, ter a certeza de todos, mesmo o inimigo, saibam disto, noção que vai manter muitos funcionários a comprometerem-se);
   
     f. Publicar jornal gratuito (“jornal clandestino”);
   
     g. Programas de rádio ou televisivos através da internet ou outros meios (“Comunicador da Liberdade”);
   
     h. Estabelecer a organização para esconder pessoas procuradas pela polícia inimigo (designamo-la, nesta hipótese, por Serviço de Segurança do Estado);
   
     i. Criar a rede de fuga e evasão para tripulantes de aviões derrubados de países aliados ou para presos fugidos (encaminhá-los para as próprias unidades de guerrilha);
   
     j. Falsificar cartões de racionamento para abastecer as pessoas expulsas da comunidade como os chamados “inimigos do estado” e condenados pelo inimigo à “morte lenta”;
   
     k. Falsificar dinheiro e documentos de identificação para as pessoas supra citadas, bem como os que tiveram de “desaparecer” por causa do Serviço de Segurança do Estado;
   
     l. Lutar contra a colaboração (cooperação com o inimigo);
   
     m. Organizar sabotagens, elaborar atentados contra a vida de funcionários especialmente cruéis do inimigo, bem como os traidores proeminentes;
 
       n.   Organizar elementos para lutar contra o inimigo em revolta aberta.
 
  B. Curva de Colaboração
       A percentagem é muito pequena da população a colaborar com o inimigo. Esta aumentará drasticamente logo após a aplicação das medidas terroristas - então vai permanecer constante e depois e, passado algum tempo, vai diminuir.
 
 

 
       A população está preparada a colaborar com o movimento de resistência com os erros do poder ocupante e do seu “governo colaboracionista”. Alguns erros são: recrutamento forçado de força de trabalho para o exterior; quotas trabalho excessivas (“quotas de produção”); quebra de promessas, chantagens, prisões, reféns, tortura, deportação, pelotões de fuzilamento; requisições forçadas; ocupações de casas e desmantelamento de instalações; comportamento arrogante.
 
2.   Recrutamento para o Movimento de Resistência
 
     Apesar das boas intenções, nem todos são resignados a cooperar activamente na resistência. Deve seleccionar-se membros activos cuidadosamente entre as massas disponíveis. O sucesso ou fracasso do movimento de resistência depende dessa triagem.
   
Os sujeitos com cargos públicos em tempo de paz não devem ser recrutados para a resistência. É provável serem presos e submetidos a lavagens cerebrais. Não devem ter nenhum conhecimento do movimento, assim, a organização não será comprometida, nem perde membros. Certificar-se desta “regra básica de recrutamento” a ser bem explorada, até mesmo para o inimigo5.
   
Assim, protege-se sujeitos valiosos e corajosos de alguma forma, quando o inimigo estiver ciente desta política, o interesse por elas irá diminuir. Exemplos de figurinos de membros impróprios para a resistência: políticos distintos em actividade ou afastados, economistas, editores, professores, funcionários da administração importantes. Personalidades proeminentes também estão expostas a tipo especial de perigo. Durante a fase inicial da ocupação podem até ser forçadas a apoiar publicamente o inimigo.
   
Todas estas pessoas são muito bem conhecidas para participar do “movimento clandestino”. Certamente, serão encobertas e mais cedo ou mais tarde serão presas ou até mesmo executadas. Para elas, é melhor juntarem-se às unidades de guerrilha.
     Qualquer um que desejar trabalhar com o movimento de resistência deve ser o mais discreto possível e permanecer em silêncio em público.
 
3.  Participar na Guerrilha ou Mudar para a Resistência
 
     O risco na “luta de ideologias” não é medido em termos de saber se pertence ou não ao movimento de resistência. Se, por força da função ou origem, pertence a classe social desfavorável e investigou desfavoravelmente o inimigo, este irá liquidá-lo mais cedo ou mais tarde, por expulsão ou execução. Para ser “não participante” no movimento de resistência não é muito útil, uma vez, o sistema de reféns presos ou deportados em massa vai ser aplicado indistintamente para todos, combatentes ou não. Na hora da aflição ninguém vai ajudar o “não combatente” mas como membro do movimento é protegido por esta: podem avisar da intenção de prender e ajudar a escapar.
 
4.   Actividades das Várias Secções
 
  a. Secção de Informação e Propaganda comunica à população sobre:
   
     (1)  O comportamento geral;
     
     (2)  Comportamento durante o interrogatório policial;
   
     (3)  Conduta após interrogatório policial;
   
     (4)  Procedimento na prisão, durante a deportação e em campos de trabalho forçado.
 
  b. Serviço de Informação6
    
 Divulgar notícias sobre a situação da verdadeira guerra.
 
 
 
 
 
  c. Organização da Secção de Evasão (20 a 30 pessoas)
     Tomar cuidado com o deslocamento dos evadidos:
   
     (1)  Alguns motoristas de empresas de transporte suburbanos;
   
     (2)  Certos despachantes, condutores e engenheiros ferroviários permitirão aos fugitivos andarem sem bilhete e escondê-los das unidades de segurança inimigas nos trens, se necessário;
   
     (3)  A série de habitantes confiáveis mantêm as estações de muda, onde os fugitivos podem ser alojados e alimentados antes, durante e após o transporte.
  d. Secção de Finanças
 
  Os fundos serão adquiridos nos termos seguintes:
   
     (1)  Notas falsas impressas em países aliados e contrabandeadas no País ocupado;
   
     (2)  Dinheiro falso impresso nos territórios ocupados;
   
     (3)  Fundos de apoio “camuflados” com grandes empresas;
   
     (4)  Recrutamento de empregados de bancos, funcionários dos correios e, irão passar à “clandestinidade”, com o movimento em dado ápice favorável e com grandes somas;
     
     (5)  Incursões em escritórios de financiamento ao inimigo.
 
     Utilização do dinheiro
     Esse dinheiro será usado para financiar operações de espionagem, agentes de suborno, oferecer às pessoas que passaram à “clandestinidade” e apoiar a imprensa da resistência.
     É desejável estabelecer o fundo de compensação. Aquele que quer ou é obrigado a passar à clandestinidade deve ser assegurada à família não sofrer mais do que o absolutamente necessário. Através de contribuições monetárias e pagamentos em espécie, essas famílias devem ser apoiadas pelo movimento de resistência. O mesmo tipo de apoio deve estar disponível para as famílias dos deportados, presos e executados.
 
  e. Organização da Secção de Contrafacção (8 a 10 pessoas)
       Falsificar documentos de identificação e alterar aqueles em uso (passaportes, cartões de identificação, cartões de racionamento, dinheiro contrafeito, cupões de gasolina, carimbos oficiais, bilhetes, etc.), exemplo: o grupo é composto pelo dono da oficina tipográfica disponibilizando equipamento e materiais; a secção de falsificar carimbos; secção mimeografia e o indivíduo de ligação ao movimento de resistência.
 
 

 
 
 
     f.   Organização da Secção da Imprensa Clandestina (5 a 6 pessoas)
       Esta secção irá imprimir folhetos, cartazes e jornal clandestino. É composto pelo: dono da tipografia que disponibiliza a maquinaria e instalações para o movimento, pelo menos, dois tipos de prensa móveis (uma máquina de prensa); Computadores e respectivos programas; dois tipógrafos; editor e ilustrador; o indivíduo de ligação move-se entre o movimento de resistência e o grupo de contrafacção.
 
 

 
 
  g. Secção Responsável pela Escrita de Palavras de Ordem em Paredes
       O material necessário inclui: baldes de tinta, pincéis grandes, sapatos de ginástica ou sapatos de ténis, bicicletas (não faz barulho e é relativamente rápido) e pistolas para os elementos de segurança.
 
 

 
 
I - Hipótese: Aspectos Gerais
 
O terreno em Portugal continental7, em termos gerais, pode-se dizer que não é montanhoso, mas isso não quer dizer que não haja montanhas e não tenha muitas com certas características a serem exploradas por especialistas militares como os guias de montanha nesta área8. Existe a percepção notória a Norte do rio Tejo apresenta características montanhosas e zonas de planície a Sul9. No entanto e tendo em conta a dimensão do País, a compartimentação paisagística e articulação das distintivas naturais do território com os modos de vida das populações, podemos, sem dúvida, falar de espaços geográficos de montanha ou, pelo menos, de espaços serranos10: ocupa cerca de 18% do território nacional - mesmo assim podemos separá-lo em duas áreas de relevo, não só distintas, mas de certo modo opostas: o Norte, terra alta, está presente por toda parte e cumes de mais de 1.000 m levantam-se a 50 km do mar; a Sul, região de planuras e planaltos médios11 - o agressor convencional teria de se movimentar mais a Sul, litoral Oeste e Centro. Estas vias de assalto são obviamente fortes e defendidas por posições e por forças móveis apoiadas pela Força Aérea. O plano da defesa é fazer o inimigo em cada avanço que faz, por cada milímetro adquirido, causar-lhe a vida sangrenta e onerosa. Se destruída as principais unidades do Exército - a doutrina pede resistência passiva e activa continuada por meio da guerrilha.
 
