Nº 2521/2522 - Fevereiro/Março de 2012
A Guerra Irregular - A Conspiração do Silêncio no século XXI? (6)
Sargento-ajudante
Fernando D´Eça Leal

A Génese da Guerra Irregular - O Mutismo da Revolta em Silêncio

 
Na ausência da bipolaridade ideológica da Guerra fria e atributos clássicos das guerras mundiais, nos últimos anos tem-se assistido a profundas mudanças, no plano político e estratégico, decorrentes dos inúmeros riscos, incertezas e ameaças no contexto internacional - o mundo conheceu nova e inédita mudança. Antes eram dois blocos hoje essa frente única desfragmentou-se em muitas outras assim, são levantadas várias questões inevitáveis pois perante a violência diária das imagens televisivas: combates de rua entre as autoridades e jovens na Grécia, qual será o estádio de tensão social possível de ocorrer em Portugal? Em que estágio se pode encontrar Portugal e os países europeus para esta situação de violência? Quanto falta para se incubar a semente da guerra irregular? O exemplo da Noruega1 despreparada para o recente ataque terrorista doméstico não faz olhar para os nós complacentes e também referidos, país de “brandos costumes”? Que sentimento identitário influirá na opinião dos cidadãos? Que interesses podem estar escondidos no palco da dissenção social? Onde se encontra a legitimidade no contexto de ameaça nacional? Qual o papel das Forças Armadas no (novo) contexto ocasional? Além de força combatente pode haver força não combatente?2 O General Garcia dos Santos (1994) demonstrou preocupação efectivamente tocante na temática da relação entre o social e o militar: o «aspecto que deve ser analisado é o do militar-homem versus cidadão»3. Mencionar a violência emergente, seja quotidiana ou criminal, íntima ou pública, é acto de conotações morais e políticas vincadas que devemos estar preparados e atentos.
 
O colapso da URSS causou mudança de paradigma básico em relação à ordem mundial, entrou em cena o fundamentalismo religioso, pois, o 11Set foi dos picos causados pela primeira guerra do Iraque, como foi agora o atentado na Noruega, mostrando ao mundo outras frentes e também diversificadas formas de espanto. Diz a teoria: os actos de terrorismo são a táctica insurrecta usada em qualquer ambiente para influenciar a acção das massas dando-lhe propaganda à causa ou para desacreditar o governo. É difícil definir ou avaliar a estratégia detrás do sequestro, assassinato, ou massacre mas a mensagem é clara - o terrorista é insurgente pois crê no acto justificando a violência contra qualquer alvo. Testemunhas das muitas faces da guerra, uma vez alastrada a todos os continentes, possui forma omnipresente e é alimentada pela intolerância étnica e religiosa; instabilidade política e económica e contínuos desafios ideológicos para as democracias instaladas emergentes ou não. A crise actual coloca imensa pressão sobre a sociedade europeia. Os trabalhadores e a juventude não querem ceder mais e isso, pode significar a perspectiva da intensificação de outra luta de classes? Assiste-se ao processo de radicalização política, iniciando-se a expressar dentro das organizações de massas. O psiquiatra Eurico Figueiredo, afirmou que Portugal: «não vive em democracia», mas acredita que os jovens serão capazes de construir «novas utopias»4. O novo rosto da batalha dita em estudos de conflitos da perspectiva sociológica e intelectual ao invés da análise histórica tradicional. A maioria dos conflitos no séc. XXI, sem dúvida, ocorreu na forma de conflito não convencional ou de baixa intensidade. Mas quais as causas podem levar pequenos conflitos a grandes conturbações?
 
Infelizmente os sectores sociais só percebem o problema apenas quando as ruas se aspergirem de sangue, quando a guerra afectar o ambiente pessoal, só então começam a exigir mais solidariedade sentida nunca antes ocorrida - apesar de solicitada, sem alma, quando foi essencial esse empenho. É obrigatório defender políticas em prol do País na AR ou na praça pública sem medo e como única prioridade a “do seu País e o bem-estar de todos” (res publica) colocando de lado interesses pesssoais ou de terceiros - exige-se ao poder económico para abandonar o egoísmo e promover programas sociais, mas nunca ajoelhar-se diante a ameaça e extorsão; há urgência da mídia dizer a verdade objectiva e imparcial; o educador seja ciente da enorme responsabilidade atribuída à sociedade e administrar recursos humanos para o futuro com critérios de grandeza, sem semear ódios e estimular a criatividade, patriotismo e respeito por valores éticos e morais da nacionalidade; exige-se a todos e cada um dos sectores sociais se sintam comprometidos e lutem em conjunto e em cooperação para erradicar o ódio e a violência do campo e das cidades, antes que seja tarde.
 
Esta classifica a natureza a guerra irregular como instrumento dinâmico e complexo presente nalguns conflitos pelo mundo fora e merece atenção a análise dos efeitos da guerra psicológica nos principais actores do conflito: governo, população, forças armadas, comunicação social, diplomacia e, claro, grupos insurgentes. Os efeitos dessa forma de luta estimula a expansão terrorista e polariza todos os sectores da sociedade, a disseminação de conflitos no tempo e no espaço, violência activa das massas, promove e aprofunda a denúncia política da luta de classes, mas também por outro lado, coesa a população e principalmente fortalece o moral das tropas; dependendo de como manipulam as informações, então, é guerra psicológica, arma de consciências presente na guerra irregular e determina os benefícios do desenvolvimento da luta, dependendo da aptidão do seu uso.
 

Questões Prováveis

Tem vindo a aumentar de modo desconcertante, em Portugal como noutros países europeus, o fenómeno da violência e em sortidas formas, com significativas expressões do inconsciente colectivo com microconflitos5. É essa guerra irregular latente - embora invisível possui tempo de incubação como qualquer vírus - exteriorizando-se em confronto mais individualizado mas comum a outros indivíduos e sem estrutura dirigente: a partir daqui pode o combate ser organizado. O nosso País atravessa o período muito conturbado, mais um, entre muitos em 872 anos de existência6: a situação económica, financeira, social e política, bem como, ética e moralmente encontra-se muito débil. Portanto, na primeira fase o comportamento torna os sujeitos mais agressivos porque o descontentamento desenvolve-se: ora é o desemprego galopante, ora as injustiças do sistema em geral, bem como nos grupos políticos, atacam princípios mais profundos da sociedade por não serem tolerantes e este choque social, económico, político causando impacto psicológico tão forte abatendo-se também em sectores outrora não se cria pudessem vir a existir. Por exemplo, muita da classe média tornou-se pobre e os pobres tornarem-se miseráveis. Naturalmente, o País se não conseguir o anti-corpo certo e se a esse facto existir factores exógenos, podem influenciar manobras até estoirar o conflito.
 
Numa breve panorâmica, abordarei alguns vectores para esta análise que considero importantes.
 
Ora vejamos, quando vemos as necessidades de mais de 50% dos municípios do País, não poderem fornecer os necessários recursos hídricos, habitação, energia, educação, saneamento básico e saúde ou quando lemos nos jornais, polícias organizados num princípio de grupo terrorista, com o intuito de corrupção, tráfico de droga, segurança ilegal, extorsão e violação de segredo - e prática comum durante anos a fio; ou quando os litígios surgem entre cidadãos e os processos judiciais demoram imenso, mesmo para casos simples, a crise da justiça pela visão dos sujeitos é divisarmos criminosos, em casos graves de corrupção, pedofilia, despedimentos sem justa causa, etc., isto para não falarmos na classe política, como enguias, não são condenados nem confiscados bens em tempo razoável ou até mesmo caducarem processos. Também no aspecto “cível” a Justiça portuguesa se mostra assustadoramente morosa e ineficaz. Parece, só os tribunais específicos, ligados às Finanças e Segurança Social, se mostram eficazes, porventura, até vorazes.
 
A diferença entre os “valores” nos quais as pessoas pensam ter direito e os “valores” que sabem poder obter é a privação percebida relativa7. Esta percepção forma a base psicológica, finalmente, desenvolvida em violência política em massa. Os melhores exemplos disso são sociedades tradicionais onde a percepção de valores, muda muito lentamente. As pessoas aceitam a sua posição na sociedade e estão satisfeitas em permanecer nesta posição como anteriormente fizeram os seus pais e avós8.
 
A importância deste aspecto é pensar estar privada; a percepção é a única que importa, mesmo não sendo verdade. Pessoas diferentes tendem a pensar na capacidade e expectativa de valores desde pontos de vista desiguais: devido a essa disparidade em factores psicológicos, algumas pessoas recusam, enquanto outros a aceitam, as mesmas circunstâncias sociais, económicas ou políticas. Por isso, se houver alguém ou grupo com carácter forte, onde explore aqueles que não a aceitam, mais tarde ou mais cedo, os que recusavam podem vir aceitar a revolta porque foi conseguida a subida da fasquia.
 
Recordar este conceito, referido a indivíduos e, como consequência, a grupos dentro da sociedade, mesmo podendo esta ser (ou parecer) estável e ter problemas políticos. Por exemplo, a China tinha a classe de camponeses muito estável durante séculos, mas a liderança era bastante instável até Mao Zedong surgir e conseguir explorar o “calcanhar de Aquiles” até então, passado despercebido ou enfim, não se havia despertado para o fenómeno, embora não surgisse latente tornou-se emergente.
 
A sociedade pode ter problemas sociais e há duas definições possíveis:
 
• Segundo Rubington e Weinberg (1989)9, o problema social é alegada situação incompatível com os valores de expressivo número de pessoas, acordam ser necessário agir para a alterar.
 
• Para Spector e Kitsuse (1987)10, o problema social é constituído pelo conjunto das acções de indivíduos ou grupos levam a cabo ao prosseguirem reivindicações relativamente a determinadas condições putativas.
 
Para ser problema sociológico deve possuir condições de regularidade, uniformidade, impessoalidade e repetição. No entanto, alguns processos de asfixia dessa possibilidade serão também considerados:
 
Baixos níveis de vida e desejos para reformas económicas podem ser causas para a insatisfação com o governo. Mas segundo a teoria o “potencial” guerrilheiro, usa aqui a arma mais mortífera - a política - procura explorar esta situação mediante a utilização de operações psicológicas. Deriva de grande parte do apoio logístico da economia local, normalmente não a afectará drasticamente. As forças de guerrilha destruirão a economia local como lição para deter mais obediência ou seu apoio. Nunca esquecer do ditado «a ocasião faz o ladrão» mas «a oportunidade também faz o guerrilheiro».
 
As dimensões esquecidas das intuições fundadoras (em particular os estados-de-espírito - revolucionário, do capitalismo, consciência colectiva, por exemplo - e as violências institucionais relacionadas - política, económica, moral, judiciária, etc.) como forma de adaptação (da sociologia, sociólogos e leitores de trabalhos sociológicos) às alterações sociais em curso.
 
A produção teórica tem sido estimulada a especializar-se em torno de ciências aplicadas. As sociologias especializadas (família, educação, ambiente, trabalho, solidariedade social, saúde, justiça, indústria, etc.) vêm a público servir propostas políticas, construindo-as e problematizando-as como modernizadoras, na convicção de ser esse (o progresso da modernização) o destino das sociedades. Como escreveu (Coser 1964/1956:26-29), a empregabilidade dos sociólogos em tais contextos especializados tende a ser feita, ocupando-os a esvaziar focos de problemas sociais na qualidade de peritos em relações humanas, em vez de os tornar em auto-assumidos promotores de reformas11.
 
Estes factos podem interessar a políticos e a investigadores de ciência política mas interessa mais à sociedade castrense, no edifício científico-militar, equipado para a observação de determinados fenómenos internos e externos que ocorrem agora com frequência mais do que alguns anos antes em tempo e espaço mais curto.
 
Levantam-se vários problemas, sobretudo na latência do conflito que pode despoletar várias hipóteses de revolta ou simplesmente acto isolado com carga ideológica ou dogmática, perpetrados em grupos ou solitariamente, sobre o qual a posição dos militares nesta evolução, com novos paradigmas e cujo militar, sobretudo do QP, deve habilitar-se para estar preparado a qualquer fenómeno da família de guerra irregular: insurgências, guerra civil, terrorismo, estado de sítio, conflitos de baixa intensidade, etc.
 
Temos de analisar e reflectir sobre certos vectores principais, tendências ou propensões e avaliar, por exemplo, diferenças de comportamentos nos diversos territórios do País12. Outras variáveis não foram tidas em conta, nomeadamente a dimensão das cidades; além das fronteiras da Europa, ou o factor climático como catástrofes naturais; nem ao factor “orgulho de ser português” variável relativa é, nesta perspectiva, o pragmatismo a falar mais alto, além de Raul Brandão observar «a grande massa inerte adapta-se a todos os regimes»13, puder levar pessoas a preferirem a comida, emprego, bem-estar, estabilidade, etc., em troca, por exemplo, da imagética nacionalista.
 
A dinâmica populacional - mudanças ao nível das dinâmicas de crescimento e de concentração territorial da população - nomeadamente por via do processo de litoralização e resultando crescente despovoamento do Interior - colocam desafios à sustentabilidade dos territórios. No decurso da última década, essas mudanças continuaram a operar na sociedade portuguesa na dupla vertente: se o tradicional processo de concentração populacional no Litoral continental se manteve e se há territórios, no contexto nacional, evidenciam capacidade endógena de assegurar a vitalidade demográfica de forma sustentada ou se dependem para tal do movimento migratório; tendência de envelhecimento da população - esta aceleração do ritmo pela base (menor natalidade) e pelo topo (maior longevidade) pode ser atenuada pelos movimentos migratórios. Assiste-se hoje, na generalidade das sociedades mais desenvolvidas, ao fenómeno do envelhecimento demográfico, ou seja, ao aumento da percentagem relativa de indivíduos com mais 65 anos de idade no conjunto da população total. Porém, se as regiões com capacidade de atracção podem, mesmo com baixa natalidade, conseguir manter saldos demográficos positivos por via das migrações; as regiões em processo de envelhecimento e despovoamento, tendencialmente mais periféricos, podem ver esta tendência agravada pela via dos cursos migratórios14; tendência do novo núcleo familiar - concretamente, a conjugalidade e a formalização por casamento, observa-se a diminuição do número de casamentos celebrados ao longo das últimas décadas, principalmente pós-pronunciamento de 74; em contrapartida, embora a diminuir, tem sido seguida por aumento contínuo do número de dissoluções matrimoniais por divórcio e cada vez mais o núcleo deixou de ser pai-mãe-filhos e passou a ser monoparental: mãe, pai ou avós; a tendência da falta de estabilidade indivíduo-família-sociedade - a estrutura do emprego, formação (literária, cultural e técnica) e desemprego nalgumas vertentes, cuja predominância dos sectores industriais tradicionais expressa-se, também, a nível do emprego e a respectiva exposição/desprotecção internacional reflecte-se no desemprego.
 
O débil sector terciário, assente basicamente em actividades do comércio, restaurantes e hotéis, fortemente dependente do consumo local e das oscilações do nível de actividade, contrasta com o pouco significado do terciário de maior valor acrescentado.
 
Países como o nosso, uns mais desenvolvidos renderam-se também à evidência: muitos adultos, apesar de vários anos de escolarização, não dominam a leitura, escrita e o cálculo, demonstram sério estorvo em usar na vida diária material em diferentes suportes. Estes indivíduos vêem deste modo diminuídas as respectivas capacidades de participar na vida social, em planos como os do exercício da cidadania, possibilidades profissionais e do acesso à cultura. Podemos dizer, a iliteracia limita o acesso ao mercado de trabalho, possibilidades de emprego e a capacidade de adaptação à sociedade e à economia em mudança. Num mundo onde a informação e o conhecimento constituem factores determinantes da vida social, a capacidade de usar informação escrita de forma generalizada, tornou-se essencial. É hoje incontornável o facto das capacidades reduzidas neste domínio gerarem riscos sérios de exclusão social15.
 
Que rumos a população está a levar e qual o papel desempenham neste contexto, bem como, o lugar e o contributo da população estrangeira? Há crise social e ameaça à produção de alimentos e comércio, mas no fundo, manifesta o aumento da pobreza devido à falta de recursos financeiros dos produtores e consumidores para satisfazer necessidades. A determinada altura, a falta de compromisso da sociedade civil, governo e sectores produtivos, vice-versa, é impossível construir soluções eficazes e sustentáveis.
 
Inquietos com as guerras e comportamentos violentos em geral, nem só os sociólogos têm tendência a aceitar as representações de senso-comum (impregnadas de repugnância incorporada) sobre qualquer violência: legítima e defensiva e ou violência disruptiva e anti-social. Wieviorka estuda exaustivamente a violência na sociedade, admitindo não ter focado a violência de origem institucional (separou o macro do micro, como se usa dizer). E por isso, pode escrever: «Devemos aprender a aceitar a ideia dum fundamento não social, anti-social, no que mina e desumaniza a vida colectiva (…) [, a] opor a concepção social do bem à violência, isto é ao mal, incluindo as suas dimensões mais subjectivas»16. A ligação entre a frustração (impede de alcançar o objectivo ou prática comportamental) e agressão tem sido discutida em psicologia há mais de meio século. Alguns chegam a vê-la como “explicação chave” para a compreensão da causa da violência humana. A premissa básica da hipótese frustração-agressão é dupla: (1) A agressão é sempre produzida pela frustração; e (2) A frustração produz sempre agressão. Quando submetidas ao escrutínio empírico, no entanto, a pesquisa mostra que a frustração não conduz à agressão. Às vezes, por exemplo, resulta em solução de problemas ou comportamentos dependentes. A agressão pode ocorrer mesmo na ausência de frustração17.
 
