Nº 2545/2546 - Fevereiro/Março de 2014
Nota da Direcção
General
José Luiz Pinto Ramalho

Em 17 de dezembro de 2013, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa, foi outorgado o grau de Doutor ao Coronel Nuno Correia Barrento de Lemos Pires, após prestar provas públicas na defesa da sua Tese de Doutoramento em História, Defesa e Relações Internacionais (Curso organizado numa parceria com a Academia Militar) sob o título “O Comando Holístico da Guerra: Wellington, Spínola e Petraeus” e cujo conteúdo se transcreve:

“Entender uma determinada situação de guerra implica uma visão completa e abrangente sobre todos os fatores presentes. Quem recebe a responsabilidade de comandar o esforço de guerra de uma nação, coligação ou aliança, deve ter uma visão holística que lhe possibilite usar todos os meios possíveis na implementação de uma política abrangente, global e completa.

O comando holístico da guerra desenvolve-se em quatro dimensões principais. A primeira dimensão advém da natureza das estruturas de forças existentes. Deve haver um efetivo comando sobre todas as diferentes forças presentes, armadas e de segurança, militares e paramilitares. A segunda dimensão abrange a coordenação efetiva entre organizações civis e militares, governamentais, não-governamentais e privadas, entre as organizações internacionais e os vários Estados, coligações e alianças. A terceira dimensão trata da coerência entre a política, a estratégia, as operações e a tática, num todo abrangente e interpenetrável onde, por um lado, se separa claramente quem pode decidir o quê e a que nível (patamar de decisão) e, por outro, se tenta incrementar a participação e partilha, de aconselhamento e acompanhamento, que permita as melhores decisões e consequentes alterações estratégicas. Na última e quarta dimensão, do tempo, as políticas decididas e as estratégias daí decorrentes, têm de ser pensadas concorrentemente para o antes, o durante e o pós-guerra (ante, in et post bellum), sem faseamentos ou períodos estanques.

Wellington, Spínola e Petraeus foram os principais responsáveis pelo trabalho de vastas equipas de civis e militares que, em determinados períodos da história e distintos palcos geográficos, ou seja, em situações de guerra bastantes diferenciáveis, tiveram a oportunidade de exercer um comando holístico fazendo uso, ou não, destas quatro dimensões. O que conseguiram e obtiveram, ou não, das experiências efetuadas e das doutrinas utilizadas, do que a realidade no terreno lhes impôs e do que as decisões políticas lhes determinaram (de que enfermavam continuamente) e que condicionaram na ação estratégica de cada um, constituíram uma importante parte deste estudo.

Das reflexões sobre a temática e da aplicabilidade nas situações referidas em Wellington, Spínola e Petraeus pudemos então construir uma teoria geral sobre o comando holístico da guerra que agora se apresenta e propõe”.

A Tese, aprovada por unanimidade com Distinção, foi defendida perante um Júri composto por: Prof. Doutora Maria João Vaz (Presidente do Júri), Prof Doutor Nuno Severiano Teixeira (Professor Convidado), Prof Doutor António José Telo (Professor da Academia Militar), Coronel Tirocinado João Jorge Botelho Vieira Borges (Professor da Academia Militar), Prof Doutor Bruno Cardoso Reis (Arguente Externo), General Gabriel Augusto do Espírito Santo (Arguente Externo), e Prof Doutor Luís Nuno Rodrigues (Orientador).

A Revista Militar regista com muito agrado a distinção académica deste Sócio Efetivo, felicitando-o cordialmente.

 

 

General José Luiz Pinto Ramalho

Presidente da Direção da Revista Militar

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2014-06-14
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General

José Luiz Pinto Ramalho

Nasceu em Sintra, em 21 de Abril de 1947, e entrou na Academia Militar em 6 de Outubro de 1964. 

Em 17 de Dezembro de 2011, terminou o seu mandato de 3+2 anos como Chefe do Estado-Maior do Exército, passando à situação de Reserva.

Em 21 Abril de 2012 passou à situação de reforma.

Atualmente exerce as funções de presidente da Direção da Revista Militar.

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by CMG Armando Dias Correia