Podemos afirmar que a compartimentação do terreno dificulta acções militares terrestres no sentido Norte-Sul, e vice-versa, mas permite materializar mais que uma direcção natural de penetração para o interior da Península Ibérica. Numa óptica estratégico-militar, o Norte e o Interior Centro de Portugal continental podem proporcionar zonas de refúgio a pequenos grupos que pretendam conduzir acções de guerrilha, mas não apresentam condições muito favoráveis ao emprego de «carros de combate». O Sul apresenta menor valor defensivo, possibilitando o emprego mais fácil de todo o tipo de viaturas blindadas (Rodrigues Leal, 2007).
 

 

 

 

Mapas - Hipsométrico e de Declives
 
A guerrilha não é substituta momentânea, mas parte essencial da guerra moderna12. Em situações de desespero; é o meio mais efectivo para defender ao máximo a liberdade e a vida da nação. Realizada em conjunto com as operações militares em geral, objectivos políticos claros e meios qualificados, a guerra de guerrilha pode levar o sucesso com importância decisiva. Isto é executado na linha de frente, flancos, mas, sobretudo, na retaguarda do inimigo, inclusive no seu país, em áreas ocupadas pelo inimigo e em países seus aliados ou importantes para o esforço de guerra, economia e política.
 
Esta combinação da poderosa e total resistência por parte das forças convencionais, com a resistência de guerrilheiros e a auto-destruição industrial, comunicações e redes de transporte constituem a estratégia de dissuasão.
 
A mensagem para o potencial agressor pretende ser clara: depois da guerra sangrenta, cara, demorada, o invasor tem de se compenetrar de não ter ganho nada de valor. A ocupação será confrontada com hostilidade, privada do valor económico ou transporte e da resistência continuada por determinada população e armada.
 
O País, para efeitos de resistência guerrilheira (solução hipotética), deve ser dividido em Regiões seguintes: a Sul - Entre-Tejo-e-Guadiana (Alentejo) e Algarve. A Norte - Estremadura; Beiras; Entre-Douro e Minho; e Trás-os-Montes; Ilhas - Açores e Madeira (ver fig. infra).
 
Em cada Região há Sectores. Assim, por exemplo, na Região da Estremadura13, inclui os Sectores seguintes: Eixo Oeste-Este - Lisboa, Leiria, Santarém, Portalegre e Évora.
 

 
 
Nos Sectores há Secções. Por exemplo, Secção de Lisboa pode ser dividida em Oriental e Ocidental. Nas Secções existem Células (ver a imagem supra).
 
Cada Secção deve ter no mínimo seis células constituídas: três activas (logística, operacional e informações); e três de reserva e adormecidas14. Sucintamente organizar as alas políticas e militares em células compartimentadas cujos integrantes, desconhecem as actividades e identidades dos outros, excepto os líderes de célula: servem de elos entre duas células adjacentes para coordenar actividades. A típica “célula de três” inclui: o braço direito ou encarregado da célula responsável por acções violentas, distribuição de panfletos e contactos; o colector, encarregado da célula responsável pela recolha de impostos revolucionários estabelecidos pelo líder; e o líder, único em contacto com outros líderes de célula e quem recebe direcção das autoridades superiores e organiza a execução das missões.
 
Nas Secções onde não haja estrutura suficiente estas devem ser apoiadas por Comandos em regime sucenturiado15 - pequenas células formadas para Sectores mas independentes das que estão em rede e sempre, quando necessário, são enviadas para alguma acção ou mesmo apoiar Secções ou Sectores deficitários em qualquer Região - estes podem actuar como vigia/segurança em caso de apoio a outras em retirada após acção directa e não necessitam de conhecer sequer o líder da célula operacional e, neste caso, basta somente ter noção e conhecimento do plano e que vão lá estar mas dos quais não se conhecem detalhes nem se sabe quem são16. Estas células comando são especialistas em várias áreas como o rapto, interrogatório, explosivos e armadilhas, franco-atiradores, segurança, reconhecimento, vigilância, transmissões, mídia, etc., inclusive substituir alguma célula operacional ou logística no caso de ter sido abatida pelo inimigo - funcionando como reserva não fixa - e devem possuir grande mobilidade além do perfil ser o mais discreto e despercebido possível17. A subordinação desta unidade fica a cargo do comandante da Região. Geralmente, estes comandos18 são constituídos por antigos militares regulares, oriundo ou não de forças especiais ou com especialidades técnicas com certas aptidões, que passaram à clandestinidade19.
 
Antecipando-se à probabilidade de combate em teatros de guerra onde há terreno montanhoso, os comandos devem treinar e estudar os princípios e técnicas de treino de montanha: escalada, parapente, espeleologia, etc. Esta discussão resume nas observações e a experiência recente em guerra irregular de montanha bem como noutros exércitos coevos.
 
No treino para este tipo de combate, os comandos são guiados por três princípios simples, mas fundamentais:
 
a.  Obter conhecimento de certos factos elementares extraídos da experiência daqueles que passaram boa parte do tempo nas montanhas;
 
b.  Dar tempo considerável para a prática de técnicas em montanha;
 
c.  Cultivar o estado de espírito certo para os rigores das operações de montanha.
 
A Área de Treinos deve ser em local encoberto e quando não for possível em território nacional deve-se procurar estados-nações aliados ou amigos, algum santuário para o efeito. A formação avançada deve ser dada por (e para): operacionais e líderes de rede, células, sectores, secções e instrutores das bases celulares, i.e., quando não for possível ou não ser prático deslocar recrutas e aí transmitir conhecimentos para as células funcionarem: em último caso, serão apoiados por outros instrutores especialistas, sobretudo quando as acções a realizar sejam específicas.
 
 
III - Objectivos da Guerrilha de Resistência
 
O objectivo é continuar a resistência naquelas partes do território ocupado pelo inimigo ou continuar a lutar depois da derrota do nosso exército regular. A falta de material e de quantidade é compensado por meio de tácticas de combate especiais, melhor noção do terreno, decisões ousadas, astúcia, engano e maior determinação.
 
Os destacamentos de guerrilha causam medo e confusão atrás das linhas inimigas; forçar o inimigo a iniciar medidas de segurança difíceis dissipando assim, a sua força; e infligir perdas de pessoal e material.
Todo o território ocupado deve ser empurrado para o estado de agitação constante, para nenhum invasor possa mover-se sozinho e desarmado.
 
O serviço e ocupação de tropas inimigas terão de tomar medidas de segurança extra para além das outras numerosas tarefas.
 
A fase final, a insurreição geral e aberta, cujo fim é obrigar o inimigo a sair do País. Assim, a ter em conta:
 
- Os princípios operacionais, tácticas, técnicas e psicológicas da guerra de guerrilha;
 
- Como construir, organizar e comandar em guerra de guerrilha;
 
- Como construir e comandar o movimento de resistência civil;
 
- Lutar e reprimir os métodos do inimigo com a guerrilha suprimindo-o com técnicas de explosivos, colocando cargas e optimizar os efeitos e informação dos diversos tipos de explosivos.
 
Com importância:
 
1.  Rotas de transporte (estradas, pontes e ferrovias);
 
2.  Redes de Comunicações (linhas de telefone acima e abaixo do solo, redes telemóvel e estações de rádio);
 
3.  Rede de energia;
 
4.  Fábricas industriais vitais;
 
5.  Reparação e depósitos;
 
6.  Quartel-general;
 
7.  Comboios de Transporte;
 
8.  Entregas, mensageiros e agentes de ligação.
 
Características da Guerra de Guerrilha
 
Forças opostas durante a guerra convencional são fornecidas pelas fábricas, armazéns e depósitos de abastecimento; unidades de guerrilha, no entanto, vivem em guerra.
 
Cada comandante da unidade guerrilheira tem a quantidade incomparavelmente maior de autonomia e liberdade de acção do que teria no comando na guerra convencional.
 
A estrutura das unidades varia em cada disputa e a configuração tem clara influência da geografia local, idiossincrasia dos camponeses, logística e a defesa governamental. São treinados em campo aberto e até mesmo durante o combate. A rotina diária é difícil e nem sempre aufere ajuda dos moradores. O cansaço interno, obriga os líderes de células a avançar com rigor e sem nenhuma praxe em manter a disciplina.
 
Os guerrilheiros planeiam condutas operacionais e procuram guardar a sua vida, não por sentimento fraternal, mas para permitir a participação noutras operações subsequentes.
 
Os guerrilheiros não devem circular pelo interior dos centros populosos, excepto nas imediações e não haja qualquer inimigo. Não entrar em combate sem plano táctico. Assim, sugere-se aos civis ocupar a área, instalar a rede administrativa e alojar novas unidades nesta “área controlada” próxima e depois naquilo que será a “zona libertada”.
 