Por outro lado, verifica-se alguns grupos a actuarem dentro de instituições, pelo seu valor deveriam ser o exemplo, como a PSP, agindo como verdadeiras células de terrorismo, embora não fossem porque não tinham objectivo global ideológico e/ou político mas criminal para seu próprio benefício, cujo objectivo era controlar a informação, extorsão sob ameaça, armamento, etc.18 - não esquecer sempre o papel da instituição como tal, portanto não julgar episodicamente o todo. Além disso, neste caso, dominavam parcela do mercado económico (droga) e também parte do território geográfico (Cascais-Estoril-Oeiras) - onde exerciam melhor os poderes através da instituição estatal (PSP). Alguns autores corroboram esta afirmação19. As organizações criminosas devem ser analisadas também por meio das dimensões de actuação: como resultado, os grupos criminosos de hoje cada vez mais apresentam estruturas semelhantes às da guerrilha e muitas vezes, são envolvidos em actividades criminosas20. O problema também deve ser analisado pela actuação das autoridades, independentemente das razões permitem o desenvolvimento de pequenas situações, como em Santo Amaro de Oeiras, segundo fontes locais, existe núcleo traficante há anos e mesmo com denúncias a PSP à paisana e de, supostamente de combate à droga, não deu e parece não dar resposta rápida, no mínimo para prevenção - aos olhos das pessoas o facto desta ausência permite o silêncio e vasto campo aberto para ilicitudes - pois, as forças de segurança e por tabela a justiça, tardam e actuam lentamente paradas. Algumas pessoas questionam se não estarão vendidos ao sistema paralelo da droga ou até se pertenciam à rede de Cascais. Estas situações geram revolta sobretudo quando se vêem dois, três polícias à volta de um cidadão indefeso ou quando autuam na estrada, voracidade que não sendo estas acções meritórias não possuem efeito de corpo policial inócuo pois as situações mais gravosas não são tratadas assim pleiteamente.
 
Ou seja: existem organizações que actuam apenas a nível local, sem conexão a outros grupos no âmbito nacional ou internacional, mas não significa, por várias razões, não venham interligar-se21. Por outro lado, existem organizações nacionais ou transnacionais, as quais criam a cadeia de interacção na esfera local, nacional e internacional. Principalmente, este tipo de organização, como qualquer actividade celular, possui elemento de segurança contra as tentativas de infiltração sobretudo por outros titulares de poder, a própria PSP, PJ ou outra. Esta característica faz com que as acções das diversas etapas ou níveis de organização não sejam conhecidas por outros sectores. Mingardin (1996) aponta quinze características do crime organizado: 1) práticas de actividades ilícitas; 2) actividade clandestina; 3) hierarquia organizacional; 4) previsão de lucros; 5) divisão do trabalho; 6) uso da violência; 7) simbiose com o Estado; 8) mercadorias ilícitas; 9) planeamento empresarial; 10) uso da intimidação; 11) venda de serviços ilícitos; 12) relações clientelistas; 13) presença da lei do silêncio; 14) monopólio da violência; 15) controlo territorial22.
 
Os poderes económicos e, sobretudo o político, deveriam analisar as dimensões em cada caso. A avaliação e evolução temporal dependem em grande medida de variáveis em diversos vectores, tornando-se referência de medir esse fenómeno; além disso, não há sociedade imortal nem imutável, as variações nalguns eixos, uns mais importantes mas conjugados, podem acabar por “matar” ou mesmo “mudar” a sociedade. Resta-nos saber com ponderação, para o bem e para o mal, se é aceitável, pois a conjuntura externa caótica e a situação interna de desespero levam a outra variante além fronteiras: países, conjuntos do mesmo sistema (quase) globais e dependentes do mesmo compasso de muitos factores, entre os quais a especulação bolsista.
 
De qualquer forma, o derrame na malha social e económica pode fracturar a estrutura do País porque o crime organizado, em situação de instabilidade ou de guerra irregular, pode enquadrar a maioria da população descontente: pois tendem a juntar-se por questões de sobrevivência e são estes grupos que procuram estabelecer contactos com outros de luta ou guerrilheiros, ou vice-versa, incluindo a fusão, podendo evoluir nesse sentido, como por exemplo, o Exército de Libertação do Kosovo «em troca de dinheiro, armas e equipamentos, permitiu áreas sob o seu controlo a ser utilizado para o tráfico de drogas na Europa e, posteriormente, para empreendimentos iniciais de tráfico de pessoas»23. Hoje em dia é comum encontrar afirmações onde, naturalmente, resolvem a guerra além das formas clássicas entre estados. A partir desta matriz foi inventada definições como «a guerra compreende insurgência, terrorismo e actos criminosos. Com algumas excepções, as demonstrações políticas, aleatórios actos criminosos e alguns assassinatos, a guerra é acto de violência com o objectivo de mudança do status quo de panorama sócio-político»24, como no pensamento de Clausewitz25. O terrorismo é principalmente acto psicológico que comunica através da violência ou ameaça de violência. As estratégias terroristas são destinadas ao público, causando danos a símbolos ou inspirar medo. O tempo (sentido de oportunidade), localização e método de ataques acomodam a divulgação nos mass media e optimizar o impacto das notícias actuais. São variáveis facilmente ocorrem sobre a população desprotegida e, se o Estado não tiver réplica adequada, constitui claramente validação adicional, tornando a sociedade injuriada e vilipendiada: isto leva-a a aceitar ou a rejeitar esta condição. As verdadeiras diferenças podem e, em muitos casos, desenvolverem-se em referência aos tipos de mudança que estão a suscitar, a direcção e a capacidade do governo de dirigir e controlar esta mutação.
 
O uso de palavras e frases como terrorista e organização terrorista são termos impróprios e arriscados sobretudo quando não se tem noção do limite entre o crime organizado e a guerrilha constituída. Os terroristas políticos e organizações terroristas podem ser identificados especificamente se forem associados à organização onde se encontram enquadrados independentemente servirem ideais ou somente criminais26.
 
No palco da guerra não-convencional e conflitos de baixa intensidade, o terrorismo é a táctica usada em ambos os casos: crime organizado; e insurgência - para satisfazer carências estratégicas e tácticas. Nesta guerra, o sentido das palavras é basilar. Como efeito identificar com precisão a ameaça é prioridade máxima. Em geral, vejamos:
 
TERRORISTA

CRIMINOSO COMUM

Objectivo político
Crime de oportunidade
Motivação ideológica ou religiosa
Sem filosofia ou doutrina
Foco no grupo
Centro em si mesmo
Propósito
Sem causa
Treinado para a missão
Sem treino
Orientado para atacar
Orientado para escapar
Sem sentido de auto-preservação
Sentido de auto-preservação
 
Podemos acrescentar as “lacunas” - daquilo que se pode esperar - para o episódio de guerra irregular como a da:
 
- Segurança para garantir a paz e a ordem;
 
- Capacidade dos serviços públicos diante dos cidadãos;
 
- Legitimidade dos actos (sem consenso, corrupção, não democrático etc.) - deve ser conjugada com outros princípios, como o da razoabilidade;
 
- Proporcionalidade (ponderação da relação existente entre os meios e os fins.
 
O Estado não pode ser fraco nem enfraquecido e deve preencher essas lacunas, senão cria condições para o surgimento de movimentos insurgentes. Mas a premisssas para tal deve-se a vários factores porque a subjectividade do ser humano é imprevisível.
 
Na sociedade tradicionalmente rural, diriamos até mesmo em muitas outras sociedades, os valores de importância, por exemplo, para os camponeses as necessidades da vida são a comida, a casa, serviços de saúde, etc. Mas ao avançar na sociedade, os valores como posição social, poder e o prestígio são percebidos como importantes. Se o acesso a estes valores é negado pelo sistema político, então, o indivíduo sente-se privado de valores que são importantes para ele.
 
Apenas quando as pessoas vêem tais condições como injustas e passíveis de modificação pela acção organizada, as reações agressivas das massas, resultam da mudança de interpretação da realidade. Os seres humanos são incrivelmente tolerantes para as situações mais desumanas. Os que estão na base da pirâmide e sofrem privação absoluta chegam até a resistir à mudança. Mas os que estão pouco acima sofrem de privação relativa e sentem-se prejudicados em relação aos superiores: acham que deveriam ter mais do que têm. Quanto maior é o hiato, maior é o sentimento de injustiça e a disposição para se aliciar nos movimentos de mudança, inclusive, os agressivos. Isso faz-nos entender o comportamento dos empregados de melhores salários, bons benefícios e segurança de emprego ao se empenharem tão assentes em movimentos políticos. A história mostra-nos o activismo político nasce exactamente nesses grupos. Marx dizia, para a revolução, o mais importante do que o seu valor absoluto, é quando os ganhos dos assalariados sobem menos do que os lucros dos capitalistas.
 
O facto de a sociedade estar a mudar não diz automaticamente existir violência política. Se não existe grande diferença entre expectativas de valores e as capacidades dos valores, então esta muda pacificamente. Por outras palavras, mesmo se as expectativas estão a mudar dentro dos distintos grupos da sociedade, o governo reage efectivamente acomodando essas mutações.
 
A insurgência pode desenvolver-se em qualquer sociedade, industrial, urbana (estas estão cada vez mais focalizadas em zonas urbanas), ou rural. As insurgências são basicamente motivadas por razões dogmáticas: políticas (não necessariamente comunista ou de esquerda) e religiosas.
 
Quando a legitimidade do governo está num nível alto, a maioria dos cidadãos pensa que o governo tem direito às suas acções e apoiam-nas. Uma vez perdida a legitimidade, os seus dias no poder estão contados.
 

Dimensão do Imaginário ao Real e Efeitos Possíveis no Futuro

Neste momento, Portugal, como qualquer país europeu, não está livre de alterações radicais se não estivermos atentos a pequenos fenómenos cujo dealbar promete a certos grupos políticos ou não, de proliferarem e direccionarem as frustrações das pessoas para os seus interesses27. As pessoas envolvem-se em violência quando estão irritadas, descontentes e frustradas. A violência política é o resultado de causas frustradas feitas ao sistema político, causas baseadas na percepção vivida pelos cidadãos de sentirem-se privados de certos benefícios da vida aos quais pensam ter direito.
 
Vejamos as causas e factores que podem ou contribuem para influenciar qualquer acto susceptível de cair numa guerra insurreccional em Portugal.
 
Os valores do bem-estar são muito mais baixos desde, pelo menos 2004, daqueles observados noutros países europeus. Tal como acontece nos estados menos desenvolvidos da Europa é nos mais jovens os que se sentem mais felizes e satisfeitos28. A socióloga Anália Torres29 mostra, por seu lado, os portugueses estão descontentes com tudo o que tem a ver com política interna: estado da economia, forma como o Governo está a actuar, funcionamento da democracia, estado da educação e dos serviços de saúde. Explicará também que Portugal, República Checa, Eslovénia e Polónia demonstram menor confiança nas instituições.
 
Neste capítulo da satisfação com a política interna, mantém-se o padrão relativamente idêntico entre homens e mulheres em todos os indicadores analisados, salientando-se:
 
- Satisfação com o estado da economia: os países do alargamento e da Europa do Sul, bem como a Alemanha, estão insatisfeitos;
 
- Satisfação com a forma como o Governo está a actuar: os países do alargamento e da Europa do Sul, sem excepção, bem como a Noruega, Reino Unido, a Holanda e a Alemanha, com esta última a apresentar os valores mais baixos, estão insatisfeitos;
 
- Satisfação com o funcionamento da democracia: apenas a Polónia, a Eslovénia e Portugal estão descontentes;
 
- Satisfação com o estado da educação: os portugueses são os mais descontentes;
 
- Satisfação com os Serviços de Saúde: Portugal é também o mais insatisfeito, seguido da Hungria, Polónia, Irlanda a Grécia30.
 
Os movimentos de pré-insurreição em grande escala tendem para a causa fundamental: o descontentamento da população, sendo real, imaginário ou provocado; este surge como consequência das condições políticas, sociais, sociológicas, económicas, militares e psicológicas. Os fins e objectivos das organizações terroristas diferentes em todo o mundo variam de problemas terroristas regionais aos objectivos do radicalismo e do terrorismo transnacional. Além de vários potenciais adversários, os inimigos podem ver particularmente Portugal como vulnerável ao impacto psicológico e as incertezas geradas por tácticas de terror em apoio de outras actividades.
 
Em termos analíticos, as crises sistémicas desenvolvem-se obedecendo a hierarquia de acontecimentos. Ora vejamos estas causas meramente laboratoriais:
 
a) Causas Políticas
 
Pós a floração dos cravos, efectuou-se no campo político a institucionalização de nova carreira: a do político. Esta é saída dos partidos sobreviventes do pacto assinado com o MFA, alguns bons mas o restante é continuamente fraca e de certo modo perigosa para os desígnios futuros de Portugal. Criou-se a democracia baseada em partidos. Foi com esta nova casta, burgueses com arremedos de nobre, herdeira da 1ª República, mas de alma provinciana e tacanha, sem cultura comportamental que o povo é também caraterizador acentuou-se o problema da corrupção e os laços perigosos em várias direcções, nos diversos sectores da vida portuguesa: Processo dos Submarinos, Face Oculta, Taguspark, Isaltino, Operação “Furacão” e os casos BPN e BPP são a face mais visível e mediática do fenómeno da corrupção cuja culpa, geralmente, até agora, morre solteira.
 
Outra causa política é a UE (sobre)vive, desde o início dos anos 90, às contradições resultantes no descrédito das instituições europeias, tornando-se, para muitos, talvez a maioria dos cidadãos europeus, a burocracia intervencionista sem fins acordados e sem qualquer igualdade nalguns planos como o salário e as condições de trabalho ou mesmo a diferença entre justiças aplicadas nos estados-membros. O General Cabral Couto disse: «ninguém defende aquilo que não ama nem ninguém ama aquilo que não conhece»31.
 
No que se refere, em geral, a posição política das pessoas, quanto ao género, verifica-se inversão do padrão esquerda/direita da Europa do Norte, onde os homens são de direita; na Europa do Sul, as mulheres assumem essa posição. No entanto, se a Itália e a Espanha se encontram abaixo do centro da escala (esquerda), em Portugal, os homens estão ligeiramente abaixo (centro-esquerda) as mulheres ligeiramente acima (centro-direita). A Finlândia, Dinamarca, Grécia e Israel são países que se vêem no centro-direita, enquanto a Espanha é a que mais se considera de centro-esquerda. O intervalo de variação média deste indicador situa-se entre 4 e 6 na escala com extremos 0 (esquerda) e 10 (direita), indiciando, por conseguinte, o padrão é o centro em todos os países (vide gráfico)32:
 
(imagem)
 
O pacifismo, multiculturalismo, estado de bem-estar, falta de valores positivos e igualitarismo foram em diferentes graus de acordo com diferentes países europeus, queda dramática nas taxas de natalidade, aceitação de práticas religiosas, por muitos imigrantes muçulmanos, antidemocrático, violento e discriminatório em relação às mulheres, taxa de criminalidade cada vez mais alta, a marginalização dos trabalhadores menos qualificados na Europa, a xenofobia e proteccionismo. Exactamente aqueles fantasmas do passado, contra os quais tentaram lutar sobre a criação do Mercado Comum e sucessor actual da UE. O sociólogo americano Seymour Martin Lipset defendeu a tese de não ter sido o extremismo de esquerda e de direita do sistema partidário conducente à ditadura nazi, mas sim, a crise mundial de 1929. Pode a História repetir-se num contexto similar?
 
Portanto, a Europa política-económica deixou de existir? Os políticos europeus, afinal, não são tão diferentes dos outros países de origem parlamentar e governativa, depois de ter sucesso, invés de aprofundar cada vez mais a aproximação entre os povos europeus, são em si a ideologia política permanente, empreenderam novas metas para as quais foram legitimados pelas respectivas bases nacionais, enquanto, a nível nacional, o populismo minou os fundamentos originais da UE. A política europeia pode não existir; e a existir, é baseado em valores negativos e populistas corroendo-a. Mas outros factores emergentes podem surgir ou surgiram como:
 
- O governo não responde às aspirações.
 
- Condução tirânica, repressiva, corrupta ou ineficaz.
 
- A falta de comunicação entre: governo e povo - partidos e povo - políticos e povo.
 
- Desconhecimento das realidades: locais, sociais e profissionais - entre outras.
 
- Ausência de controlo governamental e resultante da falta de manutenção da lei e da ordem.
 
- Governo instável incluindo inabilidade de políticos mesmo em oposição.
 
- Minorias frustradas facilitam soluções radicais para o ardil de rápida modernização.
 
- As extremas-direitas e esquerdas, as quais se opõem à luta da classe média para lograr a influência e económica. Não descurar: estas organizações podem estabelecer em qualquer caso (ou momento) organização clandestina fora de qualquer controlo.
 
- Imaturidade do processo político, não permite acesso ao poder de grupos e partidos políticos ou mesmo cidadãos representantes de múltiplos interesses.
 
- A resistência dos dirigentes no poder a tolerar a oposição responsável e a propensão dos grupos da oposição à cosnpiração e insurreição.
 
b) Causas Sociais
 
Os excessos do Estado-Providência limitaram, em parte, a liberdade individual, acumulação de capital, liberdade de estabelecimento de novas empresas, bem como, a capacidade de decisão do empregador e o respeito pelo empregado ou trabalhador. Isto veio permitir a introdução do pensamento liberal e nesta mistura resultou a aproximação de interesses puramente económicos e financeiros ou seja é determinado ou relacionado ao papel nas sociedades capitalistas. Desta forma o Estado através dos políticos passou de instituição estabelecida no interesse colectivo como um todo a estar a defender outros interesses mas não os nacionais. Isto, por um lado, impede o exercício da liberdade no trabalho, comércio e reforma/aposentadoria. Isabel Jonet, presidente da federação portuguesa dos bancos alimentares contra a fome, avisou que os graus de pobreza e desemprego em Portugal podem criar fenómenos de instabilidade social como foi vista noutros países. “Podemos assistir a problemas de instabilidade social”, afirmou, acrescentando haver “potencial de enorme disrupção” na sociedade se o Estado não tiver capacidade de enfrentar correctamente estes problemas. Jonet defende o papel crescente da ONG não só no combate aos problemas sociais, mas também “precisamos da sociedade que valorize mais a justiça, a verdade, inverta espírito consumista e imediatista em que vivemos. É preciso o retorno à essência das coisas”, afirmou no 3º Congresso da Ordem dos Economistas (23Out09).
 
