Nº 2452 - Maio de 2006
Crónicas Bibliográficas
 
 
 
Ascensão e Queda dos Impérios
- Histórias de Guerra da China Antiga
 
 
Em Ascensão e Queda dos Impérios, mostra-se a imponência das cortes, as tramas dos poderosos e influentes senhores e as estratégias das batalhas entre volumosos exércitos, a par de gomos da cultura chinesa, na peugada de pensamentos e provérbios milenares. No prefácio, bem organizado, Francisco Abreu ajuda-nos a obter uma panorâ­mica muito sólida da narração de Histórias de Guerra da China Antiga, elaborada por Yuan Yang e Ming Ping.
 
Numa descrição de onze batalhas, mostram-se lutas ferozes pela supremacia entre diversos estados e reinos, correspondendo a milhares de anos da história chinesa, nas quais se encontram referências apaixonantes e entusiasmadas, com rigor, sensibilidade e um elevado nível de coerência:
 
 
 
 
- A lendária batalha de Zhuolu descreve a “mais antiga e famosa guerra travada na China”;
 
- A batalha de Mingtiao materializa a queda da poderosa dinastia Xia (século XVI aC);
 
- A batalha de Changshuo releva como elementos cruciais da estratégia para a vitória “a coragem e a tenacidade dos soldados” (século VII aC);
 
- A batalha de Chengpu demonstra que o provérbio chinês “recuar três she para evitar um conflito” pode ser uma regra estratégica para recuperar a coragem e as forças e ganhar ânimo para derrotar o inimigo (século VI aC);
 
- A dramática derrota do estado de Yan, desgastado por cerca de trinta anos em combates com os povos de Qi Jie (século III aC);
 
- A batalha de Changping provocou ao estado de Zhao um número colossal de baixas, após grandes embates entre este e o estado de Qin (século III aC);
- A batalha de Julu apressou a queda do poder de Qin (século III aC);
 
- A derrota do estado de Zhao culminou um conjunto de acções que constituíram importantes marcos de natureza bélica (no final do século III aC);
 
- A batalha de Gaixia deu a vitória a Liu Bang, fundador de uma dinastia que durou mais de quatrocentos anos (no limiar do século II aC);
 
- A batalha de Chibi originou a formação dos estados de Wei, Shu e Wu (século II aC);
 
- A batalha de Feishui foi decisiva para a estabilidade dos povos de Jin Oriental (século IV aC).
 
A Revista Militar agradece a oferta do exemplar da obra e felicita as “Edições Silabo” pela publicação desta obra que se recomenda vivamente aos estudiosos da estratégia militar.
 
Major-General Adelino de Matos Coelho,
Sócio Efectivo da Revista Militar
 
 
 

 Geronimo e os Apaches

- Autobiografia do Último Chefe Índio
 
 
Geronimo e os Apaches constitui um documento escrito, simultaneamente, genuíno e raro, acerca dos índios norte-americanos, elaborado com infor­mações narradas pelo último chefe índio. A partir da sua história pessoal, Geronimo descreve pormenorizadamente a vida da sua tribo, revelando-nos perspectivas fascinantes sobre os Apaches - história, religião, organização social, costumes e tradições - dando-nos testemunhos emotivos e apaixonantes, de inegável valor histórico.
 
 
Enriquecida com um estudo introdutório, da autoria do Tenente-Coronel de Cavalaria António Nuno Marcos Andrade, esta obra proporciona “o conhecimento de um líder e de um povo cujo amor à liberdade persiste no nosso imaginário colectivo”, bem como uma noção acerca do território apache, abordando a organização social dos nativos da América do Norte e os contactos com os primeiros europeus, descrevendo os Apaches, nas suas origens “chiricahuas”, na sua estrutura social, nas suas relações com a religião e com a arte da guerra, no seu posicionamento de confronto civilizacional com os Estados Unidos da América, ge­rando e gerindo conflitos assimétricos, concluído com uma análise sobre a personalidade de Geronimo (1829-1909).
 
Na Autobiografia do Último Chefe Índio, a Parte I, sobre as origens dos Apaches e as suas subdivisões, a infância de Geronimo, os divertimentos, usos e costumes tribais e a organização familiar constituem um enriquecedor rol de informações de natureza sociológica e pessoal.
 
As lutas com os mexicanos, referidas na parte II, enumeram um conjunto de elementos de natureza estratégica, com descrições cheias de intensidade - são, disso, exemplos os efeitos traumáticos do massacre mexicano no acampamento, perto de Kas-Ki-Yeh, saldado com uma “vingança apache”, a que se seguiram, durante mais de vinte anos e em território mexicano, múltiplas incursões bem sucedidas e combates renhidos, também com algumas derrotas, com destaque para a “maior batalha de Geronimo” e a última contra os mexicanos, na região de Arispe (cuja rendição, e respectivos termos, é examinada no apêndice final).
 
Na Parte III, é evidente a o choque de sensibilidades na descrição do relacionamento com os brancos, desde a chegada ao território apache, às injustiças levadas a cabo pelas tropas dos Estados Unidos, até às experiências de prisioneiro e da fuga para continuar a guerra.
 
A finalizar, na Parte IV, ao estabelecer a relação entre o “velho e o novo”, recriam-se as leis orais dos Apaches (os julgamentos, o afecto às crianças órfãs, o “Lago Salgado”, a preparação de um guerreiro e as danças características), sublinhando importância aos Apaches na Exposição Mundial e confrontando aspectos da religião com as esperanças para o futuro.
 
A Revista Militar agradece a oferta do exemplar da obra e felicita as “Edições Silabo” por esta publicação, cuja leitura se recomenda vivamente.
 
Major-General Adelino de Matos Coelho,
Sócio Efectivo da Revista Militar
 
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Adelino de Matos Coelho
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2006-06-18
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Major-general

Adelino de Matos Coelho

Habilitado com os Cursos de Infantaria, da Academia Militar, Geral de Comando e Estado-Maior e Superior de Comando e Direção, do Instituto de Altos Estudos Militares; possui outros Cursos de que se destacam o de Oficial de Informação Pública do Comando Aliado da Europa da OTAN (Bélgica), o Curso Militar de Direito Internacional dos Conflitos Armados, do Instituto de Direito Humanitário de Sanremo (Itália) e o Diploma de Pós-Graduação em Estudos Europeus da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades e Órgãos do Exército, nomeadamente, no Regimento de Infantaria de nº 3, em Beja, que comandou, e no Estado-Maior do Exército, onde desempenhou o cargo de Chefe da Divisão de Pessoal. Além disso, também desempenhou carg

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