Regras de Comportamento na Clandestinidade
 
Em quase todos os movimentos clandestinos, há o fio condutor: doutrinar os membros nas regras de comportamento encoberto e secreto. Muito importante no braço clandestino da organização o papel da conduta encoberta e secreta, na verdade, com atenção especial no treino, na formação a clandestinos, sobre formas de comportamento. Existe padrão de comportamento subversivo comum acolhe os clandestinos da detecção e captura? Que factores técnicos são usados para enganar as forças de segurança?
 
O comportamento dissimulado é característica principal desta prática. Ao estabelecer padrões de comportamento, evitam chamar a atenção para o movimento - assim, a estrutura furtiva fica protegida contra detecção. De aparência normal e discreta, o clandestino, torna-se difícil para as forças de segurança e outros cidadãos detectarem a participação na organização subversiva. O comportamento clandestino consiste em acções nas quais os esforços do clandestino escondem o envolvimento. Ou seja, esconder e velar actividades clandestinas a partir da observação. Várias técnicas têm sido usadas pela clandestinidade para atingir o sigilo. As práticas organizacionais, como as estruturas celulares, frentes falsas ou de fachada, registos e comunicações falsos, disfarçam as operações furtivas. Certas práticas de comunicação secreta, como mensageiros disfarçados, correio lançado e também são usados vários sinais20. Também tiram proveito sobre costumes e normas aceites sem questionar ou desfrutar com a sensibilidade exercendo autoridade ou sugestionar, para efectivamente disfarçar operações e evitar a interferência da polícia.
 
Ambas as operações - clandestinas e dissimuladas - são secretas, mas de maneiras diferentes: as operações clandestinas cuja existência é oculta, porque a mera observação deles traem a natureza clandestina e subversiva. O sigilo depende da aptidão em ocultar a operação tornando-a invisível. Por exemplo, as armas podem ser fabricadas nalgum reduto rural, fora da vista e escondido dos olhos das forças de segurança. As operações dissimuladas, geralmente, são actividades legais, servem como abrigo para patrocinar acções secretas e ilegais. Em suma, o comportamento clandestino é escondido da vista, enquanto comportamento encoberto é disfarçado para esconder o carácter subversivo.
 
As técnicas de trabalhos clandestinos são especificadas em pormenor. Os membros devem abster-se de qualquer actividade para evitar chamar a atenção sobre si ou para os seus. Aprendem tanto quanto possível sobre qualquer acção ilegal para além do próprio uso. São instruídos a não dizer a familiares ou amigos sobre qualquer coisa relacionada ou sequer o que fizeram ou vão fazer. As ligações podem ser interceptadas facilmente, como correio, tradicional ou electrónico21, ou as conversas telefónicas ou de telemóveis, devem ser evitadas. Se usar o telefone, optar pelo telefone público e no caso de o telemóvel aplicar cartão e código novo, usando-o somente uma vez. São instruídos a nunca manter qualquer literatura subversiva, jornais ou mensagens, ou outro material comprometedor, consigo ou em casa da família e de reuniões. Levar vida normal, em rotina e, envolver-se apenas numa actividade de cada vez.
 
Estabelecidas regras e hábitos nos membros espera-se que os apreendem como algumas rotinas esperadas. São ensinados que as actividades jurídicas e mídia dão notável cobertura para serviços clandestinos.
 
Todo o material escrito - listas e endereços - devem ser memorizadas ou se tal não for possível, a informação é codificada. Todo o contacto inútil entre membros deve ser evitado sobretudo de outras células ou grupos. São instruídos para evitar qualquer pessoa, cuja fiabilidade é posta em dúvida. O maior factor para a destruição da organização é a infiltração das forças de segurança. Em caso de prisão, os membros devem manter a calma e não dar motivo de suspeita. Também são ensinados que é imperativo notificarem os seus contactos em caso de prisão para os outros puderem mudar de morada, nome e soar como aviso. Assume-se que o inimigo pode obter qualquer informação que queria por meio de métodos de terceiro grau22. No entanto, são cientes de poderem ser capturados e presumir que a polícia não sabe de nada a menos se fornecer prova inequívoca da culpa e falar o menos possível, para as autoridades não o possam prender por contradições na narrativa. A pior ofensa é a traição dando os nomes de outros. A coisa a fazer mais importante, em caso de captura, é protelar ao máximo para dar tempo dos seus poderem escapar.
 
Embora seja difícil livrar-se completamente dos modernos métodos científicos de vigia, há sempre maneiras de enganar a vigilância. O clandestino minimiza factores de risco e oportunidades; tentar ser discreto; e abster-se de actividades que chamem a atenção ou fama. Esforça-se em tornar as acções em acordo com a conduta e actividades diárias normalmente: parecer convencional e discreto, torna-se difícil para as forças de segurança detectar, identificar ou localizar. Além de tornar-se subtil, evitar contactos ou actos mundanos denunciantes, mantêm ao mínimo registos; e o contacto com outros, apenas e somente, quando essencial. Sem provas físicas, assinar confissões ou desertores que acusem outros, é difícil ligar o sujeito à organização. A ligação entre agentes é vista a fase mais crítica das operações subversivas.
 
Mesmo identificado e as actividades conhecidas, a prática deste comportamento torna extremamente difícil localizá-lo entre milhões de cidadãos: como a agulha no palheiro.
 
Os membros de células individuais são orientados a procurar mais informações do que é exigido para executar tarefas. Devem passar por agente ou através do correio largado para entrar em contacto com o líder da célula, cuja identidade e localização é desconhecida para eles. A ligação entre escalões é regulamentada, mesmo capturado não leva os captores ao líder. O correio não é dado em casa do membro: há lugares pré-combinados para o obter. Assim, nenhuma mensagem pode ser traçada directamente a partir dos correios; ou pode ser deposta no correio electrónico, cuja palavra-passe é mudada todos os três dias no máximo e sem fazer uso normal de envio e recepção - evita pistas - mas só para depositar em rascunho com ou sem anexos ou em pastas para o efeito e após leitura são apagados. O acesso é limitado somente àqueles que fluem e ou “recebam” mensagens ou ordens.
 
Há regras rígidas observadas para reuniões. Podem não ser cuidadoso a usar o mesmo ponto de encontro com muita frequência. Antes da reunião, a família, cuja casa onde é feita a reunião, é delimitada para ter certeza de ser completamente confiável. Alguém dentro da família é atribuído a porta e servir como vigia. Na altura da chegada e partida são escalonados para evitar atrair a atenção de grandes grupos entrarem ou saírem.
 
Antes da reunião, explicações ou histórias disfarçadas, são acertadas entre membros no caso de a reunião ser interrompida por forças de segurança e o grupo ser interrogado separadamente. A razão para o encontro é estabelecida, como “para jogar cartas”. Outros seriam ocasiões como aniversários ou despedidas de solteiros, etc. Nenhum documento deve ser levado ao encontro dos absolutamente necessários. Note-se, não é permitido por segurança: o indivíduo deve usar a memória. Após reunião, activar os controlos de retaguarda para ter certeza de que nenhum material foi esquecido23.
 
Há muitas formas de tomar cuidado para assegurar se está a ser seguido para o encontro. Ao dirigir-se para o contacto de carro, o sujeito pode alterar a velocidade, entre intersecções no semáforo com a luz laranja ou virar a esquina e parar bruscamente; pode usar a técnica de alternar ou desviar do ponto: levar a sítio deliberado em “carro de recolha”; sair deste e andar até ao parque ou loja, para outro ponto onde toma segundo “veículo de aceleração”, levando-o para novo lugar a ser apurado por terceiro veículo e então, é levado ao destino.
 
Ao andar a pé, o agente tenta deixar o metro no último minuto ou entrar num hotel ou terminal de camionetas numa porta e sair por outra. Também pode usar vitrinas de quaisquer lojas ao longo da rua, como espelho para ver se alguém o vai a seguir.
 
 
 
IV - Organização da Guerrilha
 
1. Formação de Unidades
 
As unidades exigem núcleo de tropas experientes servindo como instrutores e líderes. As tácticas inimigas ao “saltar” na frente ao ser aerotransportado ou “além da progressão” por unidades blindadas podem deixar as unidades portuguesas, sem dúvida, muitas delas intactas. Estas, por sua vez, vão dotar o núcleo de treino, combatentes experientes às unidades de guerrilha: sobretudo as forças especiais. A maioria dos participantes da guerrilha é feita por partes dispersas do exército ou dos serviços auxiliares. É dever reuni-los, bem como recrutar especialistas entre a população civil.
 
O batalhão ou regimento vai reunir equipas retardatárias dispersas, bem como as tropas de combate, milícia local, serviços auxiliares, pessoal de defesa aérea civil, polícia e voluntários civis. Onde não há pessoal, alertar os sargentos para assumirem o comando e criar a organização.
 
O quartel-general - no caso de este ainda existir e manter a comunicação - só pode emitir “orientações gerais” ou “instruções operacionais”.
 
A guerrilha nunca trava perto das linhas da frente - apenas em frentes secundárias. Sem o apoio da população civil, a guerrilha falha a longo prazo.
 