O Rendimento e Condições de Vida (INE) - embora a taxa do risco de pobreza em Portugal manteve-se em 2009 ao nível de 2008 (17,9%) - sem as transferências sociais esse valor chegaria aos 43,4%: ou seja, sem pensões de reforma e sobrevivência, subsídios de desemprego, doença, incapacidade e família e o Rendimento Social de Inserção (RSI), quase metade dos portugueses estavam em risco de pobreza, pois possuiam rendimentos anuais abaixo dos 5.207€. Em termos sociais é como a bola de neve, vai aumentando.
 
Por outro lado, a crise está a passar ao lado das maiores fortunas nacionais. A conclusão é do estudo anual da revista Exame ao analisar as 25 maiores fortunas, constata estarem 17,8% mais ricas em relação ao ano anterior. Ao todo este ano as 25 maiores fortunas somam 17,4 mil milhões de euros - na prática é o equivalente a 10,1% do PIB nacional33. Outro factor aos olhos das pessoas é pensarem que nem a queda das bolsas nem a crise económica travam a acumulação das grandes fortunas em Portugal.
 
Apesar da importância da Segurança Social como amortecedor da crise social criada pela crise económico-financeira, sem as forças vivas do trabalho esta não vai poder colmatar esta epidemia.
 
Também 36,4% das pessoas em risco de pobreza estavam desempregadas e os inactivos figuravam 28% daqueles que correm o risco de ficar pobre, pois a maioria das pessoas vive, de facto, dos rendimentos do trabalho e perdido este rapidamente caem em situação de pobreza, para além das perturbações psicológicas causadas ao próprio e ao seu redor considerado dano colateral para a família, Sistema de Saúde, Segurança Social e para a sociedade em si causado por este problema. Enfim, este não é isolado mas parte do intricado complexo de dificuldades que Portugal está a conviver.
 
Factor para o comum cidadão e facilmente inaceitável serve de mote para (mais uma) indignação porque, outro exempo: para se atingir a reforma precisa-se de trabalhar até aos 65 anos e com reduções: os trabalhadores que tencionem reformar-se este ano (2011) (funcionários públicos incluídos) vão ter de trabalhar mais algum tempo além dos 65 anos. Quanto? Depende da sua carreira contributiva, pois a taxa de bonificação por cada mês adicional de trabalho varia em funções disso34. Houve quem peticionasse “Retirar aos deputados actualmente com 12 anos na Assembleia da República o direito à reforma”: «Têm de trabalhar como nós até aos 65 Anos!!! Proibir e eliminar o acumular de reformas de deputados que recebem pensões reformas de outros organismos ou empresas públicas» (sic). No espaço europeu, as reformas milionárias para deputados do parlamento são outro escândalo aos olhos de quem trabalha e não consegue ter vida sem ter de contar tostões ao princípio até ao final do mês, quer na actual conjuntura de crise financeira e económica mundial, quer mesmo na hipotética conjuntura de riqueza e abundância35. Ou seja, os partidos políticos criaram em Portugal, aos olhos do cidadão, o sistema de roubo legal para membros e famílias, baseado na acumulação de reformas e pensões vitalícias36. A ajudar este panorama os nomes dos políticos que recebem do Estado a pensão mensal vitalícia passaram a ser secretos. A Comissão Nacional de Protecção de Dados cujo presidente é eleito pelos deputados considera “a pensão mensal vitalícia não é informação pública….”37. Entre estes e outros há factores decorrentes que podem surgir ou surgiram como:
 
- Conflitos entre costumes sociais tradicionais e o contacto com outras culturas.
 
- A fé de alcançar o nível de vida superior dentro de curto período de tempo.
 
- Grandes divisões dentro da população, como resultado das diferenças de classes, étnicas, religiosas ou idiomáticas.
 
- As aspirações frustradas das classes necessitadas ou pobres em melhorar a condição social e de fruir oportunidades para se poder expressar individualmente, incluindo as suas necessidades.
 
- Alto nível de analfabetismo38 e iliteracia; sistema de educação inadequado e falta de escassez de atenção médica e sanitária.
 
- Carácter nacional indolente
 
- Separação existente entre população urbana e rural, litoral versus interior
 
c) Causas Sociológicas39
 
Os insurrectos tentam inicialmente explorar aqueles padrões sociais tradicionais e de comportamento das pessoas que apoiam os seus interesses. Quando falham estas medidas, normalmente, pretendem a sua degradação para criar instabilidade. Pode-se esperar o padrão crescente de crimes ou de agitação insurrecta para alimentar a intranquilidade religiosa. O fenómeno religioso tem como característica constante a de actuar de forma comunitária. A adesão e o compromisso do indivíduo na comunidade constituem a base dos vínculos religiosos derivada pela natureza social do indivíduo, mas também da exigência e da proposta comunitária dos actos religiosos. Este aspecto comunitário pode perceber-se a vários níveis. No plano interreligioso faz-se referência à estruturação global interna (igreja, coventículo...). No plano da organização interna, pelo contrário, percebe-se a distinção qualitativa e funcional dos membros (sacerdotes, membros ou fiéis) e a divisão territorial (diocese, paróquia, “reino”, clã...). No plano pessoal assinala-se a adesão, identificação com a própria organização religiosa e a participação nas responsabilidades comuns.
 
Todo facto religioso é também social, psicológico e cultural. No entanto, a confusão da perspectiva e método destas ciências somente conduzirá ao reducionismo, a saber: a teoria reduz a religião ao tipo de epifenómeno de estrutura social, psicológica ou cultural. Tal reducionismo foi proposto por sociólogos como Durkheim40, psicólogos como Freud e alguns antropólogos tanto de tipo evolucionista como difusionista. Os historiadores das religiões consideram os fenómenos religiosos quanto especificos e não meramente como factos sociais, ou psicológicos e culturais: concentram-se no significado religioso dos fenómenos na medida estarem relacionados com o sagrado. As organizações sociais podem ser infiltradas para lograr o contacto próximo com a população e explorar tanto os recursos como a influência daquelas que podem patrocinar os objectivos dos insurrectos.
 
Podem-se identificar e intensificar os descontentes existentes e se pode criar novos insatisfeitos nas mentes da população sobretudo quando comentam entre si a sua ou a história de alguém: há tendência de que não estamos sós. A intranquilidade promove, mediante a agitação e propaganda à revolta interior. Os insurrectos podem participar em acções em directa oposição às regras da sociedade com o propósito específico de degradar os valores culturais e desta maneira criar a instabilidade.
 
Encontram-se posições extremistas de direita e de esquerda e em todos os grupos sociais, especialmente na classe média, o chamado centro social. Este fenómeno aumenta principalmente com a precária situação económica. A classe média é sobrecarregada enquanto a despromoção social, principalmente através do desemprego, é factor sociológico como psicológico a ter em conta. Pois se essa despromoção se transformar em fenómeno geral, a classe média mostra terreno abençoado das confusões ideológicas. É directamente relacionado com o medo da despromoção social e as posições anti-democráticas e a análise do aumento de posições políticas extremistas (direita e esquerda) como consequência retardada da crise financeira de 2008, aproveitada por vezes, pelos sectores conservadores. O sobrecarrego constante e enorme pode levar até à falta de classe média, pois tende a verificar-se a concentração da riqueza em poucas famílias influentes e por outro lado, a pobreza continua a grassar: factores definitivos que podem gerar violência. Além disso, o governo oferece empregos muito bem pagos para os amigos políticos, criando o “grupo secreto” poderoso que controla a mídia, tribunais superiores e outros sectores significativos da sociedade portuguesa41. A discriminação e a violência dos direitos humanos básicos também são outros factores influentes na produção da violência. Estes “exércitos” possuem outra vantagem acreditam em tudo que lhes diga interiormente pela “vida melhor daquela que tenho”.
 
d) Causas Económicas
 
Se alguns tinham a ilusão da crise ter eclodido em 2008, especialmente com o caso Madoff42, ficado para trás, de alguma forma “virado a página”, foi preciso olhar a Grécia para ver como essas suposições eram falsas: a seguir a Irlanda e Portugal e provavelmente segue a Espanha, Bélgica, Itália e/ou Chipre (outros provavelmente do eixo mediterrânico) - o que deixa advinhar que a crise instalou-se antes, pois o facto é, na década de 90 havia sinais e todas as contradições do sistema que tinha acumulado para provocar a grave crise actual ou teria sido mesmo provocada. O facto, Grécia, Irlanda e Portugal não foram excepção de muitos outros também tiveram o seu “boom” bastante poderoso, mas tudo baseado no crédito, finanças públicas, empréstimos internacionais e ajuda da UE, tudo significava que os países foram criando enorme dívida - isto sem falar no esforço de guerra, uns mais outros menos.
 
Para Jean-Michel Vernochet43, esta crise é parte da guerra económica dirigida a partir de Washington e Londres, seguindo os mesmos princípios da actual guerra militar: com o uso da “teoria dos jogos” e da “estratégia do caos construtivo”. O objectivo final é forçar os europeus a juntarem-se ao bloco do Atlântico ou regra que automaticamente vai ter de pagar o déficit orçamental anglosaxão através do Euro dolarizado.
 
O primeiro passo nessa direção, finalizado o acordo entre a UE e o FMI, concordaram que este fornece protecção parcial sobre a política económica da UE.
 
Ora bem, a crise é e continua a ser - não se pode perder de vista este factor importante - artificial, fabricada, em suma, o oposto do “destino” inerente ao suposto ser a vida autónoma e desencarnada dos mercados liderada por qualquer “mão invisível” - até agora. Esta reputação “infernal”, mas a ser anónima, permanece ligada às figuras dos grandes manipuladores do dinheiro e outras personagens que dão ordens e fazem da bolsa o que bem desejam. É por isso, os EUA mantêm duplo discurso com duas vozes diferentes: a dos “mercados” e a do seu presidente, ao dar sermão aos europeus obrigando-os a estabilizar
a moeda, ou seja, a política económica europeia está indissoluvelmente ligada à saúde, boa ou má, da sua moeda.
 
Este fantasma assombra as principais potências da UE, em particular a Alemanha. Com o início da crise grega a Europa está a braços com a ameaça do Euro e estende-se a outros membros. Outro factor por explicar é o sinal dado à Islândia, tecnicamente falido44 mas potencial membro desta união45. Mas de qualquer forma, começaram a ser considerados os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, o único do mundo disposto a investigar estes crimes geralmente sem rosto (até agora). Outro factor de desestabilização nalguns sectores europeus é a polémica em volta do início das negociações para a entrada da Turquia na UE trazendo novamente a identidade ancestral da Europa ao de cima e o fantasma do islão.
 
Por outro lado, 2.677 empresas portuguesas, entre Abril e Junho deste ano, foram registadas em processos de falência, com média de 881 insolvências por mês. Em relação a período homólogo, registou-se aumento de 71% e em relação ao primeiro trimestre, houve incremento de 18%. Numa situação como estas, o desemprego dispara apesar de ser a primeira vez este ano que a taxa de desemprego (ajustada das flutuações sazonais) recuar em Portugal 12,2% de Junho evidenciam ainda assim, ligeira subida em relação ao valor homólogo de 2010. Portugal continua a ser dos Estados com a taxa de desemprego mais elevada tanto no conjunto da Zona Euro como da UE. Apenas a Irlanda (14,2%). A crise económica e financeira fez também disparar o número de empresários, comerciantes e industriais que deixaram de pagar a renda dos espaços que tinham arrendado para exercer o seu negócio. Entre 2008 e 2010, segundo as mais recentes estatísticas do Ministério da Justiça, o número de acções de despejo (retirar o arrendatário do prédio) deram entrada nos tribunais contra estes empresários ou industriais aumentou 30,2%. O aumento das falências de empresas nestes últimos anos é a explicação para o crescimento do número de empresários e industriais que deixaram de pagar a renda. Se deixaram de pagar impostos, dívidas a fornecedores e abriram falência, é óbvio deixaram também de pagar a renda ao proprietário do espaço. Há causa efeito como no dominó. O próprio Estado não retira lucro disso ganha somente em desgaste.
 
Europa
 
A UE baseou-se, aliás, tanto sobre a necessidade económica, quanto sobre o ideal político. Ao longo da década passada, os líderes atravessaram o período a olhar para os umbigos. Mas este ideal minou pela desiguladade: separação entre “bons” e “maus”europeus.
 
Tanto a Grécia, Irlanda e Portugal, quanto outros países economicamente “fortes” foram arrastados, em parte por interesses contra o Euro mas essencialmente a saúde económica estava debilitante. O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia: «enquanto os problemas de dívida se limitaram a poucas e relativamente pequenas economias, as quais, desempenham papel insignificante sobre as exportações dos demais mercados europeus, o desempenho total das economias da Europa com prioridade o crescimento permanece forte». O actual impasse financeiro deve-se me parte à associação pouco saudável na união monetária de algum tipo levando ao endividamento externo excessivo, seguido da fuga de capitais e deflação da dívida esmagadora e ruinosa.
 
A profunda queda em 2009 esgotou as forças fiscais dos Estados europeus e as reservas de capital dos bancos, as quais não retornaram ainda, a níveis fisiológicos de endividamento. O ritmo de crescimento dos Estados integrantes da Zona do Euro conformou-se em 1,7% ano passado e espera-se ir tocar 1,6% neste ano e 1,8% em 2012.
 
Se as economias problemáticas da Zona do Euro adoptarem medidas de carácter fiscal adicionais, então será provocada indiscutivelmente explosão social de consequências imprevisíveis, colocando todas as demais questões em segundo lugar.
 
A preocupação não é a saúde fiscal das economias europeias se será reconstituída, considerando onde a palavra dos governos não funciona, andará ao porrete do FMI, i.e., mais cedo ou tarde, países em dificuldades, retornam ao “caminho virtuoso”. O problema é de desenvolvimento para gerar empregos e retomar a economia com circulação de dinheiro, sem especulações, mas somente isto não chega e trata-se, essencialmente, da falta de visão e coesão política, ou melhor, solidariedade entre parceiros.
 
À primeira vista, é óbvio a grave situação interna, na Grécia, Irlanda e Portugal, Itália, Espanha e outros países, levam todos a beco sem saída ou incerta, tanto com relação a exigida duração de adequação fiscal, quanto sobre o resultado à denominada “economia real”. Infelizmente as regras para a união monetária viável, não foram seguidas e o desenrolar nos próximos anos, embora deplorável, não deve ser nenhuma grande surpresa para ninguém conhecedor em finanças internacionais: mais ainda, com a Europa e os EUA, ambos em crise económica, será muito nociva para a economia mundial.
 
É óbvio, a Europa não pode evoluir e, muito mais, aprofundar a complementação com instituição económica e política sem ter, pelo menos, coordenação - se não planeamento - da política económica a seguir pelos 27 países-membros.
 
Outro factor, por regra, as elites confiarem mais nas pessoas que as rodeiam e nas instituições do que no operariado: manifestam maior propensão para se associarem, interessam-se mais por política. É também assim em Portugal. As elites, não só as nossas como as restantes (na Europa), sentem-se menos identificadas com os partidos políticos do que os operários, mas mostram-se mais satisfeitas com o desempenho do regime do que aqueles. «Será que, apesar da falta de identificação elitista com os partidos, o regime foi ‘confiscado’ pelas elites?» - questiona, Villaverde Cabral46 - ou estamos a assistir que a Europa pode estar prestes a experimentar a mudança política mais significativa até agora esperada? A actual crise mostrou a incapacidade de liderança dividida na Europa para reagir a uma crise da magnitude que ocorreu. Esta crise colocará todas as nações da União Europeia sob liderança e sistema político único47.
 
Portugal
 
Os extremistas e radicais, actuados por outros interesses político-partidários ou mesmo económicos e/ou até estrangeiros, através de portugueses ou não, podem manter a campanha constante, tipo Quinta-coluna, para destruir infra-estruturas do País. Ao anular lentamente a economia nacional, estes podem agregar a pressão económica aos problemas nacionais. Alguns exemplos de tácticas usadas como medidas de pressão económica são:
 
- Sabotagem de todos os serviços públicos;
 
- Destruição de pontes e intersecção das linhas de comunicação;
 
- Sabotagem dos serviços de transporte nacionais e privados;
 
- Destruição de produtos agrícolas e instalações de depósito e aramazém;
 
- Interrupção da produção de indústrias a todos os níveis.
 
Há grupos no mundo que seriam violentos se tivessem treino, dinheiro e armamento. Portanto, precisam de patrocinador. Se alguém se quer converter em terrorista não faltam grupos de influências estrangeiros dispostos a treinar, doutrinar politicamente e apoiar economicamente.
 
Na linguagem fria dos economistas, o terrorismo é variável suplementar na macroeconomia do caos. «Não se trata da espécie de crimes mafiosos habituais, mas de terrorismo moderno, totalmente deslocalizado e claramente internacional. A sua ameaça não é esporádica, como anteriores acções criminosas ao sabor de determinadas conjunturas. É permanente»48. Mas vejamos:
O aumento do brutal do desemprego, ainda verificado em 2011, redução do tempo no subsídio de desemprego, cortes nos abonos a 600 mil famílias e o aumento de impostos fazem intuir a realidade actual tendencialmente muito pior. Porque o problema que o País enfrenta não serve as populações pois este centra-se na economia especulativa i.e., somente alguns, muito poucos, tentam salvaguardar essa economia que não traz investimento, emprego ou mesmo riqueza ao País.
 
