Nº 2451 - Abril de 2006
Crónicas Bibliográficas
 
  A Arte de Vencer
 
A Fronteira do Caos, Editores, teve a amabilidade de enviar à Redacção da Revista Militar, que agradece, um exemplar da sua recente publi­cação, com o Título “A ARTE DE VENCER - Clássicos Chineses da Estratégia, Duas obras inéditas”, com uma Introdução e Notas do Mestre Francisco Abreu, autor que já nos habituou às suas meditações sobre Estratégia.
 
Nos dois textos que constituem a obra encontram-se alguns dos princípios que caracterizam, no domínio dos estudos estratégicos clássicos da China, duas das suas principais escolas de pensamento: a realista (Wei Liao-tzu) e a idealista (Sssu-ma Fa).
 
A obra, de leitura fácil e agradável, merece atenção, já que o pensamento estratégico militar contemporâneo tem recorrido cada vez mais aos clássicos chineses e o seu saber estratégico, reconhecendo que na sua cultura, há vários milénios, se fazia estratégia de um modo operacionalmente consistente e se reflectia sobre ela de um modo conceptualmente sofisticado.
 
Gabriel Augusto do Espírito Santo
General, Presidente da Direcção da Revista Militar
 
 
 O Povo do Nilo
O Egipto dos Faraós, Luzia Seromenho 
 
De leitura muito agradável e apelativa o livro trata uma civilização esplendorosa e de fascínio inesgotável pois, ainda hoje, estão a ocorrer descobertas fabulosas, mostrando-nos um esplendor quase inimaginável que ocorresse há tantos sé­culos, com os meios e técnicas então disponíveis.
 
A sequência na apresentação dos assuntos é lógica e o desenvolvimento é sóbrio, procurando salientar os aspectos mais relevantes e menos conhecidos. Considero especialmente interes­sante o capítulo que trata da organização social pela caracterização que faz das diferentes classes sociais nomeadamente do “funcionalismo pú­blico” e da “mulher e a família”. Quanto àqueles relevos a exigência de “saber ler e escrever correcta­mente” e ter conhecimentos “específicos das tarefas a desempenhar”. E para neles superintender, em todo o reino, agindo como “intendente-geral do reino” um só homem, o vizir (mais tarde dois, um para o Norte e outro para o Sul). Exemplo seguro e claro da”não-burocracia”, tanto mais de assinalar que as funções eram vastas e os meios de comunicação e as técnicas grandemente limitadas.
 
“A família era fundamental para os egípcios. Iniciava-se com o casamento, um contrato civil e económico no qual a mulher tinha sempre a palavra final”. Que melhor exemplo para os nossos dias? É surpreendente o relevo dado à mulher na sociedade, de tal forma que podemos pensar que se regrediu, e muito, séculos mais tarde. Mesmo no tocante á poligamia, que muitos salientam, parece ter sido muito rara, na prática, e a ter existido seria mais nas classes mais altas porque o cidadão comum tinha somente uma mulher, só voltando a casar em caso de viuvez. É grande a tentação em continuar a referenciar dados sobre a mulher e a família, mas o melhor mesmo é ler o livro…
 
A economia no tempo dos faraós tinha uma relação muito estreita com o Rio Nilo, as suas enchentes, as secas, a fertilidade das margens, como ainda hoje acontece. Curioso foi terem criado um instrumento, o “nilómetro”, para puderem acompanhar o seu comportamento ao longo do ano! A “Religião” e a “Arte e a Arquitectura” são campos que nunca poderiam ser omitidos e o seu tratamento em dois capítulos completam, da melhor forma, o livro que nos coube apreciar, o que fizemos com imenso gosto e que recomendamos não somente àqueles que já visitaram ou tencionam visitar o Egipto, mas a todos os que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre uma civilização única e sempre surpreendente.
 