As operações não se iniciam junto à linha da frente uma vez que o inimigo será sempre mais forte e a população pode não estar apta a apoiar os guerrilheiros. Além disso, as tropas regulares inimigas da linha da frente, normalmente, não oprimem a população civil. Atrás dela, a população, fomentada pelo terror das organizações políticas e policiais, seguem as tropas na linha da frente prontas a ajudar e apoiar as guerrilhas.
 
O inimigo dificilmente irá empregar a força de combate em funções de ocupação de segurança ou contra iniciativa das operações da guerrilha. Ao contrário, usará tropas de segunda linha para compensar parcialmente as fraquezas. É essencial distinguir:
 
a.  Unidades guerrilheiras móveis próprias ou compostas por elementos do exército;
 
b.  Local, os elementos fixos do movimento de resistência civil.
 
A ideia por trás da guerrilha é a realização de operações de resistência local em todo o território ocupado pelo movimento de resistência civil (especialmente a sabotagem e contra-propaganda). Ao mesmo tempo, é necessário criar áreas libertadas por unidades móveis de guerrilha. No entanto, estas não devem ser tomadas rigidamente. Serão alteradas constantemente, de acordo com a regra mais importante da guerrilha, onde se afirma: “nenhum terreno é mantido permanentemente”.
 
Como regra, as áreas libertadas só podem ser cumpridas por várias semanas ou meses, até o inimigo reunir tropas para iniciar operações em grande escala de contra-guerrilha.
 
Por meio de contínuas manobras de pequena escala feitas por elementos locais do movimento de resistência civil, vão dispersar as forças inimigas, mantendo a iniciativa e protecção da organização e desenvolvimento das unidades móveis de guerrilha.
 
Se acontecer formar unidades relativamente grandes, aproximadamente do tamanho de batalhão, com armas pesadas, o inimigo não poderá ocupar seguramente a maioria do País, mas terá de se contentar com o controlo de estruturas basilares e pontos principais, sobretudo rotas de transporte e comunicação.
 
2. Força Guerrilheira
 
O problema principal é criar a relação estável de forças entre unidades guerrilheiras. Quando apenas operam pequenas unidades guerrilheiras, o inimigo é capaz de controlar o território ocupado por meios de pequenas, numerosas guarnições contendo a secção ou pelotão. Também formar a força de reserva central forte e instalar a rede feita de espiões, agentes e informadores. A rede de controlo torna-se relativamente eficiente, consequentemente, a unidade de guerrilha tem pouca liberdade de movimento.
 
No entanto, se as unidades aumentarem de tamanho, de companhia para batalhão, com armas pesadas, o inimigo é forçado a criar guarnições fortes. Como vimos, terá de se contentar com a protecção chave de estruturas e instalações e vias de comunicação. Se é obrigado, no entanto, a retirar todas as pequenas guarnições nas áreas intermédias e apenas formar alguns pontos fortes, com batalhões de reforço, será difícil manter as forças de reserva suficientes. Além disso, agentes e informadores serão facilmente eliminados. A rede de controlo inimiga torna-se estreita e a liberdade de acção aumenta.
 
As unidades do tamanho de regimento ou acima são demasiadas pesadas e facilmente sucumbem à tentação de operar abertamente de forma convencional. Se o fizerem, são facilmente destruídas pela superioridade inimiga. Logicamente, as do tamanho batalhão com algumas armas de infantaria pesada (metralhadoras, morteiros) são apropriadas.
 
As unidades de dimensão de batalhão são fortes o suficiente para atacar com sucesso as guarnições inimigas (pontos fortes de companhia), mas são fracas demais para se tentarem esquecer das regras básicas da guerrilha: protecção e sobrevivência.
 
3. Transferência para o QG da Guerrilha
 
A fim de travar guerrilha eficaz, as unidades do quartel-general carecem de alguma variedade de pessoal treinado. Se necessário, podem ser recrutados entre a população: funcionários do correio, telefones e telégrafos, bem como ferroviários e técnicos electricistas dão assessoria prática para operações de sabotagem. Oficiais engenheiros servirão como especialistas em demolição. Os técnicos rádio podem criar redes de comunicação entre as unidades e o resto do exército assegurado em área da retaguarda, o movimento de resistência e países amigos (se o QG do exército não existir).
 
Políticos proeminentes, editores de jornais, etc., podem servir como pessoal de ligação entre as unidades de guerrilha e a população local e o movimento de resistência civil.
 
A lista supra mencionada de técnicos serão mantidos pela secção de pessoal no QG.
 
4. Fase Organizacional
 
O inimigo deixa certas áreas desocupadas devido à falta de importância. Não será capaz de ocupar algumas áreas por não ter pessoal suficiente. Tem de se entrar em todas essas áreas. Montar pequenos grupos nestes locais. Estar inactivo até estiver bem organizado.
 
Não se deve provocar o inimigo a tomar medidas defensivas ou contra medidas contra si durante o momento de maior vulnerabilidade, i.e., durante as fases de organização e activação inicial. Durante esta fase inicial, nunca incitar o inimigo, nem mesmo em situações mais críticas, quando perseguidos ou mesmo cercados, a unidade estará vulnerável e, em perigo de desintegração.
 
Escassez de pessoal treinado ou técnicos podem ser compensados pela mobilização de pessoal adequado entre civis: da mesma maneira, posteriormente, será reposta essas perdas. Os civis ao se aliarem serão permanentemente afastados pelas acções terroristas inimigas - detenção de clãs inteiros, deportações, execução de reféns, etc. Mesmo com militares experientes, é necessário implementar treino em curto período. As áreas são:
 
a.  Instruir líderes com pessoal novo;
 
b.  Permitir a familiarização uns com os outros.
 
O treino também habitua o pessoal com tácticas e técnicas básicas de sabotagem e de demolição, com o uso de armas e munições capturadas como granadas de mão, minas, explosivos, etc. Esta formação vai ser de um ou dois meses, dependendo se está a ser perseguido ou ainda sem a organização estar a ser molestada ou se as operações possam ser realizadas imediatamente. Quanto maior for a fase de organização, grandes hipóteses de sucesso terá, pois durante os ajustes futuros irão sofrer menos perdas. Esta, por sua vez, dilatará a auto-confiança.
 
Ratificação de metas futuras e observação sistemática do inimigo pode ser feita em simultâneo com a organização e formação.
 
Os de engenharia e unidades de demolição, bem como pessoal de infantaria e especialistas em patrulha de combate, sobrevivência, montanhismo, submersão, etc., são incorporados na unidade e/ou criar unidades tipo comando. No entanto, figuram apenas a percentagem pequena necessária para treinar outros nestes campos operacionais.
 
Os artilheiros serão convertidos em pessoal de morteiro. As unidades motorizadas ligeiras; tripulações de tanques, condutores; pilotos, pessoal de terra, anti-aérea, defesa aérea; pessoal do serviço postal e logística; polícia, milícia local, pessoal auxiliar de serviços serão usados como infantaria. Os voluntários civis sob selecção serão:
 
a.  Cadetes, recrutas, guias e membros de clubes de armas e de caça;
 
b.  Militares (obrigatório, voluntário, contratados e antigos militares QP);
 
c.  “Não aptos” para o serviço militar ou por baixa por razões médicas;
 
d.  Isentos do serviço trabalharam para instituições essenciais para o esforço de guerra, mas agora sob controlo inimigo: empregados de ferrovias e correios, etc;
 
e.  Funcionários de pedreiras e fabricantes de pirotecnia;
 
f.  Químicos e auxiliares de substâncias corrosivas, tóxicas, inflamáveis ou material explosivo.
 
Recrutar operadores rádio-amadores para substituir operadores. Se forçoso, obtê-los através do movimento de resistência civil. Assim, atribuir ainda, sacerdotes capelães civis/militares para a secção médica além da fé professada: apropriados para ligação com a população, em especial no campo. Podem manter contacto com guerrilheiros feridos deixados com a população a serem cuidados sob “disfarce”; Usar armeiros e, talvez, mecânicos civis, como instrutores para as armas capturadas. Em geral, a aprendizagem rápida sobre o funcionamento de armas estrangeiras, devido à formação técnica, podem instruir outros para as suas operações.
 
5. Liderança
 
Escolher com cuidado os líderes. O guerrilheiro deve respeitar e aceitar o líder. Uma vez atrás das linhas inimigas, nenhum polícia militar, tribunal militar, nem o poder do Estado pode ajudar o líder a manter a disciplina e o espírito de corpo e da luta. A hierarquia militar apenas tem papel secundário.
 
O indivíduo que lidera por “ludíbrio” não é adequado. Pode ser capaz de manter a posição na unidade convencional algum tempo, devido à cadeia de comando e a disciplina, mas nunca na unidade de guerrilha. Somente os verdadeiros “líderes militares” sabem lidar com indivíduos e podem manter a posição.
 