Somente para referir, somente 5% da população com menor rendimento aufere cerca de 1% do rendimento total e os 10% mais pobre recebe somente 2,7% do rendimento existente. No outro extremo da população, os 5% mais ricos49 detêm 18% da totalidade do rendimento por adulto equivalente gerado na sociedade. São os mais pobres que fazem mais sacrifícios para pagar a crise. A conclusão é do estudo da Comissão Europeia onde analisou a distribuição dos efeitos das medidas de austeridade por seis países em dificuldades: Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Estónia e Reino Unido. O relatório de Bruxelas revela que Portugal «é o único país com a distribuição claramente regressiva», ou seja, os pobres estão a pagar mais do que os ricos quando se aplica a austeridade. Exemplo disso é o rendimento disponível das famílias: nos escalões mais pobres, o orçamento de família com crianças sofreu o corte de 9%, ao passo da família rica nas mesmas condições perdeu 3% do rendimento disponível50.
 
Podemos retirar alguns eixos condutores aos quais se deve estar atento para gerir esta fase prévia da fase inicial de qualquer evento irregular.
 
A crise actual terá enormes repercussões políticas globais. Será o fim da supremacia das democracias ocidentais. As pessoas terão de aceitar formas autoritárias de governo forçadas pela necessidade económica - ou não?
 
A questão é saber se em Portugal é possível, perante o rastilho de violência, puderem explodir outras situações debilitando o sistema, pois, da contestação social cujo passo para a contestação política é muito ténue, assim, também o véu é fino perante a contestação violenta inopinada. Por exemplo, a Noruega sentia-se “imune” contra o terrorismo e grupos como a Al Qaeda “não constituiam ameaça directa” embora os serviços de segurança internos noruegueses receassem ataque de radicais islamistas no território mas não ponderava a possibilidade de a extrema-direita no país constituir “ameaça séria”, de acordo com o relatório oficial elaborado ainda no início deste ano51. Mas o memorando de 2009, revelado pela Wikileaks, descreve também como as autoridades dos EUA tiveram de “pressionar” os homólogos noruegueses a levarem o terrorismo a sério porque existe sentimento do “terrorismo não acontecer em lugares como na Noruega pacífica” além disso, para as autoridades, a Dinamarca era alvo maior, portanto mais importante, do que a Noruega - pela controvérsia das caricaturas52. Entretanto neste impasse ressurgiu outro fenómeno o terror do lobo solitário53, sem saber de onde ou de ou para quem e para quê surgiu sem controlo e inesperadamente o sujeito a perpetrar atentado e massacre, sendo preso duas horas depois: dias antes do massacre, Breivik postou a mensagem na internet a dizer: «a pessoa com fé pode atingir mais de cem mil sem convicção». Não deixa de ser curioso a família real, primeiro-ministro, etc. estarem todos a salvo pela rápida intervenção policial “escondendo-os” do perigo. Mas o principal intuito é reduzir o sentido público do medo de ataque terrorista e “manter as pessoas seguras” e isso não foi feito. Enfim, de qualquer forma, brota ao mundo outro factor: o “terrorismo” inopinado e inesperado.
 
Manuel Villaverde Cabral54 considera não existirem condições para tal em Portugal. E defende que o País não tem juventude organizada de forma supranacional que possa agir de acordo com este novo tipo de protestos, os quais, frisa, «têm sido erradamente identificados com o movimento anarquista na Grécia. Trata-se de movimento social novo, diz. O momento em que tal situação poderia ter ocorrido teria sido durante a presidência portuguesa da União Europeia, precisamente pelo enquadramento internacional, acrescenta o investigador. Este defende, «apesar de parecer paradoxo», o que se passa é «a situação política grega é mais estável e segura e é isso permite aparecer este tipo de insegurança». Ora, em Portugal «há insegurança política, os governos estão sempre a cair», era preciso «superar a insegurança estrutural, para poderem aparecer estes ataques conjunturais».
 
O tipo de pensamento que vieram contestar tendia a ver os protestos colectivos como forma de desvio ou patologia. O estudo clássico dos movimentos sociais tinha raízes nas noções de “psicologia das multidões”. As interpretações clássicas viam as acções de massas como expressão do colapso da sociedade e da anomia social; era frequente considerar os dirigentes agirem levados por impulsos psíquicos inconscientes e que os que nelas participavam iam atrás de ideologia irracional (Flacks, 2005)55.
 
A nova visão dos movimentos sociais pós-anos 6056 passava pela ênfase nos movimentos enquanto “política por outros meios”, encarando-os como esforços colectivos no sentido da prossecução de determinados interesses através de estratégias inteligíveis e apontando a objectivos racionais57.
 
Carla Bolito58, dos Intermitentes do Espectáculo, também considera não haver risco de violência nas ruas, mas aponta: «os portugueses são pacíficos e existe também certa resignação». Este premissa é falsa e perigosa e falar em “brandos costumes” é totalmente errada como é, da mesma forma dizer que o vulcão é totalmente extinto e sem actividade, portanto, não vai efectivamente explodir um dia59. Inclusive, ouviu-se nos OCS que a Noruega é pacífica e dava a imagem de paraíso, onde até a polícia não anda armada (questão cultural onde se sobrepõe a persuasão e não a força); pois este “pacifismo”, por exemplo, entre 1992 e 96 os adeptos de “black metal” incendiaram 50 igrejas ou o vocalista Per Ohlin, do grupo Mayhem (que por acaso até era sueco), morreu com tiro na cabeça e parte do crânio (imagine-se) foi feito em colares para o grupo musical norueguês e a sua foto, com os miolos espalhados no chão é capa de Dawn the Black Hearts.Todos os dias somos confrontados com criminalidade altamente violenta60.
 
A democracia, mais cedo ou mais tarde, terá de apresentar a factura. Além disso, a História contemporânea portuguesa, pelo menos dá-nos a lição da extrema violência. Por exemplo, desde a queda da Monarquia com constantes conspirações carbonárias e maçónicas: e só o «terror popular», dirigido pela carbonária, manteve de pé a República nos primeiros anos. Como escreve Oliveira Marques, «atentados à bomba, lutas individuais e assassinatos, muitas vezes com cheiro político, traduziram […] a agitação social desde 1919»61. Apesar da “posição oficial de neutralidade dos trabalhadores nas querelas políticas, consideradas assunto «burguês», foram sem conta os operários e os empregados subalternos que participaram nas muitas revoluções e conspirações” - e assim, perdurou até à 2ª República62 ainda esta com mais ou menos acções violentas até praticamente até ao final do séc. XX, umas monárquicas, anarquistas outras comunistas e organizações como a ARA63 ou o LUAR64 ultimados, até ver, com as Brigadas Revolucionárias65 e as FP-2566. Mesmo pós-25 o célebre «Verão Quente de 75», onde as divergências sobre as opções dos governos e do Conselho da Revolução acenderam mesmo o rastilho dos atentados políticos, sobretudo no Norte do País. A própria extrema-direita faria a série de atentados bombistas reivindicados pelo ELP67, MDLP68 e o Movimento Maria da Fonte69 que se prolongará por vários meses e cujos alvos são instituições e personalidades ligados a sectores da esquerda.
 
Contudo, em termos de movimentos sociais, de manifestações e de greves, Portugal vive essa tensão social. Ora é sabido que comportamento gera comportamento e a falta de esperança na população pode degenerar em actos de violência se as autoridades passarem a agir de forma violenta. Quem não se lembra, ainda este ano (2011), a indignação contra o estado do País levando 300 mil pessoas para as ruas, manifestação esmagadora pela dimensão, mas ordeira e pacífica mas, uma semana depois, o mesmo País foi sobressalto pelo bloqueio das empresas de camionagem, esvaziou prateleiras de supermercados, levou à corrida aos postos de gasolina, provocou cinco feridos, 50 viaturas apedrejadas e 10 detidos70. Realmente isto não é “brandos costumes” pois sejamos claros, o ser humano não é carneiro e até mesmo o mais calmo pode-se tornar em bomba-relógio: nunca se sabe se vai e quando vai rebentar. A disponibilidade de grandes números de pessoas assegura a organização das multidões e as manifestações podem ser manipuladas com maior facilidade
 
A complexa malha da sociedade mostra pequenas situações causadoras de níveis de indignação e estas podem funcionar como rastilho, não se sabe se é comprido ou curto. Por exemplo, “a multa de cerca de 248€” a ser cobrada aos recibos verdes se não apresentarem a declaração anual de IVA de 2005 e 2006 ou simples facto de qualquer indivíduo ser morto pela autoridade policial demonstra injustiça e onde a leitura seja algo exagerada mas o suficiente para estalar ainda mais a estrutura do regime.
 
Igualmente da opinião de haver na sociedade portuguesa nova situação de descontentamento, pode levar à violência social. Segundo considera Elísio Estanque71, «não se podem fazer previsões. Há condições para isso em toda a Europa e em Portugal também». E há, para este investigador, três factores potenciadores desta tensão social violenta e de confronto directo:
 
- Realidade objectiva do crescimento da precariedade, do desrespeito pelos direitos laborais, transformando as relações laborais, as quais estão hoje longe do Estado social; as relações precárias aumentam em sectores da classe média e até na função pública. Os jovens com maior educação que têm difícil acesso ao mercado de trabalho.
 
- Desfasamento entre a realidade e as expectativas apontada pela psicologia social; consoante se vai subindo, as expectativas aumentam: em vez de se progredir, existe quebra e a expectativa não cai ao mesmo ritmo, e então fica o desespero, a desilusão, a frustração social propícia ao conflito social;
 
- Ressentimento geracional, isto é, a geração mais nova não tem como horizonte o proteccionismo do Estado Social e isso cria ressentimento social nessa geração: embora não sejam os jovens licenciados quem está pior, são os que têm mais acesso à informação e maior conhecimento e estão, por isso, mais politizados
 
Há, também a irritação, a frustração de quem investiu em si, de ter estudado e só poder ganhar 700€ ou menos. Numa época onde as estruturas normais de diálogo social estão a perder representatividade - o que quer que isto possa significar - os partidos e os sindicatos deviam estar atentos a isto por serem meios também de controlo: embora saibamos a sobreposição de interesses nisto tudo. Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, mas o facto é que há mais pão para uns e menos para outros.
 
Portanto, a juntar a estes factores, vejamos mais alguns a ter em conta, conjugadas pelo factor psicológico, sobretudo do que é justo e injusto, são as seguintes:
 
- Tendência para a grande e extrema pobreza.
 
- Distribuição arbitrária das riquezas e dos depósitos; concentração da riqueza e o poder económico numa classe ou em poucos indivíduos ou famílias.
 
- Atraso agrícola, caracterizado pela baixa capitalização; baixo nível de técnicas agrárias; incapacidade para sobrelevar pequenas crises; pobreza no campo e economia baseada no monocultivo.
 
- Sistema altamente injusto e ineficaz de pose de terras, tendência a latifúndios, tudo isso, combinado com falta de capital, produz elevadas taxas de interesses, endividamento crónico e população rural que sofre penúrias.
 
- Indústria atrasada, caracterizada pelo sector da população, pequena e ineficaz, sem formação adequada.
 
- Provável nova vaga de dirigentes ultranacionalistas ou ultraliberais, uns ineptos outros ingénuos, com discursos populistas mas incapazes de desenvolver a economia.
 
- Sistema de impostos e de arrecadação impositiva não equitativo não fornecendo fundos suficientes para as funções governamentais necessárias.
 
- A dependência da ajuda de capital estrangeiro, sobretudo FMI e, ao mesmo tempo, a oposição ao investimento estrangeiro cujo objectivo serve para rapinar quando o cadáver está a morrer.
 
- A dependência, no mais alto grau, das exportações de matérias-primas ou de somente de um artigo.
 
- A enorme desocupação, incluindo o sector inquieto dos desocupados com certo nível de educação.
 
- A falácia da falta de recursos naturais e/ou falta de desenvolvimento dos mesmos.
 
- Transporte e sistema de vias de comunicações ora inadequadas, ora caras ou sem uso adequado para desenvolvimento económico e social.
 
As desigualdades económicas constituem a abordagem das condições de vida, bem-estar social e a pobreza económica, quer de uma forma ou de outra estão interligadas neste eixo de causas económicas.
 
e) Causas Militares
 
Em nome da recuperação pseudo-económica, todos os impostos subiram e as deduções fiscais diminuiram. Bens essenciais, como energia eléctrica, sofreram aumento brutal, os salários mensais são cortados e em 2011, o 13 º mês72 foi reduzido em cerca de 30%. O interessante é neste montante ainda é tributado, como se fosse efectivamente recebido, acrescentando com adicional de 17,5% (cerca de 100 Euros extra). Outros vectores que estão a agudizar é regressão remuneratória para os níveis de 31Dez09 para o núcleo específico de profissionais militares, a par dos cortes retributivos, congelamentos de progressões e promoções73, impostos extraordinários com cortes nos subsídios e todas as outras por demais sentidas e conhecidas dos cidadãos portugueses, vem aumentar exponencialmente o clima de desmotivação e insatisfação no seio das Forças Armadas.
 
O pessoal militar português esteve sempre na linha de frente quando se trata de esforços económicos. Com carreiras “congeladas” há anos, juntamente com os salários. Apesar de milhões de Euros foram salvos como salários, benefícios de saúde, etc., o País não mostrou qualquer sinal de recuperação económica. Muito pelo contrário, a criação de mais de 1.500 instituições públicas desde 2005, os salários dos gestores de empresas públicas “atingem mais de 200 mil Euros/mês (por pessoa) e o facto do Estado português gastar milhões de Euros, a fim de supostamente ajudar Bancos privados a recuperar os mesmos responsáveis pela insolvência dolosa causada por especulação financeira, faz com que seja impossível conseguir quaisquer resultados positivos74.
 
Os homens e mulheres militares portugueses QP, juraram obedecer e fazer cumprir a Constituição; as Leis da República; e proteger o povo português. Portanto, se começar alguma revolta social por princípio e respeito à CRP e ao povo não vai participar em quaisquer acções de repressão contra o seu povo. Acima de tudo, os militares não são bodes expiatórios quando as coisas públicas está desleixada e esta incúria parte dos políticos que implementam soluções apenas para uns poucos, os amigos escolhidos, comprá-los carros de luxo para uso privado, pagando-lhes salários astronómicos, bem como proporcionar-lhes pensões de reforma a partir de fundos públicos - enquanto isso a operacionalidade está em causa porque sem esta o País fica débil. A descrença tendencialmente generalizada na possibilidade de conflitos internos, localizados ou não, onde envolvam as Forças Armadas portuguesas de forma directa e exclusiva poderá constituir elemento de dissipação da legitimidade das próprias, no que diz respeito à vocação até então instituída.
 
A razão de ser das Forças Armadas tradicionalmente tem sido a de conferir segurança à sociedade, além do seu papel preponderante na condução desde sempre neste País. Do modelo inicialmente composto, incluía funções de manutenção da ordem pública; e funções de defesa militar perante ameaças externas. A evolução tendeu somente desenvolver para a segunda definição, ou seja, estas passarem a desempenhar tarefas de defesa perante ameaças externas, atingindo, assim, legitimação muito mais vasta e incontroversa. Na realidade, somente as Forças Armadas poderão também contribuir, cada vez mais, para a primeira definição. Porque sem observação atenta à (sua) sociedade não pode concentrar-se somente em ameaças externas.
 
Outro aspecto, a liderança imaginativa, inteligente e audaz é essencial nestas situações. Os comandantes e líderes têm de ser seleccionados com estas qualidades em mente. Há oficiais e sargentos competentes sob condições normais mas totalmente inoperantes quando confrontados com situações dinâmicas e totalmente diferentes, característicos da guerra de guerrilhas. Como nas outras causas anteriormente apontadas, outros factores emergentes podem surgir ou surgiram:
 
- A separação existente entre as Forças Armadas.
 
- Falta de adequadas forças militares e de segurança eficazes.
 
- Organizações, equipas e doutrinas obsoletas ou inoperacionais de acordo com as circunstâncias.
 
- Sistema de inteligência inadequado e desequilíbrio entre a componente civil e militar.
 
- Elementos das forças armadas que não respondem aos comandos naturais.
 
- Facções dentro das Forças Armadas.
 
- Falta de motivação.
 
 
f) Causas Psicológicas
 
O igualitarismo, tem consequências desastrosas, especialmente no sistema educacional, identifica excelência com elitismo, limita, como seria de esperar, a capacidade de competir economicamente dos desfavorecidos, porque os mais capazes, mais preparados e mais dedicados não têm a oportunidades que precisam num sistema que não aspira à perfeição. Hoje, ao facto do facilitismo dos “cursos superiores” verificou-se a degradação do conhecimento e o Estado não tem a perspectiva de ver as faltas do País e criar tampões em cursos exedentários mas insiste em criar a “selva do salve-se quem puder” e ilude de quantos mais cursos, pós-graduações, mestrados ou doutoramentos melhor por representarem mais-valia. Ter muito conhecimento não é sinónimo de ter muito dinheiro nem sequer enche a barriga. Realmente passa-se o inverso, a vaga de habilitados com ensino superior incita mais problemas do que a solução. Primeiro convencem as pessoas do futuro melhor no final nem eles nem o País ficam a lucrar. No entanto, na Europa do Sul (Itália, Espanha, Portugal e Grécia) verifica-se menores tempos diários de leitura.
 
