Nº 2687 - Dezembro de 2025
Pessoa coletiva com estatuto de utilidade pública
Editorial
General
José Luiz Pinto Ramalho

Com a edição da Revista Militar de dezembro, completa-se o ciclo Editorial do ano de 2025, assim como o programa de atividades programado e aprovado para o corrente ano, que foi realizado na sua totalidade. Sendo a última Revista do ano, é também a oportunidade para desejar a todos os sócios, colaboradores, assinantes e seguidores, que tenham passado umas Boas Festas e fazer votos de um Bom Ano de 2026.

O Programa de Atividades para o ano de 2026 já está delineado e aprovado em Assembleia-geral, constando das nove edições (doze números) em papel da Revista Militar; a realização dos tradicionais Encontros, com uma parceria externa a definir oportunamente e de um ou dois “Workshops” com temas da atualidade, que possam servir também à realização dos Encontros. A Direção procurará dinamizar ao máximo estas atividades de reflexão estratégica, sendo a primeira sobre a Nova Estratégia Nacional dos EUA, a realizar muito em breve. Os limites para estas iniciativas estão diretamente relacionados com a dimensão e disponibilidade dos recursos financeiros, como aliás é a realidade da vivência da Revista Militar.

Temos a noção de que o ano de 2026 é um ano de desafios, não só em termos estratégicos internacionais como também para a Revista Militar. O próximo ano é um ano eleitoral, circunstância que é sempre uma oportunidade para revitalizar a vida associativa, promover a renovação dos Corpos Sociais e criar novas dinâmicas, inclusive editoriais. Sensibilizam-se os Sócios para essa situação e para a sua adesão a uma participação mais ativa na vida da Revista Militar, elaborando Listas que diversifiquem e enriqueçam o processo eleitoral.

Em termos internacionais, vamos iniciar o Ano de 2026 de forma semelhante ao terminar do ano de 2025, a continuação da guerra na Ucrânia, sem que se vislumbre um processo consistente de Acordo para o fim das hostilidades, a par da demonstrada incapacidade dos EUA nesta matéria e a irrelevância das posições europeias, seja da UE seja do Reino Unido, da Alemanha ou da França, apesar desta última se ter disponibilizado para falar com Putin. Paralelamente, continua a dificuldade de implementação do processo de estabilização em Gaza, tardando a normalização da ajuda humanitária, do processo de reconstrução e, mais difícil ainda, da definição do controlo político e administrativo e de normalização das condições de segurança para a vida dos Palestinianos.

No próximo ano, continuaremos confrontados com as posições, sempre imprevisíveis ou dúbias do Presidente dos EUA, Donald Trump, que acaba por gerar instabilidade nas relações internacionais, quer entre adversários, a China, a Rússia e o Irão, ou entre aliados, seja no seio da OTAN ou da UE.

É a construção de uma Nova Ordem Internacional, baseada em áreas de influência e no primado do uso da força para garantir o interesse nacional, algo que está fora dos conceitos tradicionais que a comunidade Internacional, dita Ocidental, sempre defendeu e que constituíam os fundamentos da Ordem Internacional que conhecíamos e seguíamos nas Relações Internacionais.

Vamos iniciar o ano de 2026 com vários focos de tensão, a que Trump não é estranho. Esses focos de tensão centram-se na América Latina, mas englobam a Europa e também o Irão. Na América Latina, o potencial de combate americano presente naquela região estratégica e dirigido à Venezuela faz admitir que serão inevitáveis ações de força, incluindo militares contra aquele país. Devem igualmente estar presentes as ameaças americanas de agirem contra os cartéis da droga, quer relativamente ao México quer na Colômbia. Também a situação em Cuba, tendo presente as declarações de Marco Rubio, relativamente à permanência do regime, não devem ser ignoradas.

A situação interna no Irão e as ameaças americanas de uma possível intervenção têm reforçado a tensão entre os dois países, com a afirmação do primeiro a declarar que, caso seja atacado, retaliará sobre as forças militares americanas presentes na região e também sobre Israel. Por último, as declarações de Trump sobre a Gronelândia, que deixa os europeus alarmados, em particular a Dinamarca, e que gera instabilidade, quer no seio da OTAN quer da UE.

Estamos perante um novo ano desafiante, quer em termos estratégicos a nível internacional quer para a vida da Revista Militar. Com otimismo e esperança, certamente conseguiremos encontrar as melhores soluções.

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2026-03-09
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General

José Luiz Pinto Ramalho

Nasceu em Sintra, em 21 de Abril de 1947, e entrou na Academia Militar em 6 de Outubro de 1964. 

Em 17 de Dezembro de 2011, terminou o seu mandato de 3+2 anos como Chefe do Estado-Maior do Exército, passando à situação de Reserva.

Em 21 Abril de 2012 passou à situação de reforma.

Atualmente exerce as funções de Presidente da Direção da Revista Militar e de Presidente da Liga da Multissecular de Amizade Portugal-China.

REVISTA MILITAR @ 2026
by COM Armando Dias Correia