O líder também deve possuir algum conhecimento técnico pois durante a guerrilha é menos importante tomar grandes “decisões de liderança” do que conduzir de forma eficiente algumas operações relativamente simples, com astúcia. Deve ser versado em tácticas de pequenas unidades, bem como armadilhas, minas e técnicas de demolição.
 
Líder da Futura Unidade de Guerrilha
População
Unidade de guerrilha
Descobrir quem é vulgarmente confiável. Saber se está disposto a ajudar passivamente, i.e., abastecimento alimentar, fornecer informações de inteligência, etc. Descobrir quem está disposto a ajudar activamente, i.e., colocar minas, servir como guia, esconder e cuidar de feridos e doentes. Saber quem é apoiante passivo do inimigo, i.e., seguidores, aproveitadores. Determinar quem trabalha activamente com o inimigo.
Organizar unidades de combate (esquadras, secções, pelotões). Diligenciar munições. Procurar alimentos. Obter equipamentos (roupas, sapatos, mochilas, etc.). Armazenar armas. Formar pessoal com armas capturadas. Converter pessoal da artilharia em pessoal de morteiro, polícias, de defesa civil aérea, membros de logística e dos serviços postais em unidades improvisadas de “pessoal de infantaria”.
 
 
6. Equipamento
 
A percentagem de pessoal valioso é composto por serviços auxiliares, milícias locais e fabris, polícias e voluntários civis: faltarão muitos itens como vestes próprias, repartir tendas e calçado adequado a cantis e termos. Obter algum tipo de “uniforme de campo”, ou seja, roupa, macacões, fato de esqui ou jaquetas, agasalhos, etc. Usam trajes civis podendo colectar estes itens ou serem trazidos pelo movimento de resistência.
 
O equipamento pessoal, como garfo, faca e colher, marmita, fogões de cozinha pequenos, lanternas, mochilas, etc., podem ser adquiridos; retirar itens a cada inimigo prisioneiro, morto ou ferido ou pedir estes à população, lojas em grandes cidades para os membros do movimento de resistência civil.
 
Procurar tendas ou barracas em lojas civis com artigos desportivos ou de campismo com as quais homens e mulheres estão familiarizados.
 
Preparar-se para o Inverno o mais cedo possível. Incluir a aquisição de cobertores, bons sapatos, boas botas e roupas de protecção: casacos, blusões, fatos de esqui, peças de vestuário quentes. Podem ser feitas vestes camufladas para neve de lençóis.
 
Diligenciar dois rádios por destacamento - um para uso em rede de alimentação e outro conjunto portátil com baterias para recepção em regiões onde não há rede de alimentação disponível (montanhas, florestas).
 
Esboçar a provisão de baterias de rádios portáteis com a ajuda do movimento de resistência. Proteger e ocultá-los depressa, pois o inimigo pode proibi-los ou requisitá-los a todos com os acessórios.
 
Os “operadores rádio-amadores”, tecnicamente aptos, reparam com poucos recursos. Os rádios podem controlar as emissões inimigas, bem como, de países estrangeiros amigos e do próprio governo no exílio.
 
Equipar cada destacamento e movimento de resistência civil com receptores comuns, é possível o próprio quartel em zona de segurança e governo no exílio comunicar com a guerrilha. Podem comunicar-se a longas distâncias requerendo aconselhamento e orientação técnica para as operações ou indicar objectivos específicos a atacar. Além disso, a moral e capacidade de resistir à vontade aumenta desde que os sujeitos se sintam menos sozinhos e perdidos.
 
7. Fornecimento de Armas
 
Em princípio é mais fácil obter armas do que munições. A guarnição de armas - metralhadoras, armas ligeiras/pesadas, lança-granadas, morteiros - advêm de elementos dispersos do exército regular. Fornecem o núcleo de poder de fogo do batalhão.
 
O pessoal de serviços auxiliares, milícia local e polícias, em regra, são capazes de trazer armas individuais - pistolas, carabinas, metralhadoras.
 
Dar armas aos voluntários civis poderá criar grandes problemas. A seguir estão várias maneiras de resolver essa dificuldade:
 
a.  Colectar armas nos campos de batalha mal guardados, desviar armas utilizáveis ou canibalizar peças de tanques destruídos, fortificações e aviões abatidos;
 
b.  Recolher armas do inimigo preso, morto ou ferido;
 
c.  Todos os praticantes de tiro desportivo, caça ou coleccionadores: por herança pode-se encontrar qualquer arma velha, mas utilizável (espingarda, carabina, pistola);
 
d.  Apanhar das propriedades privadas, clubes ou associações, armas de caçadores e de atiradores desportivos (os proprietários vão doar as armas voluntariamente porque correm o risco de execução se o inimigo as encontrar e as tiverem escondido deles);
 
e.  Requisitar das lojas de armas civis ou esquadras de polícia, eventualmente, terão de entregar as armas ao inimigo.
 
 
8.  Abastecimento de Munições e Explosivos
 
  a.   Fontes básicas de abastecimento:
  
    (1)  Munições dispersas pelas unidades do exército;
  
    (2)  Munições fornecidas a partir de provisões escondidas estabelecidas de acordo com plano de retirada do Exército;
  
    (3)  Munições sistematicamente despojadas das vítimas inimigas;
  
    (4)  Munições recolhidas em operações de transporte e depósitos inimigos;
    
    (5) Colectar armas dos campos de batalha, tanques, fortificações e aviões abatidos;
  
    (6)  Explosivos resgatados pela remoção de minas parcialmente removidas ou não;
 
    (7)  Munições fornecidas pelos países amigos.
 
  b.   Possíveis fontes de abastecimento:
  
    (1)  Caídas esporádicas de granadas ou bombas aéreas nalgum reduto na retaguarda;
    
    (2) Perdas constantes de granadas ou bombas aéreas lançadas;
  
    (3)  Recolher armas e munições de entidades privadas: caçadores, atiradores desportivos, polícia civil, municipal, clubes de tiro (a requisição de explosivos/detonadores a empresas de construção, pedreiras, minas, pirotecnias, madeireiros e agricultores, etc.);
  
    (4)  Requisição de todas as espingardas de ar e munições, bestas, arcos e dardos: estas especialmente adequadas para “operações especiais”, para atacar pessoas sem fazer barulho (se possível, adquirir armas e pistolas de ar comprimido por destacamento);
  
    (5)  Construir paióis para munições escondidos e camuflados.
 
As minas anti-tanque servem como excelentes cargas concentradas improvisadas. O peso do explosivo nele contido é sempre entre 3 a 4 kg. Cargas improvisadas, concentradas, podem ser usadas para destruir objectos fixos (carris, postes de linha de energia, transformadores, etc.). Os projécteis de artilharia, morteiros e bombas aéreas podem ser usados como cargas concentradas improvisadas, para destruir alvos rígidos.
 
9. Organização de Instalações de Manutenção
 
Distinguir loja de reparações em “zonas libertadas” e oficinas em “territórios ocupados”. Instalar lojas improvisadas ou de fachada regulamentares nas oficinas de serralharia civil, lojas de ferragens e garagens. O pessoal de manutenção, disfarçados como empregados, executa reparações nessas lojas quando não podem ser feitas no campo.
 
10. Organização de Abastecimento
 
As unidades guerrilheiras normalmente vivem da terra e donativos da população, bem como do material recolhido do inimigo. Ocasionalmente estabelecem depósitos.
 
Nas “zonas libertadas” - áreas onde a guerrilha tem controlo temporário - os alimentos são pedidos aos agricultores, fábricas, lojas e talvez armazéns ou supermercados. É óbvio, nestas situações, pode surgir facilmente atrito entre a população e as unidades. No caso, o “indivíduo de ligação” para a população tem de actuar juntamente com o comandante do destacamento reduzindo a possibilidade de alienar a população.
 
O sustento é difícil de resolver - influencia muito as tácticas das unidades guerrilheiras. Como efeito, os destacamentos (nível companhia), vivem sós e os batalhões são armados somente para operações maiores. É mais fácil nutrir o destacamento disperso de 80-100 sujeitos fora da região do que o batalhão de 400 pessoas.
 
Se houver víveres de alta qualidade e não perecíveis ou os ter capturado, mantê-los para tempos difíceis invernosos. Estes são: enlatados de leite, chocolate, ovomaltine24, biscoitos, conservas com imenso óleo e gorduras, carnes fumadas, salsichas, chouriços e toucinho fumado duro. Armazenar esses itens em depósitos bem escondidos.
 
Sugestões de abastecimento alimentar: Quando doados parte pela população, ter cuidado para não se expor por muito tempo daquele que o necessário: no Verão, mandar pessoal com antecedência para preparar a comida; ou, apanhá-la com a “equipa de recolha” e comer ao ar livre onde é mais seguro do que na aldeia ou vila; no Inverno, esperar abrigado e só retornar às casas para comer num lugar quente quando a comida estiver realmente pronta. Obviamente, essas medidas de segurança rigorosas podem ser flexibilizadas - especialmente no Inverno - quando se opera em áreas libertadas.
 