Assim aconteceu, a fobia de ter casa, depois duas, a seguir o carro e tudo ao alcance, como os ricos através do crédito e sobre crédito - vivia-se sob a créditocracia. Mas como a economia é inconstante devido à especulação75 - não esquecer a 1ª GM deveu-se em parte ao crash da Bolsa - e assim, do dia para o outro, o sonho era isso mesmo: a realidade tornou-se pesadelo para esses e para aqueles, muito poucos, que não tiveram a ver com as apostas erradas do vizinho. Mas podemos juntar à lista factores no mesmo princípio dos anteriores:
 
- Falta de sentimento nacional ou sentido de identidades nacional.
 
- Separação psicológica entre governo/política e população; falta de conhecimento e identificação por parte do povo com as metas e objectivos de governo.
 
- Existência na população sentimento profundo de injustiça; no governo, falta de meios ou de desejo de reparar as injustiças individuais.
 
- Falta de fé no governo e políticos e no sistema social e económico.
 
- Falta de habilidade ou inépcia governamental para neutralizar a propaganda dissolvente.
 
- Organismos civis com baixa motivação.
 
- Ampla insegurança e ansiedade sobre o futuro pessoal e nacional, a qual causa alternadamente, conduta agressiva ou apática.
 
- A existência geral de quadro de conduta hostil ao crescimento económico e maturação política, como o medo da mudança ou inovações, apesar das pessoas, geralmente, consideram a mudança social prioridade essencial para as suas vidas; personalidades governamentais autoritárias; prejuízos resultantes às constantes ao meio ambiente.
 
- O ser humano não é ciência exacta, o que não afasta a possibilidade de ser desenvolvido estudo pautado na segurança e na clareza, em especial nos comportamentos.
 
É evidente que o ambiente cultural finciona como variável - tem também efeito significativo nas aptidões intelectuais das pessoas e vice-versa. Também variável importante é o factor humano - permissa variável que não é coadunante pela lógica. Muitas vezes, o resultado esperado (o que numa ciência exacta 1+1 é igual a 2; aplicado nas ciências sociais o valor pode não ser aquele mas aproximado a 2 mais ou menos podendo ser até 0 ou 3 ou mesmo –3), não desempenha somente a tarefa de acumulação de dados, elementos informativos, pois são interpretados, valorados e sistematizados, finalizando atender os anseios da sociedade, de harmonia e controlo social, daí cada disciplina das ciências humanas e sociais funcionarem como ramos interdisciplinares, uma vez que são muitas, acolhem o ser humano no seu estudo. A liberdade vale um milhão de vezes mais do que a libertação. O sujeito livre, mesmo em escravidão, continua a ser mestre de si mesmo.
 

Dimensão das Influências aos Actos

Os factores nacionais podem causar o movimento de insurreição, ou o movimento de insurreição pode ser inspirado por elementos estrangeiros que criam e patrocinam movimento semelhante, como meio para fomentar a própria causa e interesses76. A insurreição não se limita exclusivamente aos países emergentes. Qualquer governo pode ser o alvo de ataque da insurreição. Os actos de terrorismo são a táctica insurrecta se usada em qualquer ambiente para influenciar a acção das massas dar-lhe propaganda à causa ou desacreditar o governo. É difícil definir ou avaliar a estratégia detrás do sequestro, assassinato, ou massacre mas a mensagem é clara - o terrorista é insurgente crê no seu acto e justifica a violência contra qualquer alvo.
 
Outro factor é apatia relativa de algumas pessoas para o terrorismo e violência associada. Os governos tendem a omitir de imediato quando termina as acções terroristas ou mesmo quando saem de alguma guerra - provavelmente a pausa do guerreiro para saborear a paz. Muitos assumem «a ausência de indícios» indica ausência de ameaça. Mas a questão prioritária é a compreensão do cerne da “filosofia” e raízes por detrás das actividades irregulares.
 
As motivações dos terroristas, frequentemente, são diversas - políticas, religiosas, ideológicas e sempre contextual. Expressas em contextos incentivam a acção directa e fácil. Os motivos económicos são muitas vezes secundários: mas o sistema económico muito débil e injusto e do contexto social e político cria, dá motivação, pretextos e contextos. Muitas vezes, as metas económicas são definidas como símbolos de “poder” contestado; ou alguém em qualquer nível esteja sido plantada na mente a odiar a legalidade e as causas de justiça social como a luta de classes e prega como argumento único a violência, espalha o ódio e incentiva o fratricídio social. Pode ser somente “cão que ladra, não morde” e geralmente é isso que se passa mas o facto de o fazer pode provocar algum instinto ou criar um líder.
 
Ora vejamos, tendo como pano de fundo o caso da Noruega e numa breve pesquisa encontrei o fórum nacionalista Bloco Democrático Nacional (com ligações ao PNR77), o tópico tinha por título “Uma ETA portugesa, seria bom?” Escrito por Darkblaze em 12Fev10 Sex, 9:14 pm e dizia tal e qual e com erros o seguinte: «Vou explicar. Não é a mesma coisa como a ETA, mas tem quase as mesmas ideias. Estou de falar de uma Rede de terrorismo, que faz coisas contra políticos corruptos. Na Alemanha já também existia um grupo de terroristas, que matava políticos corruptos. Chamava-se RAF (Rote Armee Fraktion). O negativo foi, que todos eram da extrema-esquerda. Mas ninguém disse, que a extrema-direita, não pode fazer a mesma coisa. Os nossos políticos precisam de ter medo. Eles fazem tudo, o que eles querem. O povo portugês nem responde, há muito burro para isso» (sic).
 
 
 
Extracto das primeiras mensagens. Por exemplo, Darkblaze diz ser Militar na ADFA (?) e nasceu 28Fev92, de Viseu
 
O comentário de Renato Nunes (transcrevo com poucas emendas gramaticais necessárias para manter a forma original) dizia: «Antes de se passar a uma fase de acção extremista que envolva bombas e tiroteio há que esgotar todos os outros meio pacificos que existem a disposição do Povo, que são legais e que tem efeitos talvez mais garantidos ou duráveis. Refiro-me ao VOTAR FORA78 os políticos vigentes que fizeram do serem eleitos para “bem servir o público” uma carreira profissional. Se o voto não chegar para correr com eles (tem de chegar... o problema e o convencer massas estupedificadas a votar fora canalha que elegeu) entao vamos para as marchas e protesto de rua e greves. Tem também um efeito positivo! A seguir vem aquilo que foi o grande sucesso de homens como Lch Waklesa, Mahatma Ghandi e Martin Luther King. A DESOBEDIÊNCIA CIVIL organizada. Ja é uma actuação que implica o uso de alguma força - por parte das forcas para-militares - mas aí, quando tal acontece, o suporte passa imediatmente para as vítimas, para o lado dos que protestam não-violentamente. Sá quando nada do que acima indico resultar então talvez eu veja uma necessidade de reconsiderar o uso de acções pacíficas e recorrer a acções mais violentas» (sic).
 
Neste Fórum sobre o que se passou na Noruega nos primeiros momentos, ainda a quente (i.e. Sábado 23Jul11 18h41), Taliesin dizia o seguinte (sem emendas): «A escandinávia outrora célebre pela ferocidade das hordas wikings, com o nefasto advento do cristianismo sobre o paganismo ariano, tornou-se uma amálaga de nações brandas, tolerantes e até amaricadas... Mas, ontem três atentados, dois à bomba e um a tiro, provaram que ainda à wikings na escandinávia, ou pelo menos na Noruega. Com efeito, dois edificios governamentais foram pelos ares através de carros armadilhados e um simpático norueguês, vestido de policia, acompanhou uma manada de putos comunas da Juventude Trabalhista para um evento (fumar charos e pinar uns com os outros como cães)numa ilha do Báltico, perto de Oslo. Não é que o falso/“verdadeiro” polícia sacou da artilharia e abateu uns vinte e tal comunas... As consequencias foram óbvias: o preço do bacalhau norueguês caíu dado o súbito surto de oferta; o temível 1.º Ministro saocialista escondeu-se debaicho das saias da mãezinha a tremer como uma menina lésbica; Já foram encomendadas falsas beatas e carpideiras portuguesas para o velórios das peças; o Tio Sam, na actual configuração afro-islamita, fez nas calças, pois nos EUA há cerca de 1200 grupos paramilitares que gostariam de comemorar o 4 de Junho (independence day) o ano inteiro, tal como sudeceu em Oklahoma. Enfim, a típica reacção gay. Para me espanto, surgiu um dilema: terá sido um wiking doméstico ou um talibã disfarçado de wiking mais afoito, com cornos e tudo?» (sic).
 
Viria o mesmo a manifestar-se desta forma: «ACHTUNG! ACHTUNG! O partido Trabalhista Norueguês terá menos 84 votos nas próximas legislativas, e se as sondagens se confirmarem, haverá ainda menos uns quantos votantes, pois estão em quadro clínico-veternário reservado. Segundo parece estão a optar entre o Martin Luter King e ODIN no pugatório» (sic).
 
A primeira ideia, ao lermos isto e acharmos serem uns tipos malucos, de rirmo-nos do seu mau português e das parvoeiras, não deixa de ser sintomático no tipo de formação que pode evoluir para o dogma e crerem mesmo naquilo transformando-se o verbo em pensamento-forma e saltar a outro quadro. Basta estes, a qualquer momento, como Breivik o fez ou quando a situação se proporcionar, se quiserem. Não se pode chamar a isto guerra, mas vários casos podem favorecê-la ou no mínimo guerra psicológica, sobretudo se a mídia for tendenciosa e de desprezível a herói subversivo adquire dimensões proporcionais ao número de massacres que têm afectado.
 

Uivos a Norte

O terrorismo em geral tem muitas motivações em função dos interesses especiais do indivíduo ou células. Como se pode verificar, o caso norueguês não é isolado, há imensos Anders Breivik à solta, potenciais lobos-solitários, embora à primeira vista pode-se dizer que não têm nenhuma expressão mas o problema é que, como se viu, não há necessidade de grupos organizados, constituídos em células, basta o indivíduo pertencer a rede de trocas de ideias e ideologias ou não, para efectuar qualquer acto isolado com consequências drásticas. Por outro lado, os vários sujeitos com a mesma linha de pensamento podem juntar-se (pode não ser fisicamente) e não podemos esquecer em grandes momentos de crise: os movimentos de insurreição começam a formar-se quando existe descontentamento entre indivíduos altamente motivados79; e não podendo promover a causa por meios pacíficos e legais optam por outra via: uns para o crime, outros para terrorismo. Os casos do terrorista ser lobo solitário, identificados em termos de base ideológica, cujas fontes ideológicas básicas são: supremacia branca; fundamentalismo islâmico; nacionalismo/separatismo; e activismo anti-aborto. As fontes ideológicas do ataque variam significativamente entre os países. Nos EUA a supremacia branca (9), o fundamentalismo islâmico (5) e anti-aborto (4) são categorias ideológicas principais do terror do lobo solitário. Noutros países, o nacionalismo/separatismo (i.e., palestinianos, catalão, bascos, chechenos) (5) é a categoria prevalente, seguida pela supremacia branca (3). É importante notar a proporção dos casos onde as motivações agressoras são desconhecidas são consideravelmente maiores para países fora dos EUA (24 contra 6). A discrepância deve-se sobretudo às descrições dos incidentes frequentemente muito limitadas no RAND-MIPT Conhecimento Base do Terrorismo80.
 
Em condições apropriadas, atitude e crenças destes sujeitos, propaga-se entre grupos próximos: família, amigos, vizinhos, clubes, etc. Tenta compreender os objectivos do inimigo promove a abordagem activa para analisar a transferência de metas para os objetivos e objetivos em planos operacionais e acções. Enquanto a previsão é condicional, o terrorista irá considerar o valor do alvo e os custos necessários da organização terrorista para atacar com sucesso. Este avalia as medidas de protecção da força estão em vigor nas proximidades do alvo e determinar a análise custo-benefício. A partir dessas análises e formas de estudo e de vigilância, irá isolar as fraquezas do alvo e explorar essas mesmas fraquezas81. A operação terrorista, muitas vezes, tem o objectivo de manipular as percepções populares e vai conseguir através do controlo ou ditar a cobertura mídia. Este controlo não precisa ser manifesto - como terrorista analisa e explora a dinâmica da grande mídia e a pressão do ciclo de notícias82.
 
O facto do documento ainda circular na net e no que diz respeito a Portugal os alvos de eventuais ataques escolhidos por Anders Breivik são: o reactor nuclear experimental na Bobadela e as refinarias da Galp no Porto e em Sines - seria interessante saber onde foi recolhida essa informação83 embora sem nenhum detalhe relevante - mas não deixa de ser alguma informação preciosa ou, pelo menos, indicadores para outros grupos mais organizados que não sabiam ou conheciam mal o nosso País e podem vir a operar depois. Não podemos esquecer o recente caso da ETA.
 
O jornal belga “Le Soir” (ed. de Bruxelas, 30Jul11) examinou o suposto “manifesto” de Breivik com o total de 1.518 páginas84 e o resultado revela influências ideológicas, giram na maior parte em torno do misterioso bloguer norueguês Fjordman85. Mas todo este documento não passa de pedaços retirados de outros sítios. Para não ser longo e só para citar somente as referências a Portugal podem ser consultadas no rodapé (a maior parte escrita pelo Fjordman)86.
 
Como se sabe, Anders Breivik, pertenceu à maçonaria em Oslo até logo após o ataque87 - não deixa de ser curioso, volta e meia, surge o maçonismo à baila.
 
A talhe de foice, as sociedades secretas ou discretas para alguns são outra abordagem que merece também alguma atenção especial. Noticiado em primeira mão, o ex-director do SIED pertenceu à maçonaria e chegou a desempenhar o cargo de venerável na Loja Mozart nº 49, das mais poderosas da Grande Loja Legal de Portugal. O próprio Silva Carvalho não esconde ter sido iniciado, mas diz aos amigos, nos últimos anos tornou-se “não praticante”88 - isto prova nestes meios, além de parecer um culto, como quem vai à missa, é local de encontro de “irmãos” para conjecturas. Mas será assim? Em parte é verdade mas é evidente a outra não é. Neste caso Manuel Anes, fundador e ex-Grão-Mestre da Grande Loja não deixa dúvidas: «Silva Carvalho usou a “maçonaria e serviços secretos para fins pessoais e empresariais”». Outros casos como as quebras de segurança, Universidade Moderna89, “Casa do Sino”, SIS e o SIED, etc. arrastam pessoas que estão nas lojas pelo aspecto “espiritual”90, entre outras situações vindas a público91. São vendados e iniciados na ordem onde lhes permite usar sinais, contactos, passaporte maçónico e cartão de solidariedade no estrangeiro e, claro, em Portugal. Em “segredo”, usam à cintura aventais decorativos e juram fidelidade e auxílio à irmandade composta, entre outros, mas essencialmente por políticos, assessores de ministros, empresários, gestores, militares, polícias, juízes e jornalistas92. A História deu-nos a conhecer o caso da Loja P293: é evidente não se sabe mais sobre este tipo de organizações incluindo a Opus Dei. A associação política inicial de extrema-direita Frente Nacional (FN) cujo líder actual é Mário Machado, acusado de diversos crimes, afirma-se “preso político”, constitui a base de apoio do Partido Nacional Renovador. Esta associação política FN pertenceu aos livreiros da extinta Hugin; por sua vez tinham ligações, mais uma vez, à GLRP/GLLP onde dirigiam as Lojas Camelot nº 5094, Nova Avalon nº 59 e Excalibur nº 46 e com elementos nos altos graus95. Na cisão interna, o ainda Grão-Mestre Manuel Anes, “abateu colunas”96 da Camelot, sendo erguida depois por elementos ligados ao CDS-PP97 pelas mãos de Paulo Miranda ex-vice-presidente do Conselho Nacional. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, também social-democrata, afirmou: «as sociedades democráticas não são compatíveis com sociedades secretas, sobretudo quando existem ritos de obediência». O perigo pode não ser a instituição ou mesmo nos princípios defendidos, se corresponder minimamente aos mesmos, mas é mais permeável a proporcionar ambiente para conspirações sob a capa desses mesmos princípios.
 

Outros Sintomas - Climáticos e Antropogénicos

Durante décadas, a relação entre o progresso e meio ambiente tem sido evidenciada no conflito, provada nas várias atenções “ambientais” fazendo parte das agendas económicas, políticas e cidadania, quer no plano local, nacional e internacional. Pode atribuir-se à crescente evidência de impactos negativos de progresso social e humano sobre os recursos naturais, equilíbrio ecológico e mormente o bem-estar em determinado local fazendo a diferença psicológica do que noutro onde as condições sejam mínimas de salubridade ambiental e atmosférica.
 
Outros sintomas podem vir aflorar e adensar as causas referidas. É noticiado que os anciãos inuites no Círculo Árctico dizem que a posição da Terra em relação ao Sol e as estrelas mudou. Será que os nossos cientistas não sabem ou se sabem ocultam informação? Podem ser nativos e viverem perto da Terra, Sol, Lua e estrelas mas o sexto-sentido sabe da alteração da cadência diária do ritmo, embora a lógica seja diferente daquela onde se designa civilização. O certo é, muitos eventos dramáticos estão a acontecer em número variado de diferentes sinais indicadores de mutações importantes onde estão a se desenvolver.
 
As esperanças no clima são ainda piores, de acordo com os meteorologistas em toda parte: Inundações épicas, grandes e ferozes incêndios, a seca e furacões mais mortíferos. De toda parte deste planeta vêm relatos de desastres naturais.
 
Está a tornar-se cada vez e extremamente mais desconfortável a vida das populações que não precisam de serem cientistas, para registar condições extremas de calor, frio, chuvas e secas. Os terramotos agitam-se nos quatro cantos do globo, enquanto vulcões explodem, um após outro, isto para não falarmos de furações cada vez mais violentos.
 
Assistimos ao processo do campo magnético inverter-se, o Norte magnético desloca-se 40 km/ano para Sul da Sibéria. Os buracos na camada de ozono também se tornaram mais comuns até porque as queimaduras solares dolorosas, estão normalmente associadas a pessoas, mas muitas baleias estão a ser severamente queimadas pelo Sol, com o aumento de casos nos últimos anos, de acordo com as pesquisas.
 
