
Em primeiro lugar, uma palavra de agradecimento por terem aceite participar neste evento da Revista Militar, que tem duas grandes finalidades: refletir sobre os desafios que a atual Conjuntura Estratégica tem colocado à Estratégia Militar e aos decisores políticos sobre opções a tomar relativamente aos Instrumentos Militares e, também, ajudar a preparar a realização dos Encontros da Revista Militar, que este ano terão lugar no Instituto Universitário Militar.
Interessa-nos refletir sobre as realidades operacionais que temos verificado no Teatro de Operações da Ucrânia, o predomínio da utilização massiva de drones e a utilização dos sistemas de armas distintivos do Exército, em particular, os meios de defesa antiaérea, quer das tropas quer das infraestruturas críticas. Cabe a questão, se estamos perante uma alteração estrutural dos sistemas de armas tradicionais, ou devemos continuar a encarar, como sempre o fizemos no âmbito da Teoria Geral da Estratégia, os avanços da Tecnologia e da Inovação, como um elemento adicional da Força contemplado no domínio da Lei da Evolução da Guerra.
A recente parada militar realizada em Pequim, parece continuar a preservar capacidades, que alguns analistas consideravam ultrapassadas ou mesmo dispensáveis, a par da apresentação de uma nova tríade anti-drone, constituída por meios tradicionais de projéteis, metralhadoras, artilharia de baixo calibre e mísseis ligeiros, a par da guerra eletrónica, as armas de partículas de alta velocidade e de energia dirigida e os lasers de alta potência.
Esta é uma reflexão que deve ser feita no quadro de modernização e reequipamento das nossas Forças Armadas, designadamente numa altura que há incentivos externos ao investimento na Defesa e nos Sistemas de Armas. Paralelamente, importa ter presente que sem Recursos Humanos não há possibilidade para levantar novas capacidades – também sobre esta matéria, é necessário uma reflexão urgente.
Deixo este conjunto de preocupações não para condicionar os trabalhos, mas sim para funcionar como um conjunto de interrogações que, se possível, possam ser incluídas e esclarecidas, nas vossas intervenções.
Mais uma vez, os agradecimentos da Revista Militar pela Vossa disponibilidade para participarem nesta sessão de trabalho, a par da contribuição dos vossas reflexões sobre os Temas propostos.
Muito Obrigado pela Vossa atenção.
Nasceu em Sintra, em 21 de Abril de 1947, e entrou na Academia Militar em 6 de Outubro de 1964.
Em 17 de Dezembro de 2011, terminou o seu mandato de 3+2 anos como Chefe do Estado-Maior do Exército, passando à situação de Reserva.
Em 21 Abril de 2012 passou à situação de reforma.
Atualmente exerce as funções de Presidente da Direção da Revista Militar e de Presidente da Liga da Multissecular de Amizade Portugal-China.