11. Organização de Serviços Médicos e Aquisição de Material Médico
Não estabelecer nenhum serviço médico elaborado. Nem sempre existe médico ou enfermeiro militar25. A operação em hospitais de campanha pode ser impossível, pois as unidades estão constantemente em movimento mesmo na área libertada e dirigem-se frequentemente de uma área libertada para outra. Prover só os primeiros socorros. Levar feridos e doentes a pessoas de confiança entre a população que os vai esconder e cuidar.
 
Médicos e enfermeiros com auxílios e equipamentos medicinais são necessários para as unidades e devem ser recrutados entre a população civil26. Dos auxílios médicos:
 
a.   Fontes:
 
  (1)     Suprimentos ainda na posse das diferentes unidades do exército;
 
  (2)     Suprimentos tomados ao inimigo.
 
b.   Aquisições - com o apoio do movimento de resistência civil - a partir de:
  
   (1) Médicos e enfermeiros civis;
 
    (2)     Farmácias civis e drogarias;
 
    (3)     Hospitais civis;
  
    (4) Postos de socorros em fábricas industriais grandes;
  
    (5) Casas particulares (sistematicamente roubar pequenas quantidades);
  
    (6) Indústrias farmacêuticas (entrega furtiva ao movimento de resistência civil).
 
 
12. Relações com a População
 
A população é o maior amigo e aliado27. Sem a sua solidariedade e apoio activo não é possível aguentar por longos períodos de tempo. Como resultado, não se pode dar ao luxo de o alienar pelo comportamento brutal ou falta de disciplina. Tal provocação nunca deve acontecer. Existe o ensejo das unidades puderem tornar-se o mal maior invés das forças de ocupação. Se há algo a requisitar, não procurar com a metralhadora, mas apelar para o objectivo comum e patriotismo: a população tem sempre razão.
 
Não esquecer, as leis da guerra convencional dificilmente ou nada se aplicam, cada homem, mulher e criança pode prejudicar muito, se quiserem. Para melhor ou pior, está praticamente dependente da boa vontade da população. Por outro lado, também depende da sua constante, «eu não sei, não ouvi, nem vi nada», respostas aos interrogadores inimigos, mesmo se isso possa significar a deportação e morte.
 
A população desperta, incitada pode apoiar a guerrilha de muitas maneiras:
 
Apoio Passivo:
 
a.  Observar o inimigo sistemática e continuamente;
 
b.  Estabelecer a rede de segurança discreta para as unidades de guerrilha;
 
c.  Adquirir suprimentos;
 
d.  Ocultar e cuidar dos doentes e feridos;
 
e.  Ocultar material e munições;
 
f.  Servirem como guias para as unidades de guerrilha;
 
g.  Identificar colaboradores.
 
Apoio activo:
 
a.  Técnicos de alimentação para unidades de guerrilha;
 
b.  Substituir o pessoal ferido e morto;
 
c.  Colocar minas;
 
d.  Sabotar fios de comunicações.
 
Mesmo se a população agir somente com receio em seu interesse, haverá sempre algumas prontas a ajudar na qualidade de observadores, exploradores e mensageiros.
 
O líder deve ser atento no contacto com a resistência, mesmo em áreas libertadas. Não esquecer mudar de posições rapidamente. Os do movimento de resistência, no entanto, são localmente limitados e têm de avançar as operações de acordo com ordens. Naturalmente, não deve expor a “cobertura” em prol de proveito temporário ou serão capturados e liquidados pelo inimigo depois da sua partida.
 
 
V. Tácticas das Unidade de Guerrilha
 
1. A Primeira Operação de Guerrilha
 
Para objectivos, apurar alvos simples onde possa dominar sem grandes dificuldades, como demolição de postes de alta tensão ou colocação de minas em locais de passagem.
 
Criado certo espírito de corpo e depois de a auto-confiança aumentar por causa de operações bem-sucedidas - há condições para operações maiores - contra estações ferroviárias, pontes, emboscadas a colunas em marcha, etc.
Necessariamente pode-se sofrer prejuízos e bastantes contratempos. A unidade terá de se tornar, entretanto, assaz estável para poder arcar o revés sem se desintegrar.
 
O líder, muitas vezes, deve habituar-se ao facto durante a guerrilha e, ocasiões, factores completamente diferentes, como os psicológicos têm de se tomar em consideração.
 

 

 
2. Segurança das Unidades (Operacionais) de Guerrilha
 
A segurança das unidades de guerrilha serão geralmente realizadas pelo movimento de resistência civil através de:
 
a.   Espionagem
 
  (1)     Sistematicamente sondar o pessoal de ocupação;
 
  (2)     Relatório de observações feitas despreocupadamente;
 
  (3)     Monitorizar conversas rádio e telefone;
 
  (4)     Subornar funcionários das forças de ocupação;
 
  (5)     Corromper os oficiais das forças de ocupação.
 
b.   Observação
  
(1) Observar constantemente estradas, ferrovias, estações de caminhos-de-ferro portos e aeroportos, para revelar a reunião de unidades aéreas ou de helicópteros, assim como, assalto de colunas motorizadas e transportes ferroviários;
  
(2) A resistência civil pode aduzir resultados de missões de reconhecimento, por rádio, estafetas ou pombos-correios. Qualquer membro do movimento ou, de preferência, pessoal de ligação das unidades ligado ao QG do movimento de resistência local pode servir como mensageiros.
 
3.  O comportamento geral
 
    a.      Proceder com cuidado, sigilo e astúcia - mesmo dissimulado;
  
b.     Só usar a força quando se tem força total superior;
 
    c. Evitar qualquer luta onde se possa comprometer a existência da unidade;
 
    d.      A coisa mais importante para a segurança é manter o sigilo;
 
    e.      Emboscadas e ataques são as principais armas de combate;
 
    f.      Nunca entrar em contacto com um inimigo forte e nunca aceitar luta aberta;
  
g.  O encontro com o inimigo superior deve-se dividir em pequenos grupos, evitá-lo e reunir depois em pontos de encontro pré-designados.
 
Se não se poder evitar a luta com as tropas no encalço, não se envolver em luta decisiva sob qualquer situação. Ao invés adoptar acções para atrasar e quebrar o contacto com o inimigo o mais rapidamente possível - certamente o mais tardar à noite, onde pode encobrir movimentos.
 
Logo que as tropas de ocupação ganhem relevo por meio do ataque bem-sucedido e voltem para os pontos fortes, fustigá-los novamente. As unidades de guerrilha devem reaparecer onde as colunas inimigas desaparecem.
 
4. Marcha
 
Após qualquer grande operação bem-sucedida, deve movimentar-se para a nova área de manobras. Antes do movimento, estabelecer contacto com pessoas de confiança na nova área. Fazer com antecedência o reconhecimento da área completamente.
 
Como comandante esboçar o caminho a ser tomado no mapa e, em seguida, considerar por que meios vão mudar de local sem serem detectados pelo inimigo. Evitar auto-estradas e as aldeias quando em marcha.
 
Nenhuma preparação longa ou ordens preparatórias devem avisar da mudança iminente. Manter a decisão para si até ao instante do movimento advir.
 
Se tem que fazer longa preparação (ou seja, mudar de munições e provimentos de comida ou de reconhecimento em grande escala), tentar desenvolver a ocultação circular boato sobre o falso plano que parece credível e não vai levantar suspeitas.
 
A fim de interceptar indivíduos que podem informar dos planos enviar várias patrulhas poucas horas antes do movimento, a fim de armar emboscadas longe em artérias e estradas. Prender todos os sujeitos que passem por aí e detê-los durante o período crítico. Se necessário, cortar as comunicações. No entanto, libertá-los apenas quando não podem comprometer a operação.
 
Sempre que se encontrar terreno desconhecido, obter batedores ou guias familiarizados com a área. Entretanto ninguém tem autorização de saber de onde vem ou para onde está a ir. A próxima área operacional deve ser mantida em segredo de todos.
 
Enganar a população sobre a sua força. Criar sempre a impressão de ser mais forte do que realmente é (ou seja, como nota: «... somos apenas a guarda avançada da unidade maior. Essa unidade está a ir para lá»; «Estamos à espera que a unidade maior chegue mais próximo», etc.).
 
Se possível, viajar apenas durante a noite, a fim de minimizar a possibilidade de detecção da sua posição podendo esta ser comprometida.
 
Evitar estradas, o método de trajecto é, geralmente, feito a pé. No entanto, não exigir marchas forçadas inúteis. Manter os indivíduos frescos e manter a força de modo a estar em forma para qualquer operação ou movimento. Se possível marchar sempre em formação fechada. Quando todos estiverem juntos, podem ser tomadas e implementadas melhores decisões e mais céleres. Proporcionar segurança da retaguarda à frente enviando 3 a 4 indivíduos várias centenas de metros à frente e para trás da formação.
 
5. Repouso
 
Movimentar-se à noite e descansar na floresta durante o dia.
 
Seleccionar madeiras para abrigos e fogueiras. Quando forçados a acampar ao ar livre, utilizar pontos altos para proporcionar melhor observação e defesa.
 