Chris Hedges escreveu o seguinte: «O que vemos é o começo da crise catastrófica da globalização. O mundo como nós o conhecemos está a chegar ao fim. A maioria de nós estão a reagir à grande ruptura pretendendo fingir que nada ocorre, mas os factos vão implodir, quer se queira ou não. A convergência mortal da catástrofe ambiental e económica não é coincidência. As empresas, por sua vez, fazem de tudo, desde os seres humanos com o mundo natural, matérias-primas que exploram impiedosamente até a exaustão ou morte. A corrida agora é trágica entre colapso ambiental e colapso económico global. O que nos vai levar primeiro? Ou alcançam-nos ao mesmo tempo?»98.
 
O tratamento de esgotos, fiscalização das indústrias, criação de parques e praças com espaços verdes, fiscalização das áreas de preservação ambiental são algumas das atribuições que os governantes têm por obrigação zelar, claro com o apoio dos cidadãos. Se não houver condições de habitabilidade condignas, num espaço aprazível, calmo e com a sensação de segurança, isto a juntar-se às outras causas acima referidas, certamente não irão ajudar à estabilidade da sociedade. Estas causas antropogénicas como as indústrias onde diariamente lançam poluentes como o enxofre geram chuvas ácidas, por sua vez, causam danos às plantações, florestas, enfim à humanidade através de alimentos envenenados; este produz gás capaz de subir muito alto na atmosfera impedindo a renovação da camada de ozono, retendo os raios ultravioletas do Sol. A destruição desta camada proporciona a elevação da temperatura ambiente da Terra, derretendo os glaciares aumenta o nível das marés.
 

Um Balde Cheio de Buracos…

Infelizmente as democracias reconhecem tarde demais a magnitude do problema subversivo e apenas reagem para se defender quando as circunstâncias invadiram grande parte da população, principalmente porque os governos instintivamente tentam esconder a verdadeira causa ou porque não dão realmente importância ou simplesmente tentam evitar danos à sua imagem. A única maneira de se acabar com a insurreição silenciosa está, numa primeira fase, na moralização e responsabilização dos políticos, na remoção e das condições económicas e sociais nocivas que (vão dar ou) deram origem à revolta99. Desta forma não podemos prever que factores concorrem objectivamente para a instabilidade da sociedade, sobretudo o inesperado factor humano imprevisível ou mesmo o papel dos OCS da forma como passam as notícias podem ser o contributo. A população de algumas zonas pode sentir o descontentamento geral. Quando se nega o recurso legal, o descontentamento aumentará e os cidadãos começam a participar naturalmente em acções irregulares. Esta guerra, geralmente liderada por bandos, mal armados, mal vestidos, mas com criatividade e iniciativa, sem apresentar frentes de combate, descartando os princípios clássicos de massa, mas aos poucos aproveitam a surpresa, com pequenos grupos e pequenas acções: assalto, terrorismo, sabotagem e emboscadas entre outras; não procuram a batalha decisiva, o objetivo é desgastar o adversário, quebrar o moral das tropas e fazer que os civis a percam a confiança nas FFAA e instituições. Às vezes, quando menos se espera ou, simplesmente, “dá cá essa palha” inicia-se a turbulência que podem ser aproveitadas por grupos preparados. Por sua vez, pequenos grupos dissidentes vivem e trabalham dentro da ordem estabelecida, unindo-se a elementos que em breve podem ser futuros clandestinos insurrectos.
 
Esta guerra feita na sombra dentro da paz nunca é declarada; tem início difuso e claramente detectada mesmo quando as forças agredidas por motivos políticos quase sempre se oculta. É a guerra silenciosa pela alma e mente da população, onde o adverso se aproveita da inferioridade numérica e procura o sangramento lento mas constante do exército regular. Não pode ser cego pelas vitórias esmagadoras, não se empenhar convenientemente, consolidar o tempo como aliado, habilmente combina tácticas militares não convencionais acções políticas-psicológicas procuram adquirir a competência política e estrutura ideológica. Hoje, os políticos, embora não tenham consciência disso, nem ninguém sobreviverá sem os militares em muitos aspectos.
 
À medida que se identificam organizações clandestinas insurrectas e começam a desenvolver-se o espírito de revolta, formam-se bandos de guerrilheiros ou terroristas a operar abertamente e aos poucos convertem-se em instrumento militar da força irregular.
 
A escala das actividades irregulares pode adoptar o ordenamento seguinte: resistência passiva; manifestações individuais de oposição; sabotagem circunscrita ou em grande escala; actos de violência individual e actos de violência executados por grupos organizados.
 
As operações contra estas forças irregulares emergentes terão carácter político, em particular durante o ambiente de guerra psicológica. O alcance e natureza das missões designadas e as resoluções dos comandantes, terão maior ênfase nos aspectos políticos que no caso das operações militares convencionais. A presença da força militar estrangeira que possa operar contra as forças irregulares, será despoletada invariavelmente pela acção psicológica inimiga.
 
 
 
O valor 5 é a sociedade ideal equilibrada o 0 (zero) é precisamente o oposto.
 
 
Neste quadro, simplesmente hipotético, a linha azul (1) (sociedade equilibrada podemos dizer perfeita com indicadores de satisfação elevado) servem de referência à estabilidade. Na prática estes níveis elevados são mais desejados do que cumpridos em regra, portanto, há variações nessa satisfação - implica algumas instabilidades na sociedade. A linha sépia (2) (i.e., sociedade com alguns pontos em desequilíbrio mostra alguns índices baixíssimos como as causas sociais e causas psicológicas além do descrédito nas causas políticas) onde estas contribuem para limites baixos mostrando a sociedade em espasmos. Quando for o inverso ou seja, em vez do 5 (nota máxima e sociedade perfeita) for 1 ou zero entramos em situação de guerra irregular ou pelo menos está lançado terreno para o efeito.
 
 
Será a violência estado pertinaz para Portugal? Vai depender, como vimos, de inúmeros factores e causas expostas aqui (meramente académicas) num panorama tendencialmente de guerra irregular. As elites se não compreenderem o estado do País, mais tarde ou mais cedo, terão de aceitar que as instituições sociais, económicas e políticas precisam de ser corrigidas de modo a permitir melhor conciliação entre a eficiência sócio-económica e as naturais aspirações próprias, inclusive impor regras aos lóbis pois senão estaremos sempre no campo da corrupção - a outra questão, é se vamos a tempo? Portanto, transformações deste tipo vão além de concepções ou de simples troca de dissimulados dentro do mesmo quadro político. Afinal, como nos ensina a História, (fora a redundância) o “poder dos poderosos” não é permanente nem imutável, bem pelo contrário, periodicamente é provocado e afrontado - nem sempre são usados os meios institucionais. O risco desse desastre está entre nós. A privação relativa atinge grandes segmentos sociais - avivada pela propaganda e campanhas pré e pós-eleitorais. A inconsistência de status atinge inúmeros grupos profissionais, inclulsive os mais instruídos. Muitos estão a baixar na escala social e pior é estarem a arrastar os dependentes e ascendentes. Quem pode vir a ganhar adeptos? Há sempre um lóbi à espreita.

 

Conclusão

Afinal, para quê toda esta análise?
 
Tão-somente o esforço num contexto por não ser senão o exercício, provavelmente até rebuscado destinado a afirmar o óbvio ou o trivial - e, naturalmente ainda, este exercício de depuração confunda mais do que clarifique. Mas é cenário que não se pode excluir por completo se o fizermos podemos estar a abrir a caixa de Pandora.
 
A guerra irregular, quase sempre tem raízes políticas disfarçada em razões de ordem económica e social, mas usa de qualquer forma este instrumento, mesmo assim, pode dar-se até em grupos com qualquer nível de desenvolvimento - a expressão táctica é tão dúctil e maleável que irá acomodar-se a todo o esboço social e sob qualquer bandeira ideológica - até porque as pessoas começam a estar predispostas, muitas não têm nada a perder; esta procura sempre as vulnerabilidades e ataca o adversário, só enfrenta na batalha apenas quando o sucesso é garantido; por vezes a guerra irregular, no seu início, não tem alguma estratégia definida, mas é vital para manter a liberdade de acção e implantação: parece, parte da população, enfrentou não apenas a autoridade do governo, mas também os “não-combatentes”, sobretudo burocratas, políticos, administradores e amigos do regime destinado a substituir, porque é o objectivo final da insurgência procurar através da propaganda e acção política, a mobilização das massas, estabelecer a infra-estrutura paramilitar e ajuda externa quer moral e económico. No actual ambiente de segurança nacional, há algumas dúvidas de que o terrorismo é das mais graves ameaças seja individual de grupo ou inopinada, tenha ou não fonte ideológica porque esta arma é acessível a qualquer pessoa o que representa agora várias cambiantes: embora haja padrão constante nestes fenómenos. Recursos maciços em todos os sectores governamentais e privados atribuem funções e tarefas relocalizadas, tentam prevenir ou impedir o terrorismo. Estes esforços, no entanto, muitas vezes carecem de conceito - quanto mais de base empírica - para compreender os terroristas e actos de violência. A maneira de enquadrar esta no contexto de ambiente operacional contemporâneo é a de considerar vectores de ação política, psicológica, violentos e deliberados. A definição precisa do significado e definir o termo em discussão é o princípio fundamental de filosofia, direito, psicologia, engenharia e de outras esferas da actividade humana. Definição de terrorismo pode parecer fácil, mas não é.
 
Embora a questão básica de como melhor definir a génese do próprio terrorismo como problema grave, mas para os fins desta análise, estamos interessados em geral, em actos de violência (oposto às ameaças ou coerções mais gerais) intencionalmente perpetradas em civis “não-combatentes” com o objectivo de promover algum objectivo ideológico, religioso ou político. O foco nas dimensões psicológicas, não enfatiza a análise em explicações de base sociológica (i.e.”raiz das causas”) ou em teorias de nível macroeconómico e político. Além disso, o foco em actos terroristas enfatiza a análise dos efeitos psicológicos, consequências ou aperfeiçoamentos do terrorismo. A violência terrorista na maioria das vezes é deliberada (não impulsiva), estratégica e instrumental; é ligada e justificada pela ideologia (por exemplo, política, religiosa) os objetivos envolvem quase sempre um grupo ou vários actores/apoiantes embora possa ser realizada por um sujeito; há padrões discerníveis que podem ser amplamente aplicado: a composição dos membros das seitas extremistas e grupos terroristas varia de país para país de acordo com as condições sociais, tradições religiosas e os factores históricos. Estas questões todas adicionam complexidade à construção do terrorismo como forma de violência e desafio do surgimento da teoria unificadora interpretativa mas, no entanto, é preciso reter a pax lusitana.
 
 

Bibliografia

Cor Luis Alberto Sierra Martinez e Cor Jaime Alberto Plazas Herrera (1994), ambos da Força Aérea Colombiana, Efectos de la Guerra Sicológica en el Combate Antisubversivo, Colegio Interamericano de Defensa, Washington DC.
Randy Borum (2004), Psychology of Terrorism, Tampa, University of South Florida.
A Military Guide to Terrorism in the Twenty-First Century (2007), Fort Leavenworth, Kansas (também disponível em https://dcsint-threats.leavenworth.army.mil)
 
 
 
 
* Sargento-ajudante de Infantaria. Doutorado em Antropologia, pós-graduado em Comunicação e Marketing Político; Recursos Humanos; Curso Geral de Jornalismo.
 
