Nº 2453/2454 - Junho/Julho de 2006
Nota cronológica -
Coronel
António de Oliveira Pena

Cabo Verde - nos 30 anos de Independência

Recordação da passagem de testemunho
 
 
Imagens” do discurso do momento último
- 04 de Julho de 1975 - do Alto-Comissário Português
e Presidente do Governo de Transição
 
Ao longo do ano de 2005 o Governo de Cabo Verde, e diversas organi­zações culturais cabo-verdianas, realizaram sessões comemorativas dos trinta anos de Independência do país, homenageando as gerações de cabo-verdianas e cabo-verdianos que participaram no combate patriótico e, contribuindo para fazer história, recolhendo e arquivando documentação relativa ao Processo de Transição.
 
Em cerimónia realizada em Lisboa, relacionada com a entrega de documentação, o Vice-Almirante Vicente Almeida D´Eça, Alto-Comissário e Presidente do Governo de Transição, teve a oportunidade de apresentar uma comunicação respeitante ao discurso de passagem de testemunho ao Governo totalmente cabo-verdiano que proferiu, pela rádio, em 04 de Julho de 1975, véspera da Independência do novo país.
 
As palavras do Almirante na cerimónia, e a análise do discurso de 1975, mereceram elogiosos comentários dos intervenientes na sessão e larga referência nos aspectos históricos - Memória - na imprensa de Cabo Verde,
A Semana” de terça-feira, 05 de Julho de 1975.
 
Sobreviver à história com grande Paz interior... procurar a Raiz Histórica do País - Opção de Paz na Construção de Cabo Verde - é da História que retiramos sentido para ser útil à Europa com reciprocidade por parte da Europa” e “Temos o resultado do passado. Como vai ser o futuro nesta sociedade globalizada onde todos se devem unir!
 
Juridicamente é sempre possível uma acção, nomeadamente conseguir a adesão de Cabo Verde à União Europeia”, foram algumas das palavras proferidas na cerimónia em resposta à intervenção do Almirante Almeida D’Eça, as primeiras do Encarregado de Negócios de Cabo Verde e as seguintes da Dra Francisca Mascarenhas, Advogada em Portugal e possuidoras de ambas as nacionalidades, intervindo como “cidadã de dois países unidos por laços umbilicais”.
 
A reportagem da historiadora Marilene Pereira, “A Semana” de 05Jul05, ‘A vossa terra será para o vosso povo’, respeitante à recordação da passagem do testemunho, contribui para realçar a conveniência em se aprofundar a história dos países resultantes do “25 de Abril Português”, nela incluindo os Processos dos Períodos de Transição.
No Governo de Transição em apreço, cabo-verdianos e portugueses traçaram caminhos novos, como se nota pela satisfação da altura e actual do Alto-Comissário pelo trabalho de equipa realizado durante seis meses.
 
No trabalho de “A Semana” também se destaca, como importante realce do Almirante na sua intervenção de 2005, a influência positiva da ONU, em especial do, na altura, Secretário-Geral Kurt Waldeim, nos ‘primeiros passos para a reformulação do ensino e da estrutura judicial em termos cabo-verdianos e democratização das estruturas, saneamento e reclassificação da administração pública’.
 
Ontem, 1975, e agora 2006, importa meditar na mensagem do Vice-Almirante Vicente de Almeida D’Eça como referência a desenvolver e apoiar, ‘a maior potencialidade destas ilhas reside no seu povo, nas suas qualidades de perseverança, já forjadas na luta contra uma terra hostil, na sua vivacidade intelectual, na sua capacidade de adaptação, no seu optimismo, na sua bondade e calor humano que ressaltam claros logo ao primeiro contacto’.
 
António de Oliveira Pena
Coronel, Director-Gerente do Executivo da Direcção
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2006-10-11
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REVISTA MILITAR @ 2019
by CMG Armando Dias Correia