Colocar muito à frente elementos de segurança apenas se houver ameaças. Quando em repouso, a segurança estabelecida é melhor, colocar guardas nas imediações do acampamento. Além disso, alistar civis para este efeito, porque observam o inimigo de forma imperceptível.
 
Os postos de observação aérea durante o dia em locais de descanso. À noite, colocar emboscadas de dois indivíduos em cada e todas as vias de prováveis de aproximação.
 
Se acampar depois de anoitecer, manter o Destacamento junto e colocar vários postos de dois indivíduos de guarda em 50 ou no máximo a 100 m do Destacamento. À medida que aumenta a visibilidade após o amanhecer deve-se aumentar a segurança.
 
Para impedir de ser surpreendido por unidades móveis aéreas, os maiores inimigos, não esquecer a escala de guardas para esquadrinhar o céu.
Nunca usar o mesmo campo duas noites consecutivas, a menos se estiver em “zonas libertadas”. Nunca passar a noite no mesmo lugar onde descansou durante o dia.
 
Emitir novas instruções de alerta todos os dias para saberem o que fazer em caso de ataque. Ao mesmo tempo, designar o ponto de encontro para os retardatários.
 
Repartir pessoal noutro lugar (indivíduos ou unidades inteiras) devem ser informados da localização dos pontos de encontro, onde podem juntar-se mais tarde ou pelo menos saber por onde o Destacamento passou.
 
6.  Retransmissão de mensagens simples, por meio primitivo de comunicação
 
  a.   De tempos a tempos terá de entrar nas aldeias, a fim de:
  
    (1)  Restabelecer o abastecimento alimentar;
  
    (2)  Deixar feridos e doentes com civis de confiança;
  
    (3)  Usar o telefone ou sistema postal civil (ver secção sobre o uso do telefone e serviços postais).
 
    b.   Mensagens simples podem ser retransmitidas a si por civis (a maioria membros do movimento de resistência):
 
  (1)  Abertura ou fecho de janelas pré-designadas ou persianas;
 
    (2)   Roupas dependuradas;
 
  (3)  Mostrar ou ocultar carruagens, carros, carrinhos de mão, etc.
 
Fumo e sinais luminosos, bem como acenar com lenços é demasiado óbvio e perigoso para o sinalizador. Abster-se da sinalização. Embora meio imperceptível, apenas as mensagens muito simples podem ser retransmitidas, como: «Atenção, perigo! IN na aldeia!» ou «Nenhum perigo! Aldeia livre de IN!» Usar sinais acima mencionados, de modo a poder ser reconhecido com binóculos a partir da orla da floresta próxima.
 
7. Bloqueios de Estrada
 
Árvores abatidas ou arrebentadas são as mais adequadas para bloquear de caminhos. Não deixar cair qualquer árvore grande na esperança de causar mais trabalho ao inimigo. Só gasta muito tempo e explosivos. Se não há meios de instalar armadilhas com os bloqueios, pelo menos, estimulá-los. Alguns exemplos:
 
Separar, meio escondido o fio principal dos galhos das árvores no chão para activar os fios de tropeçar de cargas escondidas; soltar e apenas peças parcialmente cobertas de erva ao lado da estrada (o inimigo supõe que as minas estão mal colocadas e ocultas).
 
Na guerra de guerrilha deve-se instalar bloqueios de estradas em caminhos abertos, onde o inimigo fica exposto ao fogo, enquanto os remove. Isto, naturalmente, é contrário a tudo que se aprende sobre a construção de bloqueios de estradas em guerra convencional. No entanto, precisa aprender a pensar de forma diferente em guerrilha.
 
Com árvores de menor porte terá de usar pouco explosivo ou ter pouco tempo para se expor a patrulhas inimigas enquanto as corta.
 
Armadilhas improvisadas no bloqueio de estrada são importantes e não as árvores como tal. O inimigo não irá remover árvores com as mãos, mas carregá-las ou afastá-las com veículos. No entanto, quando estas estão juntas vai ser preciso algum veículo blindado, tanque ou viatura de transporte de pessoal blindado, para limpar a via imediatamente e sem respeito por qualquer explosão possível ou então também tem de buscar especialistas (engenheiros) para procurar armadilhas e desarmá-las. Em qualquer caso, isso, poderá provocar alguma perda de tempo mais ou menos significativa.
 
Se o inimigo for desumano com o pessoal, mesmo causando perdas com minas, não tem nenhuma consequência e consigna todos de remover armadilhas - mesmo o pessoal não treinado - vai sofrer baixas e terá alcançado o móbil.
 
Sabotagem em estradas é menos eficaz do que a sabotagem em ferrovias uma vez que cada bloqueio de estrada pode ser facilmente contornado pela redistribuição do tráfego.
 
 
Conclusão
 
Esta hipótese - invasão do nosso território - é geral, simples e concisa: é em guerra irregular prolongada, o resultado da interação estratégica entre os irregulares (guerrilha) e entre estes e os civis. Apesar de estar em falta alguns vectores a explorar numa situação como esta, as decisões estratégicas da guerrilha, o nível de acção militar deles derivados, os pressupostos subjacentes nas decisões e interação com o inimigo, parte da superfície de cada território controlado (ou a probabilidade de sucesso). Por seu lado, a população, para decidir se quer permanecer ou não em cada um dos territórios (o ocupado e o libertado) em disputa pode transformar a estrutura territorial. Faz com que os guerrilheiros façam parte da mesma e o aspecto da acção psicossocial: estes dois tipos de interação podem gerar a estrutura espacial em todo o território disputado.
 
No contexto da guerra irregular, os grupos armados lutam pelo controlo primeiro da população e por empatia o territorial e os civis definem preferências em relação a situações definidas pelas oportunidades económicas disponíveis e as probabilidades de sobrevivência associadas a permanecer num território específico com a premissa de não ser imediata a sua colaboração inicial: contudo, a nosso favor é sermos autóctones e daí a inversão da suposta reticência de cooperar com os irregulares. Mas é o resultado da interação dos actores armados e o impacto das forças civis com o desejo de sobrevivência se procura (sempre) oportunidades militares. Pois é o resultado do que podemos imaginar, pensar e conjecturar os que têm armas e quem as não tem «haja, portanto, vontade, determinação e imaginação e a resistência em Território Nacional será sempre possível»28. Contudo devia ser dada mais acuidade a esta matéria de suma importância.
 
 
Bibliografia
 
Baseado sobretudo em dois primeiros livros que não vêm citados em rodapé:
 
- H. Von Dach (1965), Total Resistance, Paladin Press, Boulder, Colorado.Trad. Ten. Michael Fagnon (1995), SS Werwolf Combat Instruction Manual, em PDF.
 
- Lúcio Cunha, A montanha do centro português: espaço de refúgio, território marginal e recurso para o desenvolvimento local, Centro de Estudos Geográficos, Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra, 2002.
 
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 * Sargento-ajudante de Infantaria. Doutorado em Antropologia, pós-graduado em Comunicação e Marketing Político; Recursos Humanos; Curso Geral de Jornalismo.
 