 
1 Porque adormeceu esta nação onde mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, ensino superior subsidiado e regime abrangente de previdência social? A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano em todos os relatórios desde 2001 (dados referentes entre 1999 e 2010). Em 2009, novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver. Foi avaliada pelo Índice Global da Paz como o mais pacífico do mundo na pesquisa realizada em 2007.
2 Apesar de se poder recusar a ideia da «instituição castrense como organismo cuja única função é militar»: Matos e Bacalhau, (2001) As Forças Armadas em tempo de mudança. Uma sondagem à opinião pública nas vésperas do século XXI, Lisboa, Edições Cosmos e Instituto da Defesa Nacional, p. 60.
3 “Que Forças Armadas para o futuro?”, in Colóquio Parlamentar, O futuro das Forças Armadas, Lisboa, AR, p. 52.
4 Diário de Notícias, 11Jan12.
5 A título de exemplo, a revolta de jovens dos subúrbios da França em 2005 constituiu episódios de violência urbana iniciada na comuna de Clichy-sous-Bois, no departamento de Seine-Saint-Denis, na periferia da Região de Paris, em 27Out, após perseguição pela polícia, seguida de morte acidental de dois jovens descendentes africanos Bouna Traoré e Zyed Benna de Paris. Alguns dias mais tarde, por exemplo, JN titulava o seguinte: “Revolta nos subúrbios de Paris fora do controlo das autoridades” (02Nov); ou mais recentemente a onda de violência no Reino Unido atingindo várias cidades (Tottenham, Birmingham, Liverpool, Manchester), depois da polícia britânica ter registado à noite incidentes em Liverpool, no Norte, onde vários veículos foram incendiados e prédios atacados. Estas situações podem piorar se os políticos e a elite financeira, com o apoio dos mídia públicos e do Murdoch, falham na retoma económica e decidem punir os pobres e os precários pelas políticas aplicadas nas três últimas décadas. Desumanizar ressalta o aspecto psicológico: o “inimigo”, em casa ou no estrangeiro, criando o medo e a prisão sem julgamento digno é estratégia que não pode funcionar para sempre.
6 A 05 de Outubro de 1139 pelo Tratado de Zamora, D. Afonso Henriques, então conde portucalense, é aclamado rei de Portugal e proclama a independência em relação a Afonso VII, seu primo, rei de Leão e Castela.
7 Remete-nos para a teoria conhecida não só na Psciologia, particularmente na Psicologia Social, mas também na Sociologia e sobretudo na Ciência Política. A teoria da privação relativa concorre com outras teorias sóciopsicológicas, nomeadamente psicanalíticas, sociológicas e políticas, de modo a compreender e explicar a acção social e, em particular, a acção colectiva.
8 O modelo da privação relativa não explica, v.g., por que é que, em determinadas situações históricas, apesar da pobreza, desemprego, analfabetismo, carência de cuidados médicos e sociais, há grande descontentamento, mas não se verifica qualquer levantamento ou revolução. Pelo contrário, tais situações, conduzindo amiúde a sentimentos de impotência, desespero ou até de resignação com o statu quo, não são suficientes para a mobilização política. James Scott, professor de Ciência Política, diz: «se o descontentamento ou a raiva fossem suficientes para o levantamento, então todo o chamado Terceiro Mundo estaria a arder em chamas».
9 E. Rubington e M.S. Weinberg, M. S. (1989), The Study of Social Problems (4ª ed.), Nova Iorque, Oxford University Press.
10 Malcolm Spector e John Kitsuse, (1987), Constructing Social Problems, Nova Iorque, Aldine de Gruyter.
11 Cit. in António Pedro Dores, Agregação em Sociologia, Sociologia e Instabilidade, apresentação ao VIº Congresso Potuguês de Sociologia 25 a 28Jun (2008).
12 Ver, Retrato Territorial de Portugal - 2009, INE, Edição, 2011.
13 Memórias, em Obras Completas (1969), 3 vols., Lisboa, vol. III p. 413.
14 (2000), Replacement Migration: Is It a Solution to Declining and Ageing Populations?, Nova Iorque, ed. ONU.
15 Carina Silva, “Iliteracia”, in http://literaciadainformacao.web.simplesnet.pt/Iliteracia.htm.
16 (2005) Cit. De António Pedro Dores, idem, nosso sublinhado.
17 Assim, não é razoável ver a frustração por si só como factor suficiente essencial e causal. Na importante reformulação da hipótese da Frustração-Agressão, Berkowitz (1989) - “The frustration-aggression hypothesis, An examination and reforumulation”, Psychological Bulletin, 106, 59-73 - postula ser apenas frustração “aversiva” que leva à agressão. Recentemente proposta que a frustração levaria a raiva e esta - na presença de estímulos agressivos - levaria à agressão. Embora as conclusões posteriores têm, por vezes, sido inconsistentes ou contraditórias, “é razoável concluir que estímulos aversivos não facilitam, mas provavelmente não instigam, comportamentos agressivos” (Tedeschi e Felson, 1994 - Violence, Aggression, & Coercive Actions, Washington DC, American Psychological Association, p. 68). Na obra clássica, Ted Gurr (1968 - Psychological factors in civil violence, World Politics, 20, p.245-278.) foi dos primeiros a aplicar a análise sistemática Frustração-Agressão do problema político da violência, enquadrando a frustração como “privação relativa”. Existem também as Teorias: Instinto psicanalítico e etnológico; Aprendizagem Social; Teoria Cognitiva; e Factores biológicos.
18 Corrupção, tráfico de droga, segurança ilegal, extorsão e violação de segredo de funcionário são algumas práticas encontradas na Divisão da PSP de Cascais, onde vários polícias formavam, há vários anos, associação criminosa, segundo a investigação levada a cabo na própria PSP, liderada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa o que também sossega o cidadão. Curiosamente, a predilecção para a violência não parece ser aspecto dominante da personalidade dos terroristas. A maioria tem sido ambivalente em relação ao uso de violência e sofrimento humano. Por exemplo, Ulrike Meinhof, o líder da Facção do Exército Vermelho alemão, aparentemente tinha medo de armas e a terrorista palestiniana, Layla Khalid, era capaz de lidar a presença de criança no avião no sequestrado apagando só possíveis consequências na mente. Estes sentimentos dificilmente sugerem comportamentos sanguinários, assassinos psicopatas. Alguns até fazem grande esforço para evitar a responsabilidade directa pela morte violenta. É possível, que a tomada de reféns é a táctica preferida, pelo menos em parte, por causa da aptidão do terrorista transferir a culpa de qualquer violência ao governo se este se recusar a satisfazer as exigências. John W. Crayton (1985), “Terrorism and the Psychology of the Self”, in Lawrence Zelic Freedman and Yonah Alexander (eds.) Perspectives on Terrorism, Hindustan Publishing Corporation, Deli, Índia, pp. 33-41, cit. Dr. Lopamudra Bandyopadhyay (s/d), The Role of Criminological Theories in the Identification of the Terrorist Personality, (s/ed).
19 Gianluca Fiorentini e Sam Peltzman (1995), The economics of organized crime, Cambridge, Univ. Press; John Bailey e Roy Godson (2000), Organized crime and democratic governability: Mexico and the U.S. mexican borderlands, Pittsburgh, Univ. Pittsburgh Press; Mário Magalhães (2000), O Narcotráfico, S. Paulo, Publifolha; Salvatore Lupo (2002), História da Máfia: das origens aos nossos dias, S. Paulo, Unesp.
20 Ver, Tamara Makarenko (2002), “Terrorism and Transnational Organized Crime: the emerging nexus”, Paul Smith (ed.), in Transnational Violence and Seams of Lawlessness in the Asia-Pacific: Linkages to Global Terrorism (Hawaii, Asia Pacific Centre for Security Studies, Forthcoming). Disponível em www.standrews.ac.uk/intrel/research/cstpv/pdffiles/APCSS%20-%20crime%20terror%20contin.pdf, p. 7.
21 Durante vários anos, diversos grupos terroristas de esquerda europeia apoiavam a criação de frente unida internacional contra o “imperialismo ocidental” e, em particular, contra os seus símbolos mais poderosos - a OTAN e da presença americana na Europa. Em 1984, pelo menos, três desses grupos - A Facção Al-Fatah para o Ocidente do Exército Vermelho (FEV), o grupo francês Acção Directa (AD) e os belgas das Células Comunistas Combatentes (CCC) - aparentemente colaboraram em ofensiva conjunta contra a OTAN num alto nível de violência Havia provas suficientes com base em documentação e nas detenções para indicar que as instalações militares da OTAN eram alvos importantes para as FEV, AD e CCC. Como foi referido as Brigadas Vermelhas italianas cometeram actos terroristas contra a OTAN nos anos 80 com laços com a Facção do Exército Vermelho e Acção Directa. Embora não exista nenhuma evidência para indicar que as Brigadas Vermelhas italianas tentaram juntar-se à Frente Unida da FEV, AD e CCC, no futuro, este tipo de parceria pode ser ideológica e operacionalmente vantajosa para os quatro grupos.
22 Guaracy Mingardi, O Estado e o Crime Organizado, Tese (Dout.), Fac. Filosofia e Ciências Humanas da Univ. S. Paulo. p. 96.
23 Helena Carrapiço (2006), O Crime Organizado Transnacional na Europa Origens, Práticas e Consequências, Cad. IDN, nº 1.
24 Michael Forsyth (Maj Exército americano) (2004), “Sutileza: una breve teoría de la guerra”, in Military Review, Nov-Dez, in Pablo Bonavena y Flabián Nievas, Las nuevas formas de la guerra, sus doctrinas y su impacto sobre los derechos humano, Fermentum Mérida, Venezuela, Ano 16 - Nº 46 - Mai-Ago.
25 Carl von Clausewitz não explicou com satisfatória clareza duas constantes identificadoras e elementos-chave na sua teoria presente Da Guerra: a natureza política da guerra e os dois tipos básicos que a guerra assume. (Peter Paret (2003) Clausewitz. p. 257-283. In (org.) Construtores da Estratégia Moderna: de Maquiavel à Era Nuclear, Rio de Janeiro, Bibliex. ed. [cap. 7]. p. 270-271) embora não satisfatória depreende-se a natureza.
26 Ver, Forum, Sur le Crime et la Sociétè, Vol. 4, nº 1 e 2, Dez04, Escritório das NU sobre Drogas e Crime, Nova Iorque, 2006.
27 Atenção a estas forças ocultas políticas, na verdade todas, possui por trás dos partidos, outros interesses (nacionais e estrangeiros), na maior parte das vezes não apoiam somente uma facção mas várias, permitindo assim, após o acto eleitoral, estar assegurada certas medidas para não lhe serem prejudiciais.
28 Conclusões da análise feita a partir dos resultados do European Social Survey por Maria Luísa Lima e Rosa Novo - respectivamente do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE e Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, em Lisboa. De modo geral, dizem as autoras: «os valores do bem-estar em Portugal são muito mais baixos dos observados no conjunto dos 20 países europeus considerados». Os países estudados: Dinamarca; Bélgica; Itália; Alemanha; Luxemburgo; Eslovénia; Espanha; Finlândia; Grécia; Holanda; Hungria; Irlanda; Israel; Noruega; Polónia; Portugal; Reino Unido; República Checa; Suécia e Suíça.
29 Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia (2004), Atitudes e valores dos europeus: A perspectiva do género, Elementos para uma análise transversal, de Anália Torres; Rui Brites; Rita Mendes e Tiago Lapa.
30 Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia, p.18.
31 Manuel da Silva Costa, in “O Cidadão Português e a Defesa: Uma tomada de consciência”, Comunicação proferida em Viana do Castelo (1992), a convite do IDN, integrada no painel: «A Defesa Nacional Face à Nova Conjuntura Internacional», Nação & Defesa, IDN, Ano XVII, nº 63, Jul-Set.
32 Retirado das Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia, p.15.
33 http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1933185 (27Jul11).
34 Diário de Notícias, Economia, 21Jan08, “Idade de reforma cresce um a dois anos até 2030”.
35 Le Point, Économie, 19Mai11, Lire l’intégralité du rapport: “Les retraites de nababs des hauts fonctionnaires européens”. Para ler o relatório feito pelo jornal aceder a: http://www.lepoint2.com/sons/pdf/Etude-Hauts-Fonctionnaires-Europeens.pdf
36 Quem não se lembra, por exemplo, do episódio de Manuel Alegre passou a auferir o valor de 3.219,95 € por ter trabalhado um ano na RDP, no cargo que nem ele sabe qual era, entre 1974/1975, amplamente divulgado pelos OCS. Portugal é presentemente governado por políticos reformados pelo exercício de anteriores cargos públicos, é situação única no mundo. Para além do vencimento auferido pelos cargos públicos que continuam a exercer, podem acumular este vencimento com mais uma, duas, três, quatro ou mais reformas e pensões vitalícias do Estado. Um roubo praticado por políticos de todos os quadrantes (Director Carlos Fontes in Lusotopia).
37 Económico, Subvenções, “Estado esconde pensões políticas”, 24Jun11.
38 Embora a taxa de analfabetismo tenha diminuído ligeiramente desde o último censos (1991), 9 em cada 100 portugueses (um milhão de pessoas), com 10 anos ou mais, não sabem ler nem escrever, conforme os resultados definitivos do Censos 2001. O sexo feminino continua a ser o mais penalizado, enquanto a nível geográfico, os distritos do Sul do País são os que registam uma maior taxa de analfabetismo. De acordo com o IBOPE (2005), o analfabetismo funcional no nosso País, afecta aproximadamente 68% da população (30% no nível 1 e 38% no nível 2). Somados esses 68% de analfabetos funcionais com os 7% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 75% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas. Os níveis aqui referidos são três: Nível 1: Também conhecido como alfabetização rudimentar, concebe aqueles que apenas conseguem ler e compreender títulos de textos e frases curtas; e apesar de saber contar, têm dificuldades com a compreensão de números grandes e em fazer as operações aritméticas básicas. - Nível 2: Também conhecido como alfabetização básica, concebe aqueles que conseguem ler textos curtos, mas só conseguem extrair informações esparsas no texto e não conseguem tirar uma conclusão a respeito do mesmo; e também conseguem entender números grandes, conseguem realizar as operações aritméticas básicas, entretanto sentem dificuldades quando é exigida uma maior quantidade de cálculos, ou em operações matemáticas mais complexas. Nível 3: Também conhecido como alfabetização plena, concebe aqueles que detêm pleno domínio da leitura, escrita, dos números e das operações matemáticas (das mais básicas às mais complexas).
39 Optei por criar esta causa separando-a da anterior pois sendo também a Sociologia, ciência dos comportamentos sociais não deixa, por isso mesmo, de ser que o comportamento é gerador de comportamentos. Como a Sociologia se dá na esfera antropológica, os factores sociais, o objeto material dessa disciplina, podem ser examinados do ângulo daquela classificação. Assim, no campo antropológico seria um erro abstractista considerar e explicar o sujeito apenas pelos factores bionómicos, como tende o biologismo, ou pelos factores psíquicos, como o tende o psicologismo, ou pelos ecológicos, como tende o naturalismo e o ecologismo em geral, ou pelo histórico-social, como tende o historicismo. Também seria erro palmar abstractista considerar as relações sociais apenas por dois desses ângulos, esquecendo, virtualizando, ou anulando outros. O facto social só pode ser correctamente compreendido, quando é concretamente considerado como resultado da interactuação dos factores emergentes e predisponentes actuais, directa ou indirectamente. Não se poderia explicar as relações entre mãe e filho apenas pelo biologismo, pois há aí estruturações também de carácter histórico-social, como sejam a presença de normas éticas, presidem sempre toda actividade humana, embora não estejam sempre presentes na sua consciência. A Sociologia, portanto, forma-se no campo antropológico; contudo, não é apenas ciência antropológica, porque se entrosa, por sua vez, com outras, cujos objectos precípuos são outros factores, ou a estes subordinados.
40 Durkheim põe ênfase na crença e prática dentro da comunidade social. A religião é o sistema de crenças e práticas relativas às coisas sagradas, i.e., coisas postas separadas, proibidas; crenças e práticas onde unem numa só comunidade-moral, a todos aqueles aderentes a elas. O segundo elemento encontra assim lugar na definição, é não menos essencial do que o primeiro; porque, ao mostrar a ideia de religião é inseparável da estrutura coventicular, deixa claro a religião seria a coisa eminentemente-colectiva.
41 Paulo Contreiras, in Euromil News nº 19 / Dez11.
42 Em Portugal, no caso do Santander Totta, deverão estar em causa dezenas de clientes do private banking (gestão de fortunas) em cerca de 16 milhões de euros, onde há maior apetência por investimentos de risco. O banco garantiu não ter exposição directamente aos produtos Madoff, ao contrário do que aconteceu com a casa-mãe, em Espanha, que está entre os bancos com mais perdas, incluindo directas (Público, 16Dez08).
43 Jean-Michel Vernochet é escritor, jornalista, ensaísta e geopolítico, nascido 06Set47 em Paris. Publicou entre outras obras: (2007), Manifeste pour une Europe des Peuples (Manifesto pela Europa dos Povos), Editions du Rouvre; (2009) Europe, chronique d’une mort annoncée (Europa, Crónica da morte anunciada), Éditions de l’Infini.
44 A Islândia foi à falência (2008) e o Fundo Monetário Internacional entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua. Fizeram manifestações e revoltaram-se contra o primeiro-ministro da altura, Geir Haarde, o qual atacaram com ovos em Jan09. Depois disso o político demitiu-se e foi processado por negligência no colapso dos bancos islandeses, pois consideram «justo porque tomou más decisões».
45 A sondagem publicada em Junho pelo jornal «Morgunbladid» indicava que 51 % prefeririam que o pedido de entrada na UE fosse retirado e só 38,5 % querem continuar as negociações.
46 Apresentação, em Lisboa (19Mai04), dos primeiros dados da análise a alguns dos resultados do Inquérito Social Europeu (ISE), realizado em 21 países e debatido por vários estudiosos.
47 A aceitação de líder único da União Europeia com o poder de assumir o controlo para restaurar a prosperidade das economias europeias irá resultar num superestado com papel muito maior na gestão das economias. Estamos a ver governos a resgatar bancos que faliram e nova legislação a ser preparada em corrida para dar a autoridade ao Superestado dirigir os investimentos directos e controlar o sistema financeiro
48 In Yves Mamou, Le Terrorisme, Une Bombe de Plus Contre la Croissance, Le Monde Economie (Paris), 05Nov02.
49 In Desiguadade em Portugal de Carlos Farinha Rodrigues et al, da Fundação Manuel dos Santos (2001). Nota dos autores: salienta-se para esta caracterização, temos por base os rendimentos das famílias e não os seus activos patrimoniais. Ou seja, ao “mais ricos” (ou mais pobres”) com maiores rendimentos anuais (ou menores).
50 Os dados mostram que Portugal é o único país analisado onde “a percentagem do corte [devido às medidas de austeridade] é maior nos dois escalões mais pobres da sociedade do que nos restantes”. A Grécia, com repetidos pacotes de austeridade, apresenta maior equidade nos sacrifícios implementados.
51 In Público 23Jul11.
52 http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/norway/8655964/WikiLeaks-files-show-Norway-unprepared-for-terror-attack.html.
53 Este fenómeno de terrorismo tipo lobo solitário não é novo. Pode ser encontrado, v.g., no anarquismo no séc. XIX mas continua a ser fenómeno ambíguo e enigmático pois os limites são nebulosos e arbitrários.
54 Antigo reitor da Universidade de Lisboa e professor doutorado do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e investigador do Instituto de Ciências Sociais.
55 Richard (Dick) Flacks, académico e activista socialista. Recentemente aposentado como professor de sociologia na Univ. de Santa Barbara. Ele e a mulher, Flacks Mickey, foram activistas da comunidade em Santa Barbara durante quase 40 anos. Foi o fundador dos Estudantes Pela Sociedade Democrática (SDS) no início dos anos 60. A SDS original possuia a conhecida coloquialmente como o Weathermen e, mais tarde Weather Underground Organization (WUO), organização radical de esquerda americana. O objectivo era criar partido revolucionário clandestino para derrubar governo violento dos EUA. Com posições revolucionárias caracterizadas pelos separatistas retóricos Black, o grupo realizou campanhas de atentados nos meados dos anos 70, inclusive auxiliando a fuga de presos e a evasão de Timothy Leary. A Estudantes Pela Sociedade Democrática (SDS) é agora a organização estudantil americana de esquerda e leva o nome e inspiração do SDS original de 1960-1969, a maior organização estudantil radical na história dos EUA. A SDS é organização contemporânea distinta e lidera estudantes em todo o mundo com mais de 120 capítulos.
56 A seguir aos anos 60 havia consciência generalizada de, pelo menos nos anos do pós-guerra, a sociologia estivera, em grande medida, ao serviço do controlo social.
57 Dick Flacks, “A questão da relevância nos estudos dos movimentos sociais”, in Revista Crítica de Ciências Sociais, 72, Out05, pp. 45-66.