Adelino Rodrigues Coelho
Tenente-General. Sócio Efectivo e Vogal da Direcção da Revista Militar
 
 
 Teoria do Combate
Carl von Clausewitz 
 
 
As Edições Sílabo, colecção “Clássicos do Pensamento Estratégico, no âmbito “A Estratégia ao Serviço da Política, da Guerra e das Empresas”, acompanhando o interesse pela adaptação do modelo clausewitziano aos mundos da organização e gestão da economia, apresenta este texto que é considerado continuação da maior obra - “Da Guerra” - de Carl von Clausewitz.
 
O Estudo Introdutório e as Notas são da autoria do Major-General Pedro de Pezarat Correia e a tradução, de José Bóia, foi realizada a partir de uma edição alemã de 1980.
 
No seu Estudo o General Pezarat Correia sa­lienta que esta teorização de Clausewitz se ajustou à Revolução Industrial sendo essa antecipação causa do sucesso e sobrevivência da obra. “Por isso, quando a partir dos finais do século XX se começou a falar da Revolução nos Assuntos Militares (RAM), a qual passa por uma profunda renovação tecnológica, mas também pela reformulação organizacional, conceptual e doutrinária (só esta última justifica a classificação de revolução), é forçoso recuar à anterior RAM napoleónica e clausewitziana.” O General salienta a importância de Clausewitz reflectir sobre a guerra com preocupações políticas e militares, dando supremacia à política na forma da estratégia cumprir objectivos definidos pela política, e no âmbito militar valorizando a dialéctica entre meios e fins, a combinação das várias armas e serviços e a actuação de milícias e da guerrilha, e ainda, no campo da conceptualização estratégico-táctica releva a incerteza, o imprevisto e o acaso, bem próprias da actual realidade bélica.
 
A Teoria do Combate organiza-se num Esboço de um plano sobre táctica ou teoria do combate, por sua vez distribuído por Introdução; Teoria Geral do Combate (Combate - Aquartelamento - Acampamentos - Marchas); Combates, Secções bem determinadas, diferentes maneiras de as utilizar; Combates em ligação com a região e o terreno; Combates com objectivos específicos; Sobre os acampamentos e aquartelamentos e Sobre marchas e por um Guia para o estudo da táctica ou da teoria do combate - Teoria geral dos combates, por sua vez dividido em 28 rubricas. Deste importante conjunto destaca-se, para além dos domínios da estratégia e da táctica, o último número dedicado ao Carácter da direcção por ser um dos temas de tratamento privilegiado pela parte do Mestre Clausewitz, onde se diz haver necessidade de dois tipos de coragem, um para não se ser dominado pela sensação de perigo pessoal e outro para se ter em conta o imprevisto, a incerteza e a eles ajustarmos os actos.
 
A Revista Militar agradece a “Edições Sílabo” o exemplar enviado para a sua Biblioteca, felicita a Editora por mais esta obra e os intervenientes na edição; José Bóia, tradutor; Pedro Mota, Capa; Major-General Pezarat Correia, Estudo Introdutório e Notas e o coordenador editorial da colecção, Mestre em Estratégia, Francisco Abreu.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção da Revista Militar
 
General
Gabriel Augusto do Espírito Santo
Coronel
António de Oliveira Pena
Tenente-general
Adelino Rodrigues Coelho
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2006-06-06
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General

Gabriel Augusto do Espírito Santo

Nasceu em Bragança em 8 de Outubro de 1935.

É General do Exército, na situação de Reforma desde o ano 2000, depois de ter servido nas Forças Armadas Portuguesas durante 49 anos.

Além de Tirocínios e Estágios na sua Arma de origem possui os Cursos da Escola do Exército (Artilharia), Curso Complementar de Estado-Maior e Curso Superior de Comando e Direcção (Instituto de Altos Estudos Militares), Curso de Comando e Estado-Maior (Brasil) e o Curso do Colégio de Defesa Nato (Roma).

Falecido em 17 de outubro de 2014.

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Coronel

António de Oliveira Pena

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Tenente-general

Adelino Rodrigues Coelho

Sócio Efetivo da Revista Militar.

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