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 1 De facto, em condições normais, os meios de força serão sempre insuficientes para a montagem de acção rendosa contra algum agressor potencial, quer em atitude defensiva, quer, nomeadamente, numa atitude ofensiva; e, para além disso, não seria jamais recomendável enveredar unicamente por incremento das Forças Armadas quando outros domínios, como os da educação, cultura da habitação, apoio social generalizado, investigação e da economia revelam igualmente carentes e consequentemente a precisar também que o Estado prioritariamente os contemple (José Lopes Alves, 1987, in “Guerra Irregular, Aspecto menos falado da Defesa Nacional”, Nação & Defesa, IDN, nº 43, p. 103).
 2 TCor de Infantaria João Luís Rodrigues Leal, “Análise Geopolítica e Geoestratégica de Portugal. Factores Físico, Humano e Circulação”, Adaptação do Trabalho de Investigação Individual, efectuado no Curso de Defesa Nacional 2006, in Revista Militar, Publicado em 17 Jun 2007.
 3 In Livro Vermelho, cap. VIII.
 4 Nesta área, ainda existem conceitos com discussões vivas causando cisão internacional sobre os Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra (1977).
 5 As organizações da resistência (maquisards) resultaram muitas vezes da reunião de partes de unidade militares ou de elementos militares em deserção ou ultrapassados pelo adversáro que voluntariamente quiseram prosseguir na luta em tais condições. Todavia, a retaguarda também lhes oferecia excelente campo de recrutamento (José Lopes Alves, idem). Por exemplo, durante a IIª GM, o governo de Vichy aceitou a presença de tropas japonesas na Indochina. Em Março de 1945, o exército japonês opera um golpe contra as tropas francesas estacionadas na Península. No Laos, a iniciativa japonesa tem efeito imediato de estimular a criação de resistentes compostos por comandos franceses largados em para-quedas, alguns militares e administradores coloniais fugidos da cilada japonesa e de combatentes locais, caçadores laosianos, e voluntários indígenas. Esta situação paradoxal, viram as forças militares do poder colonial efectuarem acções de guerrilha na selva, antecipa alguns anos a formação de “resistentes” étnicos destinados a lutar contra o Vietmine e aliados do Laos.
 6 Não confundir com Inteligência. No sentido da actividade, consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se como jornalismo ou comunicação como a prática de colectar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos actuais.
 7 Localiza-se na extremidade SW da Península Ibérica e faz fronteira a N e E com Espanha sendo limitado a S e W pelo oceano Atlântico Norte. Tem forma quadrilátera que adelgaça progressivamente do N para S e abrange a áera de 89.060 Km2, pouco mais da sétima parte de toda a Península. A extensão N-S (de 42º 09’ até 36º 58’ N) atinge os 561 Km e a máxima extensão L-W (de 06º 12’ até09º 58’W) é de 218 Km.
 8 As “serras” portuguesas estão ligadas essencialmente a condicionalismos estruturais e, particularmente, a factores tectónicos ligados à orogenia alpina (Cenozóico), ainda que na maioria dos casos, os movimentos alpinos se tenham limitado a fazer rejogar acidentes mais antigos de idade tardi-hercínica (finais do Paleozóico). No Maciço Hespérico temos as serras graníticas (Serra da Estrela, Gerês, Marão) e xistentas (em regra em posição inferior, dada a menor resistência litológica aos agentes erosivos como as do Açor, Lousã, Alvão) e serras quartzíticas rigidamente alinhadas de acordo com as direcções hercínicas (Valongo, Buçaco, S. Mamede). Nas Orlas Mesocenozóicas ocidental e meridional, as serras, significativamente mais baixas (pouco acima dos 400 m) e de menor dimensão (em regra apenas da ordem da centena de Km2), são também de origem essencialmente tectónica, ainda que estejam, em regra, associadas ao afloramento de rochas calcárias, mais duras e carsificáveis, do Jurássico médio (Serras de Sicó, de Candeeiros, de Aire e da Arrábida) ou aos granitos das intrusões alpinas (Serras de Sintra e Monchique).
 9 De acordo com o mapa hipsométrico fundamental de Portugal continental proposto por Ribeiro, O. (1998), a diferença entre as zonas a Norte do Tejo e a Sul do Tejo é notória. As terras baixas (menos de 400 metros de altitude) cobrem a quase totalidade da metade meridional do País, enquanto no Norte, excepto na orla litoral e ao longo dos principais rios, predominam altitudes superiores a 400 m. Os relevos com mais de 700 m cingem, pelo interior, o Noroeste e ocupam importantes extensões, embora de forma fragmentada, de Trás-os-Montes e da Beira. Paralelamente ao curso do rio Zêzere, desenvolve-se a Cordilheira Central. A sul, apenas se destacam as serras de São Mamede e a Serra Algarvia, com relevos entre os 400 e os 700 m (Ver Mapa Hipsométrico).
10 Mais do que verdadeiras montanhas, consideram-se como “espaços serranos”, ou seja, espaços, para além das características orográficas, são vistos pela diferenciação dos modos de vida.
11 O Norte do país é mais acidentado de altitudes médias mais elevadas, predominando serras e planaltos entalhados por vales profundos; O Sul, relevo mais suave e altitudes médias mais baixas, com raras serras e apresentando suaves ondulações; No litoral predominam extensas planícies e no interior predominam as serras e os planaltos.
12 Não é de todo errado admitir o desaparecimento, no futuro próximo, das guerras regulares ou convencionais - ou daquilo que era habitualmente é costume designar-se como tal - centradas nos Estados e típicas do período Westefaliano, até porque o rumo histórico tem demonstrado, primeiro que a guerra irregular sempre foi o meio dos mais fracos (ou dos mais fortes) para desestabilizar governos e países; segundo os meios tecnológicos evoluíram e nem sempre os exércitos conseguem modernizar-se rápida e convenientemente ante forças contrárias; terceiro, a tendência é mais no sentido da utilização de forças irregulares, mesmo que seja ainda e provavelmente transicional, em ambiente clássico. Contudo, a quantidade de guerras civis cresceu, com o desenvolvimento de novos meios, objectivos e tácticas de combate. Assiste-se, logo no pós-Guerra Fria, ao incremento dessa tendência inegável. Embora o sucesso não seja imediato. Mas a guerra irregular, pelo contrário, pode ser o outro meio usado pelo inimigo de alcançar fins políticos e não usar qualquer tropa convencional para a conquista do território: sujeitando a população, a feitura ou tomada do Estado.
13 Deve o nome em latim Extrema Durii (extremos do Douro), designou os territórios adquiridos, na sequência da reconquista cristã, para Sul do Douro (tal é, de resto, também a origem etimológica do nome da região espanhola da Extremadura); com a progressão da reconquista para Sul, a noção de Estremadura, como terra de fronteira abrangia Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém e Setúbal que para o caso pode ser uma hipótese. A escolha recaiu de modo diferente como é apresentado.
14 Serão a reserva das reservas.
15 Substituindo outro órgão ou célula com idênticas funções.
16 A ordem para a Célula Comando é feita pelo QG da região da guerrilha que lhe dá toda a informação de como actuar, sobretudo quando as acções directas são importantes e que as células operacionais locais podem correr o risco de serem presas ou aniquiladas.
17 O maquis, durante a IIª GM foi sistema de oposição também pela violência e por surpresa contra os alemães, nomeadamente nas florestas e zonas montanhosas da França, Bélgica e antiga Jugoslávia, difere de certo modo do sistema de resistência anterior por usar muitas vezes a metodologia militar, ser constituído por elementos especiais, tipo «comando» e actuar, não raramente, em estreita ligação com forças regulares da frente de batalha ou encarregadas da ocupação.
18 Origem do nome Comando: Após a retirada de Dunquerque, em Jun40, o Estado-Maior-General Imperial organizou a Brigada de Serviço Especial sob o controlo do Director de Operações Combinadas, Almirante de Frota Sir Roger Keyes, que tinham aprendido a técnica de ataques costeiros na Iª GM. A Brigada era composta por grupos atacantes e forças-tarefa combatentes itinerantes toca-e-foge e em breve veio a ser conhecido como “comandos”, depois da palavra em holandês, derivada do português, tinha entrado em uso na Guerra Boer como termo que descreve qualquer órgão militar, bem como grupo de ataque-surpresa (British Commandos, 1942, Mil. Int. Service, War Dep., Washington, Special Series, nº 1, MID 461).
19 De qualquer forma são considerados voluntários “para o serviço especial”.
20 Correio Morto. É o lugar onde a mensagem pode ser deixada ou largada por alguma pessoa para ser apanhada mais tarde por outra.
21 Neste caso pode ser usada caixa electrónica onde todos aqueles que têm permissão, geralmente a célula ou grupo, podem entrar, escrever, ler e guardar em rascunho para que todos possam aceder sem quaisquer envios e evitar traços electrónicos.
22 Uso da coerção, ameaças, muitas vezes tortura física/mental para extrair confissão ou informações do acusado ou condenado.
23 J. Edgar Hoover, Masters of Deceit, Nova Iorque, Henry Holt, 1958 e Jon B. Jansen and Stefan Weyl, The Silent War, Nova Iorque, Lippincott, 1943.
24 Ovomaltine é concentrado de elementos nutritivos à base de extracto natural de malte de cevada que fornece ao nosso corpo glícidos, proteínas, 11 vitaminas, cálcio, magnésio, fósforo. É feito com malte e está repleto de nutrientes naturais e saudáveis.
25 Pode existir sujeitos com formação paramédica dada quer por militares ou pessoal civil.
26 Deveriam existir no Exército (e noutros ramos) Paramédicos. Habitualmente engloba socorristas, técnicos de emergência médica de diversos níveis: enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, etc. Mas todo o militar deveria ter noções, não apenas de primeiros socorros; outros deveriam ser habilitados para permitir a aplicação de técnicas médicas em ambiente extra-hospitalar, sobretudo em tempo de guerra. Embora o termo é universalmente associado ao pessoal que presta socorro pré-hospitalar, em Portugal, esta categoria esteja legislada como o grupo de técnicos não médicos de análise e diagnóstico, a realidade face a globalização, por assim dizer, tende a mudar. Nesta perspectiva a formação paramédica deve ser alguém que, mesmo não sendo médico, saiba actuar na falta deste e como é óbvio a sua formação só iria beneficiar cada secção do pelotão no panorama convencional e mais tarde útil num panorama irregular, como neste caso hipotético, de invasão do território nacional.
27 Normalmente a população no início pode ficar intimidada e sem coragem, mas isso, muda com o prolongar da guerra e a ocupação.
28 Gen. José Lopes Alves, “Guerra Irregular, Aspecto menos falado da defesa nacional”, Nação & Defesa, nº 43, Ano XII, IDN, Jul-Set87.
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2012-10-20
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REVISTA MILITAR @ 2017
by CMG Armando Dias Correia