58 Actriz portuguesa.
59 Para esclarecimento desta comparação: em rigor, não se pode garantir que um vulcão, nunca mais entrará em erupção ou que outro, inactivo há 5.000 anos, não vá também entrar em actividade. A caldeira de Yellowstone, por exemplo, não entra em erupção há 640.000 anos, mas é considerado um vulcão activo porque tem actividade sísmica, actividade geotérmica e porque o solo, na região está a ser soerguido em ritmo bastante acelerado.
60 In “Opinião” de Nuno Rogeiro, Sábado, 28Jul11.
61 História de Portugal, vol. II, Palas Editores, Lisboa, 1976.
62 A Iª República Portuguesa (1910-26) constituiu a primeira tentativa persistente de estabelecer e manter a democracia parlamentar. Apesar das intenções e dos ideais generosos e do entusiasmo inicial, os republicanos foram incapazes de criar sistema estável e plenamente progressista. A República foi prejudicada pela frequente violência pública, instabilidade política, falta de continuidade administrativa e pela impotência governamental. Com o total de quarenta e cinco governos, oito eleições gerais e oito presidentes em quinze anos e oito meses, a República Portuguesa foi o regime parlamentar mais instável da Europa ocidental. Na «arena da República», as paixões pessoais e ideológicas entrechocaram-se, tendo desencadeado forças que prepararam o terreno para a intervenção dos militares na política e para a instauração da ditadura. Esta República atribulada foi o prólogo do «Estado Novo», ditadura duradoura até ao momento do colapso, em 1974, representava o regime autoritário de mais longa persistência na Europa ocidental (Conferência proferida por Douglas L. Wheeler [do Departamento de História da Univ. de New Hampshire, Durham, EUA], em 01Abr78, no decurso do IXº Encontro Anual da Sociedade de Estudos Históricos Espanhóis e Portugueses).
63 Acção Revolucionária Armada, criada pelo PCP cujo objectivo foi a luta armada contra a ditadura autoritária católica. A acção mais espectacular da ARA seria levada a efeito contra a BA3, Tancos, onde destruiram 16 helicópteros, 11 aviões e causou 80 mil contos de prejuízo à época. A partir de 1972, com a ARA praticamente desmantelada pela polícia, suspende as suas operações.
64 Liga de Unidade e Acção Revolucionária, movimento político fundado em Paris, em 19Jun67, sob a liderança de Palma Inácio, depois do assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz com real repercussão ocorreu nesse ano. Entre os principais aderentes, estão Camilo Mortágua, Emídio Guerreiro, futuro líder interino (na ausência, por motivos de saúde, de Francisco Sá Carneiro) do Partido Popular Democrático (hoje PSD) e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do Partido Socialista. A LUAR concretizará outras acções tanto no estrangeiro (assaltos a consulados portugueses para apropriação de passaportes, carimbos, etc.), como em Portugal: o caso da fracassada tentativa de ocupação da cidade da Covilhã. Também Camilo Mortágua, dirigente da LUAR tinha comparticipado, em Fev61, no assalto ao paquete Santa Maria, juntamente com Henrique Galvão e o militar republicano espanhol Alberto Bayo, a partir de Curaçau, navio do qual conseguiram apoderar-se durante alguns dias e trouxe para as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo o primeiro acto de «pirataria política marítima». Nos inícios de 70, a LUAR tentou novas acções mas a prisão de Palma Inácio e de outros militantes, detidos aquando do 25Abr, marcou o fim das iniciativas armadas. Em 1970, após a ruptura entre o núcleo de Argel da FPLN e aquela organização declara apoiar as recém-criadas Brigadas Revolucionárias.
65 Nasceu da cisão na FPLN (Frente Patriótica de Libertação Nacional). Dava fundamental importância à luta armada e, durante o marcelismo, foi especialmente conhecida pela actividade das BR (Brigadas Revolucionárias) grupo armado a quem esteve ligado ideologicamente e organicamente. Durante o último período do Estado Novo desenvolveu acções de sabotagem de retaguarda contra objectivos militares portugueses, para favorecer a luta dos movimentos independentistas das colónias: ataque às instalações da OTAN, Fonte da Telha; ataques ao abastecimento eléctrico em alta tensão a Lisboa; atentados contra instalações militares, contra o Ministério das Corporações e a sede do Movimento Nacional Feminino; várias acções de propaganda com recurso a petardos; assalto aos Serviços Cartográficos do Exército e apoio à vigília anti-colonial realizada por católicos na Estrela. Para a infra-estrutura clandestina aproveitava as ligações aos sectores católicos progressistas. Entre 1975-79 o PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) desenvolveu actividade clandestina através das Brigadas Revolucionárias. Estiveram envolvidas em actividades de recuperação de fundos (através de assaltos a bancos e repartições da fazenda pública) e colocação de engenhos explosivos. Estas acções deram origem ao chamado “Caso PRP”, terminando com a condenação de vários dos envolvidos, incluindo os dirigentes Carlos Antunes, Pedro Goulart e Isabel do Carmo. Também reivindicada pelas BR do PRP foi a execução, em Nov79, de José Plácido, ex-militante da Marinha Grande, por delação e alegada corrupção (apropriação pessoal de fundos do partido, oriundos dos assaltos). Importante grupo de militantes do PRP e das BR acabou por fundar, nos anos 80, as FP-25.
66 Forças Populares 25 de Abril (FP-25) foram organização armada clandestina de extrema-esquerda a operar em Portugal entre 1980-87. Parte significativa dos militantes procedia das antigas Brigadas Revolucionárias. Nesse período, as FP25 foi responsável por 13 homícidios - aos quais acrescem ainda as mortes de 4 dos seus operacionais - 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores. O julgamento dos crimes foi incompleto, quer por prescrição de alguns dos processos, quer pela dificuldade em identificar autores materiais dos factos. A figura mais conhecida vinculada às FP-25 foi Otelo Saraiva de Carvalho.
67 O Exército de Libertação de Portugal (ELP), organização da direita política criada por Barbieri Cardoso (ex-subdiretor da PIDE) e presidida pelo Gen. António de Spínola, no ano de 1975 e estava sediada em Espanha. Durante o Verão Quente de 75, vários atentados bombistas a sedes de partidos políticos de esquerda foram atribuídos ao ELP, cujas acções eram muitas vezes confundidas com as do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) e do auto-denominado Movimento Maria da Fonte. O principal objectivo do ELP era lutar contra os movimentos de esquerda do pós-25Abr74, nomeadamente COPCON (Comando Operacional do Continente) e a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária). Foram considerados como terroristas de extrema-direita chegando a incendiar sedes ligadas ao Partido Comunista, ataque à Embaixada de Cuba e assassínio do Padre Max em atentado bombista em 1976. O último comunicado de análise da situação política portuguesa é de 30 Nov76.
68 O Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), grupo de acção política anticomunista, liderado a partir do Brasil por António de Spínola, actuou como rede bombista nos anos quentes seguintes à Revolução de 25Abr74 em Portugal. O MDLP foi também associado ao assassinato do Padre Max, ocorrido a 02Abr76, através dos seus operacionais Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira. No entanto, tal nunca chegou a ser provado na Justiça portuguesa. O então Gen. António de Spínola saiu a 26Abr76 do MDLP ordenando a suspensão das acções do movimento, justificando com a celebração das primeiras eleições legislativas onde se consolidava o projecto político pelo qual tinham lutado. A extinção do movimento verifica-se depois de os países apoiantes decidirem apostar na normalização, a partir das forças políticas e militares e, a partir do 25Nov tinham passado a ocupar os lugares chave no aparelho de Estado. A dissolução do MDLP verificou-se após negociações indirectas entre Spínola e o Ramalho Eanes no sentido das actividades contra-revolucionárias seriam amnistiadas. De facto, o documento de dissolução formal do MDLP apela à “reconciliação de todos os portugueses”. Pelo contrário o ELP continuou as actividades ao longo de 1976.
69 Organização clandestina que actuou a partir do Minho, em 1975, promoveu vários assaltos a sedes comunistas e extrema-esquerda. Dos organizadores o jornalista Paradela de Abreu, foi apoiado pelo cónego Eduardo Peixoto de Melo, de Braga.
70 RR, edição da jornalista Marina Pimentel, 19Mar11.
71 Professor doutorado do Departamento de Sociologia da Universidade de Coimbra ao Público.
72 O 13º mês anual foi introduzido para compensar as 4 semanas não pagas durante um ano, quando os salários mensais foram implementados (4x12 = 48 semanas e o ano tem 52 semanas). O salário mínimo português é de 485 Euros, enquanto um litro de gás custa entre 1,5-1,6 Euros.
73 No âmbito do Despacho nº 12713/2011, de 09Set, dos Ministérios das Finanças e da Defesa Nacional, determinava aos três ramos das Forças Armadas, procedessem até 31Out à reconstituição casuística das situações identificadas no relatório da Inspecção Geral de Finanças, fazendo regredir todos os casos alegadamente irregulares aos valores de remuneração em vigor a 31Dez09. Este reconhece contudo, origem desta situação, no início de 2010 e no seu prolongamento no tempo, estão omissões regulamentares, de quem tinha competência na matéria.
74 Paulo Contreiras, idem.
75 John Kennet Galbraith, foi economista, filósofo e escritor norte-americano, conhecido pelas posições liberais, disse: «Quem está envolvido na especulação vivencia o aumento da sua riqueza. Ninguém deseja acreditar que isso é fortuito ou imerecido; todos querem crer que é o resultado da superioridade dos seus discernimentos ou intuições pessoais. O próprio aumento dos valores toma conta dos corações e mentes dos que são por ele beneficiados. A especulação suga, de maneira perfeitamente prática, a inteligência daqueles envolvidos» (1992), Uma Breve História da Euforia Financeira, São Paulo, Pioneira.
76 Nalguns casos o país patrocinante apoiará a insurreição e tratará de o controlar para promover os próprios propósitos.
77 O Partido Nacional Renovador, surge, depois de algumas ideias de “tomarem de assalto partidos sem actividade ou moribundos” como a FEC (m-l), AOC, PPM entre outros também o PRD (Partido Renovador Democrático) que entrou decadência, acumulado dívidas e estava, sobretudo, sem actividade e não tinha sido legalmente extinto. Elementos da Aliança Nacional e do extinto Movimento de Acção Nacional filiaram-se no PRD, pagaram as dívidas e uma vez no controlo do partido, mudaram-lhe o nome para PNR, com novo programa e novo campo político.
78 Aqui não percebi se queria dizer “Botar” ou mesmo “Votar” ou usado como trocadilho.
79 Não há um perfil para os terroristas, em termos de antecedentes familiares ou características pessoais. Várias observações gerais podem ajudar na compreensão do comportamento extremo do terrorista. Noções bizarras de desajuste social ou pessoa sem instrução e desempregados são equívoco como norma.
80 RAND Corporation (Research ANd Development) National Memorial Institute for the Prevention of Terrorism (MIPT) - http://www.start.umd.edu.
81 Não podemos esquecer a dualidade desta premissa e o inimigo pode ser qualquer uma das partes, ou seja, tanto dá para a insurgência cujo Estado é hostil como para o Estado ameaçado.
82 Bruce Hoffman (1998), Inside Terrorism, Nova Iorque, Columbia Univ. Press, p. 136-142.
83 Provavelmente em pesquisa e/ou os contactos portugueses.
84 Enviou a milhares de endereços electrónicos, muitos deles para Portugal, com o anexo o “manifesto” com o título “2083, Declaração Europeia de Independência”, onde justifica a acção. Exibindo na primeira página a cruz templária. Não passa de colecção de textos teóricos sobre a islamização da Europa e muita História dos países, incluindo Portugal e onde incita visitas a edifícios templários ou referência a Santiago Maior, como heróis dos portugueses e espanhóis, há quem veja ser o manual do perfeito neo-cruzado quanto diário dos longos preparativos do terrorista.
85 Fjordman é o pseudónimo, Peder Are Nøstvold Jensen, nascido 11Jun75, blogger norueguês publicou artigos nos quais critica a imigração islâmica, cuja ameaça à civilização ocidental era evidente. Inicialmente, tinha o próprio blogue, mas fechou-o em 2005. Desde então, escreveu noutros blogues como The Brussels Journal, Gates of Vienna, Front Page Magazine. Breivik, elogiou muitas vezes os escritos de Fjordman - até o título do artigo de Fjordman escrito (16Mar07) é igual ao “manifesto” - “Native Revolt: A European Declaration of Independence” (in http://www.brusselsjournal.com/node/1980) no pretenso “manifesto. Em entrevista por correio electrónico para a revista alemã Der Spiegel, Fjordman distanciou-se da violência.
86 Ver: http://politicalvelcraft.org/denmark-free-speech; http://www.jihadwatch.org/2008/08/fjordman-on-science-and-religion.html; http://www.sadlyno.com/archives/14720.html; http://gatesofvienna.blogspot.com/2008/06/spanish-and-portuguese-once-and-future.html; http://dogbrothers.com/phpBB2/index.php?action=printpage;topic=977.0; http://www.brusselsjournal.com/node/2355;
87 Segundo a imprensa norueguesa Breivik fazia parte da Sǿilene, uma das lojas desta Ordem de São João, Oslo (também designadas lojas azuis). Estas praticam o rito sueco, obrigando os membros a serem cristãos. Aliás há foto paramentado com avental.
88 In Sábado, “O Refugiado”, 04Ago11, p. 52 a 55. Na linguagem maçónica é “adormecido”
89 «”Um terço dos fundadores” da universidade pertencia àquela organização», in Público, “Moderna, uma universidade maçónica”, Isabel Braga (01Nov02)
90 Nos últimos anos, a ligação a organizações como a maçonaria ou a Opus Dei tem sido discutida de forma particularmente intensa. Em Inglaterra, o governo de Tony Blair impulsionou o movimento exigindo aos mações a se identificarem quando estivessem a exercer profissões relacionadas com cargos ou serviços públicos. No sector da justiça, mais de 1.400 juízes decidiram voluntariamente divulgar seram mações. Em Portugal, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), representa cerca de 1.900 magistrados, deu o passo que promete fazer história: “O juiz não integra organizações que exijam aos aderentes a prestação de promessas de fidelidade ou, pelo seu secretismo, não assegurem a plena transparência sobre a participação dos associados.” O princípio, que não refere especificamente a maçonaria nem diz como será implementado, consta do Compromisso Ético aprovado no 8.º Congresso dos Juízes Portugueses (in, Sábado, “Espiões na Maçonaria”, 24Fev09).
91 Só para citar mais um: Jorge Silva Carvalho integrou a Loja Mercúrio nº 35 - onde se iniciou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais - mas acabou por transitar para a Mozart n.º 49, porventura hoje a mais poderosa loja da GLLP e, segundo documentos internos consultados pela Sábado, terá entrado em funcionamento em Set06 pela mão de Paulo Noguês, vice-presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação e secretário-geral da Associação de Amizade Portugal/EUA e pela de António Neto da Silva, empresário, ex-deputado do PSD e presidente daquela associação. Organizações, juntamente com o Instituto Transatlântico Democrático, dirigido por Rui Paulo Figueiredo (venerável da Loja Mercúrio), têm forte presença de mações entre os dirigentes. O espião Heitor Romana, histórico do SIS fundador informal dos serviços de informações portugueses em Macau e chegou a director-adjunto do SIEDM, secreta externa que o actual SIED substituiu. No ano passado, foi nomeado por Júlio Pereira e tomou posse como director de Recursos Humanos dos dois serviços de espionagem portugueses. Heitor Romana encontrou na Universalis outro homem das informações, José de Almeida Ribeiro, o adjunto que José Sócrates requisitou ao SIS para o gabinete - e também não respondeu ao contacto por correio electrónico feito pela Sábado (Investigação especial: “Espiões na Maçonaria”, 24Fev09).
92 Depois da iniciação, é também conhecido de todas as pessoas, entre o ritual de abertura e o de fecho são feitas leituras emanadas ou do Grão-Mestre ou do Conselho, enfim a parte “administrativa” e recolha de fundos e a constante pressão vinda de cima para as colectas para sustentar a organização. A estrutura funciona como células, composta por oficiais (mestres) companheiros e aprendizes: o número varia, sendo o mínimo de sete oficiais para formar a loja, mas funciona como célula autónoma, onde as ordens são dadas superiormente mas ao certo não se sabe de quem, excepto o venerável e mais alguns escolhidos. A ascensão varia entre a rapidez e lentidão (dos interesses), o plano espiritual estagna quando o dinheiro permite a ascensão mais rápida do que aquele e, muitas vezes, directa: de Aprendiz a Mestre em três sessões e/ou de Mestre grau 3 ao grau 32 (Sublime Cavaleiro do Real Segredo ou Soberano Príncipe da Maçonaria) dando entrada no Consistório e no Conselho do Real Segredo. O aspecto espititual, moral e ético fica encarregue de quem gosta e até serve para branquear outras actividades.
93 Designação comum para a Loja Maçónica italiana Propaganda Due (Propaganda Dois). A questão P2 veio a público com a incriminação de Michele Sindona no Escândalo do Banco Ambrosiano, no qual o Banco do Vaticano tinha muitas acções. Além da Itália, a P2 também tinha actividades na Suécia, Uruguai, Brasil e especialmente na “Guerra Suja” na Argentina (com Raúl Alberto Lastiri, Presidente por escasso período de Jul73 até 12 Out73; Emilio Massera, membro da Junta Militar de 1976-78, líderada por Jorge Rafael Videla e José López Rega, Ministro das Obras Sociais no governo de Péron e fundador da Aliança Anticomunista da Argentina). Também esteve envolvida na morte de Olof Palme, em 1986, pois três dias antes do seu assassinato Philip Guarino, membro do círculo Republicano, em torno de George H. W. Bush, recebeu o telegrama assinado por Licio Gelli e enviado por Umberto Ortolani, de “uma das regiões mais a Sul do Brasil”. O telegrama dizia: “Diz ao nosso amigo que a palmeira sueca vai ser arrancada”. Até hoje o assassinato de Olof Palme não foi resolvido.
94 Mais tarde, derrotado Mário Parra da Silva para Grão-Mestre da GLLP vieram a constituir a Grande Loja Tradicional de Portugal com lojas saídas dessa cisão: Revelação; Brasília, Excalibur e a Camelot. Em 2007 a Camelot agora nº 2 cria mais outra potência, o Grande Oriente Maçónico de Portugal, ao que parece com Lojas cópias em número da GLRP/GLLP.
95 Ainda antes da entrada na GLLP/GLRP e erguerem colunas da Camelot, José Manuel Ferreira e Júlio Prata, para ganharem influências, ainda tentaram criar a revista Sinergias Europeias (1994) onde formam a corrente nacional-comunista, misturando termos e linguagem da esquerda e direita radicais e cuja ideologia defende abertamente a violência revolucionária e promove a interconexão dos desejos e necessidades morais, políticas e económicas de libertação nacional e de socialização dos meios de produção em favor dos próprios produtores: os operários e o proletariado em geral, camponeses, pequenos fabricantes, comerciantes e prestadores de serviços. Os nacionais-comunistas costumam lembrar o maior líder guerrilheiro do Brasil, Carlos Marighella, i.e.: «O conceito teórico pelo qual nos guiamos é o de que a acção faz a vanguarda». «O que une os revolucionários brasileiros é desencadear a acção e a acção é a guerrilha». Contudo, a revista teve vida efémera com apenas dois números (1994). O comité de redacção era composto, entre outros, por Alexandre Peters - luso-alemão com ligações à extrema-direita alemã (NPD); José Manuel Ferreira - empresário, patrocinador da FN e do movimento nacional-comunista; e Júlio Prata - principal “ideólogo” nacional-comunista. As distintas opiniões e sensibilidades ideológicas existentes neste comité conduziram este projecto editorial à rápida extinção (in Metapedia).
96 Termo maçónico que significa o mesmo que fechar.
97 Quem tambérm não se lembra de Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará e ex-homem forte das finanças do CDS “assume ligação de mais de 20 anos à maçonaria”) da loja Egitânia e foi arguido no processo judicial Portucale.
98 Christopher Lynn Hedges (1956) é jornalista americano correspondente internacional do New York Times, autor e correspondente de guerra, especializado em política americana e Médio Oriente e sociedades. O livro mais recente é The World As It Is (“O mundo como ele é”) (2011). Hedges faz parte da equipa de repórteres do The New York Times com o Prémio Pulitzer sobre a cobertura do papel do terrorismo global.
99 Bevin Alexander, A Guerra do Futuro, Bibliex (Biblioteca do Exército brasileiro), 1999, p. 166. Nosso sublinhado.
 
Gerar artigo em pdf
2012-12-12
233-286
8955
164
REVISTA MILITAR @ 2017
by CMG Armando Dias Correia