Nº 2554 - Novembro de 2014
EDITORIAL
General
José Luiz Pinto Ramalho

Como dissemos no número anterior da Revista Militar, que já se encontrava em trabalhos de tipografia, no pretérito dia 17 de outubro, fomos surpreendidos pelo súbito falecimento do General Gabriel Augusto do Espírito Santo, antigo Presidente da Direção, durante dez anos (de janeiro de 2001 a dezembro de 2011).

Durante o seu mandato empenhou-se em abordar os grandes temas que importam às Forças Armadas, nomeadamente a Defesa Nacional, a especificidade da Instituição Militar, a Condição Militar e as “relações civis-militares”, sempre de forma esclarecida, profunda e sustentada, com frontalidade e chamando à atenção das responsabilidades da sociedade e da tutela política para com aquelas realidades estruturantes do Estado. Fê-lo através dos seus editoriais, artigos e estudos de História Militar e, também com os Encontros da Revista Militar, que iniciou, promoveu e ajudou a desenvolver durante vários anos, assim como procurou fazer da mesma um fórum para os militares, para apresentação de ideias e debate.

A Direção da Revista dedica este número de novembro de 2014 à memória do General Gabriel do Espírito Santo, homenageando assim a figura do General, do Académico, do Camarada e do Amigo que foi para todos nós em geral e para mim em particular, que tive a honra e o privilégio de o render na direção da Revista Militar. É com esse intuito que se publica o artigo inédito «Quarenta anos de reformas nas Forças Armadas: uma avaliação» que o General Espírito Santo fez chegar à Revista, em 8 de outubro, no dia do seu septuagésimo nono aniversário e sobre o qual tive ainda a grata ventura de com ele conversar. Com o mesmo sentido, também se republicam o primeiro e o último Editorial por si escritos, assim como dois artigos que, pela objetividade, clareza e inequívoca oportunidade, justificam a sua leitura atenta[1].

Sublinhamos, igualmente o reconhecimento que algumas personalidades, incluindo sócios da Revista, fizeram chegar à Direção e que também se publicam neste número que lhe é dedicado

Durante os últimos três anos, continuou a ser um colaborador assíduo da Revista Militar, quer com os seus artigos e com palavra amiga de incentivo e de apoio, sempre que um novo número era publicado, quer participando nas várias iniciativas da revista, como orador ou moderador.

Ilustre e insigne militar, combatente, intelectual, muito competente e pragmático, humano e grande camarada, honrou a Pátria, prestigiou as Forças Armadas Portuguesas e conferiu acrescida dignidade e prestígio à Revista Militar. Olhando a sua Carreira Militar, a obra literária que nos lega e o seu pensamento e clarividência sobre os temas militares, que deixou expressos, por escrito e como professor das várias Escolas Militares e do Colégio de Defesa da OTAN, só nos resta referirmo-nos ao General Espírito Santo como um Grande General das nossas Forças Armadas.

E os Grandes Generais não morrem, deixam de ser vistos fisicamente, mas permanecem vivos na memória dos seus pares e subordinados, são referências das instituições que ao longo da vida dedicadamente serviram e engrandecem o património histórico nacional.

Meu General, meu Comandante, meu Amigo, Até Sempre!

 


[1] «Nação, Estado e Instituição Militar», Volume 159, Dez, 2007, pp. 1339-1373 e «Valores, relações civis militares e cultura para a defesa», Volume164, Dez, 2012, pp. 1147-1156.

 

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2015-03-23
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General

José Luiz Pinto Ramalho

Nasceu em Sintra, em 21 de Abril de 1947, e entrou na Academia Militar em 6 de Outubro de 1964. 

Em 17 de Dezembro de 2011, terminou o seu mandato de 3+2 anos como Chefe do Estado-Maior do Exército, passando à situação de Reserva.

Em 21 Abril de 2012 passou à situação de reforma.

Atualmente exerce as funções de presidente da Direção da Revista Militar.

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by CMG Armando Dias Correia